Anos depois, o marinheiro inglês Cornelius Webb o teria encontrado e, com medo de perdê-lo, o teria trocado de lugar. Cornelius morreu pelado, mas a história se espalhou (800 barricas? Transferi-las? Só acredita quem nunca viu o solo da ilha). Mas tudo bem. A verdade é que caçadores de tesouros têm escavado as praias e encostas da ilha por séculos em busca de uma parte da fortuna dos incas (essa até poderia existir), desconhecida, mas avaliada em US$ 10 bilhões. O último foi o bilionário americano Bernard Keiser, que, em 1998, escavou perto de um lugar conhecido como a Caverna de Robinson Crusoé, que é na parte baixa, perto da Baía e Cumberland. Quase US$ 1 milhão em vão.
No ano passado, a empresa chilena Wagner Technologies anunciou que seu robô, Arturito (assim batizado em homenagem ao robô da série Guerra nas Estrelas), capaz de detectar metais e determinar sua composição, teria localizado o tesouro.
Apesar de não ter sido divulgada a localização exata, a escavação teria acontecido na região de Cerro Tres Puntas.
Antes do início dos trabalhos, já começou uma controvérsia sobre a propriedade do tesouro: se vale o Código Civil Chileno, que prevê a divisão entre o descobridor e o governo. Mas o território é administrado pelo Conselho de Monumentos, cuja diretora diz não ter dúvidas de que o tesouro pertence ao Estado.
Entretanto, o prefeito da ilha argumenta que metade deveria ficar com os habitantes locais.
A disputa até seria justificada se o tesouro já tivesse sido achado.
Pessoalmente, dou tanto crédito a essa história como dou ao petróleo do pré-sal, que é nosso, que é o maior depósito do mundo, que resolverá os problemas de saúde (só não sabemos se os pacientes esperarão até lá), mas nunca foi visto e está a 6.000 metros de profundidade, quando – que se saiba –, nunca se extraiu nada, nem na metade dessa profundidade. Mas, entre sonhos, mentiras e delírio, la nave va.



