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Posts com a tag "importação"

Mercosul: vai ou não vai?

24 de janeiro de 2012 0

Nossa indústria, há muito ameaçada, encontra-se em queda de produção, onerada por pesadas taxas, câmbio irreal e importações baratas. A FIESP, que, há muito tempo, deveria liderar sérios protestos, perde-se em jantares, discursos utópicos “nunca antes ouvidos neste país” e campanhas eleitoreiras – curiosamente de brimos, Haddad, Maluf, Kassab, Skaf, Temer.

Ao mesmo tempo que nossos vizinhos e sócios do Mercosul importam e acobertam a entrada de produtos chineses, que passam como fabricados no Uruguai, Paraguai e Argentina. O certificado de origem é falsificado pelos próprios chineses. Assim, burlam as taxas impostas pelo governo brasileiro aos produtos made in China.

Mas parece que sempre, ou quase sempre, foi assim. O Uruguai, há muito tempo, importava leite em pó da Nova Zelândia e vendia para nós. Era sabido por todos, porque nem que as vacas vizinhas fossem supervacas e produzissem o triplo o país não poderia produzir tanto leite em pó – e produzia.

Mas não somos só os sul-americanos a agir assim. Lembro, também, das laranjas jaffa que Israel, com aquele tamainho, vendia para toda a Europa como suas – na realidade, eram produzidas na África do Sul. Caiu o Aparthaid? Acabaram as laranjas baratas na Europa.

Mas nós, brazucas, também não somos confiáveis. Quando a África do Sul estava sob embargo comercial, nossos produtos petroquímicos iam direto para lá – só a papelada é que fazia uma triangulação na Holanda.

Escrevi tudo isso só para você pensar um pouco: será que alguma sociedade pode funcionar quando os sócios trapaceiam uns aos outros? Não precisa responder…

Alimentos no Brasil II

04 de janeiro de 2012 0

Continuando a ler o jornal o Globo, procurei me informar e aprendi que o varejo busca importados porque são mais baratos que os produtos nacionais. Portanto, o sinal de alerta é o preço. Pudera, com o que pagamos de impostos! E assim o Super Mercado Zona Sul (do Rio) diz que importa maçãs, kiwi e peras da Itália porque os preços mais baixos tornam o super mais competitivo. Já o Hortifruti, de Botafogo, diz que compra ameixas da Espanha, peras dos Estados Unidos e Portugal, além de kiwis da Itália. Ressalta, também, que as cebolas da Espanha são ótimas e mais baratas.

Um corretor do mercado do feijão diz que a tendência de importação só faz aumentar, e lembra que um saco de feijão que vem da China custa R$ 80,00. O nosso? R$ 90,00.

Já o limão vem da Espanha e do Uruguai, onde, como não tomam caipirinha, deve sobrar limão. Mas o aumento da importação este ano foi de 45,6% (gostaria de saber se o consumo da mardita aumentou na mesma proporção).

É um alerta, uma oportunidade para os produtores nacionais olharem com mais atenção o consumidor que procura mais variedade. Hoje, importam-se produtos que poderiam ser produzidos aqui. Claro que a produção brasileira é muito mais volumosa em relação ao que se importa. Mas é preciso ficar atento ao movimento. Entre os produtos asiáticos, vêm laranjas da Tailândia e da Austrália, arroz parboilizado da Índia e caquis espanhóis. O crescimento tem sido de 20% ao ano.

Como se vê, o Brasil vem aumentando até as importações de frutas e sucos de frutas. Temos condições excelentes de produzir quase tudo. A questão é ver o porquê de o país não conseguir atender a demanda.

O professor Marcos Fava Neves, professor de Estratégia da FEA-USP, em Ribeirão Preto, considera o avanço lamentável. Para ele, é preciso agregar valor aos produtos se o Brasil quiser continuar disputando o mercado global.

“O Brasil está comprando arroz diferenciado e aromático da Índia e da Tailândia. Não temos arroz sofisticado. O Brasil está perdendo a corrida. Hoje, o que o país cultiva (produtos de baixo valor) ninguém quer.”

Ou seja, não é um país pequeno e miserável com baixo custo de mão de obra que consegue exportar para nós a baixo preço. Não!  São quase todos os países. Ou seja, é o nosso produto que é caríssimo. Ou seja, a nossa taxação é extorsiva. Lembro que já importamos até batata da Holanda. E, ao escrever isso, lembro que não só o holandês produz o produto, mas também a sua terra. Sim. Não fabrica terra, mas teve que construir diques para que as “terras baixas” subissem para serem mais altas que o nível do mar e pudessem ser agriculturáveis.

Alimentos no Brasil

02 de janeiro de 2012 0

Sempre se soube que o Brasil é um grande produtor de alimentos. Isso todo mundo sabe, e não sou eu, que nunca plantei um pé de couve, que vou contestar.

Mas, no último feriadão do ano com chuva, em Floripa, andei lendo até o Caderno Agrícola. E fiquei estarrecido ao ler que alimentos populares como feijão, arroz, e até a banana, vêm de países distantes e estão cada vez mais presentes na nossa mesa. O decantado celeiro agrícola Brasil registra avanço superior a 380% no ano na importação de alguns desses alimentos.

Os dados são do Ministério do Desenvolvimento. A importação de feijão subiu 56% neste ano, após crescer 24% em 2010. O feijão francês representa 31% das compras feitas pelo Brasil lá fora. A banana, símbolo do país tropical, também vem de longe – pior ainda, junto com os cocos da Tailândia.

Alardeamos que temos terra, água, clima, tecnologia e mão de obra, mas para satisfazer a crescente demanda por produtos agropecuários – e é verdade.

O que é que está acontecendo? Será que o consumo subiu tanto? Os produtores dizem que não. Somos grandes produtores de café, cana de açúcar e laranja; o segundo maior produtor de soja e o maior exportador de carnes. E aí?

Um dos problemas reconhecidos é a precariedade de nossa infraestrutura de transporte, sua armazenagem e logística. Para se ter uma idéia, o custo do frete no Brasil chega a ser quatro vezes maior que em outros países exportadores, como é o caso dos Estados Unidos e Argentina.

Surpresos? Eu também. A minha perplexidade foi a única razão que me fez transcrever parte do que foi publicado no jornal O Globo, do Rio de Janeiro. E eu ainda pergunto: será que a portuguesa Carmen Miranda iria sambar com frutas tailandesas no turbante?