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Corupá: rota das cachoeiras desafia o físico e recompensa

04 de dezembro de 2011 26

Vem chegando o verão… e não, eu não vou falar de praia. Aqui pertinho do Vale do Itajaí, mais precisamente no município de Corupá, fica a Rota das Cachoeiras, um paraíso ecológico de mata preservada, água fria e transparente. São 2,9 quilômetros de trilha a pé morro acima, a pouco mais de uma hora de Blumenau (percurso feito de carro). Pelo caminho, 14 cachoeiras (na verdade são 13 porque o acesso a uma delas está interditado por deslizamentos). Cansa, mas recompensa.


Corupá - Rota das Cachoeiras (Foto: Letícia da Silva)

Corupá - Rota das Cachoeiras (Foto: Letícia da Silva)


Corupá - Rota das Cachoeiras (Foto: Letícia da Silva)

Corupá - Rota das Cachoeiras (Foto: Letícia da Silva)

A Rota das Cachoeiras pertence à Reserva Particular do Patrimônio Natural Emílio Battistella, um parque de preservação e ecoturismo reconhecido pelo Ibama em 2002. É preciso pagar uma taxa de visitação de R$ 10 para fazer a trilha, que já enche os olhos logo no começo, quando ainda não deu tempo nem de suar. Não à toa, a primeira cachoeira recebe o nome de Suspiro.


Cachoeira do Suspiro (Foto: Letícia da Silva)

Cachoeira do Suspiro (Foto: Letícia da Silva)

Gostou? Tem muito mais. Mas antes de se animar para subir até a 14ª, aí vão algumas dicas:

- Escolha um tênis confortável para encarar a trilha. Não faça como eu, que fui com um tênis velhinho e voltei com eles sem sola;

- Prefira a Trilha Passa-Águas para subir e descer (é nela que estão todas as cachoeiras, pontes, mirantes). Eu desci pela Trilha do Araçá pra economizar 400 metros de caminhada, mas encontrei um trecho íngreme, úmido e, pra quem já não tinha sola no tênis, um pouco perigoso. Como não há um atrativo no percurso, não tem por que correr o risco;

- Suba sem pressa de descer e disposto a sentir dor muscular por pelo menos dois dias. Com calma e direito a parada para banho em duas cachoeiras (as outras são perigosas), dá pra completar o percurso em 3,5 horas. Ideal é subir até 9h, pra voltar a tempo de almoçar, ou até 14h, pra voltar antes de escurecer;

- Leve garrafas de água mineral (dá pra encher nas bicas pelo caminho) e um lanchinho leve (barras de cereal, sanduíche natural) pra comer durante o percurso;

- LEMBRE-SE de não jogar nada na natureza, traga o seu lixo de volta para a sede do parque;

- Não pegue atalhos, siga a trilha, leia as placas, respeite os esquilos, pássaros, borboletas e as aranhas pelo caminho.


Aranhas pelo caminho (Foto: Letícia da Silva)

Aranhas pelo caminho (Foto: Letícia da Silva)

Agora, voltemos à trilha. As placas indicam como chegar a cada uma das cachoeiras e se é permitido ou não tomar banho nelas. Suspiro, Banheira, Três Patamares, Pousada, Repouso, Remanso Grande, Confluência (são duas), Corredeiras, Tombo, Palmito, Surpresa, Boqueirão. Nem todas impressionam, mas a força da água provoca aquela vontade gostosa de sorrir em reconhecimento a algo que você não sabe descrever direito com palavras, sabe?


Rota das Cachoeiras (Foto: Letícia da Silva)

Rota das Cachoeiras (Foto: Letícia da Silva)

Corupá - Cachoeira Três Patamares (Foto: Letícia da Silva)

Corupá - Cachoeira Três Patamares (Foto: Letícia da Silva)

Ao chegar à 13ª cachoeira, a Boqueirão, você certamente já terá pensado em voltar antes do fim (ainda que não tenha reconhecido isso aos colegas de trilha). As pernas doem, o ar fica gelado e estranhamente puro pra quem vive na cidade, a sede parece não ter fim, o chão está úmido mesmo que não chova há dias.

Eu tive um empurrãozinho ao encontrar pelo caminho um pai com uma criança nos ombros, ambos com sorriso de orelha a orelha enquanto comentavam sobre a última cachoeira, a Salto Grande, com 125 metros de queda. Se aquele homem subiu até ali com uma criança de cinco anos e continuava animado, não seria eu a desistir. Entre a penúltima e a última cachoeira, são cerca de 400 metros no meio do mato. O barulho da água despencando fica cada vez mais forte e, ao enfim virar uma curva à direita e subir uma pedra, fica impossível conter o pasmo.


