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O que Jorge Drexler viu em Cabo Polonio, no Uruguai

10 de novembro de 2011 5

Este post é uma colaboração do antigo síndico do blog, o jornalista e amigo Evandro de Assis. Nas últimas férias, ele foi conhecer Cabo Polonio, um cantinho ainda pouco explorado do Uruguai, a caminho da badalada Punta del Este. Mas vamos logo ao que interessa, porque o relato dele está saborosíssimo (e você logo vai entender o por quê do título deste post)!

O farol de Drexler em Cabo Polônio, no Uruguai (Foto: Evandro de Assis)

O farol de Drexler em Cabo Polônio, no Uruguai (Foto: Evandro de Assis)

“Hoje em dia, as pessoas vêm conhecer o farol por causa da música de Jorge Drexler”, contou-me, em tom de lamento, o militar uruguaio responsável por receber os turistas no alto da torre à beira-mar. O rapaz não compreendia como, diabos, alguém procurava Cabo Polonio movido mais pela letra de uma canção do que pelo cenário lunar de um dos mais belos territórios do Uruguai.

A queixa tem algum fundamento. Em 12 segundos de oscuridad (ouça a música aqui), Drexler descreve introspectivamente o giro do farol a guiar os navios que contornam o cabo (a volta completa leva exatos 12 segundos). A letra fez de Polonio um lugar famoso, mas não deu dimensão da paisagem que lá se encontra e merece ser visitada.

Cabo Polonio fica bem no meio do Litoral uruguaio. Pode-se chegar por terra a partir da fronteira com o Brasil, no Chuí (RS), ou desde Montevidéu, em estradas retas e muito seguras. Há um porém: um conjunto de dunas separa a rodovia mais próxima do paraíso. É preciso deixar o carro sob árvores de um terreno à beira da estrada e pegar o jipe coletivo até a vila (pergunte os horários ao hotel). A dificuldade de acesso, entretanto, proporciona sensação de exclusividade ao visitante que depara com as casinhas incrustadas na areia do cabo.

No verão, as limitadas opções de hospedagem ficam cheias, reservar uma cama é indispensável. No inverno, quando visitei Polonio, há pouca gente circulando pelas ruazinhas. Dá para conhecer o cabo inteiro em um dia, mas o ideal é chegar na tarde anterior e pernoitar. A experiência de acordar cedinho com o barulho das ondas paga o preço da hospedagem.

As hospedagens no meio das dunas em Cabo Polonio, no Uruguai (Foto: Evandro de Assis)

As hospedagens no meio das dunas em Cabo Polonio, no Uruguai (Foto: Evandro de Assis)

Barriga cheia

Tomo a liberdade de recomendar um albergue (R$ 35 a R$ 60) que contribuiu muito para meu encantamento com esse cantinho de mundo. No Cabo Polonio Hostel, um casebre para os padrões de estrutura hoteleira dos balneários catarinenses, mas um palácio de cordialidade, te conquistam pelo estômago. O staff tem um chef de cozinha, responsável por pescar, preparar e servir peixes fresquinhos. O cara também manja de doces (a especialidade é a panqueca de doce de leite feita no fogão a lenha). Só não espere conforto. O chuveiro é gelado e a pouca energia vem do sol.

No café, a mesa é servida com bolo de chocolate, pão, geleias e frutas, banquete temperado com deliciosa simplicidade. Com a barriga cheia, o negócio é caminhar pela areia e fotografar. Em direção ao farol, pela areia, avista-se imensa colônia de lobos marinhos numa ilhota próxima. O barulho dos milhares de bichos se mistura ao ruído das ondas.


Os lobos marinhos uruguaios de Cabo Polonio (Foto: Evandro de Assis)

Os lobos marinhos uruguaios de Cabo Polonio (Foto: Evandro de Assis)

Farol e dunas

O farol em si é visita obrigatória, mesmo para quem nunca ouviu falar de Jorge Drexler. Sobe-se por uma escadinha apertada, e os mais sedentários preicsam interromper a escalada algumas vezes para respirar. Lá em cima, o simpático militar explica como funciona o aparelho de orientação aos navegantes. Visto que no inverno há poucos turistas, pode-se ficar lá em cima à vontade, sem pressa, curtindo o visual 360 graus com o vento no rosto. Só não esqueça de se agasalhar bem, o vento é de gelar o nariz.

De volta à vila, entre no mercadinho de frutas que fica próximo à pracinha. Há objetos antigos e um ar de velho oeste dentro do estabelecimento. Depois circule entre as casinhas, uma mais curiosa que a outra, em direção às dunas que ficam do lado oposto ao farol. Lá de cima tem-se outra vista sensacional, agora com o farol ao fundo. Para almoçar, as próprias hospedagens costumam abrigar restaurantes. Em geral, servem pescado e comida caseira. Aproveite.

Valizas

Nas temporadas mais quentes, uma boa pedida é chegar a Cabo Polonio caminhando pela praia desde Valizas, onde há campings e maior movimento de veranistas. São cerca de oito quilômetros pela areia. Quem se habilita?

A aventura tem suas recompensas em Cabo Polonio, no Uruguai (Foto: Evandro de Assis)

A aventura tem suas recompensas em Cabo Polonio, no Uruguai (Foto: Evandro de Assis)

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Comentários (5)

  • viagem disney diz: 18 de janeiro de 2012

    Que foto maravilhosa!

  • Rafael Melo diz: 27 de janeiro de 2012

    Úm lugar inesquecível, bucólico e com uma paz de espírito inigualável. Um banho de mar na praia norte (não sei o nome dela) com águas calmas no verão fechou com chave de ouro meu incrível dia neste pedacinho que parece esquecido na beira do Atlântico Sul.
    Este blog me trouxe a surpresa de saber que Jorge Drexler escreveu uma canção para Polonio. Realmente, merecia mais de uma com certeza!

  • André Goulart Holsbach diz: 12 de agosto de 2012

    12 Segundos de Oscuridad

    Un faro para, sólo de día,
    guía, mientras no deje de girar
    no es la luz lo que importa en verdad
    son los 12 segundos de oscuridad.

  • Kamille diz: 12 de agosto de 2013

    Confesso que também tenho vontade de visitar Cabo Polonio pelo Drexler. Mas é por outra música, “Noctiluca”, que cita os plânctons que brilham que ele viu lá. Parece ser uma cidade linda e romântica.

  • Lara Pascom diz: 24 de janeiro de 2014

    No inverno o pôr-do-sol tbm é lindo como nas demais estações?

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