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Headpieces na Melbourne Cup

11 de novembro de 2012 0

Melbourne é sede da principal corrida de cavalos da Austrália. A Melbourne Cup gira bilhões de dólares em apostas todos os anos e chama a atenção pela excentricidade. Por ser uma cidade multicultural e ter imigrantes de diversos países, não é difícil encontrar pessoas que simplesmente não entendem a tradição do evento. Pois bem: a primeira terça-feira de Novembro é sempre feriado no estado de Victoria devido à Melbourne Cup; os australianos costumam fazer ‘bolões’, como fazemos com os jogos de futebol no Brasil, para apostar nos cavalos; quem não vai ao evento faz barbecue para assistir a principal corrida, que neste ano aconteceu nesta semana, dia 6.

Mas, quem vai ao evento, vai vestido em traje de gala. Esse é o barato! Todas as mulheres usam headpieces para ir à Melbourne Cup. Caminhar nas ruas de Melbourne em Novembro é quase como estar em um casamento real, com todas aqueles mini-chapéus e flores gigantes nas cabeças femininas. Neste sábado fiz umas fotos na Flinders Station, no centro. Sim, as pessoas usam trajes de gala e vão ao evento de trem! Um trem exclusivo e direto para o local das corridas.


Nostalgia: Uruguai

13 de outubro de 2012 0

Tenho milhões de lugares para conhecer na Austrália ainda, mas me deu uma vontade repentina de Uruguai! Talvez esse domingo ensolarado, ventinho e temperatura amena aqui de Melbourne – falta um Tannat uruguaio.

Resolvi rever minhas fotos da viagem a Montevidéu e Punta Del Este e lembrei de uma manhã engraçada no porto de Punta. Era um domingo, com sol, e os pescadores estavam vendendo seus peixes recém-pescados em uma feira improvisada. Ao limpar, eles jogavam os restos dos peixes na água, para desespero das pombas e dos leões-marinhos, que disputavam a comida. Na pressa de chegar primeiro, um dos leões marinhos, gigante, saiu da água e começou a circular no meio das pessoas. Foi a atração da feira:


Great Ocean Road e seus apóstolos

01 de outubro de 2012 0

Considerada a estrada que costeia o mar mais bonita da Austrália, a Great Ocean Road é realmente um espetáculo de vida natural e lindas paisagens. Fica no estado de Victoria, e começa a cerca de 100 km da capital, Melbourne. As atrações são várias, é um passeio para fazer em três ou quatro dias: praias, parques com cangurus e coalas, santuário aborígene, etc.

O ponto forte da região são os 12 Apóstolos (Twelve Apostles), no Port Campbell National Park. São rochas calcárias altíssimas  formadas a partir da erosão causada pelo mar desde milhares de anos atrás. O nome foi dado quando ainda eram 12, mas hoje são 11 ou até menos (não consegui contar!)

Passando a área dos 12 Apóstolos, a oeste, vale a pena andar mais um pouco para ver as construções feitas pelo Sr. Arquiteto O Mar. É impressionante ver a beleza dessa natureza extremamente mutante, tem lugares sobre as formações rochosas que eu pisei e tive certeza de que, em  dez anos, não será mais possível acessar.

A região foi habitada por aborígenes e é considerado um lugar sagrado por eles. Em determinados lugares há placas contando um pouco da história. A mais impressionante é que, milhares de anos atrás, era possível ir até a Tasmânia caminhando onde hoje é mar aberto (foto abaixo). A Tasmânia é uma ilha no sul da Austrália e não há ligação terrestre para lá. Uma viagem de Melbourne até o porto mais próximo da Tasmânia dura 12 horas, para termos ideia da distância.

Nas estradas australianas

11 de setembro de 2012 0

Acredite se puder: o maior risco em dirigir nas estradas do interior da Austrália é atropelar um canguru. A famosa placa amarela com um canguru desenhado (foto) não é uma graça para turistas, é realmente um alerta de ‘ATENÇÃO, CANGURUS’. Eles são animais selvagens e vivem onde tem mato, em parques ou próximo de fazendas. É bem comum andar dezenas de quilômetros em estradas cercadas por campo, sem sinal de casas, comércio ou mesmo postos de combustível. Claro que, como em todo país desenvolvido, nesses trechos há placas avisando em quantos quilômetros estará o próximo posto.

A orientação para evitar acidentes com cangurus é viajar sempre durante o dia. Mesmo assim, não são poucas as ocorrências. Na Great Ocean Road, estrada que costeia o mar no estado de Victoria (passeio imperdível, diga-se de passagem), vi dezenas de cangurus mortos no acostamento. Algumas locadoras de carros, inclusive, citam isso para vender  o seguro do carro.

