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Posts na categoria "Viajantes"

Viajantes: Victória e Cícero e muito calor em Pernambuco

22 de novembro de 2015 0

Em épocas de alta do dólar, nada melhor que explorar o Brasil. Confesso, faltam histórias de viagens por esse país no Viajar Eu Preciso, mas conto com a ajuda dos leitores para trazer um conteúdo bem tupiniquim. A Victória Bürgel e o Cícero Tonet viajaram a Pernambuco no último mês e compartilham aqui algumas dicas do que fazer em Recife e região em sete dias. O casal dá um panorama bem legal das cidades de Recife, Olinda,  Ipojuca (Porto de Galinhas), Tamandaré e Rio Formoso e Maragogi ( norte de Alagoas).

::: Viajantes: André e Karla embarcados em cruzeiro no Pacífico
::: Viajantes: Patrízia e Diogo. Por que trocamos nossa casa pelo mundo?

Ela conta que os passeios partindo de Porto de Galinha são bem fáceis de agendar, porque os vendedores te procuram na rua. O ideal é conversar com vários e decidir qual preço é mais atraente. Ela e Cícero alugar um carro para fazer todas as rotas partindo de Recife:

— A viagem valeu muito a pena, as praias mais lindas e surreais que já conheci. Recomendo a todos. A passagem em si não é muito barata, mas se der sorte como nós, dá para pegar uma superpromoção e gastar pouco por lá. Foi maravilhoso!

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Confira o que a Victória nos conta sobre essa viagem deliciosa de muito sol e calor:

Recife – muita pobreza e sujeira, não aconselho ficar muitos dias. Único charme da cidade é o Recife Antigo, parte conservada da cidade onde se encontram construções antigas, museus, grande monumento com o nome da cidade e lojinhas de artesanato. Lá os artesanatos locais são superbaratos. A tapioca e o açaí são praticamente de graça se comparado aos preços SC. Comemos um açaí na beira do mar com tudo que tinha direito por apenas R$12 E não só açaí e tapioca, a gastronomia em geral tem preço inferior ao nosso. O povo é muito hospedeiro e simpático: fomos superbem recebidos.

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Locais para visitar: Recife Antigo, mercado público (parece um camelo, todos os vendedores te chamam e tem bastante pobreza nos arredores, mas vale pela cultura e comidas típicas). Não chegamos a ir a nenhum restaurante por lá, pedimos comida em casa mesmo (estávamos hospedados na casa de um amigo, o que facilitou muito para economizarmos), mas o que comemos e realmente valeu a pena foi o sorvete da Fri Sabor e o brownie da Brownie Factory, maravilhosos!

O mar de Recife é lindo, visitamos a praia de Boa Viagem, mas não podemos desfrutar pois tem muitos tubarões, então não é recomendado tomar banho de mar por lá.

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Olinda - é uma cidadezinha ao lado de Recife, totalmente histórica. Pegamos um guia que nos acompanhou durante o passeio. Tivemos a sorte de pegar um cara superlegal e empolgado que nos contou a história da cidade com orgulho e sorriso no rosto. Aconselho o turismo acompanhado de guia. A cidade tem muita história que não saberíamos sem a companhia dele, que nos cobrou R$50 para apresentar a cidade inteira em seus mínimos detalhes. Lá encontramos diversas igrejinhas, uma delas com o  altar todo de ouro. As que vimos eram originais desde a construção, com pequenas reformas para manutenção. A cidade era repleta de lojinhas de artesanato, havia meninos dançando frevo, casa dos bonecos gigantes de Olinda, entre outros pontos turísticos. O guia nos disse que nos finais de semana a cidade lota, como se fosse carnaval, rola muito forró e dança. O Carnaval por lá começa cedo, em setembro e outubro, e as pessoas saem de suas casas e desfilam pelas ladeiras da cidade. Os bonecos mais famosos por lá são: O Homem da meia-noite e a Mulher do Dia. Ele sai durante a noite e quando retorna pela manhã  é a vez dela. Em Olinda ,o ideal é ficar apenas algumas horinhas. Não há a necessidade de se hospedar por lá, a distância de Recife é curta. Não comemos por lá, apenas uma cocadinha de rua, espetacular. Vale muito a pena a visita!

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Porto de Galinhas - como estávamos hospedados na casa de um amigo no Recife, fizemos bate e volta todos os dias. São mais ou menos 45 minutos de viagem, supertranquila. O único engarrafamento que se pode pegar é dentro de Recife, que é um realmente um inferno. Lá não existe pisca, as pessoas se jogam pra outra pista mesmo. Recomendo atenção dos motoristas. Mas as praias maravilhosas compensam o estresse do trânsito. Nessa parte do Brasil não tem horário de verão, às 4h o sol já está nos acordando, e às 16h ele já começa a se pôr, então o negócio é levantar mesmo e aproveitar o dia inteirinho, desde cedo. Porto de Galinhas é lindo de morrer.

Primeiro dia: fomos abordados por um menino que o apelido era “Sossego” (por lá todos são muito calmos). O Sossego nos encaminhou pra um estacionamento e nos acomodou com cadeiras de praia e guarda-sol. Lá, quando falarem que você pode ir para o mar tranquilo, sem se preocupar com sua bolsa e acessórios, você pode acreditar, é uma cidade extremamente segura, cheia de policiais, câmeras por todos os cantos e muita gente honesta.

Nosso primeiro passeio foi a jangada até as piscinas naturais de Porto. Quando fomos a maré já estava um pouco alta e água um pouco turva, mas foi espetacular, milhões de peixinhos nadando junto a nós, sem medo algum. Era só fechar a mão embaixo da água que eles se acumulavam em volta achando que tínhamos comida. O passeio de jangada custa R$20 por pessoa, dura mais ou menos 45 minutos e o jangadeiro disponibiliza máscaras de mergulho para que possamos ver tudo com mais nitidez. O resto do dia ficamos pegando o sol e curtindo o mar de água cristalina. Cuidado com o sol do Nordeste: é absurdamente forte (eu me queimei feio, de precisar passar na farmácia pedindo socorro). Enquanto estávamos torrando, diversas vendedores ambulantes passaram oferendo tudo que é tipo de coisa: cocada, caldinho de feijão (lá é normal tomar caldinho de feijão embaixo do sol escaldante), cangas, passeios, meninos mostrando suas artes, entre outras coisinhas. Logo no primeiro dia compramos nossos passeios para os próximos três dias que planejamos ir para Porto.

No outro dia que fomos pra lá fizemos mergulho. Custou R$70 por pessoa (jangada, equipamento, instrutor), o tempo em baixo da água é curto, para mim, não vale o preço, não incluía roupa de mergulho, mas sim as fotos tiradas embaixo da água. Após o mergulho pegamos um buggy, o qual pagamos R$200,00 o aluguel para o dia todo, nós dirigindo, sem guia. O buggy realmente valeu a pena. O guia foi com nós apenas para mostrar o caminho para as praias, depois disso o deixamos em casa e ficamos passeando o dia todo, ponta a ponta. Passamos por Maracaípe, Muro Alto, Cupe e Serambi. As praias mais lindas que já vi na vida. Almoçamos em um restaurante do João em Maracaípe, bom e honesto. Provamos a famosa carne de sol, realmente boa, mas nada de outro mundo.

Em Porto deu para comprar varias lembrancinhas, o bolo de rolo de lá era realmente muito gostoso. Nos alertaram para levar sanduíches para Porto, porque lá o preço era elevado, mas para quem é do Sul os preços são bem em conta.

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Maragogi (Alagoas) - saímos de Recife às 4h da manhã para pegar uma van em Porto de Galinhas às 5h. E essa van nos levou até Maragogi, que fica no estado de Alagoas, bem pertinho de Recife. A viagem durou cerca de duas horinhas. Chegando em Maragogi, o nosso pacote incluía um café da manhã em um restaurante (café superescasso, mas deu para comer alguma coisinha). De lá pegamos o Catamarã, um barco que nos levou às piscinas naturais de Maragogi, que ficam a alguns km dentro do mar. Lá era fantástico, água transparente, vista linda, clima maravilhoso, mas o nosso tempo por lá era curto: as pessoas não podem ficar mais do que o estipulado por um “guardinha” de lá. Depois embarcamos novamente no barco e fomos para outra parte rasa em mar aberto Lá ficamos por mais alguns minutos e retornamos ao restaurante, almoçamos (o restaurante era caro, comemos apenas um aperitivo e uns camarõezinhos que compramos de uma vendedora ambulante) e voltamos para Porto. Esse passeio custou R$100 por pessoa (van, catamarã e café da manhã incluso).

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Praia de Carneiros - saímos de Recife às 7h da manhã para pegar uma van às 8h em Porto. A van nos levou até a praia dos Carneiros, pertinho de Porto. Lá ficamos em um restaurante onde pagas por uma pulseirinha e tens direito a desfrutar dos lazeres do restaurante, como: slackline, caiaque, stand up. Pagamos R$50 nesse passeio, incluindo a van, os lazeres do restaurante e um catamarã. O catamarã nos levou para o bloco de areia que fica no meio do mar, ele aparece quando a maré está baixa, na volta do passeio já não se via mais. A  primeira parada foi nas piscinas naturais, lindas e quentinhas, as melhores que fomos. A terceira parada foi para nos banharmos com argila: tem baldes de argila para passarmos no corpo e mulheres vendendo os produtos da argila. Dizem que quem tem fé fica 20 anos mais jovem com a argila de lá  Tem que ir com fé!!!

Por fim passamos por uma igreja no meio da praia onde acontecem casamentos todos os finais de semana (realmente linda) na beira do mar. Voltamos ao restaurante, almoçamos por lá (um pouco caro, mas satisfez). O resto da tarde curtimos os lazeres do restaurente e voltamos para Porto. Esse foi o passeio mais barato e o que mais valeu a pena, a praia dos Carneiros é a mais bonita de lá.

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Viajantes: André e Karla embarcados em cruzeiro no Pacífico

14 de setembro de 2015 2

Trago aqui mais uma daquelas histórias de quem resolve abandonar o trabalho em escritório e procurar uma alternativa que concilie satisfação, dinheiro pra viver e muita diversão. Desta vez, é a do catarinense de Floripa André Baader e da esposa da Guatemala, Karla.

::: Viajantes: Patrízia e Diogo. Por que trocamos nossa casa pelo mundo?
::: Casal conta como foi aventura de 80 dias por Argentina, Chile e Uruguai

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Após trabalhar em um banco por cinco anos e estar cursando Contabilidade, o catarinense André Baader resolveu mudar um pouquinho. Dos trabalhos com números, ele abriu espaço para panelas e temperos. Trocou o curso para Gastronomia e resolveu se mudar para os Estados Unidos em 2008.  André e a esposa Karla se conheceram no trabalho, em uma cozinha de hotel na Disney, em Orlando na Flórida. Ela também saiu do país, se formou na Le Cordon Bleu em Orlando, e tinha o mesmo objetivo: aliar trabalho e bem-estar.

