Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros

Posts com a tag "Porto Alegre"

Bicicletas

19 de janeiro de 2012 0

Minha bicicleta continua na garagem, como muitas outras, coberta de poeira, os pneus ressecando e uma grande vontade de sentir outra vez o vento no rosto – coisa que só motociclistas e cachorros entendem (ou você já viu algum cão que, embarcado, não queira botar a cara na janela?).

Bem, como disse, a minha continua pendurada. Por quê? Por falta de coragem para enfrentar nossas ruas! Covardia, quem sabe? Não é bem o meu caso. Não vou entrar em detalhes, mas, recentemente, na França, aluguei uma Velolib (acho que é isso) e andei pelo Quartier Latin sem capacete e sem medo. O tráfego é mais lento, mais respeitoso, e tem menos chapas brancas. Sim, são elas que tiram mais “finos” da gente – não me pergunte porquê; suba numa magrela aqui e você se certificará.

Prefiro dizer que isso acontece porque nossos ex-prefeitos foram omissos e mentirosos.

Por que mentirosos? Porque prometeram, repetidamente, quilômetros de ciclovias e nunca cumpriram. E quem diz que a “ciclovia” da Diário de Notícias é uma ciclovia é porque nunca usou nenhuma. Aliás, você pode constatar: os ciclistas preferem a pista de rolamento à ciclovia.

Devo absolver, por enquanto, o Fortunati e o Sr. Capellari porque estão há pouco tempo no comando e já planejam o início de uma para dentro de 90 dias. Desta vez, move-se o Grupo Zaffari, em quem levo a maior fé por terem melhorado – e muito – o padrão dos supermercados em Porto Alegre e onde têm lojas (espero que os executores não venham com o papo de Copa do Mundo; aliás, o que tem a ver ciclovias com a Copa do Mundo?).

A futura ciclovia será agregada ao tráfego de veículos e apresentará piso na cor vermelha, sinalização horizontal e vertical e semáforos específicos.

Ótimo! Ótimo! Agora, Vamos cair na real. Ainda não fizeram nem um metro e já falam de um potencial de 495 quilômetros (dados do Jornal da Comunidade). “Menas, menas...”

Os loirinhos do Vale do Sapateiro não falaram nada a ninguém, muito menos de Copa do Mundo e fizeram as suas. Bogotá – a confusa Bogotá de outra época – com as FARC, explosões e sequestros e um vizinho como o Chavez, já está com 360 quilômetros prontos.

Nós não temos um quilômetro, mas já aventamos com a possibilidade de 495 (que corresponde a uma distância maior do que Porto Alegre-Florianópolis).

Vandalismo suicida

09 de janeiro de 2012 0

Não há porque mentir. Esta postagem já estava pronta e, hoje, dia 9, no café da manhã, me deparo com a boa matéria na Zero Hora, assinada por Luíza Medeiros.

O assunto me irrita profundamente. Não é a primeira vez que o abordo, seja em comentários de rádio ou no Viajando por Viajar, e não vou entrar na diferença entre street art e pichação – seria muito longo.

A minha revolta com o que fazem vem de longe. Fui, durante mais de 20 anos, o responsável por um prédio de 1924, na Rua José do Patrocínio, 698. É onde está o Studio Clio. Já no início, findas as obras internas, restaurei a esquina. Cores, não sei se originais, mas “da época”. Ficou ótimo, todos gostaram.

Bem, uma semana depois, lá estava uma pichação incompreensível. Fiquei furioso. Minha primeira reação foi: vou escrever lá em cima “Vá pintar o ... da Srta. sua mãe na Volunta... se souber quem ela é!”. Até os meus amigos, tão indignados quanto eu, acharam que era demais. Até hoje, acho que é o que eu devia ter feito.

Bem, para encurtar o assunto, a mesma história se repetiu até a venda para os Marshall... e continua até hoje.

Agora que sabem o porquê da minha indignação, continuo.

Recentemente, li numa revista italiana o que relato a seguir.