Outra coisa que chama a atenção é a forte campanha para que as pessoas não dirijam cansadas. A cada 30 quilômetro, em média, nas estradas que passei, havia uma área para estacionar e descansar. Simples assim: pare o carro, tire uma soneca e siga viagem. Sem contar as inúmeras placas com explicações sobre o perigo de dormir na direção. Sobre motorista embriagado, aqui não tem essa de ‘não poder criar prova contra si mesmo’: o policial fez sinal, pára o carro, baixa o vidro que o bafômetro está pronto. E as campanhas na mídia são fortes, com acidentes reais, fotos de pessoas que morreram em acidentes e sobreviventes contando suas histórias.

Quem vem para cá deve lembrar que o trânsito na Austrália é na mão inglesa. A carteira de motorista internacional pode ser solicitada em qualquer CFC do Brasil e a taxa custa menos de R$35.

Cangurus por todos os lados

06 de setembro de 2012 0

Aqui na Austrália, lugar de canguru não é só no Zoológico! Eles vivem em parques pelo interior dos estados e podem ser vistos em todas as regiões do país. Por estarem acostumados a conviver com pessoas, são dóceis (na sua maioria) e se aproximam com facilidade.

No estado de Victoria, o melhor lugar para encontrar cangurus, coalas e outro animais é o Grampians National Park, que fica a 275km de Melbourne. É um dos maiores parques nacionais da Austrália e está na Lista do Patrimônio Nacional por sua beleza natural. Vale a pena reservar ao menos dois dias para conhecer o parque, ver as belas paisagens e fazer trilhas. O ideal é ir de carro, mas prepare-se para estradas cheeeias de curvas!

Na minha opinião, o melhor lugar para se hospedar é em Halls Gap, onde estão grande parte dos cangurus que, não raro, acompanham os hóspedes até mesmo nas acomodações. Eu passei por uma experiência muito legal com minha família: fizemos um ‘barbecue’ na pousada na companhia de um canguru. Ele ficou o tempo todo conosco, talvez esperando uma sobra de salada ou pão (eles são vegetarianos).

Em Sydney, no estado de New South Wales, o Featherdale Wildlife Park é uma das opções para conhecer cangurus e coalas. Lá o ingresso é pago (AU$27), mas há desconto para estudantes, crianças e famílias.

Hipocrisia no prato

30 de junho de 2012 0

Passeando pelo Chinatown em Melbourne me vi numa situação angustiante, igualzinha à sensação que tive ao ler uma crônica do Luis Fernando Veríssimo, em Zero Hora, anos atrás. Muitos restaurantes asiáticos têm como “atração ” aquários com crustáceos e peixes que as pessoas escolhem para jantar. A maioria expõe o aquário na vitrine, para que as pessoas que passam na rua possam ver.

Caranguejos gigantes agonizando em um micro-aquário em um restaurante em Chinatown, Melbourne

Digo que ver isso é angustiante porque me sinto hipócrita ao dizer que tenho pena dos animais e não teria coragem de escolher um deles para o meu jantar, ao mesmo tempo que sim, eu como peixe e outros tipos de animais – quando os vejo  já estão mortos e cozidos.

Mesmo assim, não vejo necessidade de fazer isso com os animais, alguns ficam dias e dias amontoados em um aquário minúsculo “esperando” serem escolhidos por alguém. Antes fosse uma escolha para adoção, não?

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Essa é a crônica do Luis Fernando Veríssimo, publicada em Agosto/2009 em Zero Hora:

A truta

O homem pediu truta, e o garçom perguntou se ele não gostaria de escolher uma pessoalmente.

– Como, escolher?

– No nosso viveiro. O senhor pode escolher a truta que quiser.

Ele não tinha visto o viveiro ao entrar no restaurante. Foi atrás do garçom. As trutas davam voltas e voltas dentro do aquário, como num cortejo. Algumas paravam por instante e ficavam olhando através do vidro, depois retomavam o cortejo. E o homem se viu encarando, olho no olho, uma truta que estacionara com a boca encostada no vidro à sua frente.

– Essa está bonita… – disse o garçom.

– Eu não sabia que se podia escolher. Pensei que elas já estivessem mortas.

– Não, nossas trutas são mortas na hora. Da água direto para a panela.

A truta continuava parada contra o vidro, olhando para o homem.

– Vai essa, doutor? Ela parece que está pedindo…

Mas o olhar da truta não era de quem queria ir direto para uma panela. Ela parecia examinar o homem. Parecia estar calculando a possibilidade de um diálogo.