Por dinheiro, o catarinense resolveu voltar à trabalhar no banco, desta vez em Orlando, onde ficou por três anos mas acabou caindo na velha rotina novamente:

— Fiquei por 3 anos até ver que estava caindo na mesma rotina traçada pela sociedade, com um belo carro, casa, moveis. Porém ficava oito horas do dia atrás de um computador, com pessoas que você deve aturar, gastando mais de uma hora do dia dirigindo, ficando com minha esposa poucas horas e longe dos amigos.

Eles largaram o emprego, alugaram a casa e resolveram trabalhar em um cruzeiro por cinco meses, no Hawaii. Eles embarcaram no Pride of America em maio, o primeiro navio de passageiros com bandeira americana em quase 50 anos e que oferece itinerários de 7 dias nas ilhas havaianas. Lá eles trabalham na cozinha e pretendem se especializar em cursos com ênfase em Enologia.

Dá para acompanhar a vida deles embarcados pelo site ou pelo Facebook que eles criaram. Lá eles contam os detalhes de trabalhar em um navio, quanto se ganha, o tempo que se tem para viajar, e as pessoas que eles conheceram.

Mais do que mudar de vidas, eles querem também encorajar outras pessoas a fazerem o mesmo:

- Queremos mostrar que a mudança de vida é possível para todos, a todo o momento. Seja mudar de uma cidade, estado, país, trabalho, amigos.

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Fotos: André Baader

 

 

Viajantes: Patrízia e Diogo. Por que trocamos nossa casa pelo mundo?

20 de agosto de 2015 3
Sydney, Austrália

Sydney, Austrália

Queria ter metade da coragem e foco do casal Diogo Dorval da Costa e Patrízia Krieser para largar tudo e botar o pé na estrada. Um tanto quanto inspirador, eles transformaram o inconformismo e inquietude da juventude, que nos ataca entre os vinte e trinta e pouco anos, em um sonho: viajar. Recém-casados, resolveram abrir mão daquela vidinha casa-trabalho, que querendo ou não muitos gostam e são felizes assim, para buscar algo mais profundo, do coração.

::: Casal conta como foi aventura de 80 dias por Argentina, Chile e Uruguai
::: Fim das férias: recalculando rota

Os dois estavam com a mesma vontade. Mas a receita não é fácil. Não é simplesmente “eles largaram tudo e foram embora”.  E desapego nessas horas é fundamental. Juntos abriram mão do trabalho — Patrízia era editora do Sol Diário e Diogo e trabalhava com comércio exterior  —, de pertences — eles venderam alguns móveis, o carro e eletrônicos — e traçaram rumo em direção ao mundo. Eles partiram em maio, levando poucas coisas mas um desejo imenso de botar os pés em terrenos desconhecidos, ouvir línguas indecifráveis e passar por desafios inesperados.

Eles já estão há três meses viajando e passaram pelos Emirados Árabes, Tailândia, Camboja, Indonésia, Malásia, Cingapura, Austrália e Nova Zelândia, onde pretendem passar um tempo. Acompanhe toda a aventura deste casal no blog deles: Rock N’Routes.

Confira o relato que Patrízia fez para o blog Viajar Eu Preciso:

 

Blue Mountains, Austrália

Blue Mountains, Austrália

 

Por que trocamos nossa casa pelo mundo?

 Por Patrízia Krieser

É clichê, mas verdadeiro. É batido, mas funciona. Levamos a sério um velho conselho que ora ou outra alguém recebe, tenha pedido ou não. Falo de ouvir o coração. E como ele fala. Grita. Por que nós, às vezes, somos um tanto surdos, especialmente quando algo nos dá medo. Então escutamos a voz que há tempo cantarolava um sonho em nosso peito e fizemos a escolha que tem nos transformado diariamente.

Deixamos nosso empregos, alugamos o apartamento, vendemos carro, roupas, alguns eletrônicos e objetos pessoais. Colocamos o que coube em duas mochilas, compramos duas passagens e embarcamos em um sonho que começou na Ásia, em maio deste ano. O plano é rodar o mundo até quando der, pelo tempo que for possível. Nosso lar agora é feito das histórias que vivemos.

As razões que nos levaram a mudar o rumo de nossas vida nasceram com a gente. Não foi a crise brasileira, uma possível insatisfação profissional, um choque ou frustação pessoal. Isso seria pequeno demais para nos fazer suportar a saudade diária da família que essa decisão nos impôs. O que nos move (mesmo!) é a paixão por viajar, conhecer diferentes lugares, culturas e pessoas. É o sonho.

E aí você pode perguntar: mas não seria o suficiente viajar nas férias? Seria. Pra muita gente é. E não há nada de errado nisso. Mas junto com a paixão por descobrir mais do mundo, veio a necessidade de encarar desafios, sair da zona de conforto, sentir frio na barriga, tentar algo novo. Uma conspiração de vontades que nos empurraram rumo a essa experiência incrível, que contamos no rocknroutes.com, um blog feito pra inspirar a viajar e também a sonhar, seja qual for o seu sonho.

 

Grande Mesquita em Abu Dhabi (obrigatório usar lenço)

Grande Mesquita em Abu Dhabi (obrigatório usar lenço)

Ritual da Lua Cheia, Balli na Indonésia

Ritual da Lua Cheia, Balli na Indonésia

Projeto de viagem que leva música e arte às escolas e comunidades carentes chega a SC

08 de julho de 2015 0

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Depois de 41 dias na estrada e mais de 4 mil km rodados entre cidades do Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná, o Projeto Km/Arte chegou nesta última semana à cidade de partida: Balneário Camboriú. Formado pela banda MIAMI DUO dos músicos Pedro Schincariol e Beatzotto, o artista plástico Sylvio Schoenberg e o produtor Henrique Behling, o projeto consiste em um coletivo itinerante que roda o Sudeste e o Sul do Brasil visitando escolas e comunidades carentes levando oficinas de música, reutilização de materiais e desenho para crianças e adolescentes.

Aqui em Santa Catarina, o grupo vai passar pelas cidades de Rio do Sul, Jaraguá, Blumenau, Itajaí, Baleário Camboriú, Itapema e Grande Florianópolis. Ao todo, serão mais de 5 mil quilômetros em 82 dias. Ao longo desta viagem de entrega e conhecimento, o grupo recebe o apoio de pessoas para ganhar moradia, alimentação e gasolina. Segundo os integrantes, mais de 85% do projeto é financiado na estrada através da venda de shows da banda e das artes plásticas.

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O projeto

No trajeto, o Km/Arte visita escolas, comunidades carentes e projetos sociais e leva música e arte a quem, muitas vezes, não tem acesso. A oficina de música ministrada pelo Beatzotto transmite batidas básicas do beatbox, movimento do Hip Hop pincelando o histórico da arte e entretendo os alunos com um pocketshow. Já a oficina de arte traz a reutilização de pranchas de surfe quebradas, skates e outros materiais descartados, transformando-os em peças de decoração, mostrando números e a importância do cuidado com o meio ambiente. Tudo feito com muito amor.

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Conversei com o Henrique Behling, de Balneário Camboriú, sobre o projeto. Confira a entrevista:

VEP -  De onde surgiu a ideia?
Henrique –  
A princípio planejávamos uma viagem de carro normal, uma roadtrip de férias passando por alguns picos de surfe. À medida que fomos fazendo reuniões para organizar as despesas, trajeto e os detalhes chegamos a conclusão de que a viagem estava muito vaga. Sim, íamos nos divertir, conhecer lugares porém sem carregar nada de especial e sem retornar com um conhecimento maior na bagagem. Começamos então a pensar em como poderíamos deixar uma marca nos lugares em que passávamos. Convidamos então o Sylvio, artista plástico, para compor o grupo e chegamos ao formato que a viagem acontece hoje. Carregando nosso talento como “cartão de visita” para as cidades que visitamos.

VEP - Qual a situação mais inusitada pela qual passaram nesses 41 dias de viagem?
Henrique - A estrada possibilita muita coisa inusitada, acho que daria para escrever dois livros: um de drama e outro comédia! Aconteceu de vendermos shows da banda por cachê alto e outros em troca de almoço, arrumar local pra dormir já depois da meia noite.

VEP –  Além deste ato de doação ao próximo, esta viagem deve ser de autoconhecimento do grupo. O que vocês estão aprendendo com ela?
Henrique - Sem dúvida. Nem todos do grupo eram amigos de longa data e o primeiro grande aprendizado foi saber dividir e respeitar o espaço de cada um. Como dependíamos de trabalho e moradia cedida, aprendemos a lidar e até a rir do NÃO. Mas sem dúvida o maior aprendizado foram as crianças que nos trouxeram, ver que há dedicação e força de vontade nelas, indiferente da realidade social que vivem foi uma injeção de animo para nosso grupo e combustível para o projeto.

VEP - Passaram algum perrengue?
Henrique - Havíamos planejado a compra de uma Kombi para a viagem. Seria um carro mais adequado para carregar todos os instrumentos, material de pintura e shapes de skate usados (matéria prima do Sylvio). Às vésperas da viagem fomos buscar a Kombi e descobrimos que ela estava cheia de defeitos, mal chegou até a esquina e já estragou. Ficamos sem carro antes mesmo da viagem começar. Então a mãe do Pedro cedeu seu carro para a viagem, carro que batizamos de Pablo (um Citroen Picasso). Porém, o carro não tinha lá sua manutenção tão em dia e nos deixou parado algumas vezes na estrada, numa delas o Pablo parou de funcionar em pleno horário do rush na Av. dos Bandeirantes, em frente ao aeroporto de Congonhas em São Paulo. Podemos destacar também nossa passagem por Paraty-RJ onde ficamos acampados, houve um temporal e acordamos com a barraca inundada, máquina fotográfica, computador e celulares boiando dentro.

VEP – O que pretendem fazer quando a viagem acabar?
Henrique - Durante a viagem coletamos bastante material. Vídeos das oficinas, nosso dia a dia, depoimento de pessoas que nos cederam moradia, trabalho e das ONGs e escolas que ministramos as oficinas. A ideia é organizar esse material e produzir um documentário com base nos conceitos de Volunturismo que está crescendo bastante no Brasil. Além disso já fomos convidados para participar de mesa redonda e workshops em faculdades comentando o formato da viagem. Além claro, de planejar a próxima!

