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O descanso dos mochileiros

01 de dezembro de 2010 1


Mochileiro é alguém que quer fazer muita coisa em pouco tempo e gastando quase nada. Em busca da fórmula para se viajar assim, comete-se erros que podem estragar, senão toda a jornada, partes importantes dela.

Um dos equívocos mais comuns (raramente admitidos por quem viaja no estilo, digamos, hard core) é esquecer que o corpo precisa de descanso. A conta vem em seguida, quando o cara chega ao lugar que sempre quis conhecer e não aproveita nada, porque virou um zumbi.

Quando se viaja mais de uma semana sem parar, mudando de cidades, passando algumas noites em ônibus, trens ou aeroportos para não gastar com hospedagem, é recomendável separar um a cada sete dias para o descanso. Durma até mais tarde, procure um parque legal para sentar e observar a rotina, vá almoçar num lugar bonito, tomar banho numa piscina termal etc. O importante é caminhar menos e dar um tempo ao corpo.

Seguindo essa dica, os outros dias de viagem serão mais prazerosos. Vai por mim.

Se eu não fizesse turismo caminhando

07 de setembro de 2010 4

Reduziria drasticamente o número de histórias para contar na volta.

Fotografaria somente aqueles lugares que todo mundo fotografa.

Perderia a apresentação de uma orquestra escolar em Puerto Varas, Chile.

Voltaria para casa sem descascar o nariz no sol do Atacama.

Não compraria um jogo de xadrez Incas versus Espanhóis por uma pechincha, em Lima.

Jamais provaria o cafe helado de uma cafeteria escondidinha, bem em frente à piscina pública do Parque Baquedano, em Santiago.

Deixaria de sorrir diante de crianças e cães banhando-se e divertindo-se juntos, enquanto bebia o cafe helado.

Desconheceria o fato de que ratos invadem as calçadas de Munique à noite.

Não exercitaria minhas duvidosas habilidades em idiomas para perguntar direções.

Passaria reto por uma exposição de fotos históricas em plena rua, na cidade velha de Varsóvia.

Conversaria menos.

Me entrosaria menos.

Experimentaria menos.

Não perceberia a falta que faz uma sombra nas calçadas de Blumenau.

Ignoraria que, nos países vizinhos, pragueja-se dizendo "miércoles!" (quarta-feira) em lugar de "mierda!", assim como soltamos um "caraca!" em lugar de vocês sabem o quê.

Passaria batido por uma feirinha sensacional à beira do Reno, em Colônia, Alemanha.

Não invejaria as largas ciclovias do Rio (e não descobriria como é recomendável olhar para os lados antes de atravessá-las).

Gastaria mais.

Curtiria menos.

Fazer turismo a pé é muito mais divertido e desafiante que contratar city tour, alugar carro ou pegar táxi. Prepare-se, planeje, imprima mapas, acesse o Google Earth.

Caminhar liberta.