Nem tenho a pretensão de pedir isto a uma Maria Tomaselli ou a um Britto Velho – seria demais. Me contentarei em ser um pintor de subúrbio, mas com o verde e amarelo na alma; o que vale é a causa. Calma, não estou sendo um ufanista de última hora. Os que passam pela Lomba do Asseio, quando virem uma bandeira com as nossas cores, saberão que é ali que moro. Ela está ali, com mastro e bem colocada, há uns 20 anos. Aliás, que eu saiba, é a única hasteada em uma residência. Esta brasilidade não vem de agora; herdei de meus pais, os estrangeiros mais brasileiros que conheci, que espero que, onde estiverem (no inferno, eu acredito –não desejaria a chatice do céu a duas pessoas que amo) continuem me estimulando.
Há muitos anos, e conhecendo a nossa complacência, sempre que ouvia contar estórias da nossa massa mansa, comentava: nos falta um pouco de sangue basco. Não os estou defendendo nas atrocidades que já cometeram, mas elogiando na perseverança, sua raça, sua garra e seu amor a Euskadi (a pátria basca)
Pois bem, há algum tempo, vindo de Montevidéu, estacionei o motor home na Praça de Treinta y Três – cujo nome vem dos 33 Orientales –, jantamos em mesas ao ar livre, e, na volta, após uma garrafa do seu bom “Tannat”, atravessando a Praça, (coisa que eu não faria aqui), deparei-me com um monumento aos 33, claro, e ali estavam seus nomes.
Automaticamente, comecei a lê-los: duas ou três famílias espanholas, outras duas ou três de nome alemão; alguns sobrenomes italianos e os restantes, mais de 50%... nomes bascos... Sem querer aumentar a cisão étnica, ou atribuir ao DNA faculdades que desconheço, voltamos ao Rocinante, e fui dormir com mais uma comprovação da minha antiga intuição. Uma vez em casa, procurei conhecedores da história cisplatina... mas é bom não se estender... Eles eram 33; nós, verde-amarelos, 12.000. E preferimos entregar o Uruguai, com as desculpas de sempre, para não derramar sangue... pela união dos hermanos, pela latinidade, etc., etc. Ou seja, a falta de huevos vem de longe!