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Serviço
Projeto Km/Arte
Quando? De Maio a Agosto de 2015
Onde? Sul e Sudeste percorrendo os estados do RJ, SP, PR, SC e RS
Fanpage: https://www.facebook.com/pages/KmArte/1586266694965813
Instagram: @km.arte

Fotos: Projeto Km/Arte

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Viajante: Theo e Julian e a lua de mel no Alasca

18 de junho de 2015 0

Theo Sandoval e a esposa, Julian Gallina, casaram-se em abril e escolheram um destino bem inusitado para passar a lua de mel: Alasca. Eles foram a Vancouver e, de lá, partiram para um cruzeiro de sete dias pelo Alasca com paradas em Ketchikan, Juneau e Skagway. O respeito pela natureza selvagem foi o que mais chamou a atenção do Theo. Em contraste com tanta beleza, as cidades, que mesmo pequenas, têm infraestrutura necessária para morar e fazer turismo. O estado americano com maior expansão territorial uma das menores populações dos Estados Unidos fica isolado dos outros territórios americanos e por isso os poucos turistas que buscam este destino o escolhem para ficar mais perto da natureza, into the wild, eu diria.

Confira o texto que o Theo fez sobre a memorável experiência que teve com a esposa neste paraíso gelado e escondido à beira do Pacífico:

Juneau durante passeio de helicóptero (Foto: Theo Sandoval/Arquivo pessoal)

Juneau durante passeio de helicóptero (Foto: Theo Sandoval/Arquivo pessoal)

Por Theo Sandoval

 

Quando se trata de lua de mel, a gente logo pensa em Bahia, Fortaleza, Fernando de Noronha, Caribe, Cancún, Miami, Fiji, Tahiti, etc. Mas que tal ir ao Alasca?

Quando decidi casar com a minha namorada eu disse a ela que como eu seria o marido teria direito a opinar em algumas coisas da festa, mas logo fui cortado. Como sempre gostei de viajar e sou formado em Turismo, ela me disse: então você cuida da lua de mel. Na hora eu aceitei a proposta.

Não gosto de nada que é comum, que é manjado ou que é moda. Então o Alasca parecia um ótimo destino. Mas por lá, o viajante só se locomove de avião ou de barco, pois só existem duas cidades com acesso terrestre no estado inteiro. Então decidi fazer um cruzeiro. Como o cruzeiro é superchique e romântico, achei que cairia bem como uma viagem de lua de mel. Eu e minha namorada na época tínhamos um certo preconceito sobre cruzeiros, mas na verdade o navio e o serviço são incríveis. Tudo foi perfeito: o serviço cinco estrelas, a comida e bebidas deliciosas, e tudo à vontade.

O navio saiu de Vancouver, no Canadá, e retorna a Seattle, no Norte dos Estados Unidos. A viagem durou sete dias mas passamos duas noites em Vancouver antes de embarcar pra conhecer a cidade. Uma cidade espetacular, perfeita, organizada, limpa, segura, moderna e com a população mais simpática que já vi pelo mundo. Simplesmente incrível. Alugamos um quarto pelo Airbnb e ficamos bem no Centro num prédio chamado Woodwards. Melhor localização impossível: fizemos tudo a pé ou de bicicleta. Outro detalhe é que todos lá andam de bicicleta e as ruas são próprias pra isso e superseguras.

De lá, partimos para o cruzeiro. O roteiro inclui três paradas e uma navegada por um fiorde chamado Tracy Arm. As primeiras duas noites passamos navegando e no terceiro dia atracamos em Ketchikan. Essa cidade tem o primeiro porto ao sul do Alasca. Uma cidade de 9 mil habitantes cravada na encosta das montanhas que por muitos anos sobreviveu do ouro, madeira, pesca do salmão e hoje praticamente só vive do turismo. Se você já foi pra Disney, bom, Ketchikan parece um cenário de filme. em 40 minutos você atravessa a cidade a pé. É a capital dos Totens, uma tradição familiar indígena muito presente por lá.

Ketchikan  (Foto: Theo Sandoval/Arquivo pessoal)

Ketchikan (Foto: Theo Sandoval/Arquivo pessoal)

Antes de chegar em cada cidade pesquisamos muito pra saber exatamente o que fazer e basicamente em todas as cidades do Alasca você vai observar baleias, pescar, fazer voos de helicóptero ou hidroavião sobre as geleiras, trilhas pelas montanhas ou andar de dog sled (ser puxado por cães na neve).

Então, quando chegamos a Ketchikan nós fomos ao centro de visitantes onde conhecemos um cara muito gente fina chamado Ryan. Ele é dono e piloto de um helicóptero (The Goat) superpequeno que sobrevive disso no verão. No inverno, ele cuida das crianças enquanto a mulher dele dá aula na escola local. Fechamos o pacote (179 dólares por pessoa) para voar e o próprio Ryan nos levou até o helicóptero no seu carro. O voo foi alucinante. Nós sobrevoamos lagos, geleiras, montanhas, rios e cachoeiras, avistamos várias águias, mountain goats (que são bodes que vivem nas encostas de pedra) até pousarmos em uma clareira no meio da montanha e na beira do mar.

Um lugar mágico, no meio do nada, um silêncio e uma natureza intocada. Nesse lugar, o piloto nos levou para perto de umas árvores pra mostrar rastros de um urso, marcas das garras nas árvores com mais de 2 metros de altura e carcaças de salmão no chão. Coisas que só se vê e encontra no Alasca.

Ketchikan  (Foto: Theo Sandoval/Arquivo pessoal)

Ketchikan (Foto: Theo Sandoval/Arquivo pessoal)

Ketchikan  (Foto: Theo Sandoval/Arquivo pessoal)

Ketchikan (Foto: Theo Sandoval/Arquivo pessoal)

 

 

Depois do passeio fomos dar uma volta no centrinho onde fomos em um show de lenhadores ( The Great Alaskan Lumberjack Show que custa 35 dólares por pessoa). Isso mesmo, eles têm um show, uma espécie de competição entre lenhadores do Canadá e dos Estados Unidos. Nesse show os times fazem umas provas com machados e motosserras. É bobinho, mas na verdade o que eles mostram lá realmente acontece no Alasca. Os lenhadores são de verdade e você vê na rua uns caras barbudos de bota, camisa xadrez e o machado nas costas.

Depois do show fomos visitar o Museu dos Totens, que é interessante mas bem pequeno. Como eu disse antes, a cidade é pequena e por isso você não deve esperar nada muito grandioso. É tudo bem simples e rápido mas a história do lugar e do povo é enorme e muito interessante.

A próxima parada foi Tracy Arm Fjord. Tivemos que acordar às 5h pois é neste horário que inicia a entrada no navio. Saímos do fiorde só às 11h. O lugar é maravilhoso, impressionante! Até parece uma cena do filme Senhor dos Anéis. O navio passa bem perto das montanhas e vai chegando bem perto dos icebergs no caminho até alcançarmos o fim da linha: um glacial. Não podemos chegar muito perto por causa dos icebergs, mas ficamos a uma distância bem legal. O visual é lindo: o contraste do azul do céu com o azul do gelo, o verde das montanhas e o cinza das rochas é simplesmente inesquecível.

Tracy Arm Fjord (Foto: Theo Sandoval/Arquivo pessoal)

Tracy Arm Fjord (Foto: Theo Sandoval/Arquivo pessoal)

Tracy Arm Fjord (Foto: Theo Sandoval/Arquivo pessoal)

Tracy Arm Fjord (Foto: Theo Sandoval/Arquivo pessoal)

Tracy Arm Fjord (Foto: Theo Sandoval/Arquivo pessoal)

Tracy Arm Fjord (Foto: Theo Sandoval/Arquivo pessoal)

 

Às 13 h atracamos em Juneau, a capital do Alasca. Novamente, uma cidade muito pequena onde escolhemos fazer dois passeios: visitar a 1º cervejaria do Alasca e fazer outro passeio de helicóptero ao Taku Glacier. Fora esses passeios tínhamos a opção de observar baleias, pescar, ou pegar o bondinho (Mt Roberts Tram que custa 30 dólares) que vai até o topo de uma montanha onde se tem a vista da cidade. Como faríamos o passeio de helicóptero, teríamos a chance de ver muito mais.

Juneau (Foto: Theo Sandoval/Arquivo pessoal)

Juneau (Foto: Theo Sandoval/Arquivo pessoal)

Pra quem gosta de cerveja a Alaskan Brewing Company é um passeio bem legal. É uma cervejaria familiar com uma história bem interessante. O tour dura uma hora, custa 20 dólares por pessoa e você ainda ganha três copos de cerveja pra provar. Uma beleza!

Na cervejaria em Juneau (Foto: Theo Sandoval/Arquivo pessoal)

Na cervejaria em Juneau (Foto: Theo Sandoval/Arquivo pessoal)

De lá, fomos então pegar a van que nos levaria a um hangar pro passeio de helicóptero ( Helicopter Tours). O passeio não é barato (300 dólares por pessoa), mas vale cada centavo. Foi nada mais nada menos que sobrevoar a cidade, as montanhas e pousar no meio do glacial, caminhar sobre ele e ainda tomar uma água da geleira fresquinha. Que passeio incrível, que visual! O Taku Glacier é o maior e mais profundo glacial do mundo e o único que ainda avança. Esse tour dura mais ou menos três horas e como o navio chega às 13h e sai às 22h dá tempo de fazer vários passeios, caminhar e descansar.

Juneau (Foto: Theo Sandoval/Arquivo pessoal)

Juneau (Foto: Theo Sandoval/Arquivo pessoal)

Juneau (Foto: Theo Sandoval/Arquivo pessoal)

Juneau (Foto: Theo Sandoval/Arquivo pessoal)

 

A última parada no Alaska é em Skagway, uma cidade fundada na época da febre do ouro (Klondike Gold Rush) onde muitos americanos, canadenses e europeus começavam a sua jornada pra chegar às minas. Skagway tem hoje 900 habitantes, tem uma rua principal e mais algumas transversais. A cidade já teve uma população flutuante de 40mil pessoas nos anos dourados mas hoje sobrevive só do turismo, basicamente dos cruzeiros que atracam por lá. No pico do verão podem atracar até quatro cruzeiros no mesmo dia o que eleva a população de 900 habitantes para 12 mil.

