A minha amiga Jussara, uma das duas esculturas falantes feitas pelo Xico (a outra é seu irmão, Francisco Antônio), me pede que escreva algo sobre ele. Não é difícil. O Xico como companheiro era um tipo exuberante. Convivemos e viajamos juntos muitas vezes. Mas sobre ele já se disse quase tudo, vários livros foram feitos, e mais um, que eu saiba, está para ser lançado, do Chico, com “ch”; as fotos são ótimas.
Fui sempre atrasando o texto pedido pela Ju, mas hoje, para nós todos que gostamos dele, é uma data ótima. Houve, na semana passada, um leilão. Sempre há leilões, só que esse a que me referi foi da Christies, em Nova York, acompanhando o bom, o ótimo momento do Brasil no exterior. Seus companheiros de leilão: alguns artistas brasileiros, tão bons quanto o próprio, e da mesma época, José Pancetti, Hércules Barsotti, o cearense Bandeira, Alfredo Volpi, o das bandeirinhas, e o meu querido amigo Xico Stockinger, meu vizinho, sobre o qual, por amizade e por saudade, prefiro não escrever – seriam só elogios.
Portanto, reproduzo o informado pela Christies, que tem casas de leilão no mundo inteiro (bem, não é no mundo inteiro, mas em Londres, Paris, Nova York, Hong Kong e Estocolmo – só falta Flores da Cunha). Diz:
Francisco Stockinger (1919-2009), austríaco naturalizado brasileiro, foi o artista que mais surpreendeu a Christies. Desde 2008, seu recorde em leilões da casa era de apenas US$ 1,067 [uma gravura]; anteontem, seu homem de bronze [da foto] saiu por entusiasmados US$ 47,5 mil [a estimativa era de US$ 18 mil].
Portanto, todos nós, amigos, colecionadores, galeristas ou, simplesmente, porto-alegrenses que podem admirar suas obras – como o Quintana e o Drummond na Praça da Alfândega (eu fui o intermediário), os recortes da Praça do Rosário (também fui eu), e outros – estamos todos exultantes. Sabíamos, intuíamos que ele era muito bom, mas, agora, temos o reconhecimento da Christies, a mais prestigiada casa de leilões do mundo.
Aos mais próximos às artes plásticas, gostaria de dizer que o Viajando por Viajar não teve referências claras sobre o “Homem de Bronze” leiloado – se era só de bronze, bem como o seu tamanho. A própria foto não é clara. Ao que parece, o Homem é todo de bronze – portanto, deve ser da época em que Xico e sua esposa, D. Ieda, moravam na Rua Pelotas. Lá se vão mais ou menos 60 ou 70 anos. Poucos foram feitos. A razão? Para um escultor principiante, a fundição era muito cara. O bronze sempre foi caro – se não vendesse logo... as finanças iam para o beleléu.
Galerias de arte não existiam. O Xico era chargista, veio do Rio fazendo-as, inicialmente para “A Hora”, depois para a Caldas Júnior, e também fazendo letreiros para promoção de peças de automóveis, principalmente na Farrapos (os mais idosos devem lembrar). “Peças de todos os autos para autos de todas as partes” (mais ou menos assim). Pois bem, iam para as vitrines sem a sua assinatura.
Caros Jussara e Francisco Antonio: globalizaram o Xico, mas, para nós, não é a sua arte que faz falta, e sim a sua presença, o seu humor, e o seu “cassoulet” anual com portas abertas – ele nunca fez dois iguais (como seus guerreiros), mas eram simplesmente ótimos.
Abraços.
Flavio.