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Projeto de viagem que leva música e arte às escolas e comunidades carentes chega a SC

08 de julho de 2015 0

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Depois de 41 dias na estrada e mais de 4 mil km rodados entre cidades do Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná, o Projeto Km/Arte chegou nesta última semana à cidade de partida: Balneário Camboriú. Formado pela banda MIAMI DUO dos músicos Pedro Schincariol e Beatzotto, o artista plástico Sylvio Schoenberg e o produtor Henrique Behling, o projeto consiste em um coletivo itinerante que roda o Sudeste e o Sul do Brasil visitando escolas e comunidades carentes levando oficinas de música, reutilização de materiais e desenho para crianças e adolescentes.

Aqui em Santa Catarina, o grupo vai passar pelas cidades de Rio do Sul, Jaraguá, Blumenau, Itajaí, Baleário Camboriú, Itapema e Grande Florianópolis. Ao todo, serão mais de 5 mil quilômetros em 82 dias. Ao longo desta viagem de entrega e conhecimento, o grupo recebe o apoio de pessoas para ganhar moradia, alimentação e gasolina. Segundo os integrantes, mais de 85% do projeto é financiado na estrada através da venda de shows da banda e das artes plásticas.

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O projeto

No trajeto, o Km/Arte visita escolas, comunidades carentes e projetos sociais e leva música e arte a quem, muitas vezes, não tem acesso. A oficina de música ministrada pelo Beatzotto transmite batidas básicas do beatbox, movimento do Hip Hop pincelando o histórico da arte e entretendo os alunos com um pocketshow. Já a oficina de arte traz a reutilização de pranchas de surfe quebradas, skates e outros materiais descartados, transformando-os em peças de decoração, mostrando números e a importância do cuidado com o meio ambiente. Tudo feito com muito amor.

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Conversei com o Henrique Behling, de Balneário Camboriú, sobre o projeto. Confira a entrevista:

VEP -  De onde surgiu a ideia?
Henrique –  
A princípio planejávamos uma viagem de carro normal, uma roadtrip de férias passando por alguns picos de surfe. À medida que fomos fazendo reuniões para organizar as despesas, trajeto e os detalhes chegamos a conclusão de que a viagem estava muito vaga. Sim, íamos nos divertir, conhecer lugares porém sem carregar nada de especial e sem retornar com um conhecimento maior na bagagem. Começamos então a pensar em como poderíamos deixar uma marca nos lugares em que passávamos. Convidamos então o Sylvio, artista plástico, para compor o grupo e chegamos ao formato que a viagem acontece hoje. Carregando nosso talento como “cartão de visita” para as cidades que visitamos.

VEP - Qual a situação mais inusitada pela qual passaram nesses 41 dias de viagem?
Henrique - A estrada possibilita muita coisa inusitada, acho que daria para escrever dois livros: um de drama e outro comédia! Aconteceu de vendermos shows da banda por cachê alto e outros em troca de almoço, arrumar local pra dormir já depois da meia noite.

VEP –  Além deste ato de doação ao próximo, esta viagem deve ser de autoconhecimento do grupo. O que vocês estão aprendendo com ela?
Henrique - Sem dúvida. Nem todos do grupo eram amigos de longa data e o primeiro grande aprendizado foi saber dividir e respeitar o espaço de cada um. Como dependíamos de trabalho e moradia cedida, aprendemos a lidar e até a rir do NÃO. Mas sem dúvida o maior aprendizado foram as crianças que nos trouxeram, ver que há dedicação e força de vontade nelas, indiferente da realidade social que vivem foi uma injeção de animo para nosso grupo e combustível para o projeto.

VEP - Passaram algum perrengue?
Henrique - Havíamos planejado a compra de uma Kombi para a viagem. Seria um carro mais adequado para carregar todos os instrumentos, material de pintura e shapes de skate usados (matéria prima do Sylvio). Às vésperas da viagem fomos buscar a Kombi e descobrimos que ela estava cheia de defeitos, mal chegou até a esquina e já estragou. Ficamos sem carro antes mesmo da viagem começar. Então a mãe do Pedro cedeu seu carro para a viagem, carro que batizamos de Pablo (um Citroen Picasso). Porém, o carro não tinha lá sua manutenção tão em dia e nos deixou parado algumas vezes na estrada, numa delas o Pablo parou de funcionar em pleno horário do rush na Av. dos Bandeirantes, em frente ao aeroporto de Congonhas em São Paulo. Podemos destacar também nossa passagem por Paraty-RJ onde ficamos acampados, houve um temporal e acordamos com a barraca inundada, máquina fotográfica, computador e celulares boiando dentro.

VEP – O que pretendem fazer quando a viagem acabar?
Henrique - Durante a viagem coletamos bastante material. Vídeos das oficinas, nosso dia a dia, depoimento de pessoas que nos cederam moradia, trabalho e das ONGs e escolas que ministramos as oficinas. A ideia é organizar esse material e produzir um documentário com base nos conceitos de Volunturismo que está crescendo bastante no Brasil. Além disso já fomos convidados para participar de mesa redonda e workshops em faculdades comentando o formato da viagem. Além claro, de planejar a próxima!

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Serviço
Projeto Km/Arte
Quando? De Maio a Agosto de 2015
Onde? Sul e Sudeste percorrendo os estados do RJ, SP, PR, SC e RS
Fanpage: https://www.facebook.com/pages/KmArte/1586266694965813
Instagram: @km.arte

Fotos: Projeto Km/Arte

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