Os italianos, em alguns lugares, cansaram de ver seus muros, pontes e fontes (algumas do Cellini, do Miguel Ângelo, e por aí afora), conspurcados por vândalos com um spray. Bem, alguns grupos partiram para a luta, intitulam-se guardiões do bairro e fazem plantões noturnos. Dizem os líderes: “nós somos mais de cem em rodízio; eles são pouco mais de meia dúzia; quando os pegamos, além de uma boa surra (que eles negam), os pintamos frente e fundos com seus próprios sprays e os largamos coloridos... e pelados, no verão ou no inverno, com tudo ardendo”. E acrescenta: “vocês não imaginam o que ardem os componentes das tintas nos ‘países baixos’; sabemos também que muitos, em casa, ainda apanham dos irmãos ou dos pais... e tirar a tinta com solvente dói ainda mais; em certos lugares, a pele sai junto. Gli fa bene”.

É claro que não estou sugerindo que se sigam essas “horrorosas agressões aos direitos humanos”, mas como resolver o problema?

Outra atitude dos pichadores que me intriga é a sua vocação para alpinistas - ou andinistas, já que estamos mais próximos dos Andes do que dos Alpes. Seja como for, vândalos da mesma maneira. É claro que eles não escalam, mas usam marquises, telhados, obras próximas, etc., só para inflarem o seu ego perante os amigos próximos – pois mais ninguém entende o que escrevem.

O que estão conseguindo é enfeiar nossa cidade – toda ela. Não é necessário escolher um prédio. É só dar uma olhada geral, até os mais altos, para que se possa ver até onde vai a maluquice dessa escória quando há muros imaculados à disposição de grafiteiros; mas, para usá-los, tem que ter alguma idéia ou algum talento e um projeto.

De catamarã até onde o sol se põe

20 de dezembro de 2011 0

Pego uma carona no texto do escritor Alcy Cheuiche (e que escritor!), publicado em dezembro, 14.

Escreve ele sobre o efeito catamarã e que Guaíba acaba de contratar um turismólogo, pois a cidade tem bem mais que a vista da capital. É que milhares de porto-alegrenses estão atravessando o rio para fazer o passeio até onde o sol se põe.

Pergunta ele: de sã consciência, alguém tomaria um ônibus para fazer um passeio até o lado de lá? Respondo por mim: não, nunca pensei. Sempre soubemos das Pedras Brancas, da casa do cipreste? Do Bento Gonçalves, que dali comandou a revolução e, mais tarde, ali viria a falecer, assistido pela D. Leonor (não, não é a quituteira de sobrenome Bastian). Falo da esposa de Gomes Jardim.

Quem sabe foi por isso, para manter a parte histórica intacta é que expulsaram uma fábrica de automóveis. E, assim, Guaíba manteria o charme do passado? Muitos estão até conseguindo trabalhos estáveis, para assistir e atender os 300 turistas diários? E bem mais nos fins de semana, mas bem menos que os que viriam e se estabeleceriam se a Ford tivesse sido mantida. Mas a Ford tinha e tem um grave defeito: é americana.

Dê uma pensada. O que era Gravataí há 10 anos e o que é hoje? Com os meus anos de metalúrgico em São Paulo, justamente em departamentos técnicos de fábricas de automóveis, isso me toca mais ainda. Vi, vejo e continuaremos vendo o que a Fiat fez  e faz por Minas Gerais, e, ao mesmo tempo, vejo os gerentes do nosso Rio Grande, se lamentando das décadas perdidas e da falta de investimentos estrangeiros. Pudera! Quem colocará aqui milhões e milhões enquanto não esquecerem que nós não honramos contratos? E hoje, com tudo que pagamos de impostos, mal e mal pagamos os funcionários. Todos, ou quase, se queixam do que ganham. E, mesmo assim, cada nova administração insiste que faltam funcionários, enquanto nossos problemas se resumem em um gerenciamento, palavra mágica na empresa privada.

Alguma empresa com recursos no limite empregaria mais gente? E não é só o catamarã que levou mais de 20 anos para ser instalado, embora vários empresários tentassem... Quantos anos vão passar para que possamos ir por água ao Praia de Belas, ao Iberê ou ao Barra Shopping e algum lugar de Ipanema?

É justamente no trânsito e no tráfego que o gerenciamento piora. Foi assim com o catamarã. Com os “pardais”, é o que se sabe, a Justiça vai decidir. Mas os 40 milhões não vão retornar. No tráfego aéreo também: a pista do aeroporto encalhou desde o governo Britto; a BR116, da qual sou vítima semanal, é o que se sabe, e passam ali uns 80% do PIB do RS.