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Skagway (Foto: Theo Sandoval/Arquivo pessoal)

Skagway é conhecida pela White Pass Yukon Railroad, uma linha de trem que foi criada para transportar os mineradores e o ouro. Essa linha tem 32 km e vai de Skagway até Frasier, no Canadá. Esse passeio é o que todos os turistas fazem. É lindo! Custa 119 dólares e demora três horas. Há opções para subir e descer de trem, subir de trem e descer de ônibus e subir até Frasier de trem e voltar de ônibus. Fizemos o passeio só até White Pass só de trem, o que é meio chato na volta por que você já subiu vendo a vista e na volta não tem graça. O que eu faria na próxima vez é subir de ônibus até Frasier no Canadá (nesse passeio você precisa do visto canadense)e descer de trem porque pela estrada você tem uma vista completamente diferente da do trem, valendo muito mais a pena.

Skagway (Foto: Theo Sandoval/Arquivo pessoal)

Skagway (Foto: Theo Sandoval/Arquivo pessoal)

Skagway (Foto: Theo Sandoval/Arquivo pessoal)

Skagway (Foto: Theo Sandoval/Arquivo pessoal)

Skagway (Foto: Theo Sandoval/Arquivo pessoal)

Skagway (Foto: Theo Sandoval/Arquivo pessoal)

Fora esse passeio de trem não tem muito mais o que fazer em Skagway. Dá para fazer trilhas, pescar, ver baleias ou passeios de helicóptero pelas montanhas. Nós fizemos o passeio à tarde pois o trem só tem duas saídas: às 8h ou às 13 horas. Aproveitamos a manhã para dar uma volta na cidade e tomar café. Depois do passeio voltamos pro navio.

Agora é hora de voltar, mas o passeio ainda não acabou. Os próximos dois dias passamos navegando em direção a Seattle onde o navio termina o cruzeiro. Antes ele faz uma parada de seis horas em Victoria, a capital da British Columbia, no Canadá. Chegamos lá no final do dia. A cidade é linda. Saímos do navio e fomos ao centrinho a pé, cerca de 20 minutinhos de caminhada. O visual no trajeto é perfeito. Victória é conhecida pelas flores do Butchart Gardens, pelo Empress Hotel e por ser uma das cidades mais antigas do Pacífico, fundada em 1843. A arquitetura, a limpeza, o sossego e a organização impressionam. Essa passada rápida por lá valeu muito a pen. Victoria é muito moderna, jovem com muitos bares e restaurantes.

E chega ao fim a lua de mel. Saindo de Victória fomos a Seattle onde pegaríamos o voo para São Paulo. Posso dizer que foi a viagem mais inusitada e incrível que já fiz na vida. A história do Alasca, as paisagens e as pessoas foram inesquecíveis. É um destino que com certeza gostarei de visitar mais algumas vezes se possível.

Victoria, Canadá (Foto: Theo Sandoval/Arquivo pessoal)

Victoria, Canadá (Foto: Theo Sandoval/Arquivo pessoal)

Victoria, Canadá (Foto: Theo Sandoval/Arquivo pessoal)

Victoria, Canadá (Foto: Theo Sandoval/Arquivo pessoal)

Victoria, Canadá (Foto: Theo Sandoval/Arquivo pessoal)

Victoria, Canadá (Foto: Theo Sandoval/Arquivo pessoal)

 

Coisa de viajante

Por que viajo? Porque enriquece a alma

Destino de férias? Qualquer lugar perto do mar

Lugar perrengue? Brasil

Prato inesquecível? Comida mexicana

Item necessário na mala? Paciência e bom humor

Meu lugar favorito? Alasca, Califórnia e Lion

Recomendo? Nunca se acomodar

Não recomendo? Ter muita expecativa

 

Casal conta como foi aventura de 80 dias por Argentina, Chile e Uruguai

29 de maio de 2015 0

Eu já falei deles por aqui quando eles iniciavam a viagem. Agora, Pedro e Ceci voltam ao blog Viajar Eu Preciso para contar como foi a experiência de carro pela Argentina, Chile e Uruguai. Como são muitas as histórias e informações importantes aos viajantes que querem pegar a estrada de carro pelos nossos países vizinhos, pedi a eles que nos contassem sobre os melhores pontos turísticos que visitaram, a documentação necessária, acomodação e os gastos com gasolina.

Ler uma história como esta relatada pelo casal, só me faz pensar: por que não viajar de carro por aí? E a dica deles para guardar dinheiro vale a pena: dividir o valor total pelo número de meses que antecederia a viagem e o resultado foi é valor mensal que começamos a guardar. Outras sugestões valiosas: documentação, variação cambial

Viaje nesta história de perrengues e visuais do mar à neve, do deserto à praia.

::: Trippers: casal viaja de carro pela América do Sul com baixo orçamento

Ceci e Pedro no Deserto do Atacama  Foto: TwoTrippers/ArquivoPessoal

Ceci e Pedro no Deserto do Atacama
Foto: TwoTrippers/Arquivo Pessoal

Por Pedro e Ceci

 Depois de 80 dias na estrada, paramos em frente ao computador para analisar todo o material que produzimos ao longo da trip, e o resultado não poderia ser outro: só pensamos em compartilhar todas nossas histórias, vivências e experiência que tivemos nesses mais de 14 mil quilômetros de estrada cruzando Uruguai, Argentina e Chile. O mochilão foi um pouco diferente, pois foi nosso carro que serviu de mochila, e se divertir economizando era a palavra de ordem desde o dia que colocamos tudo dentro do carro e iniciamos a viagem.

Por ser uma road trip, sempre conseguimos nos adaptar melhor às situações climáticas de cada destino, alterar roteiros com facilidade e, aliado à inexistência de uma data marcada para a volta, nos fez aproveitar ao máximo cada paisagem, com baixo custo e sem necessidade de contratarmos agências de turismo. Se não bastasse estarmos de carro, foi acampando que descobrimos a maneira mais simples de se economizar durante uma trip: com a hospedagem. Mas não bastaria simplesmente preparar as malas, completar o tanque e pegar a estrada. São muitos fatores a se pensar e burocracias a se cumprir antes de sentir um pouco do gostinho de liberdade. Em alguns tópicos, compartilharemos um pouco de nosso planejamento, experiências incríveis pela América do Sul e daremos dicas que podem ser fundamentais para sua próxima viagem.

 

Dinheiro e Documentação

 Foto: TwoTrippers/ArquivoPessoal

Foto: TwoTrippers/ArquivoPessoal

Planejar uma viagem é algo que requer tempo e paciência, e quanto mais completa for sua pesquisa por informações de cada destino, melhor otimizado será seu tempo de estrada. Nosso planejamento durou cerca de 9 meses, mesmo tempo que destinamos a economizar o dinheiro para a viagem. Como não tínhamos um roteiro engessado e uma data de volta, definimos os destinos e calculamos uma média de gastos gerais (como alimentação, hospedagem, gasolina, pedágios e passeios, todos definidos com base nos valores de cada país e o câmbio do momento), assim só bastou dividir o valor total pelo número de meses que antecederia a viagem e o resultado foi o valor mensal que começamos a guardar. Como nossa pesquisa por preços foi bem avançada, não fomos surpreendidos em nenhum momento da viagem, mas como o câmbio do Real acabou passando por uma desvalorização no início do ano, tivemos que reduzir ainda mais nossos custos.

O melhor exemplo foi a Argentina, onde tivemos 5 cotações diferentes: começamos com R$1 = A$ 5,3 e finalizamos a viagem com R$1 = A$ 2,4. O apuro não foi tão grande pois sempre que conseguíamos economizar não medíamos esforços, mas essa experiência provou que mesmo com um planejamento completo, fatores externos podem acabar revertendo o andar da viagem. Uma solução que encontramos foi reservar um valor em nossa conta somente para emergências (e esse foi o caso).

Mas não poderíamos falar da viagem sem antes comentar sobre a burocracias dos documentos exigidos para viajar de carro pela América do Sul. Dois itens são obrigatórios para qualquer veículo: o primeiro é para viagens aos países do Mercosul (Argentina, Uruguai, Paraguai e Venezuela), a Carta Verde, que nada mais é que um documento para acidentes pessoais à terceiros. O segundo é expecífico para o Chile, o SOAPEX, com a mesma finalidade da Carta Verde.

Em nossa viagem, como o carro não estava em nosso nome, acabamos precisando de um terceiro documento (e passamos por muito mais burocracias). Nesses casos, é necessário uma declaração do proprietário do veículo autenticada em cartório, validada no Itamaraty e, por fim, em cada um dos consulados dos países de destino (com excessão da Argentina, que sua burocracia termina no carimbo do Itamaraty).

Em nosso site temos um post completo, falando detalhadamente sobre todos os itens necessários para cada um dos destinos.

 Foto: TwoTrippers/ArquivoPessoal

Foto: TwoTrippers/ArquivoPessoal

 

 

Viajar de carro

 Foto: TwoTrippers/ArquivoPessoal

Foto: TwoTrippers/ArquivoPessoal

Viajar de carro implica em ao menos três fatores: gasolina, pedágios e manutenção. Em nosso caso, calcumos toda a quilometragem da viagem, dividimos pelo rendimento médio do carro e chegamos a quantidade total de litros de gasolina que seriam necessários ao longo de nossa expedição. Ao valor final, acrescentamos mais alguns km extras (devido aos passeios e giros dentro das cidades) e pesquisamos os preços médios da gasolina em cada um dos países que passaríamos, e o resultado foi termos segurança em nosso planejamento no momento que saímos de casa.

Com os pedágios não foi diferente. Fuçamos muito na internet, atrás de posts de viajantes que também haviam feito uma trip de carro e relatavam sobre os pedágios. Cruzamos Uruguai e Argentina com a quantidade de pedágios e valores exatas ao planejado. Já no Chile, o buraco foi um pouco mais embaixo. Não conseguimos muitas informações, e no total passamos por mais de 20 pedágios (e muitos deles não eram esperados). Uma dica muito útil pra gente foi guardar todas as moedas no console do carro, isso facilitava muito no momento de pagar os pedágios que surgiam feito um Oasis no meio do deserto.

Sobre a manutenção, antes de pegarmos a estrada levamos nosso carro (um Uno Way) à concessionário e fizamos uma revisão geral. Além disso, sabíamos que após 12 mil quilômetros seria necessário fazer uma troca de óleo, e assim foi: em La Serena, do ladinho do Deserto de Atacama, trocamos o óleo e o filtro do carro, o preço é que não foi dos melhores (cerca de R$ 150). O único cuidado constante que tivemos foi com a calibragem dos pneus, pois cada dia passávamos por estradas diferentes: asfaltos perfeitos, esburacados, estradas de chão e até mesmo semi-congeladas.

