Este texto foi escrito há alguns dias. O ditador ainda estava no poder, chamuscado e queimado por um atentado há 90 dias, mas estava. Agora quem não está aqui é o Del Mese, que, tenho certeza, gostaria de acrescentar algo.
Sua assistente, Carmem.
Outro também pela bola 7 é o Iêmen (que eu sempre quis visitar, principalmente a parte montanhosa). Por quê? Para quê? Não pergunte a um viajante. Sempre temos uma razão. No caso, tem construções espetaculares, edifícios de 5, 6 andares, feitos de barro e troncos de palmeira sobre pedrões como o Corcovado e o Pão de Açúcar – menores, bem entendido – que estão lá há 400 ou 500 anos. Só uma daquelas bombas que vimos caindo sobre a Líbia poria todos no chão. Espero que não aconteça (pelo menos antes da minha ida).
Por que não fui? Provavelmente, porque hoje, com a barba branqueando, tenho um pouco mais de discernimento. É que existem gangues de iemenitas que sequestram grupos ou até turistas solitários para roubar o que têm no bolso e depois pedir resgate às embaixadas (lembre-se, estão próximos à Somália, onde, só neste ano, o número de barcos capturados pelos piratas passa de 120 – isso mesmo, 120! –, desde um veleiro tripulado por um casal de ingleses, com mais de 65 anos – foram mortos – até petroleiros que vêm do Golfo de Acaba, com 200 m de comprimento; o resgate pago foi de 5 milhões de dólares).
O fato de os países, humanitariamente, terem pago para libertar as primeiras vítimas colocou em perigo todos os outros. Entendo a posição dos diplomatas. O que mais poderiam fazer? Negar-se a pagar? Pensando que, assim, desestimulariam novos seqüestros? Esperar que, com o exemplo, novos aventureiros não se expusessem? Sei lá!
Há, ainda, a terceira opção (geralmente a pior): às vezes, o exército local tenta resgatar as vítimas. Aí, na prática, têm morrido os reféns, os soldados e parte dos seqüestradores. Reconheço a dificuldade dos diplomatas. Eles sabem disso melhor do que nós, mas o que dizer? O que fazer?
E com passaporte brazuca? O que aconteceria? Ainda mais um brasileiro como eu, que não entendo de futebol, não sei sambar, não canto, não toco atabaque, violão ou pandeiro, e não freqüento terreiros de candomblé nem vou à missa. Iam pensar que o passaporte é falso e eu paraguaio. Outro problema: até acordar o nosso embaixador e estabelecer um contato com Brasília, a minha barba ficaria do tamanho da do São Paulo mais a do São Pedro juntas – e a grana, se paga, iria diminuindo a cada troca de mãos, até não chegar (por problemas fiscais, lógico); e eu não ficaria bem na capa do Diário Gaúcho).




