O Rio de Janeiro foi sacudido na véspera do carnaval por assaltos em série a turistas de albergue. Uma ação nitidamente planejada; os ladrões concluíram que esta tipo de visitante pode ser uma presa segura. Não chega a ter muito dinheiro para gastar, mas são numerosos. Os albergues, ao contrário dos hotéis, têm sistema de segurança muito frágil. Roubo e resultados rápidos.
O outro lado deste purgatório da beleza e do caos veio à luz sob os holofotes da Sapucaí na noite de domingo. Começou com o Império Serrano e uma bateria encantada marcando a lenda das sereias, um desfile para manter os imperianos no grupo especial. A seguir, uma Grande Rio como sempre. Luxuosa, cheia de artistas e de problemas de evolução. Um tanto pesada, pode voltar no sábado das campeãs num sexto lugar.
Diferente da Vila Isabel, que veio para lutar pelo título. As coreografias nos carros, o requinte das vestes, a bateria de mestre Mug e o samba que funcionou bem garantem as esperanças dos torcedores do bairro de Noel Rosa. Não bastasse, teve a emocionante volta de Martinho da Vila à passarela. Mocidade Independente de Padre Miguel, que melancólico, vai ficar outra vez no úlitmo pelotão. Não chega a arriscar cair, mas tampouco arrisca retornar no sábado.
A Unidos da Tijuca fechou a noite com bom gosto, bons carros e um bom samba desperdiçado pela pressa do jovem Bruno Ribas. No disco, a música tem cadência e melodia. Na avenida, a bateria precisou correr atrás do andamento rápido demais do puxador.
Mas a notícia mais importante da primeira noite de desfiles veio de Nilópolis. A Beija-Flor garantiu presença no sábado das campeãs e, mais do que isso, fechou a primeira parte do espetáculo como a mais forte candidata ao título. Soube separar a comoção do casamento e da superação de Neguinho - brilhante na condução do samba - e mostrou um carnaval mais bem-humorado do que nunca. Impagável a alegoria do gato preto a mover a lúbrica língua logo atrás de uma passista. O coração sobre o qual ela pisava também sugeria idéias ainda melhores. Um carro para marcar criatividade, ousadia, luxo e bom gosto. Um carnaval leve, bonito, bem cantado e com um couro fantástico batido pelo pessoal do mestre Paulinho Botelho.
Não sou Beija, sou Mangueira. Pelo que ouvi, a verde e rosa vem para não cair, imersa em problemas de convivência com o tráfico. Minha expectativa nesta segunda-feira está sobre a Imperatriz Leopoldinense do meu amigo Paulinho Mocidade, enfim de volta à Sapucaí. A Imperatriz canta a si mesma e promete desfilar com emoção. O refrão é bom, o samba promete.
Vou estar acordado.
Postado por Maurício Saraiva
