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Posts com a tag "transporte"

Viajante de primeira viagem

21 de dezembro de 2011 0

Agora que vem a baixa estação – na Europa nem tão baixa assim –, o FACEiro Maicon, que, segundo ele, pretende se tornar um viajante, me faz uma pergunta.

Primeiro de tudo, siga em frente e pergunte o que quiser, e, se eu não souber, vou responder: “não sei!”.

Quanto à sua pergunta, ela tem lógica. Teoricamente, funciona, mas, na prática, é coisa para super-homens. Dormir em trens, sem as “couchetes”, dá para fazer uma noite. Depois da segunda, o corpo quer descansar, e as camas a bordo custam o mesmo que um hotel de duas estrelas. Portanto, o que sugiro é que reduza o seu roteiro e desfrute mais as cidades.

Sei da ansiedade da primeira viagem, mas você é jovem, e a Europa vai continuar à sua espera para mais viagens. Conhecê-la é uma coisa; usufruí-la é outra. E dizer aos amigos que foi é uma terceira. Trabalhar lá por um ou dois meses é viável. Já foi mais fácil, e precisa de algum conhecimento de idiomas.

Voltando ao assunto da sua primeira pergunta, quando se está maldormido, as coisas não têm graça; nada tem graça. O prazer diminui e o humor vai desaparecendo. Frequentemente, alguém diz: “pode fazer, a Europa é pequena...”.

Não é bem assim. Nós vivemos num país enorme, somos levados a acreditar, mas, por exemplo, e só como exemplo: de Lisboa a Moscou é mais ou menos como Porto Alegre - Belém do Pará – deve levar umas dez horas.

Portanto, sugiro que encurte seu projeto. Nas cidades maiores, no mínimo três a quatro dias. Evite o forte da temporada e faça as reservas em “youth hotels”. Todos têm e-mail.

Quanto a cidades? Acho que você tem que escolhê-las. Não me atrevo! Cada um tem seu interesse e a sua curiosidade.

Abraços.

Boa viagem.

De catamarã até onde o sol se põe

20 de dezembro de 2011 0

Pego uma carona no texto do escritor Alcy Cheuiche (e que escritor!), publicado em dezembro, 14.

Escreve ele sobre o efeito catamarã e que Guaíba acaba de contratar um turismólogo, pois a cidade tem bem mais que a vista da capital. É que milhares de porto-alegrenses estão atravessando o rio para fazer o passeio até onde o sol se põe.

Pergunta ele: de sã consciência, alguém tomaria um ônibus para fazer um passeio até o lado de lá? Respondo por mim: não, nunca pensei. Sempre soubemos das Pedras Brancas, da casa do cipreste? Do Bento Gonçalves, que dali comandou a revolução e, mais tarde, ali viria a falecer, assistido pela D. Leonor (não, não é a quituteira de sobrenome Bastian). Falo da esposa de Gomes Jardim.

Quem sabe foi por isso, para manter a parte histórica intacta é que expulsaram uma fábrica de automóveis. E, assim, Guaíba manteria o charme do passado? Muitos estão até conseguindo trabalhos estáveis, para assistir e atender os 300 turistas diários? E bem mais nos fins de semana, mas bem menos que os que viriam e se estabeleceriam se a Ford tivesse sido mantida. Mas a Ford tinha e tem um grave defeito: é americana.

Dê uma pensada. O que era Gravataí há 10 anos e o que é hoje? Com os meus anos de metalúrgico em São Paulo, justamente em departamentos técnicos de fábricas de automóveis, isso me toca mais ainda. Vi, vejo e continuaremos vendo o que a Fiat fez  e faz por Minas Gerais, e, ao mesmo tempo, vejo os gerentes do nosso Rio Grande, se lamentando das décadas perdidas e da falta de investimentos estrangeiros. Pudera! Quem colocará aqui milhões e milhões enquanto não esquecerem que nós não honramos contratos? E hoje, com tudo que pagamos de impostos, mal e mal pagamos os funcionários. Todos, ou quase, se queixam do que ganham. E, mesmo assim, cada nova administração insiste que faltam funcionários, enquanto nossos problemas se resumem em um gerenciamento, palavra mágica na empresa privada.

Alguma empresa com recursos no limite empregaria mais gente? E não é só o catamarã que levou mais de 20 anos para ser instalado, embora vários empresários tentassem... Quantos anos vão passar para que possamos ir por água ao Praia de Belas, ao Iberê ou ao Barra Shopping e algum lugar de Ipanema?

É justamente no trânsito e no tráfego que o gerenciamento piora. Foi assim com o catamarã. Com os “pardais”, é o que se sabe, a Justiça vai decidir. Mas os 40 milhões não vão retornar. No tráfego aéreo também: a pista do aeroporto encalhou desde o governo Britto; a BR116, da qual sou vítima semanal, é o que se sabe, e passam ali uns 80% do PIB do RS.

Parece que, com sucesso, só mesmo as carroças que preencheram a vaga da Ford. Nossa melhor estrada... é irônico, mas é a Freeway, que serve para ir e voltar da praia, que é como chamamos o litoral.

Um iceberg no seu whisky?

30 de setembro de 2011 0


Parece que vivemos uma época de sonhos possíveis. Isto até já acontecia há muito tempo. No fundo, era a busca do conforto; em breve, quem sabe, uma necessidade. Por exemplo, os romanos tinham seus fornecedores de gelo – certamente, os imperadores (deles, é claro, não estou falando no Sarney e família), e, como se sabe, os escravos que iam buscá-lo nas montanhas.

A costa norte da Califórnia também já foi abastecida por barcos que vinham do norte trazendo gelo para que o whisky on the rocks ficasse exatamente como queriam.

E até no quente sul da Índia havia esta mordomia: vi a “Casa de Gelo”, como é chamada uma construção de pedra numa ilha bem em frente à cidade de Madras, em pleno Golfo de Bengala. Claro que o abastecimento vinha do Sul – não sei de onde, mas, certamente, do sul.

Nesses casos que relato, o gelo vinha cortado em cubos e armazenado em porões de navios. Agora, com o aquecimento global, a questão começa a ser repensada, só que, em vez de armazenado nos porões, rebocado – mais ou menos como você pode ver na foto que reproduzi da Revista Time.

Segundo eles, o gelo é potável e transportável. Ou seja, os enormes icebergs seriam rebocados até estes lugares de crônica falta d’água. De acordo com os especialistas, não há grandes dificuldades. O iceberg é como um reservatório flutuante. Só na região da Groenlândia, com o aquecimento atual, se desprendem uns 15.000 por ano. Portanto, em vez de deixá-los dissolverem-se lentamente à espera de algum Titanic para afundar, rebocá-los até onde se quer – o sedento sul da Europa, por exemplo.

A primeira tentativa foi em 1950. a idéia agora é fazer uma espécie de proteção isolante, uma espécie de saia, para desacelerar o degelo e ir aproveitando as correntes marítimas. Quanto maior o iceberg, menor a perda, dizem os técnicos, calculada em até 38% em 120 dias de reboque.

Tecnicamente, tudo parece resolvido. A próxima etapa será conseguir entre 3 e 4 milhões de dólares. Se o susto não congelar os investidores, teremos uma interessante experiência pela frente e, quem sabe, novos empregos para os aspones cujo partido não emplacou: enxugadores de gelo.