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Posts com a tag "restaurante"

Paris gastronômico

15 de fevereiro de 2012 0

Agora lembro que, na postagem anterior sobre a Cidade Luz, eu deveria ter lhe recomendado a casa Caviar Kaspia, a Maison de La Truffe, e a épicerie Hediard. Pode parecer um verdadeiro sonho, mas era longe de onde eu pretendia conduzi-lo neste passeio imaginário. Mas esteja bem com você mesmo e faça tudo com muita calma. Aprecie uma Veuve Clicquot sentadinho nas mesas na Fauchon por apenas 40 euros e fique olhando em volta para imaginar o passado da velha casa e lembrar as delícias que já abrigaram aqueles balcões, quem foi atendido naquelas mesmas mesas, e depois viajar nas geléias da Hediard. É a uma quadra da Fauchon. Aprenda ali sobre trufas e caviar.
Para o dia da despedida, reservamos um passeio especial ao Grand Palais. Uma linda exposição (não sei quem estará ali, mas só o prédio já é um colírio para os seus olhos e a sua mente).
Tudo visto, antes de fechar as malas, não deixe de refletir sobre o porquê de tantas reclamações em relação ao jeito “francês” de ser. São elas verdadeiras ou nós é que não seguimos as normas dos donos da casa? Há dúvidas. Eu, que nunca tive nenhuma contrariedade, já tenho minha resposta: quem não se sente Napoleão possuído numa cidade como Paris? Linda, imponente, exuberante, culta e única? Até podemos perdoá-los por algum exagero.
Se você tem dúvidas sobre o porquê de Paris, toujours Paris, não se constranja, pergunte ao pessoal de esquerda. Todos os famosos e bem-sucedidos têm casa lá.
Au revoir e bon retour!!!

Foto: Laerte Martins.

Aos fiéis do Aiatolá Cafruni.

28 de setembro de 2011 0

Ontem só três estavam presentes – o Leon, eu e o próprio Aiatolá (o nosso, claro) – e tivemos duas grandes decepções. A primeira porque, em vez de 12 (como os apóstolos), éramos só três.

Nunca antes na história deste grupo, vimos uma deserção tão grande. Nunca a falta de quorum foi tão gritante. Como isto aconteceu?

Na saída, ficamos os três confabulando. A desolação do Aiatolá era visível. Afinal, é ele quem escolhe o que as nossas papilas vão saborear.  Ao nos despedirmos, e olhando para o Viejo Pancho, que fica ali pela Protásio, perto do Colégio Israelita, ficamos pensando... Terá sido coincidência ou os ausentes sabiam que aquela é uma das piores opções da cidade? Chamá-la de parrilla é uma ofensa a todos os hermanos (até aos vegetarianos). Há muito tempo, um expert hermano me havia alertado: “Flavio! Hay asadores y quemadores de carne”. Pois bem, o que estava ali era da segunda qualificação.

Ao próprio, eu perdôo; não tem talento e, como todos, precisa mandar os filhos ao colégio. Tenho dúvidas é quanto aos “fiéis” ausentes. Só serão perdoados os que nos disserem que nunca foram lá, como o Lúcio, por exemplo.

Nós três estamos convencidos de que vocês sabiam que a carne naquele lugar vira um lixo torrado, e, por isto, não foram. Neste caso, será imperdoável. Não sei o que diz o Corão por pecados semelhantes, como a ocultação da verdade, mas o nosso Aiatolá vai consultá-lo. E, com certeza, os ausentes ficarão excluídos daquela lista que promete 70 moçoilas para quem morre pela fé.

O Bruno, atleta em concentração, e o Mendes, concluindo o próximo livro, estão isentos de culpa (mesmo assim, vão ficar só com 35 das 70). A jovem que nos atendeu também fez o possível para amenizar a nossa desolação, mas não conseguiu. Portanto, fiéis do Aiatolá Cafruni e gente que gosta de jantar fora em geral, FACEiros, blogueiros e twiteiros que já comeram naquele lugar onde queimam carnes, dêem sua opinião. A sharia, obviamente, só se aplicará aos devotos.

As opiniões de vocês, inclusive do Pancho proprietário, serão levadas em consideração e publicadas com todas as letras.

Alá é grande e Laerte o seu profeta.

Viagem à Toscana

14 de julho de 2011 0

Este texto sobre a Toscana começou de um bom papo com o Laerte Martins. É que ele está indo para lá. O Laerte é um viajante experiente, portanto não precisa de conselhos e sugestões. Além disso, é quase impossível dar dicas sobre a região e suas cidades. A única coisa a fazer é emprestar ou doar os guias, pois há tanto para se ver que até os profissionais no fim dos livros acham que faltou alguma coisa.

Foi o que eu fiz. Além disso, dei o nome de um restaurante: o Javali Branco, a uns 250 metros da Ponte Vecchio.

Além do cardápio, tem um prato “de panela” por dia. Para mim, comida de panela é outra coisa, mas, viajando, quase sempre – massas à parte – se tem pratos de chapa e belas montagens (às vezes saborosas). É a dinâmica dos restaurantes que exige muitos clientes na mesma hora, cozinhas pequenas, etc.

Esse restô, além de preços que podíamos pagar, ficou marcado por um detalhe: passamos na frente do Cinghiale Bianco, que é o seu nome em italiano voltando do convento onde nos hospedamos e paramos para ver o que teria para o almoço. Na nossa frente, lendo o cardápio externo, um americano grande conversava com a mulher um pouco atrás. Ela perguntava: “E o que mais eles têm?”. Ele respondeu: “Leio, mas não entendo, but, anyway, they have lasagna”.  E a mulher respondeu: “No, no more lasagna. Estamos na Itália há uma semana e só comemos lasagna.”

Começamos a rir, quem sabe mais alto do que deveríamos. Ficou chato. Eles olharam para trás e, meio surpresos, dissemos: “Bem, se quiserem, poderemos ajudar”.

Foi só o que nos ocorreu. Conversamos um minuto e entramos. Cada casal sentou na sua mesa. Com o garçom e o menu, ajudei-os a escolher antepasto, salada, a pasta e o prato principal. Após os agradecimentos de praxe, considerei a missão encerrada. Mas não. Quando estávamos na segunda garfada dos raviólis de javali, vem o chefe dos garçons com taças de uns 30 cm de altura e um vinho embrulhado com guardanapo, e um provador de sommelier pendurado no pescoço, perguntando se podia abrir, quem ia provar, etc.

Imaginando o preço, já fui dizendo que era um engano e que havíamos pedido só meia garrafa do vinho da casa. Ele disse que sabia, mas que aquele era um oferecimento do casal americano.

Portanto, Laerte, boa viagem. Não lembro que vinho foi, mas a tua chance de errar com os vinhos da região é muito pequena.