Corupá - Cachoeira Salto Grande (Foto: Letícia da Silva)

Corupá - Cachoeira Salto Grande (Foto: Letícia da Silva)

A Salto Grande é, na verdade, enorme.  E tem um filhote ao lado que forma uma piscina natural, onde é possível se refrescar. Lá em cima, um fenômeno interessante: a água desce com força da cachoeira-filhote, entra na pedra e volta pra superífcie de baixo pra cima, como se fosse um esguicho vindo da rocha. Aproximar-se da Salto Grande, ainda que a uma distância segura do precipício (não há corrimão de proteção), nos deixa pequenos (é clichê, eu sei!) e felizes. Dá até pra esquecer o cansaço, a sede, as dores pelo corpo…


Corupá - Cachoeira Salto Grande, enfim a 14ª (Foto: Letícia da Silva)

Corupá - Cachoeira Salto Grande, enfim a 14ª (Foto: Letícia da Silva)


Corupá - piscina natural se forma na Salto Grande (Foto: Letícia da Silva)

Corupá - piscina natural se forma na Salto Grande (Foto: Letícia da Silva)

Pra quem se interessou pela aventura, ao alcance de todas as idades e condicionamentos físicos (basta respeitar o ritmo de caminhada e o tempo pra completar o percurso), a Rota das Cachoeiras fica na Rua Rio Novo Alto, s/nº, Bairro Rio Novo, em Corupá. O ingresso se compra antes, numa casa/restaurante/cancha de bocha à esquerda da rua de chão batido (é o único no caminho e tem placa indicativa). O telefone pra contato é o (47) 3375-2232.


Comentários (26)

  • Juliana diz: 5 de dezembro de 2011

    Gostaria de saber sr é permitido levar cachorrinha porte medio para fazer a trilha, , se existe algum restaurante/lanchonete no local e se tem algum custo seé cobrasdo entrada..?
    Obrigada
    Juliana

  • david it central diz: 5 de dezembro de 2011

    Fantástico!! Muito obrigado por compartilhar essa experiência conosco, ja tenho 2 ingressos comprados para ir pra lá, e só ti esperando dar um fim de semana de sol pra ir!!
    Realmente nosso estado pé abençoado com um dos mais belos litorais do país, e um interior fantástico também!!

  • Andréia diz: 5 de dezembro de 2011

    Este é um lugar fascinante para quem curte a natureza. Vale a pena conhecer!

  • Euclides Abomai diz: 12 de dezembro de 2011

    Não é recomendável fazer trilha de tênis. Há calçados específicos para isso.

  • leticia_silva diz: 27 de dezembro de 2011

    Oi, Juliana!
    Desculpa a demora em responder. Não pode levar cachorro, existe uma lanchonete bem fraquinha no parque (apesar da simpatia dos ecônomos) e dois restaurantes próximos (não experimentei, mas são bem simples). É cobrado R$ 10 por pessoa pra entrar no parque.

  • gilberto diz: 31 de janeiro de 2012

    Boa noite ,gostaria de saber se no mes de março tambem pode ser feito a caminhada pois estarei de ferias ,e se tem alguma pousada que possam me indicar para passar um fim de semana.aguardo retorno.
    Att,Gilberto

    RESPOSTA DO BLOG: É possível fazer a caminhada em março, sim. O tempo continua quente por aqui. Não sei o nome da pousada ali perto, mas tem uma, bem simples, na entrada do parque. Abraços e bom passeio! O lugar é incrível!

  • marcio paulo diz: 11 de outubro de 2012

    lindo este local, gostaria de conhece-lo e saber de camping e hotéis bem próximo as cachoeiras?

  • Vanessa Borges diz: 14 de novembro de 2012

    Oi Leticia, tudo bem… amei as fotos parece ser o máximo, tem hotéis próximo?? E nesse feriado é uma boa pra passar o dia??
    bjão adorei o blog!!

  • leticia_silva diz: 6 de dezembro de 2012

    Olá, Vanessa! Desculpa a demora em responder, passou o feriado e te deixei na mão né? Desculpa mesmo… não tem hotel perto de Corupá, as opções melhores e mais próximas são em Jaraguá do Sul, que fica distante uns 30 minutos. É um passeio (se fizer TODAS as cachoeiras) que dura umas cinco horas e cansa demais, então vale se hospedar em Jaraguá.

  • Janieli diz: 9 de dezembro de 2012

    Olá, preciso saber se o local é aberto para visitação durante a semana e tb se a entrada continua sendo R$ 10,00 conforme citado acima.
    Pretendemos ir em um grupo de 30 jovens, nesse caso tem desconto? Liguei para o fone disponível no site, mas não atende 3375-2232.
    Obrigada.

  • Romis Borchardt diz: 13 de dezembro de 2012

    Olá Letícia, parabéns pela reportagem!
    Sou de Ribeirão Preto, interior de SP e vou visitar minha família em Timbó neste fim de ano.
    Gostaria de saber se o passeio será permitido no dia 23/12/12 (domingo). A mais de uma semana que estou tentando ligar no 47.3375-2232 que é o telefone divulgado para contato com a rota das 14 cachoeiras, mas ninguém atende. Estou com receio de perder a viagem e chegar lá com a trilha fechada a visitação.

