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O impasse da Primavera Árabe III

28 de novembro de 2011 0

Este texto foi escrito há alguns dias. O ditador ainda estava no poder, chamuscado e queimado por um atentado há 90 dias, mas estava. Agora quem não está aqui é o Del Mese, que, tenho certeza, gostaria de acrescentar algo.

Sua assistente, Carmem.


Outro também pela bola 7 é o Iêmen (que eu sempre quis visitar, principalmente a parte montanhosa). Por quê? Para quê? Não pergunte a um viajante. Sempre temos uma razão. No caso, tem construções espetaculares, edifícios de 5, 6 andares, feitos de barro e troncos de palmeira sobre pedrões como o Corcovado e o Pão de Açúcar – menores, bem entendido – que estão lá há 400 ou 500 anos. Só uma daquelas bombas que vimos caindo sobre a Líbia poria todos no chão. Espero que não aconteça (pelo menos antes da minha ida).

Por que não fui? Provavelmente, porque hoje, com a barba branqueando, tenho um pouco mais de discernimento. É que existem gangues de iemenitas que sequestram grupos ou até turistas solitários para roubar o que têm no bolso e depois pedir resgate às embaixadas (lembre-se, estão próximos à Somália, onde, só neste ano, o número de barcos capturados pelos piratas passa de 120 – isso mesmo, 120! –, desde um veleiro tripulado por um casal de ingleses, com mais de 65 anos – foram mortos – até petroleiros que vêm do Golfo de Acaba, com 200 m de comprimento; o resgate pago foi de 5 milhões de dólares).

O fato de os países, humanitariamente, terem pago para libertar as primeiras vítimas colocou em perigo todos os outros.  Entendo a posição dos diplomatas. O que mais poderiam fazer? Negar-se a pagar? Pensando que, assim, desestimulariam novos seqüestros? Esperar que, com o exemplo, novos aventureiros não se expusessem? Sei lá!

Há, ainda, a terceira opção (geralmente a pior): às vezes, o exército local tenta resgatar as vítimas. Aí, na prática, têm morrido os reféns, os soldados e parte dos seqüestradores. Reconheço a dificuldade dos diplomatas. Eles sabem disso melhor do que nós, mas o que dizer? O que fazer?

E com passaporte brazuca? O que aconteceria? Ainda mais um brasileiro como eu, que não entendo de futebol, não sei sambar, não canto, não toco atabaque, violão ou pandeiro, e não freqüento terreiros de candomblé nem vou à missa. Iam pensar que o passaporte é falso e eu paraguaio.  Outro problema: até acordar o nosso embaixador e estabelecer um contato com Brasília, a minha barba ficaria do tamanho da do São Paulo mais a do São Pedro juntas – e a grana, se paga, iria diminuindo a cada troca de mãos, até não chegar (por problemas fiscais, lógico); e eu não ficaria bem na capa do Diário Gaúcho).

Lá vem o Robinson Crusoé e seu tesouro II.

12 de outubro de 2011 0

Anos depois, o marinheiro inglês Cornelius Webb o teria encontrado e, com medo de perdê-lo, o teria trocado de lugar. Cornelius morreu pelado, mas a história se espalhou (800 barricas? Transferi-las? Só acredita quem nunca viu o solo da ilha). Mas tudo bem. A verdade é que caçadores de tesouros têm escavado as praias e encostas da ilha por séculos em busca de uma parte da fortuna dos incas (essa até poderia existir), desconhecida, mas avaliada em US$ 10 bilhões. O último foi o bilionário americano Bernard Keiser, que, em 1998, escavou perto de um lugar conhecido como a Caverna de Robinson Crusoé, que é na parte baixa, perto da Baía e Cumberland. Quase US$ 1 milhão em vão.

No ano passado, a empresa chilena Wagner Technologies anunciou que seu robô, Arturito (assim batizado em homenagem ao robô da série Guerra nas Estrelas), capaz de detectar metais e determinar sua composição, teria localizado o tesouro.

