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Posts de outubro 2010

Fim de sonho

30 de outubro de 2010 49

Um jogo excelente para uma arbitragem horrorosa. Em qualquer dos quesitos, o trio de preto foi péssimo. Desta vez, quem mais tem a reclamar é o Santos. Houve um gol não assinalado - Nei puxa a bola além da linha na má saída de Renan no primeiro tempo - e um pênalti de cartilha de Kleber em Neymar  que também passou em branco. No aspecto disciplinar, quem pode reclamar é o Inter. Danilo agrediu D'Alessandro sem bola e deveria ter sido expulso. O jogo sobreviveu a tanta lambança, mas o resultado foi ruim para Inter e Santos que terminaram neste sábado com o sonho do título. Ainda dá na matemática, na vida real, não.

Celso Roth acertou na escolha dos onze titulares. Porém, desperdiçou Rafael Sóbis ao tentar outra vez fazê-lo jogar fora do seu lugar. Na maior parte das vezes, ele atuou atrás de Giuliano. Deu combate na intermediária do próprio Inter e, na retomada, estava muito, muito longe de Alecsandro. Foi mal posicionado, o que causou grande prejuízo à equipe colorada. Roth acabou por sacá-lo para fazer entrar Edu. O resultado foi o de sempre. Nenhum acréscimo técnico, tampouco imposição física. Uma troca ruim, nada mais do que isso. Para Edu estar no banco, Marquinhos, Ilan e até Sacha ficaram de fora. É um mistério insondável. O golaço de Zé Eduardo foi igualado no gol muito bem feito por Leandro Damião. Pelos erros de arbitragem que teve contra si, o Santos está lamentando mais o empate. De qualquer forma, a partida foi boa demais de se ver.

Os olhos do mundo

30 de outubro de 2010 2

Qualquer pessoa que cogite trabalhar sob os olhos do público deve ter em mente o melhor e o pior desta decisão. Na minha experiência profissional, o bônus ganha do ônus com sobra. Tive a sorte de perceber cedo o que representaria dar opinião sobre a paixão alheia. O jornalista esportivo, mais do que qualquer outro, sente na pele a fúria e o carinho dos seus telespectadores, ouvintes e leitores porque lida diretamente com o irracional dos outros. O mais comedido desembargador é capaz de transformar-se e restar irreconhecível até para a família quando o assunto é seu time do coração. E é para este cidadão que se dirige o trabalho do comentarista.

Mas não é só jornalista esportivo que vive sob os olhos do mundo e sujeito ao julgamento do público. Os atores principais do espetáculo passam por isso com intensidade ainda maior, uma vez que protagonistas. Veja o caso do meia Douglas; acaba de ser convocado pela seleção brasileira e despertou contrariedade até entre gremistas. Há quem o veja trotando desinteressado pelo grande círculo, mesmo que não seja esta a realidade do momento. Quem o julga assim não acredita ser possível sua redenção, a tal volta por cima. Douglas andou tuitando contra as críticas num tom menos agressivo do que Souza. Consigo entendê-lo. Ele recuperou seu bom futebol, tem a confiança do seu comandante e acaba de ser chamado pelo treinador da seleção que também o conhece. Ainda assim, os olhos do mundo desconfiam dele. Se não todos os olhos, uma parte significativa.

Só posso dizer a Douglas o que digo a mim mesmo a cada reinício de jornada: fazer o que se gosta tem preço, não é barato, mas vale a pena. Sob o olhar alheio, não há como agradar a todos, tampouco acontecerá de despertar ódio geral. Haverá quem goste de você, quem não goste, quem o idolatra e quem o despreze.  

É do jogo, sempre será.

Uma justa convocação

29 de outubro de 2010 19

O camisa dez do Grêmio será reserva de Ronaldinho na articulação da seleção brasileira contra a Argentina. A convocação de Douglas é justa, significa sua completa recuperação sob o comando de Renato Portaluppi.  Silas, quando formatou o competente Grêmio do primeiro semestre, tinha em Douglas seu centro. Depois, o treinador se encarregou de desfazer o time que dera certo no Gauchão e na Copa do Brasil. O meia chegou a ser reserva. Na volta do campeonato brasileiro pós-Copa, o auge da crise entre Douglas e o Grêmio parecia determinar a exclusão do jogador. Porém, a contratação de Renato trouxe a redenção de Douglas. Com a confiança do novo técnico, retomou a plenitude do seu futebol dos tempos de Corínthians. Não há nenhum meia brasileiro à altura de Douglas. Muitos abaixo, um acima, Paulo Henrique Ganso. No impedimento deste, nada mais justo do que chamar o articulador gremista para vestir a camisa amarela.