 Foto: TwoTrippers/ArquivoPessoal

Foto: TwoTrippers/ArquivoPessoal

 

 

Hospedagem

 Foto: TwoTrippers/ArquivoPessoal

Foto: TwoTrippers/ArquivoPessoal

Essa foi nossa maior diversão ao longo da trip, pois cada camping era uma nova aventura. Passamos por todos os tipos de acampamento: os mal estruturados, caindo aos pedaços, quintais abandonados e os super bem estruturados, com wifi, ótima área de camping, mochileiros do mundo todo e com água quente durantes as 24 horas do dia.

O fato é que essa foi a maneira de economizarmos quase 70% em diárias (em relação a hotéis e hostels). Acampar é uma prática muito tradicional em países como Argentina e Uruguai, e as taxas são muito baixas (dependendo do câmbio, não chegando a R$45 para duas pessoas). Além disso, descontos e muitas histórias e experiências a serem trocadas foram itens sempre presentes nos campings por onde passamos. Além disso, cabe a reflexão: se é um destino apenas para dormir, por que pagar tarifas tão altas? Foi assim que inserimos em nosso roteiro mais dois tipos de hospedagem: os campings selvagens (áreas de camping não organizado, e muitas vezes sem estrutura elétrica ou sanitária, mas com espaço destinado para armar a barraca e passar uma noite de sono tranquilo) e por que não o próprio carro. Foi assim que nossa experiência cresceu ainda mais ao longo da viagem, quando passamos a armar acampamento em postos de gasolina e estacionamentos de mortohomes.

Engraçado é que não acabamos nos sentindo tão estranhos e diferentes com essa nossa nova prática, mas sim nos sentimos fazendo parte de um novo grupo: os viajantes. Isso porque armar barraca em postos de gasolina era algo quase que comum, e muitas vezes os próprios frentistas nos ofereciam o quintal da estação de serviço como área de camping. Dormir dentro do carro, mesmo que não da maneira mais confortável do mundo, também acabou virando rotina em alguns pontos da viagem. Isso porque em lugares como Ushuaia (Argentina) e Torres del Paine (Chile), pegamos muita chuva, e armar a barraca era a certeza de acordarmos congelados e possivelmente encharcados. Nosso carro era pequeno, mas com o passar das noites, cada um de nós foi criando seu próprio jeito favorito de afofar os bancos e encontrar o jeito certo de passar mais uma noite de custo zero na beira das rutas da Argentina ou Chile.

Aqui também fica uma dica, pois o Chile é o país melhor preparado para receber viajantes com esse feeling de transformar qualquer jardim em uma casa por um dia. Ao longo da Ruta 5 (principal rodovia do país), diversas estações de serviço COPEC Pronto e COPEC Punto estão presentes com banheiros limpos, wi-fi free, balcões com tomadas e duchas por menos de R$4. Essa é uma ótima opção pra quem pretende pegar a estrada e economizar na hospedagem!

 Foto: TwoTrippers/ArquivoPessoal

Foto: TwoTrippers/ArquivoPessoal

 

 

Destinos

Ao longo de nossa trip, foram 80 dias na estrada, 50 cidades visitadas e mais de 14 mil quilômetros rodados. Passamos por todos os climas e cenários possíveis: das praias do litoral uruguaio à Patagônia argentina e chilena com seus ventos de 120km/hora, e da neve de Ushuaia, Torres del Paine e El Calafate ao deserto mais seco do mundo, o Atacama. Tudo isso foi registrado por nossos olhos e lentes, e fica difícil de elencar as paisagens mais incríveis. Para não sermos egoístas com nenhum dos país, resolvemos escolher um destino de cada, com o objetivo de mostrar ainda melhor toda a diversidade que vivenciamos na maior experiência de nossas vidas:
Uruguai – Cabo Polônio

Uma praia quase deserta, com casas cercadas por dunas e sem energia elétrica. A vibe do lugar é incrível e te leva a renovar os conceitos de simplicidade e felicidade.

 Foto: TwoTrippers/ArquivoPessoal

Foto: TwoTrippers/ArquivoPessoal

 Foto: TwoTrippers/ArquivoPessoal

Foto: TwoTrippers/ArquivoPessoal

 

Argentina – Glaciar Perito Moreno

Já havíamos passado pela neve de Ushuaia e Torres del Paine, mas foi no Parque Nacional Los Glaciares que piramos ao ver pela primeira vez uma geleira. O Glaciar Perito Moreno é um mar azul que te transporta diretamente a uma cena de A Era do Gelo. Ao redor não poderia ser diferente: montanhas nevadas tomam conta da paisagem.

 Foto: TwoTrippers/ArquivoPessoal

Foto: TwoTrippers/ArquivoPessoal

 Foto: TwoTrippers/ArquivoPessoal

Foto: TwoTrippers/ArquivoPessoal

 

Chile – Deserto de Atacama

Não víamos a hora de chegar no deserto de Atacama, e quando chegamos: não queríamos mais ir embora. O lugar é incrível, inóspito e tem o céu mais estrelado de toda a América do Sul. Por lá, acampamos no deserto, dividimos espaço com Lhamas e fizemos alguns trekkings com muita areia e garrafas d’água. Não pense duas vezes: visite o deserto!

 Foto: TwoTrippers/ArquivoPessoal

Foto: TwoTrippers/ArquivoPessoal

Viajante: Cleisi Soares no encantador Vale do Colchagua

18 de maio de 2015 0

A editora de Notícias do Jornal de Santa Catarina, Cleisi Soares, é uma viajante profissional. Já foi para tantos lugares diferentes e já viajou sozinha, acompanhada e com a família toda. Sabe as melhores opções de alojamento e sempre traz boas lembranças das suas andanças. Na última viagem, em março deste ano, ela foi ao Chile e lá alugou um carro para conhecer o Vale do Colchagua. A descrição que ela faz desta aventura nos transporta para lá, com uma taça de carménère na mão em meio aos parreirais. Até o Chile ela foi de avião, ficou em Santiago e de lá partiu de carro em direção ao Sul do país.

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::: Viajante: Guilherme Rosa, road trip com amigos ao Uruguai

::: Trippers: casal viaja de carro pela América do Sul com baixo orçamento

Por Cleisi Soares

colchagua

 

O ar seco, o céu de brigadeiro e as noites frescas do Vale do Colchagua são um convite a saborear, em qualquer hora do dia ou da noite, o que a região central do Chile produz de melhor: vinhos. Esta é de verdade uma viagem para beber. E comer. O trajeto de carro a partir de Santiago dura cerca de três horas. Mais da metade do percurso de 177 quilômetros é por estradas duplicadas e mesmo nos trechos de pista simples as rodovias, pedagiadas, estão sempre em excelente estado. A paisagem meio desértica aos poucos vai se pintando com o verde das oliveiras e das videiras, que no começo de março estão carregadas de uvas à espera da colheita.

Plantações fartas a perder de vista só confirmam o que os especialistas dizem sobre os terroirs chilenos. Mas pra ter certeza de que os vinhos são realmente bons é preciso tomá-los.

A cidade de Santa Cruz é o ponto de partida para degustar as produções da Rota do Vinho — são 13 vinícolas na região — e onde ocorre a festa da vindima.

É possível encontrar todo tipo de hospedagem: aluguel de apartamento de curta duração, hostel, pousada e hotéis sofisticados, normalmente localizados nas próprias vinícolas. Minha opção foi locar um apartamento de sexta-feira a domingo pelo Booking. Por R$ 700 consegui uma acomodação simples, mas bem ampla, perto da festa e totalmente equipada para até seis pessoas. Se quiser ir na época do evento, reserve com antecedência. A cidade de 33 mil habitantes ferve neste período.

O bacana de alugar um apartamento é o contato direto com o proprietário do imóvel e as dicas úteis de quem vive na região, o que torna a experiência em um lugar novo bem mais interessante. Embarquei com desejo de visitar vinícolas sobre as quais havia lido e pesquisado na internet, mas foi só ao chegar em Santa Cruz que soube que duas das que eu havia listado não aceitavam crianças. A informação veio justamente do californiano dono da acomodação onde fiquei. Como minha estadia em Santa Cruz durou apenas três dias, a programação foi basicamente ir à festa e às vinícolas.

Chile

Festa da Vindima

O evento é gratuito, ocorre anualmente em março e reúne ao redor da Praça das Armas de Santa Cruz as 13 vinícolas da região. Há apresentações típicas e uma infinidade de rótulos para experimentar desde a manhã até a noite. Antes de começar a beber é preciso comprar a taça. Há duas opções: uma para degustação de vinhos comuns e outra para os da linha premium. A primeira custa 5 mil pesos chilenos (R$ 25) e a segunda 10 mil pesos (R$ 50).

Em ambos os casos o visitante recebe um cartão com quatro tíquetes para degustação. Importante: para provar alguns vinhos premium é preciso dar até quatro tíquetes. Com a taça em mãos é possível comprar depois só os tíquetes. Na hora de degustar minhas escolhas foram aleatórias, sem conhecimento técnico. Optei pelas minhas uvas preferidas e por vinícolas sobre as quais já tinha me informado. Mas também escolhi vinhos que desconhecia. O carmenère Siegel, por exemplo, foi uma grata surpresa.

Apesar da presença na festa de bebidas cujas garrafas custam perto de R$ 500, trata-se de um evento um tanto rústico. Em vez de menu gourmet para acompanhar os vinhos ícones do Chile, as barraquinhas de comida têm no cardápio espetinho de carne, frango, javali e até choripã (espécie de pão francês recheado com linguiça). Uma combinação simpática para uma festa onde as pessoas circulam com taças e garrafas nas mãos e, quando faltam mesas, sentam-se no meio-fio para comer e beber.
Na programação entram apresentações típicas, há uma área para crianças com brinquedos infláveis e outra para as tendas com artesanato e artigos chilenos. Tudo simples e agradável, como as férias devem ser.

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Visita às vinícolas

Como pude experimentar diversos vinhos diretamente na festa da vindima, escolhi apenas uma vinícola para fazer o tour pelas plantações de uva e com degustação. A visita à Viu Manent é um convite a contemplar o cenário, os pratos saborosos do restaurante Rayuela Wine & Grill e, é claro, as uvas e os vinhos. Bem em frente ao estacionamento, videiras carregadas de fruta atiçam o paladar. Foram plantadas justamente para serem saboreadas pelos visitantes e podem ser levadas para casa ao final da visita. Minha primeira etapa na vinícola foi o almoço. Entre os pratos que pedimos, camarões a pil pil, salmão grelhado, cordeiro e filé mingon a los pobres (cebolas caramelizadas, batata frita e ovos), além de saladas verdes. Tudo extremamente saboroso, num espaço que une o rústico ao sofisticado. Quem faz reserva tem opção de almoçar sob videiras. O cenário é de provocar suspiros.

