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Posts com a tag "Grecia"

Pechinche sempre. Não se constranja, não há outra solução.

08 de dezembro de 2011 0

Se você estiver indo para a Grécia ou Turquia, o idioma pode parecer um dificultador, mas basta falar inglês ou francês que todos entendem. E pechinche, em qualquer idioma, sempre, da conta do restaurante à diária do hotel, etc. É um hábito bem diferente do nosso, mas é comum lá. Pechinche ou dance. Eles dizem que o ato estabelece uma relação entre comprador e vendedor. E gostam disso.

Quando você olhar o mapa, observe um pouco: eles estão num ponto que sempre foi de grande tráfego e de grande comércio. Ali, por séculos, passaram exércitos, batalhões, comerciantes e peregrinos. Não tente ser mais esperto. É impossível superá-los, mas não dê moleza; vá à luta.

No ano passado, ficamos uns 15 dias pela Turquia. E posso lhe recomendar: em Istambul, fique no Centro Antigo, que é perto de tudo. Esqueça a capital, Ankara. A cidade é boa, porém sem atrações. Mas, em qualquer lugar, não deixe de provar o gozleme (uma panqueca deliciosa) e o kunefe, uma sobremesa também deliciosa, sem nada parecido aqui no Brasil. A Praça Taksim é um bom passeio para quem gosta de agito. Muitas lojas, música, ótimos restaurantes, e a Torre de Gálata, que tem uma vista de 360 graus lindíssima.

A alimentação dos turcos é muito saudável: frutas e legumes com sabor e cor exuberantes. Os pães são deliciosos também. Após a refeição, sempre um chá de maçã – bebida supertradicional.

O museu (há vários) que achei mais incrível foi o Palácio Dolmabahçe, antigo castelo onde morou Atatürk, líder da República Turca. Além de uma vista ímpar do Bósforo e de parte da cidade, tem móveis, troféus, tapetes, e, ainda, o lustre mais pesado que se conhece (coisa de toneladas).

Na Capadócia não fui, havia estado nas vezes anteriores, mas o passeio de balão não existia. Lamentei muito quando vi as fotos aéreas feitas pelos amigos.

Não perca também os mosteiros. Todos têm algo que vai lhe interessar. Com freqüência, são prédios que têm uma história de 2 a 3 vezes o que o nosso Brasil tem de vida.

Pamukkale também gera uma grande expectativa (já foi até o início do Fantástico) por causa das fotos maravilhosas, mas, às vezes, acaba decepcionando – não que não valha a visita, mas, em parte, porque as piscinas só enchem na época de chuvas (o que, felizmente, não foi o caso desta viagem).

Euros, Porsches e George Soros

07 de novembro de 2011 0

O Porsche Cayenne é um carro de € 50.000,00. Até aí, tudo bem, mas o surpreendente é que existem mais Porsche Cayenne rodando na Grécia do que pessoas que admitem para o imposto de renda estarem ganhando mais de €50.000,00 por ano. Ou seja, a operação não fecha.

O editor financeiro do The Daily Telegraph de Londres nos dá uma idéia de porque as coisas na Grécia não estão nem nunca vão dar certo.

Ele explica melhor: "Enquanto operários alemães da indústria de automóveis se orgulham da sua qualidade de trabalho e do consequente  sucesso do veículo e das suas exportações, os pagantes de impostos alemães não estão nada alegres em financiar uma nação que não cumpre a obrigação de pagar suas dívidas”. A aposentadoria grega se dá entre 50 e 58 anos de idade, “enquanto os alemães trabalham 12 anos a mais”, continua ele.

Alguma coisa está errada. Na modesta cidade de Larissa, capital da região de Tessália, com cerca de 250 mil habitantes, tem, proporcionalmente, mais Porche Cayenne (o mais caro) que entre a população de NY ou de Londres. Aliás, Larissa tem mais Porches do que a cidade de Stuttgart, onde está a fábrica Porsche, e é o sonho de consumo de qualquer cidadão da rica cidade. E a agricultura na Grécia não é forte – o setor produziu, neste ano, apenas 3,2% do produto interno bruto (no ano 2000, produzia 6,25%).