Estranho, pensou o homem. Nunca tive que tomar uma decisão assim. Decidir um destino, decidir entre a vida e a morte. Não era como no supermercado, em que os bichos já estavam mortos, e a responsabilidade não era sua – pelo menos não diretamente. Você podia comê-los sem remorso. Havia toda uma engrenagem montada para afastar você do remorso. As galinhas vinham já esquartejadas, suas partes acondicionadas em bandejas congeladas, nada mais distante da sua responsabilidade. Os peixes jaziam expostos no gelo, com os olhos abertos mas sem vida. Exatamente, olhos de peixe morto. Mas você não decretara a morte deles. Claro, era com sua aprovação tácita que bovinos, ovinos, suínos, caprinos, galinhas e peixes eram assassinados para lhe dar de comer. Mas você não estava presente no ato, não escolhia a vítima, não dava a ordem. Não via o sangue. De certa maneira, pensou o homem, vivi sempre assim, protegido das entranhas do mundo. Sem precisar me comprometer. Sem encarar as vítimas. Mas agora era preciso escolher.

– Vai essa, doutor? – insistiu o garçom.

– Não sei. Eu…

– Acho que foi ela que escolheu o senhor. Olha aí, ficou paradinha. Só faltando dizer “me come”.

O homem desejou que a truta deixasse de encará-lo e voltasse ao carrossel junto com as outras. Ou que pelo menos desviasse o olhar. Mas a truta continuava a fitá-lo. Ele estava delirando ou aquele olhar era de desafio?

– Vamos – estava dizendo a truta. – Pelo menos uma vez na vida, seja decidido.

Me escolha e me condene à morte, ou me deixe viver. A decisão é sua. Eu não decido nada. Sou apenas um peixe, com cérebro de peixe. Não escolhi estar neste tanque. Não posso decidir a minha vida, ou a de ninguém. Mas você pode. A minha e a sua. Você é um ser humano, um ente moral, com discernimento e consciência. Até agora foi um protegido, um desobrigado, um isento da vida. Mas chegou a hora de se comprometer. Você tem uma biografia para decidir. A minha. Agora. Depois pode decidir a sua, se gostar da experiência. O que não pode é continuar se escondendo da vida, e….

– Vai essa mesmo, doutor? – quis saber o garçom, já com a rede na mão para pegar a truta.

– Não – disse o homem. – Mudei de ideia. Vou pedir outra coisa.

E de volta na mesa, depois de reexaminar o cardápio, perguntou:

– Esses camarões, estão vivos?

– Não, doutor. Os camarões estão mortos.

– Pode trazer.

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Essa angústia me incomoda bastante em relação aos cangurus. Depois de gato, é o segundo animal que eu mais gosto. Há vários parques aqui na Austrália onde dóceis cangurus ficam soltos e as pessoas podem brincar com eles e alimentá-los com ração. É maravilhoso fazer isso, passar a tarde se divertindo com eles. Depois disso, quem tem coragem de comer carne de canguru? Eu não tive. Todos os açougues daqui vendem e o consumo é até incentivado, em razão do grande número de cangurus que têm na Austrália. Anos atrás, muitos deles foram mortos, pois a população de cangurus estava se  igualando à população de pessoas na Austrália. Mas, e daí? Eles são lindos e não incomodam ninguém, por que precisam ser mortos e servidos?

Daí alguém pergunta: e as vacas, os porcos, carneiros, por que precisam ser mortos e servidos, se também não incomodam ninguém? Porque ficam deliciosos assados? É uma longa discussão.

Terremoto em Melbourne

20 de junho de 2012 0

Após noticiar dezenas ou centenas de terremotos na Rádio Gaúcha, passei pela experiência de sentir o tremor de um. Foi nesta terça-feira à noite e eu estava na internet, sentada na minha cama, no apartamento que fica no décimo terceiro andar no centro de Melbourne. De repente, a cama tremeu por cerca de 15 segundos. Para ser sincera, não me dei conta que era um tremor de terra. Fui entender minutos depois quando vi a notícia na televisão: um terremoto de 5,3 de magnitude atingiu o estado de Victoria. O epicentro foi em Moe, a cerca de 120km de Melbourne. Milhares de pessoas relataram ter sentido e, felizmente, não há registro de danos ou feridos.

Esse foi o maior terremoto no estado de Victoria em 30 anos. E espero que não ocorra outro pelo menos nos próximos 30. Não é algo comum na Austrália e, quando acontece, não costuma ser de grandes proporções.

Clique aqui para mais informações, do site da ABC News.