Não será titular porque Mano Menezes está pensando um meiocampo forte e criativo a partir de outros nomes. Lucas, Elias e Ramirez darão sustentação à criatividade de Ronaldinho para que o gaúcho jogue do mesmo jeito que está atuando no Milan. Não é mais o do Barcelona atuando pelo lado; Ronaldinho está no centro da criação milanista. Com três homens que marcam e saem para jogar, ele terá parceria e segurança para desenvolver o que seu futebol pode render hoje em dia.

Então, pergunto : que treinador no mundo pode escalar um time desta qualidade ? Víctor, Daniel Alves, Thiago Silva, David Luiz e André Santos; Lucas, Ramirez, Elias e Ronaldinho; Neymar e Robinho . Pato de opção no banco, Hernanes esperando vez para ser chamado, Júlio César, Maicon, Lúcio e Kaká em recuperação física e emocional depois da África, qual técnico tem este arsenal à disposição ?

= Os gremistas estão inconformados com o erro grosseiro de Heber Lopes ao não dar o pênalti sobre o Jonas quando o Fluminense ganhava por um a zero e era inferior ao Grêmio. Com razão, argumentam que o árbitro mexeu no placar da partida. Porém, é preciso contextualizar; o time gaúcho foi prejudicado ontem, beneficiado anteontem e assim será através dos tempos. Vale para o Inter, o Flamengo, o Corínthians, o Atlético Mineiro e por aí. Juiz erra, errou e errará. Estão sendo tomadas providências para que errem menos,  porém seguirão errando em maior ou menor quantidade.  Não é uma verdade boa de se ler depois de sofrer um prejuízo deste tamanho, mas é verdade do mesmo jeito.

= Celso Roth acerta ao recolocar Rafael Sóbis no time titular. Entretanto, se exigir dele uma função de meia que chega estará diminuindo o tamanho doa certo. Sóbis é atacante dos bons, homem de conclusão de média distância, tabela com o centroavante e é capaz de marcar zagueiro lá na frente. Tentar fazer com que reproduza Taison será um equívoco. Bom mesmo para os colorados é o treinador se convencer de que não dá para insistir no 4.5.1 vitorioso da Libertadores pelo singelo motivo de que falta A peça capaz de transformá-lo em 4.4.2 quando da retomada da bola.

Saberemos amanhã contra o Santos.

Erro de arbitragem. E de Renato.

28 de outubro de 2010 34

Sim, Heber Lopes deixou de dar um pênalti claro a favor do Grêmio quando estava um a zero para o Fluminense. Jonas foi derrubado pelo zagueiro Leandro Eusébio a cinco metros do árbitro que mandou seguir o jogo equivocadamente. Errou a interpretação, erro grave. O Grêmio dominava, o Fluminense estava acuado e só se livrava da bola. Num jogo deste grau de dificuldade, deixar de dar um pênalti tão claro representa um prejuízo irreversível. Portanto, há interferência da arbitragem no resultado da partida.

Mas Heber Lopes não foi o único a errar na noite suburbana do Engenhão. Renato Portaluppi pensou e formatou errado seu time para enfrentar o Fluminense. Apostou num Souza que voltava de lesão para um meiocampo que mudou de funcionamento por causa do escolhido do técnico. Souza até não jogou mal individualmente, mas seu ingresso fez com que Vilson e Lúcio tivessem novas funções em outros lugares do campo. Até Douglas teve deslocado seu posicionamento. Foram três alterações de função num setor essencial, mudanças demais. A opção por Ferdinando, embora tenha menos qualidade do que Souza como jogador, teria mantido Vílson e Lúcio nas tarefas a que se dedicavam com sucesso até a rodada anterior.  Renato tem conseguido grandes resultados por causa de sua ousadia. Contra o Fluminense, porém, a audácia não foi benéfica para o time.

Não bastassem os erros de Heber Lopes e de Renato, houve atuações individuais pouco inspiradas no time gaúcho. Jonas, por exemplo, atuou muito abaixo do padrão que estabeleceu no Brasileirão. André Lima perdeu chance imperdível quando estava um a zero Flu, era a bola do jogo.  A soma de tudo isso acarretou a derrota gremista. Não se pode desconsiderar também, é verdade, que do outro lado havia um jogador acima da média que fez os dois gols da partida e atuou desmarcado 90 minutos. O argentino Conca fez toda diferença.

