Nossa indústria, há muito ameaçada, encontra-se em queda de produção, onerada por pesadas taxas, câmbio irreal e importações baratas. A FIESP, que, há muito tempo, deveria liderar sérios protestos, perde-se em jantares, discursos utópicos “nunca antes ouvidos neste país” e campanhas eleitoreiras – curiosamente de brimos, Haddad, Maluf, Kassab, Skaf, Temer.
Ao mesmo tempo que nossos vizinhos e sócios do Mercosul importam e acobertam a entrada de produtos chineses, que passam como fabricados no Uruguai, Paraguai e Argentina. O certificado de origem é falsificado pelos próprios chineses. Assim, burlam as taxas impostas pelo governo brasileiro aos produtos made in China.
Mas parece que sempre, ou quase sempre, foi assim. O Uruguai, há muito tempo, importava leite em pó da Nova Zelândia e vendia para nós. Era sabido por todos, porque nem que as vacas vizinhas fossem supervacas e produzissem o triplo o país não poderia produzir tanto leite em pó – e produzia.
Mas não somos só os sul-americanos a agir assim. Lembro, também, das laranjas jaffa que Israel, com aquele tamainho, vendia para toda a Europa como suas – na realidade, eram produzidas na África do Sul. Caiu o Aparthaid? Acabaram as laranjas baratas na Europa.
Mas nós, brazucas, também não somos confiáveis. Quando a África do Sul estava sob embargo comercial, nossos produtos petroquímicos iam direto para lá – só a papelada é que fazia uma triangulação na Holanda.
Escrevi tudo isso só para você pensar um pouco: será que alguma sociedade pode funcionar quando os sócios trapaceiam uns aos outros? Não precisa responder...