    Obrigado,
    Romis

  • leticia_silva diz: 17 de dezembro de 2012

    Olá, Janieli! Também não estou conseguindo falar com o parque pra confirmar estas informações. Se eu encontrar novo telefone ou se eles retornarem minha procura, te aviso, ok?

  • leticia_silva diz: 17 de dezembro de 2012

    Olá, Romis! Não estou conseguindo contato com o parque também, por isso não sei te responder. Talvez a prefeitura de Corupá saiba informar, mas estou inclusive com dificuldade de confirmar com eles. Se eu descobrir algo a tempo, te aviso!!!

  • maria cecilia diz: 1 de janeiro de 2013

    Eu adoro ,a natureza e um presente que Deus nos deu,ja fui inumeras vezes ,e pedi como passeio no dia do meu aniver pois sou apaixonada pela paisagem e aquele lugar magico.

  • ingo prochnow diz: 3 de janeiro de 2013

    gostaria de saber de onde vem toda esta agua?

  • Regina diz: 4 de janeiro de 2013

    Preciso saber ser o parque está funcionando nesse final de semana (05 e 06/01/2013).

    Agradecida

  • leticia_silva diz: 7 de janeiro de 2013

    Regina, o parque vai abrir em todos os fins de semana de janeiro.

  • maria do rocio diz: 12 de janeiro de 2013

    Olá! gostaria de saber se o parque vai abrir dias 11 e 12 de fevereiro, segunda e terça de carnaval, estou pretendendo ir até lá, e também se possivel um telefone para contato.
    Obrigada

    Rocio

  • Izabella diz: 17 de janeiro de 2013

    Ola, gostaria de saber qual é o valor pago na taxa de visitação. E se é nessesario algun tipo de aviso previo de quantas pessoas vão?

  • leticia_silva diz: 22 de janeiro de 2013

    Olá, Maria! O parque abre todos os fins de semana, mas não sei se há alguma ressalva porque é feriado. O telefone que tenho é este do post: 3375-2232. Mas na prefeitura de Corupá consegues informações também.

  • leticia_silva diz: 22 de janeiro de 2013

    Boa noite, Izabella!
    No ano passado, a taxa era de R$ 10, conforme informação do post. Não precisa avisar quantas pessoas vão, não. Mesmo sendo um lugar muito lindo, poucas pessoas visitam (e menos gente ainda encara o desafio de ir até a última cachoeira). A recomendação é uma só: aproveite a natureza exuberante com consciência ecológica, tênis confortável e muita água mineral. :-)

  • malrocha diz: 7 de fevereiro de 2013

    Aquilo na foto não é aranha, é um opilião,Os opiliões são invertebrados de oito pernas que pertencem a ordem Opiliones. são também aracnideos..

    abçs

  • leticia_silva diz: 14 de fevereiro de 2013

    Resposta do blog: uau! Nunca tinha ouvido falar em Opiliones. Obrigada pele ensinamento!

  • Anderson Martines diz: 19 de fevereiro de 2013

    Letícia, sei muito bem como vc se sentiu ao se deparar com essa beleza inenarrável. Eu frequentei estas cachoeiras quando tinha 8 anos, anualmente até meus 18… Em Corupá aprendi a pescar, nadar, caçar (quando ainda não tinha consciência da besteira que fazia!!!), subir morro, mergulhar, andar na mata, observar bugios e monos com suas crias e famílias, tive contato com inúmeros tipos de macacos, Antas, Pacas, Capivaras, Iraras (um tipo de lontra), e todos os tipos de animais silvestres possíveis. Corupá é parte da minha vida, da minha história, das minhas melhores memórias, da minha nostalgia. Fiquei muito contente com sua matéria, parabéns, captou exatamente o que é a cidade. Tenho umas dicas legais pra vc e seus leitores: o Seminário de Jovens, com sua arquitetura maravilhosa, seu silêncio meditador, seu museu, seu mini-zoológico e os jardins que o circundam, vale a visita!!! Ali pertinho existe uma casa onde pode-se visitar a maior Vitória-Régia do mundo, segundo o Guiness book of records (bom, pelo menos em 2005 quando estive lá ela existia e era a maior…rs). E para hospedagem havia o Hotel Turek Garten na estrada que liga Jaraguá a Corupá. Não deixe também de conhecer as cachoeiras da antiga usina, meus parabéns, boas matérias pra vc.

  • leticia_silva diz: 21 de fevereiro de 2013

    Excelentes dicas, Anderson! E que bom que compartilhamos desta sensação de que o lugar é realmente incrível! :-)

  • Luiza Mallmann diz: 1 de março de 2013

    Esse passeio é sensacional! Fiz com meu esposo, em 2008. Adoramos cada passo da subida! Na ida, acompanhando as cachoeiras e, na volta, pela trilha alternativa (que não passa pelas cachoeiras). São necessários calçados específicos porque o caminho, às vezes, é íngreme. A descida, pra gente, foi pior. Ela exige esforço e cuidado por conta da lama e pedras úmidas, escorregadias. Contudo vale a pena!!

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