Difícil de acreditar? Também acho. Portanto, não leve muito a sério o que eu escrevo nessa área; quem faz a afirmação chama-se George Soros. Diz mais, e melhor, o Acordo da Semana, que busca salvar o euro, pode atrasar o processo, mas não é uma solução permanente. Pelo contrário, vai durar muito pouco tempo.

Foto: STR, AFP, ZH 07-11-11, p. 22

A Grécia e seus percalços

21 de outubro de 2011 0

Andei por lá há pouco, o que não me autoriza... a dar palpites em sua economia.

Como todos, já li do seu passado e dos seus deuses, mas sei também que os atuais administradores (falo dos últimos 30 anos) não merecem apoio nenhum. Socialistas sim. E daí? Só discursos não chegam.

O erro teria sido colocá-los no Mercado Comum. Como pode a Grécia se irmanar com Alemanha e França? É claro que não ia dar. Os três têm idade, tradição, etc., mas é só o que há em comum. Além disso, no caso da Grécia, só turismo, azeite, algum vinho, moussakas, barcos, pescadores, souvlakis, navios e marinheiros... É muito pouco.

Deve a Europa continuar a financiar um país que fez oito “arenas” para esportes olímpicos? Para uma média de 30 a 40 mil espectadores e tem 3,5 milhões de habitantes? É melhor assinar o calote e reconhecer: “sim, erramos” Mas qual é o banqueiro que vai dizer isso?

Uma tarde, as mulheres foram às compras, e eu, de táxi, fui ver as arenas. São oito. Duas estão com meio uso: são estacionamentos. As outras já têm uma floresta dentro (em breve, vai rivalizar com a Amazônica – ta bem, é demais, quem sabe com a Mata Atlântica). Não conseguiram alugar, vender, emprestar, e, muito menos, cuidar.

Quanto ao turismo, exageraram. Atenas, hoje, é mais cara que Paris. Consequentemente, os europeus, aos poucos, foram encontrando outros lugares que lhes emprestam a areia e o sol por muito menos euros. Quem vai hoje? O pessoal da antiga cortina de ferro – segundo nos disseram, metade são sacoleiros (nada contra a classe, pelo contrário; depois de setenta anos sob o domínio soviético, qualquer iniciativa deve ser elogiada).

Finalmente, pergunto: devem os alemães e os franceses se aposentar aos 65-68 anos para manter os gregos, que param aos 50?.

Por que azeite do Mediterrâneo?

11 de fevereiro de 2011 Comentários desativados

Também não sei ou sabia, mas tendo vindo da Grécia onde está gravada na memória de todos os viajantes a primeira visão da Acrópole cercada de oliveiras. O conjunto Acrópole/ oliveiras transforma o morro num retrato monocromático de emoção.

O sol que é escaldante no verão e brando no inverno age como uma espécie de fornalha. Ás vezes em fogo alto, às vezes em fogo baixo como um mestre cuca. Quem controla  sua intensidade é a deusa Athena.

Cuida da capital e cuida também de suas azeitonas, uma a uma, dourando-as à medida certa.

As águas que banham as costas não são vistas dali. Seria uma covardia!

O azul só é visto mais longe, no Mediterrâneo e no extremo sul da península no Peloponese. Ali o azul é acrescentado ao cinza das oliveiras em plantações milenarmente distribuídas naquelas encostas.

É uma região onde o céu e o mar se confunde no horizonte, os tons de azul-turquesa e a brisa do Mediterrâneo batem o ano inteiro e vão marinando lentamente cada fruto em cada pé.

Lá pelo fim do outono gente simples de povoados como Kalamata  e uma centena de outros se encontram para o dia sagrado: o primeiro dia da colheita.

Em cada gota de azeite, o sol e a brisa que falamos deixaram sua marca: o fresco aroma com sabor de frutos verdes, dourados, avermelhados, cada vez mais escuros, até chegarem a um verde quase negro. Um milagre.

Nem por isso deixaram de ser sagradas. Afinal, os montes do Peloponeso recebem todos os dias, os cuidados da divindade clássica: Zeus, Deus supremo do céu e da Terra, e a graça de sua filha Athena, deusa do azeite e da sabedoria.

Não me surpreenderia se fossem descobertos alguns escritos da época que dissessem que ela mesma espreme as azeitonas maduras uma por uma.