Carne barata

30 de maio de 2012 2

Na Austrália, a carne é tão cara quanto no Brasil, comparando especialmente com estados que consomem muito, como o Rio Grande do Sul. Nos churrascos australianos (Barbecues-BBQ)  ’steaks’ e salsichas são como picanha e costela para o gaúcho: não podem faltar. E, por isso, são carnes bastante caras.

Maaas, como boa gaúcha, fui atrás de uma boa costela e coração de frango. Adivinhem? São superbaratos! Como não têm muita procura, o preço cai. Considerando que o dólar australiano custa mais ou menos R$2, é possível comprar um quilo de costela ou um quilo de coração por R$8, ou AU$4 no Queen Victoria Market, o mais famoso mercado aberto de Melbourne. E já vêm limpos. No caso da costela, eles vendem sem a gordura externa (foto). As carnes aqui são bastante saborosas e macias e, em geral, são vendidas em forma de steak, ou bifes, para se adaptarem ao modelo de churrasco típico do país, feito em uma chapa a gás.

Vinhos de Melbourne – Yarra Valley

10 de abril de 2012 0

Aproveitei o feriado de Páscoa para conhecer o Yarra Valley, o “Vale dos Vinhedos” de Melbourne. A região fica a cerca de uma hora do centro da cidade e há diversas empresas que fazem o passeio de van para lá.

Das quatro vinícolas visitadas, a Domaine Chandon se destaca por ter o turismo como foco e, por isso, há uma boa estrutura para receber visitantes. A Chandon é especializada em espumantes.


Destaco o espumante Chandon Pinot Shiraz que tem uma cor vermelha vibrante e um sabor levemente doce, diferente de todos os que já havia provado. O Vintage Brut 2008 e o Vintage Brut Rose 2008 são as pratas da casa. Para acompanhar uma sobremesa, a opção é o Chandon Cuvée Riche, doce e com aroma de flores.


A vista dos vinhedos na Domaine Chandon é imperdível!


A vinícola Oakridge tem uma estrutura com restaurante com vista para os vinhedos, mas não permite visitas à fábrica. É um lugar lindo e os vinhos são ótimos. Destaco o Shiraz e o Pinot Noir deles.


O vinho 864 é o top da Oakridge: custa AU$60, o equivalente a R$120 a garrafa.

Na Punt Road experimentei sabores bastante diferentes, principalmente em razão da influência de notas de laranja e limão nos vinhos brancos. Eles têm, também, plantação de maçãs e pêras para a produção de sidras.

A vinícola Yering Station é uma das mais antigas do Yarra Valley e, por isso, é bastante tradicional.

A degustação dos vinhos é feita em um galpão e há restaurante e hotel no local.

A vista da região também é muito legal.

O Brasil na opinião de um australiano

20 de março de 2012 0

Conheci ontem um australiano que passou pouco mais de dois meses viajando pelo Brasil. O Ross foi a Fortaleza, Salvador, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Florianópolis e Rio Grande do Sul entre janeiro e março deste ano. Como opinião geral, ele disse que gostou muito!

Claro que eu quis saber o que exatamente ele gostou e o que não gostou.

Começando pela parte boa:

- Ele adorou as praias no Rio, Fortaleza e Florianópolis;

- Achou Torres/RS muito legal;

- Gostou bastante de Curitiba, disse que, apesar de ser uma cidade grande, tem bastante natureza;

- Comeu muito churrasco (australianos comem bastante carne como nós, gaúchos);

- Aproveitou o Carnaval em Salvador.

Porém…

- Não gostou do litoral gaúcho. Ele foi de Florianópolis para o Rio Grande do Sul, apenas passou por Porto Alegre, foi até o litoral sul do estado e voltou “Brasil acima”. Não soube dizer porque não parou em Porto Alegre (o trajeto foi feito de carro);

- Não achou graça nenhuma em São Paulo;

- Ele ficou decepcionado com o café no Brasil. Disse que não entende como um país que é conhecido no mundo como produtor de café oferece um produto de baixa qualidade. Eu expliquei que, infelizmente, o nosso melhor café é exportado e que, possivelmente, o café brasileiro aqui na Austrália é muito melhor do que o que ele provou no Brasil;

- Em geral, não gostou do estilo de café-da-manhã brasileiro. Disse que nós “só comemos pão e queijo, todos os dias”. Achei isso bem engraçado, pois o café da manhã aqui na Austrália é realmente diferente do nosso. Ou as pessoas comem pratos fartos com bacon frito, ovos fritos, torrada e catchup ou molho barbecue (bem comum aqui) e não almoçam; ou comem apenas frutas ou torrada com manteiga cedo da manhã e o mesmo prato descrito acima na hora do almoço.