Parece que, com sucesso, só mesmo as carroças que preencheram a vaga da Ford. Nossa melhor estrada... é irônico, mas é a Freeway, que serve para ir e voltar da praia, que é como chamamos o litoral.

Mudança de nome da Castelo Branco

09 de dezembro de 2011 0

Fiquei surpreso quando ouvi. Com tanta coisa por fazer, perde-se tempo tentando reescrever a História.

Na rádio que ouvi, o locutor esqueceu de dizer se a Av. Getúlio Vargas vai trocar também.

Algum de vocês sabe?

Ditador por ditador, o gaúcho Getúlio ficou no poder mais ou menos 10 vezes mais tempo.

O Cais Mauá, até que enfim...

01 de dezembro de 2011 0

Gostei de ler o que foi escrito pelos engenheiros, arquitetos e empreendedores. É claro que todos iremos frequentar o pós-muro, que, pelo sim pelo não, vai ficar... e bonito.

 Se ele deve ficar? Acho que sim. Vi, na semana passada, algumas cidades milenares italianas, alemãs e até suíças cujas ruas se tornaram rios por algumas horas, levando carros, casas e pontes, e alguns italianos – todos surpresos – comentando: “Há 100 anos isso não acontecia.

Portanto, antes que você diga que nós não temos montanhas, vales e degelo que possam provocar o que vimos na TV, eu lembro primeiro: é uma coisa para técnicos, e não curiosos palpiteiros como eu, e, provavelmente, você decidirmos.

Além disso, o muro será uma proteção para quem estiver dentro do complexo – novamente, como você e eu. Aí poderemos, sem medo, sentar em mesas de calçadas, ver lojas com produtos expostos, mostras de rua, etc., e não mais disfarçar com frases de efeito dizendo: “calçadão no Brasil não funciona”. Funciona sim. Nós é que não os cuidamos, nós é que não os policiamos. Nós é que deixamos os marginais saírem da delegacia antes de quem vai junto fazer a queixa. Nós é que permitimos que a gangue das gordas continue roubando todos os dias, o dia todo, nas lojas do centro da cidade.

Não são os calçadões que não funcionam... somos nós que permitimos. “Dentro do muro” estaremos mais protegidos, como em nossas douradas jaulas domésticas! Com ar condicionado, TV e, às vezes, até piscinas, mas entre grades.

Mercado Público, parabéns a você!

16 de novembro de 2011 0

Fiquei sabendo, pelos jornais, que o nosso querido Mercado Público completou mais um ano. São 142 anos, com altos e baixos.

O que faz este prédio ser diferente de todos os demais é exatamente a vida que circula pelos seus corredores. As pessoas que ali fazem as suas compras ou que o escolhem para fazer suas refeições, ou ainda os que simplesmente circulam por aquele espaço nos sábados como o meu, ou melhor, o nosso grupo. Tomamos café, falamos mal dos políticos e rezamos por um Brasil menos corrupto. Além disso: compramos. Outros, os profissionais, têm ali as suas histórias e experiências de vida. Eles é que dão vida ao Mercado.

São justamente as relações humanas que fazem o Mercado ser o Mercado.

O atendimento que eles dão: personalizado – eles conhecem o que vendem. Estes são os diferenciais que nos levam até lá, no Centro, com problemas de estacionamento, etc.

Queremos, pois, que, com nosso apoio incondicional, este prédio continue sendo um orgulho da população de Porto Alegre.

O que lamentei neste aniversário foi a ausência da Banca 43.  Bem, a banca continua lá, mas uma banca não é um número, como nós não somos só o nosso CPF. Senti falta foi das pessoas que, por muito tempo, me atenderam, e bem.

Eram também os nossos amigos de sábado. Nunca mais os vi. Não sei se lêem o Viajando por Viajar, mas a eles o abraço que não dei quando devia, e o meu muito, muito obrigado.

Eu deixava isso claro enquanto jurado da Veja; depois descobriram que, no Villa Borghese, se servia comida e o regulamento me colocava como suspeito. Com toda a razão.