Após o almoço (R$ 230 para dois, com vinho incluído), a visita à vinícola começa por uma sala com fotografias e objetos antigos que contam a história da propriedade e da empresa e segue para uma área onde estão plantados todos os tipos de uva da vinícola. É possível experimentá-las e comparar suas características. Depois é hora de embarcar em uma charrete e passear pelas plantações. O guia explica sobre o plantio e a colheita. A próxima parada é na área de produção e armazenamento do vinho, onde o guia nos permite degustar uma taça de pinot noir que ainda não está pronto para o consumo. Ele explica o processo de produção da bebida e a diferença entre os barris de armazenamento.

Mais um passeio de charrete e chegamos à sala de degustação. Nada de experimentar os vinhos em pé, como ocorre em algumas vinícolas. Na Viu Manent há salas com mesas longas e cadeiras para acomodar os visitantes. Há sempre água e biscoitos salgados para limpar o paladar entre uma prova e outra. A cada uma das cinco degustações o guia fala das características e peculiaridades das bebidas. A visita de quase duas horas custa R$ 75 e termina normalmente na loja, onde todos os rótulos estão à venda. Se você não se importar em carregar peso, vale a pena comprar algumas garrafas.

Antes de contratar o tour da Viu Manent, fiz uma rápida visita a outras duas vinícolas: Mont Grass e Lapostolle. A Mont Gras recebe os visitantes em um casarão lindo típico de fazendas, com portas e janelas amarelas. Nesta casa há uma espécie de pátio interno, onde funciona o restaurante. As áreas plantadas começam bem próxima à casa e é justamente no gramado verde em frente à construção que é feita a degustação. A Lapostolle fica mais afastada da área central de Santa Cruz, mas o preço da visitação é praticamente o mesmo: 15 mil pesos chilenos (R$ 75). Dentro dos muros altos repleto de plantações verdes há a área de produção e um hotel com bistrô. Está entre as mais sofisticadas da região, no entanto, não aceita crianças.

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Abaixo segue a lista das cinco melhores para visitar na opinião do meu anfitrião:

1 – Lapostolle
2 – Viu Manent
3 – Mont Grass 
4 – Laura Hartwig
5 – Estampa 

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Dez coisas que aprendi no Vale do Colchagua

1 – Há vinhos ruins mesmo no Chile.
2 – Depois de experimentar novos vinhos, tive ainda mais certeza de que o carménère é o meu preferido.
3 – Quando não souber o que servir, escolha o Merlot. Ele é mais suave que um Cabernet Sauvignon e vai bem com carnes, aves, peixes, queijos e massas.
4 – Uvas para produção dos vinhos Chardonnay e Sauvignon Blanc deve ser colhidas à noite para preservar a acidez.
5 – As frutas para produção de vinho são deliciosas. Sempre imaginei que fossem horríveis
6 – Não é só a Argentina que sabe fazer Malbec, o Chile também tem excelentes rótulos.
7 – Vinho vai bem até com espetinho de carne e frango, portanto, não são apenas menus especiais que casam com a bebida.
8 – As uvas não são lavadas porque o pozinho branco da casca é fundamental para o processo de fermentação
9 – Nem todas as vinícolas são child friendly. Pesquise bem, se vai viajar com crianças.
10 – Vale a pena gastar um pouco a mais e almoçar em algum bistrô dentro da vinícolas. Além da comida assinada por chefs de renome em algumas delas, a experiência de comer olhando para videiras cercada de montanhas e na companhia de pessoas especiais compensa o custo.

 

Fotos: Cleisi Soares/Arquivo pessoal

Viajante: Luis Lopes, Portugal com muito prazer

05 de maio de 2015 0

O editor e apresentador do Jornal do Almoço de Chapecó da RBS TV esteve em Portugal e de lá enviou ao Viajar Eu Preciso relatos incríveis sobre sua experiência em terras lusitanas. Portugal é mesmo um país que encanta. Se eu pudesse o visitaria todos os anos durante as minhas férias. Há paisagens que vão desde o mar à serra, iguarias sem igual e ainda a facilidade da Língua Portuguesa. Se você está em dúvida para onde vai nas próximas férias, fica uma sugestão: vá a Portugal.

::: Francesinha: um prato português
::: Impressões de um português sobre o Brasil

Ruas estreitas de Évora (Foto:Luis Lopes/Arquivo Pessoal)

Ruas estreitas de Évora (Foto:Luis Lopes/Arquivo Pessoal)

Por Luis Lopes

Lisboa, com muito prazer

Primeiro um aviso e uma recomendação

Esta experiência poderá provocar revolta! Não falarei aqui dos principais pontos turísticos de Lisboa, nem sequer vou tocar no nome da Torre de Belém, do Arco Triunfal da Rua Augusta, da Avenida da Liberdade ou de lugares típicos que todo o turista de primeira viagem (como eu) teria a obrigação de conhecer. E de fato os conheci, mas não vou contar! São informações que qualquer pessoa vai encontrar em um bom site de busca na internet ou em uma boa agência de viagens. A proposta não é essa. Quero contar de coisas que as pessoas não sabem, ou pelo menos deixam Portugal sem saber.

Desta vez, quero contar (sem qualquer compromisso profissional como jornalista e total liberdade com o texto assim como um turista ) das percepções, aromas, sabores e texturas,do clássico e do moderno, da experiência que vou viver nas ruas, da sensibilidade partindo de um novo olhar sobre uma pequena parte de Portugal. Viajarei pela região, vou conversar com portugueses e brasileiros que vivem aqui e tentar satisfazer uma curiosidade pessoal. Afinal qual é a cara da nova Portugal que surge? Me arrisco a dizer que ela é moderna e ousada, mas só farei juízo de valor ao fim do passeio que vai durar dez dias. Das ruas estreitas de Lisboa ao surfe com as maiores ondas do mundo na região. Dos pasteis de nata ou de belém (sim, eles são diferentes) aos jantares no terraço do hotel mundial e os segredos dos castelos que o turista passa e não vê. Tudo sem planejamento, aliás abri mão do roteiro, sigo claro algumas recomendações de quem vive aqui para ir onde os ventos de Lisboa me levarem. Aliás venta muito por aqui. E o vento que vem do Rio Tejo e despenteia os cabelos traz também um ar puro bom de respirar assim a água que não pesa ao tomar, talvez uma das melhores do mundo. Eu só posso desejar que me acompanhe nessa viagem e em troca, prometo contar tudo o que os olhos viram e o coração sentiu nessa aventura. Você aceita o convite?

A chegada

Parti de de Porto Alegre em um voo da Azul com destino a Guarulhos-SP onde embarquei com a AIR Europa contrariando a indicação de amigos brasileiros que sempre viajam com a TAP (tradicional empresa Portuguesa). O voo de ida e volta comprado com antecedência de 25 dias custou R$2.020.00 incluindo as taxas. Achei muito barato! De Guarulhos -SP até Lisboa foram 15 horas de viagem, com atendimento satisfatório e pelo menos 5 refeições de boa qualidade (nunca vi tanta fartura em um avião, tanto que nem precisei usar o estoque de comida que fiz antes no supermercado e levei na mochila, exagero meu claro. ).

A única escala internacional é em Madrid onde é preciso passar pela imigração que sim, é rigorosa, mas não a ponto de ser causar constrangimento como muitos imaginam. Me fizeram perguntas simples, como quantos dias iria ficar, o que iria fazer, se já tinha passagem de volta e se era a primeira vez que vinha a Europa. Na hora de passar pelo detector de metais é preciso tirar os sapatos e todas aquelas recomendações de sempre. Mas o procedimento é rápido e não há porque ficar nervoso (embora muita gente estivesse suando frio na fila mesmo com a temperatura de 12 graus durante a madrugada).

Alguns documentos básicos são recomendáveis (não usei nenhum deles a não ser os bilhetes de ida e volta ) mas é recomendavel ter todoas a mão.Veja a lista no site da embaixada de Portugal. Pedir ou não esses documentos pode ser relativo. Mais informações aqui.

De Madrid até Lisboa são apenas 50 minutos de viagem . Na verdade é a partir desse ponto que começa a minha viagem. Cheguei em Lisboa às 6h45min (diferença é de +3h ). Me hospedei no Hotel da Estrela (Palácio dos Condes) uma antiga escola notarial.
A decoração com objetos antigos da escola estão por toda a parte. É um hotel boutique com apenas 19 quartos muito bem decorados e confortáveis. Uma filosofia de atendimento um pouco mais exclusiva que segue o conceito de atender menos para atender melhor e que vem se espalhando pela Europa. Além deste, aqui há vários. Mas o que chama a atenção (além dos sofás coloridos logo na entrada) é o atendimento feito na maioria por jovens, alguns estagiários da escola de hotelaria que fica ao lado. A educação e a simpatia surpreende justamente por serem tão jovens.

São extremamente educados e simpáticos além de estar sempre por perto e atentos a qualquer necessidade. Há até algum exagero (que não estamos acostumados no Brasil) como levantar-se a cada vez que o hospede passa pela recepção em sinal de atenção, ou melhor educação. Parecem soldados do exército batendo continencia a um general. Essa imagem está no video do hotel no site.

No banheiro quarto uma grande decepção para quem espera por uma boa ducha. Não tem! E é assim em alguns hoteis da Europa. O que não chega a ser um problema já que você vai ser OBRIGADO a tomar uma relaxante banho de banheira, entendi que isso é proposital e me entreguei ao luxo depois de uma viagem cansativa, um pequeno conforto vem bem a calhar, ora pois!

Para o caso de alguma improvável emergência (afogamento ou qualquer coisa parecida) há um alarme de banheiro que eu nunca tinha visto em lugar algum. Não resisti e testei: dois segundos depois de puxar a cordinha o pessoal da recepção ligou para o quarto perguntando se estava tudo bem comigo. Falando em coisas que nunca vi, neste hotel o número do quarto fica no chã.o O ponto negativo fica por conta da acessibilidade de internet, tem wi-fi mas poderia ser melhor.

O café da manhã (que aqui é chamado de pequeno almoço) está incluido na diária . Frios, queijos e bolos (uma especie de colomba pascal) que nunca experimentei. Tudo muito saboroso assim como os pratos oferecidos pela cantina/restaurante. E falando em restaurante, conheci o chefe Antonio que me ensinou a fazer um prato tipico da região com produtos adquiridos pertinho do hotel.

É o Bife a Portuguesa (tradicionalmente feito com bife de carne bovina mas que aqui é servido com bife de atum). Na minha percepção, uma versão bem elitizada do nosso bife a cavalo ao estilo europeu que leva creme de manteiga, batatas, vinho branco e presunto . Por enquanto deixo vocês com esse sabor e amanhã eu volto com as percepções da primeira volta pela cidade. Durante a semana vamos continuar a aventura gastronômica pelas pastelarias de Lisboa, o romantismo de Sintra, as maiores ondas da região que vem atraindo muitos surfistas brasileiros e as historias contadas através das placas de rua na capital portuguesa.