Atrasou-se o Grêmio na intenção de G-3. Agora, precisará vencer o Goiás fora de casa para manter-se próximo aos quatro primeiros. O título já era um devaneio, passa a ser uma impossibilidade. Importante é Renato Portaluppi não se perder. Souza levou terceiro amarelo, Rochembach volta, o time se reencontra em sua melhor formação. A ousadia do treinador gremista não deve torná-lo inventor de si mesmo.

A intolerância de Luiz Felipe

28 de outubro de 2010 28

Já são duas entrevistas coletivas consecutivas com um rosário de grosserias protagonizadas pelo treinador gaúcho Luiz Felipe Scolari. Bastou que a pergunta não fosse do seu agrado, veio uma resposta agressiva e em tom claramente intimidatório para ver se o repórter recuava. E não foram questões pessoais ou formuladas com segundas intenções. Eram perguntas simples sobre a lesão de Valdívia. O chileno entra, joga menos de 20 minutos e sai com dor no músculo da coxa. Se isso não é lesão, não sei o nome que tem. Perguntado sobre o tema, Luiz Felipe enfureceu, disparou palavrões - a mim, particularmente, palavrões não incomodam, mas há quem se ofenda -, arregalou os olhos como quem vai se avançar no perguntador e seguiu assim até o fim da entrevista.

Não é de se estranhar; a personalidade de Luiz Felipe sempre foi de tentar superar a adversidade na base da imposição. Funciona com seus times, o Grêmi vitorioso de 95 e 96, o Brasil de 2002, o Palmeiras no fim dos anos 90. Na vida fora dos gramados, porém, não é deste jeito. Ninguém é mais homem do que ninguém, mas o treinador do Palmeiras parece entender diferente. Parece intolerante desde seu retorno ao futebol brasileiro. Antes, já havia tido trabalhos menores no Uzbequistão e no Chelsea inglês.  Seus resultados de campo não são ruins, o Palmeiras está em vias de ir adiante na Sul-Americana e afastou o risco do rebaixamento no Brasileirão.

Enfim, tomara que Luiz Felipe se dê conta do próprio cansaço e tome uma atitude. Melhor que reencontre em si mesmo o prazer de estar no mundo da bola com o melhor e o pior que ele apresenta. Caso contrário, é simples : está rico, fruto de seu vitorioso trabalho como técnico. Não precisa mais trabalhar para sobreviver. Se não aguenta o desconforto das perguntas, das cobranças, dos questinamentos e de todo resto, é só largar. O futebol sentiria bastante sua falta, é fato. Mas ainda seria melhor do que ver, a cada coletiva, o repertório de grosserias com que Luiz Felipe está brindando o Brasil.

O cruzamento

27 de outubro de 2010 7

Ao Inter coube a perspectiva de enfrentar nas semifinais do Mundial um adversário mais evoluído no planeta bola. Se o confronto for contra o Pachuca, o time gaúcho terá que se desdobrar para superar uma equipe que disputa competições nacionais como um dos grandes do México. Se, ao contrário, a semifinal for contra um tunisiano ou africano, o favoritimos brasileiro cresce significativamente.

Hoje, porém, o problema não está no adversário que o Inter venha a enfrentar no dia 14 de dezembro. Há dificuldades que os colorados precisam zerar na formatação do time e em sua escalação. Celso Roth faria bem em testar um meiocampo com Guiñazu, Giuliano e TInga assim que o último estiver liberado para trabalhar com bola. D'Alessandro é indiscutível e estaria à frente desta linha de três homens que teriam a missão prioritária de dar combate no meio. Qualquer outra alternativa mais conservadora será a capitulação diante do infortúnio de não contar com um primeiro volante confiável. Fixar Wilson Matias ou Glaydson é simples, mas não me parece a melhor solução.

A lista

26 de outubro de 2010 0

Celso Roth fez uma lista ponderada para afiná-la depois em novembro. São 30 nomes, quase o elenco todo. Ficaram fora jogadores que estão machucados, caso do lateral-esquerdo Leonardo. Para diexar o grupo em 23 jogadores, o treinador colorado já deve ter em mente os sete cortados. Alguns dos problemas que o time vem apresentando tem a ver com ele, outros, não. A reposição insuficiente da saída de Sandro na primeira posição do meio é responsabilidade da diretoria, assim como a má venda de Taison. É preciso dividir o bom e o ruim, se não Celso Roth fica sempre com o ônus e a direção com o bônus.

