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Posts com a tag "Xico Stockinger"

Encontro de Xicos

20 de março de 2012 0

Um com x, um com ch. O primeiro foi autor de obras desejadas por muitos e que, há uns seis meses, alcançaram bons preços num leilão da Christie’s, em Nova York.

O Chico com ch, que assina o livro Stockinger, Vida e Obra, onde reuniu o que pôde da obra do Xico, é o José Francisco Alvres, Chico, para os amigos. Mostra, descreve e relata a sua admiração pelo Xico escultor. Não vi todas as fotos, mas as provas que vi são excelentes. Vê-las me deu uma grande saudade do amigo, vizinho e companheiro de viagem. Com visitas quase diárias ao seu ateliê (a 150 metros da minha casa), vi quase todas as obras em alguma fase de execução, e algumas até na caixa para expedição, pois o Xico fazia tudo mesmo.

Ver os guerreiros deitados num caixão ainda sem tampa era até um pouco solene, como um viking deitado, descansando, à espera de sua próxima batalha – que, no caso, seria também a primeira.

Enquanto elas aguardavam comprador, transporte ou alguma exposição, eram silenciosas testemunhas dos nossos embates no snooker (na sala ao lado). Ali, se reuniam, Xico, o grande campeão Sérgio Faracco, o escultor Tenius, Carlos Tenius, o Luiz Barth, também da área artística, o Egon Kröeff, e este escriba e convidados diversos. Com certeza, nos reencontraremos no dia 22. A obra do Xico transcende a arte. Era amigo de todos e, quando nos reencontramos, o assunto não é a sua arte, mas a sua pessoa. Será no Museu de Arte, às 19 horas.

Obrigado, Xico com x por produzi-las. Obrigado, Chico com ch por perpetuá-las num livro.

Xico na Christies NY

21 de novembro de 2011 0

A minha amiga Jussara, uma das duas esculturas falantes feitas pelo Xico (a outra é seu irmão, Francisco Antônio), me pede que escreva algo sobre ele. Não é difícil. O Xico como companheiro era um tipo exuberante. Convivemos e viajamos juntos muitas vezes. Mas sobre ele já se disse quase tudo, vários livros foram feitos, e mais um, que eu saiba, está para ser lançado, do Chico, com “ch”; as fotos são ótimas.

Fui sempre atrasando o texto pedido pela Ju, mas hoje, para nós todos que gostamos dele, é uma data ótima. Houve, na semana passada, um leilão. Sempre há leilões, só que esse a que me referi foi da Christies, em Nova York, acompanhando o bom, o ótimo momento do Brasil no exterior. Seus companheiros de leilão: alguns artistas brasileiros, tão bons quanto o próprio, e da mesma época, José Pancetti, Hércules Barsotti, o cearense Bandeira, Alfredo Volpi, o das bandeirinhas, e o meu querido amigo Xico Stockinger, meu vizinho, sobre o qual, por amizade e por saudade, prefiro não escrever – seriam só elogios.

Portanto, reproduzo o informado pela Christies, que tem casas de leilão no mundo inteiro (bem, não é no mundo inteiro, mas em Londres, Paris, Nova York, Hong Kong e Estocolmo – só falta Flores da Cunha). Diz:

Francisco Stockinger (1919-2009), austríaco naturalizado brasileiro, foi o artista que mais surpreendeu a Christies. Desde 2008, seu recorde em leilões da casa era de apenas US$ 1,067 [uma gravura]; anteontem, seu homem de bronze [da foto] saiu por entusiasmados US$ 47,5 mil [a estimativa era de US$ 18 mil].

Portanto, todos nós, amigos, colecionadores, galeristas ou, simplesmente, porto-alegrenses que podem admirar suas obras – como o Quintana e o Drummond na Praça da Alfândega (eu fui o intermediário), os recortes da Praça do Rosário (também fui eu), e outros – estamos todos exultantes. Sabíamos, intuíamos que ele era muito bom, mas, agora, temos o reconhecimento da Christies, a mais prestigiada casa de  leilões do mundo.

Aos mais próximos às artes plásticas, gostaria de dizer que o Viajando por Viajar não teve referências claras sobre o “Homem de Bronze” leiloado – se era só de bronze, bem como o seu tamanho. A própria foto não é clara. Ao que parece, o Homem é todo de bronze – portanto, deve ser da época em que Xico e sua esposa, D. Ieda, moravam na Rua Pelotas. Lá se vão mais ou menos 60 ou 70 anos. Poucos foram feitos. A razão? Para um escultor principiante, a fundição era muito cara. O bronze sempre foi caro – se não vendesse logo... as finanças iam para o beleléu.

Galerias de arte não existiam. O Xico era chargista, veio do Rio fazendo-as, inicialmente para “A Hora”, depois para a Caldas Júnior, e também fazendo letreiros para promoção de peças de automóveis, principalmente na Farrapos (os mais idosos devem lembrar). “Peças de todos os autos para autos de todas as partes” (mais ou menos assim). Pois bem, iam para as vitrines sem a sua assinatura.

Caros Jussara e Francisco Antonio: globalizaram o Xico, mas, para nós, não é a sua arte que faz falta, e sim a sua presença, o seu humor, e o seu “cassoulet” anual com portas abertas – ele nunca fez dois iguais (como seus guerreiros), mas eram simplesmente ótimos.

Abraços.

Flavio.

Almoçando com Xico Stockinger

08 de agosto de 2011 0

Ontem, domingo, 7, tivemos um almoço temático. E o tema era Xico Stockinger. Se ele ainda estivesse entre nós, seria o seu aniversário. Nem sei bem quantos ele faria, mas não vem ao caso. Ele sempre comemorava com uma “feijoada branca”, uma espécie de “casoulet” cuja fórmula foi-se perdendo no trajeto desde a Áustria até o Brasil, mas o resultado era sempre bom. Se a “Lomba do Asseio Times” tivesse coluna social, diria que era uma “Open House”. Não sei bem se seria, pois as portas estavam fechadas. Mas só para os cachorros não saírem. Quem conseguisse girar a maçaneta entrava.

Cozinheiro de poucos pratos, mas ótimos, sabia da fórmula e ainda acrescentava um pouco de tudo que encontrava na geladeira, mas com talento, principalmente, feijão branco, costeletas de porco defumadas, temperos, cebolinhas bem pequenas, azeitonas, linguiça, bacon torradinho e umas colheres de mel – segundo ele, só pra tirar a acidez.

Além de alguns amigos, a filha Jussara – provavelmente, sua melhor obra – e a companheira predileta, a escultora talentosíssima, com quem dividia também o atelier: Eloysa Tregnago.

O assunto não podia ser outro: o aniversariante, cuja ausência motivou todos os papos do almoço. No centro da mesa, várias esculturas, homens e mulheres, de diferentes épocas, giravam como se dançassem. Enquanto as pessoas iam-se servindo,  relembravam as suas estórias, seu bom humor e seu espírito contestador. Ontem, devia estar rindo, feliz e participando de tudo, obviamente, do inferno – o querido Xico não agüentaria um só minuto a chatice do céu entre beatos e beatas.

A verdade é que, com a lareira e os gostosos (mas desconsiderados) pinhões, tudo ajudou a aquecer a nossa tarde. O elogio mais citado, sem dúvida, foi: “Que falta ele nos faz!”