Pela nossa bela Porto Alegre

05 de novembro de 2011 0

Há quatro semanas, li a manchete de um jovem pichador que despencou de vários andares, só por vaidade – vaidade de ver sua marca, seus garranchos mais altos que os dos outros. A imprensa não divulgou o seu nome e não se falou mais. Eu até tinha esquecido. Voltei ao assunto no feriadão. Fiquei consternado, mas, em breve, vamos receber turistas na nossa incivilidade.

A cidade está imunda, pichações por todos os cantos, atacada por quem não está nem aí para uma cidade prazeirosa, só fixado na vaidade de ver uns hieróglifos que só os seus próximos identificam. São pessoas que não têm idéia do valor do patrimônio coletivo, mas sabem que os fãs do futebol virão de qualquer maneira. Pessoalmente, acho que copas e olimpíadas são ótimos investimentos, trazem gente, lucro. Mas gostaria que isso acontecesse quando os moradores já tivessem água encanada, esgoto, escolas saudáveis e saúde – que, aliás, “está perto da excelência”, disse aquele presidente que hoje está no Sírio Libanês.

Portanto, se, pelo menos, conseguíssemos não sujar mais... Das outras mazelas espero que os futuros visitantes nem fiquem sabendo.

Mas, no feriado de quarta-feira, li, nas Cartas do Leitor, uma sugestão. O Sr. Paulo Antonio Tietê da Silva sugere que se faça um fundo para gratificar quem denunciar um pichador em flagrante, com as latinhas na mão. Ele acrescenta que os que rodam a cidade inteira, dia e noite, não ficariam indiferentes a este aumento no faturamento, e, para o pichador, até seria preferível, se ele lembrar do que estão fazendo em algumas cidades, como Roma e o Rio, onde eles seriam despidos e coloridos com seus próprios sprays.

Andar pela rua pelado e com o solvente dos sprays queimando as partes deve ser um inibidor fantástico para futuras pichações, quem sabe mais do que lembrar do jovem que despencou da sacada do quinto andar.

Além disso, como é que vão explicar em casa? E quanto tempo sem usar as partes pintadas?

Feira do Livro, o grande evento do RS

04 de novembro de 2011 0

Gosto de feiras; já escrevi e repeti isso aqui várias vezes.  Podem ser de hortifruti, brechós de velharias, antiguidades, etc. Mas, agora, se nos apresentam a melhor delas: a dos livros.

Nessa, sou um comprador chato, vou a todas as bancas, até nas que não são do meu gênero, e mesmo sabendo que todas têm quase os mesmos títulos.

Reviro, também, muitos balaios ou livros de segunda mão com traças e ácaros (se a Carmem me lembrar, na semana que vem escreverei o que você deve fazer com eles antes de começar a lê-los).

Se tenho alguma recomendação? Sim, claro que tenho, e terei outras até o fim da feira (com ou sem chuva).

A de hoje é o livro aí de cima, e que tem múltiplos usos. Primeiro, para você ver como Porto Alegre é bonita. Segundo, para dar de presente para aquelas pessoas de quem se diz: “mas ele já tem tudo; o que é que eu vou dar?” (Sim, ele tem tudo, especialmente gravatas, camisas e garrafas de vinho). Neste caso, pense sempre na terceira opção, que o livro do Eurico Salis é mais barato que uma gravata.

Também para dar a pessoas que nos visitam. E para levar para o estrangeiro – você não vai chegar na casa de alguém de mãos vazias, vai?

Você vai conferir e confirmar, também, o que falei acima: como nossa cidade é bonita. O livro é em preto e branco – ou branco e preto, se você preferir (com estas novas leis, a gente tem que abrir o olho...).

E você vai ver que personagens, prédios e sombras têm um belíssimo destaque nos olhos do grande Eurico Salis.

Bicicletas e ciclovias

03 de novembro de 2011 0

Eu planejava ir à Grécia. Se tivesse pensado um pouco, não teria ido. Por quê? Basta ler os jornais. Também a Turquia eu sei que é uma região de terremotos. Passear de balão na Capadócia? Nem pensar! Balões caem.

O sudoeste asiático (que gosto muito) está debaixo d’água. Bangkok e Ayutia, principalmente, quase “titanicando”.

O Egito? Cheio de facções rivais, e armadas.