A insistência com Edu, o gelo injustificado a Marquinhos, a escalação recorrente de Glaydson com Wilson Matias são itens da conta do treinador. Basta olhar o Inter sub-23 e até mesmo o Inter B da Copa Ênio Costamilan para constatar que era possível testar outras alternativas que não aquelas já desgastadas pela própria ineficiência. Agora, não há mais tempo. Como me parece óbvio que Rafael Sóbis será segundo atacante ao lado de Alecsandro, o problema a ser resolvido está na posição de primeiro volante. Vale até mesmo tentar Guiñazu com Tinga e Giuliano, embora esta opção rebaixe bastante a altura do meiocampo colorado diante dos europeus da Inter. Também é verdade que o time gaúcho, assim como o italiano, precisa passar da semifinal para se preocupar com a decisão. Seja contra quem for, é muito preocupante projetar a equipe do Inter no Mundial com Wilson Matias ou Glaydson abrindo o setor de meio.

= Renato Portaluppi recebeu proposta do novo presidente para ser o técnico até a inauguração da nova Arena. É uma ideia tentadora que revela o quanto Paulo Odone confia no trabalho do atual técnico gremista. Haverá, em algum momento, a discussão mais dura dos números. O técnico que assumiu o Grêmio no Z-4 com perspectiva de escapar em décimo-sexto lugar está agora a acalentar o sonho da Libertadores. Conseguindo ou não, terá feito extraordinário trabalho. A tradução para labuta de primeira é em sonante. Gremista, sim, mas profissional antes. Não será uma renovação fácil.

Kleiniche e D'Alessandro

25 de outubro de 2010 3

É uma maldade insinuar que um árbitro com a experiência de Alexandre Kleiniche fosse ser flagrado comemorando um pênalti enquanto trabalha no grenal. Há coisas que passam de todo limite do razoável, honestamente. Ele tem uma reação imediata quando vê o pênalti sendo cometido, mexe os braços e bate uma das mãos na outra para mostrar que houve o toque. O gesto pode até parecer vibração, mas é preciso levar em conta o peso que tem uma acusação dessas. Um auxiliar envolvido diretamente no jogo vibrando como um torcedor por causa da marcação de um pênalti ?

Oremos...

= Alguns blogueiros que teceram comentários sobre minha coluna de grenal me cobram um elogio a Andrés D'Alessandro, grande personagem colorado do clássico. Pensei que o tivesse elogiado o suficiente no programa pós-jogo da TVCOM domingo, mas não. Então, a pedido e com toda justiça, aí vai : sim, D'Alessandro jogou uma enormidade no grenal. Mais; merece ser titular da seleção argentina neste recomeço de trabalho após o período maradonista. No Inter, salvou-se naquele primeiro tempo pequeno proposto por Celso Roth. Na segunda etapa, seguiu jogando bem e fez o gol de empate. Será pelos pés e pela cabeça privilegiada do argentino que o Inter terá mais e melhores chances de chegar ao título mundial em Abu Dhabi.

= Embora a crítica seja bastante contundente sobre a decisão colorada de poupar titulares importantes, eu não a condeno. Vendo D'Alessandro jogar, por exemplo, entendo a preocupação dos dirigentes e do treinador em não perdê-lo em busca de um título que é menor do que o Mundial do fim do ano. Tinga é outro jogador que será tratado a mimos de príncipe. Os dois, já me disse o meu amigo médico do esporte João Zanini, tem estrutura física que não suporta o ritmo alucinante dos jogos em série e em alta intensidade. Precisam dosar, devem ser preservados.  A única coisa que achei incoerente foi o discurso desafinado da prática. Dirigentes e treinador insistiam que o Inter estava a pleno no Brasileirão. O torcedor olhava no campo e não estavam lá os principais jogadores. Como assim, então ?

Vida que segue.

Grenal aos pedaços

25 de outubro de 2010 20

Não é uma crítica ao clássico, pelo contrário. O emocionante do grenal foi a alternância dos times na proximidade da vitória. O Grêmio esteve mais perto da vitória por mais tempo, é verdade, em grande parte porque o treinador colorado decidiu revogar seus acertos recentes e voltar à prática de apequenar seu time. Celso Roth escalou um Inter medroso no primeiro tempo e levou um a zero, poderia ter tomado mais. Na segunda etapa, já com dois atacantes em campo, a equipe colorada escapou de levar gol nos primeiros 15 minutos e começou a frequentar o campo gremista. Empatou de pênalti com direito à expulsão de Fábio Rochembach. De imediato, o Grêmio que não desiste nunca marcou dois a um com um inspirado Fábio Santos. Aí, o Inter assumiu o controle da partida e teve em D"Alesaandro seu diferencial. Marcou um golaço, chutou bola em movimento como se estivesse cobrando uma falta com absoluta precisão. O resultado acabou sendo justo porque o Grêmio não definiu o jogo a seu favor quando esteve com ele nas mãos - ou nos pés.