Apesar de não ter sido divulgada a localização exata, a escavação teria acontecido na região de Cerro Tres Puntas.

Antes do início dos trabalhos, já começou uma controvérsia sobre a propriedade do tesouro: se vale o Código Civil Chileno, que prevê a divisão entre o descobridor e o governo. Mas o território é administrado pelo Conselho de Monumentos, cuja diretora diz não ter dúvidas de que o tesouro pertence ao Estado.

Entretanto, o prefeito da ilha argumenta que metade deveria ficar com os habitantes locais.

A disputa até seria justificada se o tesouro já tivesse sido achado.

Pessoalmente, dou tanto crédito a essa história como dou ao petróleo do pré-sal, que é nosso, que é o maior depósito do mundo, que resolverá os problemas de saúde (só não sabemos se os pacientes esperarão até lá), mas nunca foi visto e está a 6.000 metros de profundidade, quando – que se saiba –, nunca se extraiu nada, nem na metade dessa profundidade. Mas, entre sonhos, mentiras e delírio, la nave va.

Lá vem o Robinson Crusoé e seu tesouro I.

11 de outubro de 2011 0

(Gente, prometo peremptoriamente nunca mais escrever sobre esta ilha; até eu já enchi o saco, mas, atendendo a inúmeros pedidos...)


Sei da história, o que não quer dizer que acredite nela.

Deve ser mais ou menos como o tesouro dos Farrapos, que, de vez em quando se fala; aliás, se fala desde a minha infância. Aliás, se fala desde a Revolução Farroupilha, mas é só. Só se fala.

Hoje, analisando, gostaria de saber como um exército que combatia, na sua maior parte, com lanças, e sem fardamento – de onde teria vindo o nome “farrapos” – não tinha, no final da guerra, como dar ao Garibaldi e à sua Anita a tropa prometida, mas tinha um tesouro? Das 5000 reses prometidas, li que só arrebanharam menos de 3.000.

Só com muita boa vontade... Com o tesouro dos jesuítas, que estaria enterrado em algum lugar das missões, é mais ou menos a mesma coisa. Com a pressa em sair da região, teriam enterrado um tesouro e ficou ali! A lenda é ótima, e eu gosto.

Gosto de acreditar. Torna a vida da gente mais saborosa, romântica e esperançosa.

Mas, convenhamos, cultos e organizados como os jesuítas, iam deixar um tesouro? “Menas, menas”. Quem acredita que ainda exista um tesouro e um mapa com um “X” quatro séculos depois, dizendo: “aqui enterraram ouro, prata, moedas, etc.? Se você contar isso para crianças, em seguida uma delas vai perguntar: “e daquele coelho que põe ovos para a Páscoa você conhece alguma coisa?”

Histórias de tesouro são sempre assim. O único comprovado foi aquele que, na Revolução Espanhola, os antifranquistas levaram de trem – e bem protegido – para Moscou, que era o único lugar seguro para guardar tanto ouro. E era verdade. Colocaram num lugar protegido, tão protegido que nunca mais foi visto. É mais ou menos como levar um tesouro para Brasília e querer que ele volte...

Também li há algum tempo sobre o tesouro da ilha Juan Fernandes (nome real; o nome Robinson Crusoé foi uma forma de tentar levar algum turista desinformado para lá – eu, por exemplo). A existência desse tesouro até teria uma certa possibilidade, pois seria ouro dos incas (800 barricas, segundo alguns pesquisadores).

Pelo menos, essa história teria uma possibilidade real: os incas tinham ouro, e não ouro dos Farrapos ou dos espertos jesuítas que, dez anos após a fundação da Ordem, já dominavam parte da América do Sul e uma boa parte do México. Além disso, piratas de verdade, tipo Morgan, Lafitte e Hawkins realmente andaram pela costa do Chile. Segundo alguns, Morgan, o Britânico, até teria sido enterrado na região de Antofagasta.

Bem, amanhã, e só amanhã, segue o tesouro do Robinson II.