Ingredientes do Bife a Portuguesa (versão do chef)

3 rodelas de batata cortadas grossas
1 bife de atum ou carne bovina
1 dente de alho
2 folhas de louro
1 ovo
2 colheres de mateiga
sal e pimenta para temperar o bife
1 xicara de vinho branco
1 folha de presunto.

Modo de fazer:

Comece temperando o bife com sal e pimenta. Frite em óleo de oliva mas só o suficiente para corar os dois lados para deixa-lo ao ponto. No caso da carne bovina como se fosse mal passada, no caso do atum um pouco mais para cozinha-lo. Enquanto isso coloque para fritar em outra frigideira as rodelas de batata que devem ter 1,5 cm de espessura e devem ficar crocantes por fora e cozidas por dentro mas não secas de mais. Em uma outra panela vamos fazer o creme de manteiga. Coloque o vinho para cozinhar com o dente de alho e as folhas de louro. Deixe ferver e reserve. Pegue o bife que já foi dourado dos dois lados, coloque a folha de presunto em cima e leve ao forno por 5 minutos. Voltando ao creme, retire as folhas de louro e o alho e adicione a manteiga. Deixei ferver novamente e quebre um ovo na mistura. A gema deve ficar inteira, ela vai cozinhar no próprio creme de manteiga.
Você pode ir molhando a gema com o creme para que ela cozinhe apenas por fora. Como no bife a cavalo a intenção é que ela quebre durante a degustação. Depois é só montar: Primeiro a camada de batatas, depois o bife com o presunto assado e por cima o ovo regado com o creme de manteiga. O prato aqui é servido em uma caçarola de cobre porque, segundo o Antonio, mantém o sabor. Bom apetite!

Assista ao preparo da receita:

 

Alentejo, sem pressa

Floresta Oliveiras no Alentejo (Foto:Luis Lopes/Arquivo Pessoal)

Floresta Oliveiras no Alentejo (Foto:Luis Lopes/Arquivo Pessoal)

 

A vida passa sem pressa no Alentejo. E digo mais, a vida pede uma pausa! E essa sensação, começa na chegada…

Para quem vem de trem partindo de Lisboa, a viagem dura em média uma hora. No caminho a paisagem, capaz de acalmar os corações mais acelerados, convida ao descanso… um tempo, para olhar para o passado e redescobrir a história. História que pode ser contada através das florestas de oliveiras milenares (algumas com mais de 2.300 anos e que ainda produzem) dos castelos, dos fortes e muralhas, dos casarões, das igrejas, dos templos do período romano que deixou memórias muito bem preservadas, da influência árabe que está presente em vários momentos do passeio.

Uma simples caminhada, pelas ruas estreitas e suas calçadas de pedra, onde se encontram as gerações,ou pelos campos as margens do rio onde se pode observar aves de diversas especies revela um tesouro histórico a cada passo. Mas é o carinho e a simplicidade quem mora no lugar que impressiona e faz a gente se sentir como se estivesse na casa dos avós.

Apesar de ser a maior região de Portugal, o Alentejo ainda é pouco explorado por turistas brasileiros. A exceção fica por conta de Évora, a cidade museu que abriga um patrimônio impecável…E algumas surpresas como a que encontrei no museu do relógio onde funciona um café muito frequentado por quem mora ou trabalha nas lojas das redondezas. O espaço fica no pátio do casarão antigo é um convite ao descanso, mesmo que por alguns minutos…Essa é a ideia depois uma boa caminhada pela cidade.

Mas foi a pequena vila, protegida pelas muralhas do Castelo de Monsaraz, no alto de uma colina, que me conquistou! As casas, todas pintadas de cal branco (que segundo os antigos moradores tem a função de proteger do calor e do frio ) atraíram também estrangeiros de diversas partes do mundo que mantem pequenos negócios destinados ao turismo, como lojas de artesanato, tapeçaria tipica, pequenas pousadas onde se pode passar a noite e bons restaurantes para se degustar os pratos típicos da região. Tudo cercado pelo ambiente medieval cheio de mistério. Da pra imaginar como era a vida no lugar a milhares de anos. Afinal, viver aqui é como viajar no tempo.

Entrada Castelo Monsaraz (Foto:Luis Lopes/Arquivo Pessoal)

Entrada Castelo Monsaraz (Foto:Luis Lopes/Arquivo Pessoal)

Do alto, a vista do maior lago artificial do mundo é um bônus para quem visita o lugar. Uma obra gigantesca financiada com recursos de Portugal e Espanha que trouxe inúmeros benefícios econômicos para a região. O lago mais azul que os meus olhos já viram!

E olhando assim, fica quase impossível resistir a tentação de um passeio de barco e ate mesmo um mergulho. Para quem vai com a família, vale a pena alugar um “barco casa” com acomodações de até três quartos e passar pelo menos uma noite. Aliás cada noite no Alentejo ser uma experiência encantadora. Muitos castelos foram transformados em pousadas e cedidos a iniciativa privada. Foi a forma encontrada para preservar o patrimônio histórico.

Passeio de barco no lago (Foto:Luis Lopes/Arquivo Pessoal)

Passeio de barco no lago (Foto:Luis Lopes/Arquivo Pessoal)

O Castelo de Alvito é um deles e foi lá que pude saborear alguns pratos tradicionais da região como os pezinhos de porco, os mariscos, os legumes com presunto e os queijos cobertos por fios de mel. Depois doce! O que dizer dos doces conventuais do Alentejo? Mais uma aula de história com muito sabor, ingredientes simples como ovos, farinha e açúcar mas que tão bem manuseados provocam sensações inesquecíveis ao paladar.

Até aqui a influência dos árabes e judeus está presente. Não da para eleger um só mas o meu favorito a ameixa da rainha Claudia, variedade que tem esse nome em homenagem a piedosa rainha , mulher do rei Francisco I (século XVI) que morreu aos vinte e cinco anos . A fruta é cozida no mel, macia e suave, se desmancha na boca!!!! Há outros como a Siricaia, o Rebuçado de Ovos e as queijadas. Minha dica: esqueça a balança e experimente todos!

Durante a passagem pelo Alentejo passei duas noites em um hotel rural. O vídeo institucional condiz com a realidade do lugar e da uma dimensão das atividades em família:

Em Estremoz, cidade que fica a poucos quilômetros de Évora conheci a chefe carioca Michele, que se apaixonou pelo lugar e por um português do Alentejo. Resultado: há dez anos ela não pensa em deixar o lugar. No restaurante que abriu com o sócio português pude provar uma versão diferente do mil folhas Alentejano com bacalhau e presunto e saborear uma deliciosa sobremesa feita com chocolate, framboesas e flores comestíveis, servida em um prato de mármore produzido na região.

Do mármore para o barro. No Alentejo a arte de produzir cerâmicas passa de geração em geração e em apenas alguns segundos nascem das mãos dos oleiros verdadeiras obras de arte. São dezenas de olarias onde o turista pode conhecer um pouco da historia e também adquirir as peças únicas direto da fábrica. Um bom presente.

O Alentejo tem na simplicidade do seu povo as receitas que passam de geração em geração como pratos que tradicionais que muitas vezes são servidos nas cerâmicas produzidas aqui como a carne de porco preto, uma iguaria que só experimentei aqui.


E o tempo, que parece não passar…Na verdade passa, engana e ilude, assim como um novo tipo de vinho produzido na região. É o vinho invisível, um vinho branco, extraído de uvas tintas através de um processo que retira a casca da fruta e aproveita apenas o sumo. Uma delicia, que engana os olhos, mas não o paladar. No Alentejo qualquer turista pode experimentar esses sabores ainda pouco conhecidos no Brasil. Aliás, a cidade de Reguengos de Monsaraz é a capital dos vinhos em 2015.

Há muito mais para ver, sentir e viver no Alentejo. Faltou falar das praias do Algarve, Elvas, Marvão, Castelo de Vide, Sines e Troia… quem sabe na próxima visita! Quer conhecer um pouco dessa história? Veja o vídeo institucional do Turismo do Alentejo onde você encontra todas as informações sobre a região e embarque nessa viagem inesquecível!

Viajante: Guilherme Rosa, road trip com amigos ao Uruguai

20 de março de 2015 0

Nada melhor do que fugir do burburinho carnavalesco de Balneário Camboriú para curtir a estrada em amigos. Meu amigo Guilherme Rosa conta como foi a viagem ao Uruguai e dá dicas de lugares para curtir e surf points na região.

 

Road trip com amigos ao Uruguai

A cidade é Balneário Camboriú, em Santa Catarina, e é Carnaval. Já conseguiu imaginar a cena?! A fim de evitar trânsito, praias lotadas e toda essa loucura que acontece quando a cidade está cheia, cinco amigos resolveram passar o feriado no Uruguai.A receita era a mais simples possível: um carro, poucas bagagens, algumas pranchas e três barracas. A ideia era tentar curtir essa época do ano da maneira mais tranquila que desse.

Optamos por sair de Balneário na quinta-feira, para fugir do movimento na BR-101. Saímos por volta das 10h. Na programação, nosso primeiro destino seria a cidade de Pelotas no Rio Grande de Sul. Este trecho da viagem é o mais longo, na teoria dura umas 8 horas, mas na prática e com cinco pessoas num carro a história é outra. O lado ruim de viajar em cinco, além do aperto no banco de trás do carro, é que sempre alguém demora um pouco mais do que o outro e às vezes uma parada que poderia ser de 15 minutos acaba durando 40! Mas com certeza viajar com cinco amigos confinados num carro tem muitas coisas boas, risadas eternas, conversas sobre assuntos inesperados e, lógico, o revezamento na direção.

01 ESTRADA

Na estrada. Foto: Guilherme Meneghelli/Especial

Depois de muitas horas dentro do carro e inúmeras paradas para abastecer, ir ao banheiro e comer … chegamos em Pelotas! Eram quase 22h e fomos direto ao hostel que tínhamos agendado online. O que na realidade não precisava, pois estava bem tranquilo e havia vários quartos sobrando. O hostel que ficamos se chama Hello e é bem bom. Passou por uma reforma recentemente e não deixa nada a desejar dos hostels que já fiquei fora do país. Quem visitar Pelotas, vale muito a pena ir ao bar, restaurante e galeria de arte Madre Mia. Por indicação de uma amiga, acabamos jantando e tomando algumas cervejas neste bar antes de cair de cama.