Tramandaí, Capão da Canoa e Xangrilá têm bicho de pé, siris e mãe- d’água – ou seja, devo ficar em casa para sempre.

Agora vem me dizer o Secretário que devo deixar a minha magrela pendurada na garagem? Porque andar com ela na futura ciclovia é perigoso? Caminhar sob os fios posso, pedalar não! Me explique, Sr. Secretário.

Sei que o senhor tem uma razão a mais para proteger seus filhos. Lamentei muito na ocasião; sei que o senhor lamenta até hoje, mas acho que o senhor exagerou. Proteção aos jovens? Menos votos para Manoela? Pode-se pensar de tudo. Sei que viver é perigoso. A incúria dos seus antecessores tornou o Brasil muito perigoso – basta olhar as casas: cercas altas, fios elétricos, portas de ferro, guarda privada e assaltos em qualquer andar dos muitos edifícios em todas as ruas. Ontem mesmo, foi assaltado o João Nadir Franco de Lima. Estamos todos felizes: ele só perdeu o automóvel. O antigo “totó” hoje tem que ser um rottweiller, e amestrado.

Estamos criando gerações de pessoas que se sentem desamparadas, além do limite de suas casas e de suas ruas. Ir ao Centro? Nem pensar... E a fiação? E os botijões de gás das lancherias, e os churrasquinhos de gato?

A minha magrela vai continuar na garagem, mas, se eu for a Campo Bom ou a Sapiranga, a levo junto. Lá tem ciclovias; os loirinhos pensam em tudo. O meu medo, aqui, não é do veículo, mas do trânsito irresponsável. Das tampas (de bueiros) voadoras tenho medo é no Rio.

Da fiação? Tenho medo da incúria, e não dela própria, como a parada de ônibus. Mas que um fio caia na minha cabeça? Que eu seja o escolhido em 9 km? Ora, “menas”, Sr. Secretário, “menas”. Claro, há ventanias, há hecatombes.

Com assessores assim, não creio que devamos estimular a Manoela a ser prefeita. Aliás, o que é que ela administrou até agora?

Pois é, viver é perigoso. Se duvidar, ande pela 116, a qualquer hora; sem pardais, pior ainda.

Coletores de lixo.

05 de outubro de 2011 0

Apesar dos atos de vandalismo, podemos considerar o sistema um sucesso. Claro que há inconvenientes e vai levar um bom tempo até resolvê-los. Estão instalados em Porto Alegre e recém completaram dois meses. O Departamento Municipal de Limpeza Urbana ainda não encontrou uma forma de conter os atos de vandalismo. E acho que nem vai conseguir; é como alguém que risca um automóvel parado só porque ele está ali. Vai entender...

Apesar dos problemas eventuais, eu avaliaria a iniciativa como um sucesso. O número de reclamações, dúvidas e sugestões caiu drasticamente em relação aos primeiros dias. Muitos ligam pedindo contêineres em seus bairros. O principal problema ainda enfrentado é a colocação de lixo seco, o que alimenta os incêndios. É o que afirma o supervisor de operações do DMLU, que esclarece que material orgânico não queima. Ainda segundo o supervisor, o estacionamento irregular na proximidade dos contêineres também é um desafio, uma vez que os flanelinhas deslocam o equipamento à noite para abrir mais vagas.

Já em Caxias (foto da ilustração), em três anos, foram vandalizados 80. Hoje, o serviço vai bem. A cidade é mais limpa sem saquinhos de supermercados nas sarjetas e nas esquinas (e, na primeira chuva, nos bueiros). Com o tempo, a Prefeitura começou a colocar dois, um ao lado do outro, e com cores diferentes para os dois tipos de lixo. Não sei detalhes, mas deve ter sido a solução. A verdade é que toda mudança gera uma reação, grande ou pequena, muda nossos hábitos.

Um amigo meu, Madruga Duarte, que trabalha com idéias, tem já no seu computador uma frase, que sai em todos os e-mails: não há nada que não possa ser melhorado.

É uma grande verdade. Quem sabe se aplique aos nossos contêineres: a nós cabe não só usá-los, mas protegê-los e dar sugestões. Algumas certamente serão aprovadas. Temos que entender os contêineres como um sistema, e não como uma unidade/contêiner.