= O Inter não tem primeiro volante para o mundial em Abu Dhabi. Não é Glaydson, nem Wilson Matias. Na verdade, não sei quem será, só quem não pode ser. Se Taison foi uma perda que o Inter provocu em si mesmo, a venda de Sandro foi diferente. Já estava consumada há mais tempo, o clube poderia ter providenciado reposição de melhor qualidade. Agora, não sei como fará para evitar que seu meiocampo comece com um jogador menor do que seus outros três parceiros de setor.

= Não acredito que Celso Roth insista no inofensivo 4.5.1 que ainda usou no primeiro tempo do clássico. À medida que Rafael Sóbis for retomando sua normalidade, o time deverá jogar com dois atacantes e quatro no meio. Do contrário, serão pequeníssimas as chances de título em Abu Dhabi.

= O torcedor do Grêmio não pode perder a perspectiva. Mesmo que a vaga da Libertadores não venha, o trabalho de Renato Portaluppi no Brasileirão já está validado e merece ser retomado em 2011 swob nova direção. Aliás, há uma reunião prevista para esta segunda-feira na intenção de deixar acertada uma base contratual para o ano que vem. Não será fácil, o treinador tem mercado revigorado a partir do seu trabalho no Olímpico e poderá reassumir algum clube na terra encantada que o adotou, o Rio de Janeiro.

= Douglas deixou de fazer dois gols de frente para o goleiro, mas foi um dos destaques do clássico. É o típico meia que faz o time inteiro jogar. No primeiro tempo, o Inter com três volantes não foi capaz de encostar nenhum para evitar a propagação do talento do meia. Jogador raríssimo que o Grêmio não pode perder.

= Inacreditável, a derrota do Santos em casa para o Prudente. Vencia por dois a zero na Vila Belmiro e cedeu a virada. Neymar, que bate pênalti muito mal, perdeu mais um quando já estava 3 a 2 para os prudentinos. É o próximo adversário do Inter.

= O Fluminense comemorou o ponto ganho na Arena. Perdia até além dos 40 por dois a um e encontrou o empate em dois a dois. Vive dias instáveis, muitos lesionados com problema muscular. É o próximo adversário do Grêmio.

A hora é essa

22 de outubro de 2010 5

Um dos mais renomados puxadores de samba do carnaval carioca tem um bordão de aquecimento antes do desfile. Vander Pires, campeão com a Mocidade em 96, sempre diz o seguinte antes de começar : A hora é essa !!!

Pois bem; serve para o Grêmio, serve para o Inter. O grenal do domingo atiça em gremistas e colorados a curiosidade pelo futuro imediato de cada um.  Se o dono da casa vence, avança fortemente no rumo do G-3 que ainda pode virar G-4.  Se o visitante sai vitorioso, mantém a brasa de esperança de título do tetra. O empate atrasa os dois times. Esta realidade pode forçar Celso Roth e Renato Portaluppi a formatarem equipes ofensivas. Justiça se faça, Renato já vem fazendo isso desde sua chegada. Roth fez quando tinha Taison, o Inter jogava no campo do adversário dentro ou fora de casa. Depois...bem, depois não fez mais.

A hora é essa para três jogadores colorados que entram em campo pressionados pelo mau desempenho. O goleiro Renan não pode mais falhar. Índio precisa retomar o nível do grande zagueiro multicampeão do qual está longe neste momento. Por fim, Wilson  Matias, o volante classificado de espetacular por Fernando Carvalho que jamais chegou perto de merecer esta denominação em sua fase colorada. O objetivo maior, Abu Dhabi, está logo ali, Celso Roth tem definições importantes a fazer e o Brasileirão tem este viés.

No Grêmio, a vitória significará uma alavanca essencial para a missão que já teve jeito de impossível, a chegada ao G-3. Se Renato for capaz de conter a própria euforia e a do time dele, as chances crescem. O momento gremista é muito melhor do que o colorado, o que em grenal só tem valor antes de a bola rolar. Fazer valer com bola em voimento, aí sim é a diferença.