Hostel Hello (Foto: Guilherme Meneghelli/Especial)

Hostel Hello (Foto: Guilherme Meneghelli/Especial)

Restaurante Madre Mia. Foto: Guilherme Meneghelli/Especial

Restaurante Madre Mia. Foto: Guilherme Meneghelli/Especial

No dia seguinte, sexta-feira, acordamos cedo, enchemos o tanque e partimos para o Uruguai. Uma dica de alguns amigos que já foram ao Uruguai é encher o tanque do carro antes de entrar na BR-471, pois ela corta a Estação Ecológica do Taim e não há nada neste trecho de mais ou menos 200 quilômetros de extensão.

Chegando a Chuí, é hora de trocar Reais por Pesos. Perguntamos a algumas pessoas onde havia casa de câmbio e logo achamos —  R$ 1 valia 8,50 pesos. Também é legal e econômico já fazer algumas compras na Zona Franca. Lá há diversas lojas com inúmeras coisas que um Free Shop de aeroporto tem. Nós compramos as bebidas para o feriado todo. Um pack com duas garrafas de whisky Jack Daniels saía por USD 48. Valeu a pena. Lá no Uruguai só compramos algumas cervejas para beber na praia. À noite bebíamos o nosso whisky com Coca-Cola.

Chuí (Foto: Guilherme Meneghelli/Especial)

Chuí (Foto: Guilherme Meneghelli/Especial)

Chegando na fronteira, basta sair do carro e apresentar os documentos (RG ou passaporte) e também os documento do carro junto com a carta verde. Como o Uruguai é um país do Mercosul, a entrada e o tratamento com o turista brasileiro são muito tranquilos. A Carta Verde é a liberação para o carro rodar em território estrangeiro. Hoje é possível fazê-la pela Internet com um custo de aproximadamente R$ 150.

Entramos no Uruguai por volta do meio-dia e a nossa primeira visita foi à região do Forte de Sta Teresa, onde há algumas praias que poderiam ter onda. A área é uma região militar, muito bem organizada e limpa. Lá dentro, também tem um camping bem grande e pareceu ser bem frequentado. A melhor onda da região se chama La Moza, uma direita que no início quebra em um fundo de pedra e depois se estende ao longo da praia. Para infelicidade de todos, o mar não estava bom, bem pequeno e com vento. Partimos para o nosso destino, Punta Del Diablo.

Praia de La Moza (Foto: Guilherme Meneghelli/Especial)

Praia de La Moza (Foto: Guilherme Meneghelli/Especial)

Punta Del Diablo é bem perto do Forte de Sta Teresa, uns 20 minutos dirigindo ao Sul. Logo na chegada tem uma avenida asfaltada bem longa, e é ali que está localizado o principal camping da região, Camping Punta Del Diablo. O camping é organizado, com banheiros coletivos, piscina e uma área enorme para montar barracas, estacionar trailers e carros. Pagamos cerca de R$ 35 a diária. Acredito que fora de feriados longos deva ser mais barato. Logo que chegamos demos uma volta na praia atrás de ondas, mas pela falta delas acabamos num restaurante para tomar nossa primeira Patricia, cerveja uruguaia. Muito boa por sinal.

07 PUNTA DEL DIABLO

Punta Del Diablo ( Foto: Guilherme Meneghelli/Especial)

06 SURF CHECK PUNTE DEL DIABLO

Surf check em Punta Del Diablo (Foto: Marcelo Araújo/Especial)

Ao longo dos dias que ficamos em Punta Del Diablo, a previsão não cooperou e acabamos surfando apenas dois dias em um mar bem ruinzinho com bastante vento. O jeito foi montar acampamento na areia, se divertir bebendo cerveja, trocando ideia, dando risadas e também curtir um pouco mais a noite uruguaia. O centrinho de Punta é bem roots, lembra um pouco a praia da Guarda do Embaú em Santa Catarina, com muitas ruas sem calçamento e várias tendas hippies, com artesanato à venda. No centrinho, um bar se destaca: o Primata. Fomos lá todos os dias. Ele me lembrou muito os bares do Peru.

O som que se escuta por lá é algo meio parecido com reggaeton, porém toca algumas músicas brasileiras, claro, no melhor estilo Bali Hai. O legal desse bar é que fica uma galera na parte de fora e não paga nada para entrar, então deixávamos nossa bebida no carro e toda hora que o copo ficava vazio voltávamos para refazer nossa dose de Jack com Coca-Cola. A vida noturna na cidade é um pouco estranha: o maior clube noturno da região se chama El Club e até agora nós não entendemos o porquê, mas ele só abre as 4h da manhã! O clube é amplo há partes abertas e bares espalhados por toda parte. Não sei dizer se é um bom lugar para ir, talvez sim, talvez não.

10 WHISK COM COCA

Whisky com Coca (Foto: Guilherme Meneghelli/Especial)

09 ALMOC¦ºO CAMPING

Almoço no camping (Foto: Marcelo Araújo/Especial)

O que acontece muito no Uruguai são festas em casa, organizados pela galera que aluga casa por lá. São os chamados “concentras”, aqui pra nós de Santa Catarina é o popular “esquenta”. Porém lá os concentras muitas vezes viram festa e ninguém saía da casa, até porque o El Club só abre às 4h e muita gente já acha bem tarde.

Os dias foram passando e nada de onda e apenas muito vento. Tínhamos a ideia de descer mais ao Sul para visitar outras praias como La Pedreira e La Paloma, mas com a previsão de onda estava bem ruim, decidimos ficar por Punta mesmo e antecipamos a nossa volta em dois dias. No último dia, levantamos bem cedo, arrumamos o acampamento, barracas e o carro e começamos nossa jornada de volta. Nossa volta resolvemos fazer sem parar para dormir. Foi bem cansativo mas em cinco pessoas deu para revezar a direção e tornar a voltar menos perigosa. Saímos do Uruguai às 8h da manhã e chegamos em Balneário Camboriú por volta da meia-noite.

No fim, o saldo foi muito positivo, fazer algo diferente e fugir dessa super lotação do feriado valeu a pena. E acredito que viajar com grandes amigos não importa o que aconteça, sempre vai ser bom. A experiência de ficar acampado e confinado com mais quatro pessoas foi muito positiva para todos nós. Com certeza vamos lembrar por muito tempo dessa viagem!

08.2 CERVEJA FINAL DE TARDE CENTRINHO

Cerveja no fim de tarde no Centrinho (Foto: Marcelo Araújo/Especial)

11 ULTIMO JANTAR CENTRINHO

Último jantar no Centrinho (Foto: Guilherme Meneghelli/Especial)

 

Coisas de viajante

Por que viajo? Quando estou viajando, especialmente de férias e fazendo o que gosto, me sinto vivo!
Destino de férias? Algum país com clima tropical e com onda
Lugar perrengue? Acho que o norte do Peru
Prato inesquecível? Não lembro de algum específico, mas em cada país que já conheci tento experimentar a comida local, aquela de rua bem típica.
Item necessário na mala? Vibe!!
Meu lugar favorito? Austrália
Recomendo? Qualquer viagem com seus amigos
Não recomendo? Não viajar

Trippers: casal viaja de carro pela América do Sul com baixo orçamento

07 de março de 2015 4
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Pedro e Ceci na Casapueblo, no Uruguai

Brasil. Argentina. Chile. Uruguai. 4 meses. 46 cidades. 18 mil quilômetros. Para o casal, Pedro Krug e Maria Cecília Manochio, recém formados em Publicidade e Propaganda, esses dados representam muito. Um desejo, um sonho talvez. Perder-se e descobrir-se. Uma vontade que começou no ano passado quando os dois começaram a desenvolver um roteiro (confira aqui o planejamento) para uma viagem carro pela América do Sul, com direito a um site, fanpage, canal no Youtube, Instagram e diferentes projetos audiovisuais.

A viagem teve início em Itapema no início de fevereiro e passou por cidades do Brasil, Uruguai e Argentina e neste fim de semana eles seguem ao sul do país, com o objetivo de chegar a Ushuaia. O segundo destino da viagem é o deserto do Atacama, no Chile. Depois, casal volta pela Argentina até chegarem novamente ao Brasil. E tudo isso com baixo orçamento.

O diferencial do casal é otimizar o tempo na estrada e ficar em camping e hostels pelas cidades que passam. Sim, eles já passaram alguns perrengues e dão dicas valiosas no site lindão deles: Two Trippers. 

— Estamos provando que é possível cruzarmos boa parte da América do Sul com um orçamento muito baixo — afirmou Pedro.

Se você, caro leitor, quiser viajar de carro pela América do Sul, leia os posts deste casal. Eles são muio informativos e evitam que perrengues ocorram. Confira abaixo a entrevista com Pedro e Ceci.

Pedro e Ceci acampando na Fortaleza de Santa Teresa (Foto: Two Trippers/Divulação)

Pedro e Ceci acampando na Fortaleza de Santa Teresa (Foto: Two Trippers/Divulação)

Coisas de viajante

Por que viajo? Caímos na estrada pois nunca nos contentamos em ficar parados por muito tempo em um mesmo lugar. Com nosso projeto, tivemos a desculpa perfeita para unir três das coisas que mais gostamos de fazer: viajar, fotografar e escrever

Destino de férias? Litoral Uruguaio. As praias são incríveis e quase desertas (destaque para: Punta del Diablo, Barra de Valizas, Cabo Polonio e La Paloma)

Lugar perrengue? Banheiros de campings (sempre serão uma surpresa)

Prato inesquecível? Curiosamente: espaguete com carne moída (foi nosso primeiro prato mais elaborado da viagem. Resolvemos comprar uma bandeja de carne moída para finalmente termos uma refeição completa, resultado: o macarrão passou do ponto, mas a carne moída ficou perfeita)

Item necessário na mala? Como estamos em uma longa road trip, dois itens são indispensáveis: fogareiro (temos um elétrico e um a gás) e adaptadores para tomadas tomadas

Meu lugar favorito? Cabo Polonio, Uruguai

Recomendo? Se estiver em um mochilão pelo Uruguai, não deixe de ficar pelo menos três noites no Camping San Rafael, em Punta del Este (foi nossa melhor experiência em campings)

Não recomendo? Sair para uma trip sem ter feito um roteiro prévio (pode ser um roteiro simples ou até mesmo encontrado na internet). Deixar para definir os lugares a se visitar na hora, sempre é algo demorado e trabalhoso, e muitos lugares podem acabar sendo deixados pra trás. Pra completar: não visite apenas os locais mais turísticos (dê uma fuçadinha que vais encontrar lugares undergrounds incríveis!)

 Veja as fotos: