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Posts de dezembro 2010

Férias

23 de dezembro de 2010 6

Foram 44 horas até o avião tocar seus peneus na pista do Salgado Filho. Desde Abu Dhabi, a sensação que eu tinha era de missão cumprida e a certeza da justiça das minhas férias. Foi um ano profissional espetacular, só não mais porque Seleção Brasileira e Inter não fizeram suas respectivas partes.

Abu Dhabi e Dubai ficarão na memória como lugares onde tudo o que o dinheiro pode comprar está disponível.Atitudes estranhas aos ocidentais, um certo desconforto em ver mulheres subjugadas a  hábitos que as fazem esconder o rosto e andar atrás dos homens são algumas das coisas que estarão na minha mente em contraponto à impressionante capacidade daquele povo de fazer coisas espetaculares em meio ao nada. É a vitória da mão do homem.

Estou de férias, este é o blog de despedida da temporada. A quem me acompanhou durante o ano e colocou nos comentários elogios e críticas, um agradecimento sincero. Em época natalina, todo mundo fica generoso, né ? Então, vou exercer minha generosidade de ocasião e estender minha gratidão também aos blogueiros que foram desaforados, grosseiros e ressentidos ao comentar meus textos.  Faz parte do jogo, quem é pago para opinar vai tocar a mente e a alma de torcedores apaixonados e estará sujeito a chuvas e trovoadas. Diria meu  amigo Mílton Leite : seeeeeeegue o jogo !

A todos um feliz Natal e um Ano-Novo que coloque a palavra felicidade não na boca, mas no coração de cada um. Até janeiro !

 

Fim de um ciclo

18 de dezembro de 2010 9

A decisão do terceiro lugar no Mundial não é um recomeço colorado. Pelo contrário, significa o fim de um ciclo vitorioso que teve, inadvertidamente, um revés grave no epílogo. Depois da conquista cheia de méritos da Libertadores, o Inter dedicou seu tempo a olhar o torneio em Abu Dhabi com olhos encantados. É o que mais aguça a mágoa do torcedor. Havia um encantamento, que se quebrou. Restou a pergunta que não cala no fundo da alma de quem veste vermelho: e agora?

É preciso assinar a temporada. Não será com o título, mas o terceiro lugar já bastaria para resgatar a dignidade. Uma vitória sobre os sul-coreanos não evitará, porém, a profunda reavaliação de todos os envolvidos no fracasso do primeiro jogo. Há uma nova administração para o ano que vem e quem vai assumir não pretende carregar nenhum passivo além do inevitável. Eis o motivo pelo qual não considero o jogo de hoje um recomeço. Na verdade, este reinício virá depois. Alguns personagens assumem a berlinda na revisão de conceitos. Celso Roth, o comandante, Alecsandro, o centroavante, Renan, o goleiro, Wilson Matias, o volante, estão na primeira leva. Mas há outros; Tinga, D’Alessandro, Kleber e Nei formam o grupo dos que jogaram muito menos do que se esperava deles.

A RBS TV transmite ao vivo o desfecho de uma temporada que teve euforia e dor. Esta última está falando mais alto entre os colorados que me olham ainda atônitos pelos endereços de Abu dhabi.

Abu Dhabi em drágeas

17 de dezembro de 2010 5

A redução na dimensão da cobertura da participação do Inter no Mundial me autorizou ver a cidade de Abu Dhabi pelo olhar de um city-tour. Por 200 dirham, anda-se por tudo que é bonito neste lugar durante 2h15min. A mão do homem fez a cidade em meio ao deserto. Aliás, Abu Dhabi é chamada Jardim do Deserto.

* A mesquita de 85 milhões de dólares é a construção mais impressionante. Ficou pronta em 2007, é toda em mármore e exala opulência. Abriga até 40 mil fiéis rezando ao mesmo tempo.

* A pouca distância está o hotel 7 estrelas de Abu Dhabi. O Emirates tem área interminável de lazer e uma construção que lembra os primórdios da cidade que existe 300 anos antes de Cirsto.

* As avenidas são largas, 4 pistas, nenhuma protuberância, nenhum buraco. A quantidade de modelos de camionetas é um deslumbre para quem gosta deste tipo de carro. Não há congestionamento, a não ser nas vias em obras.

* A cidade parece estar toda permanentemente em construção. Sobra guindaste para todo lado, a construção civil em Abu Dhabi certamente é a maior geração de empregos neste lugar.

* A bandeira de Abu Dhabi refere as bases do que se considera por aqui a combinação ideal para se viver. O vermelho representa segurança, o verde, prosperidade, o branco, paz e o preto, o petróleo, o grande fiador de tudo que se vê de luxuoso nesta parte do planeta.

* Parques espalhados por todas as zonas reúnem na sexta-feira as famílias árabes. Não se vê um único gesto de afeto representado pelo toque de uma pessoa na outra. Apenas se reúnem e comem juntos.

* O maior shopping de Abu Dhabi é o Marina Mall, atração turística da cidade. Levas e levas de ocidentais carregados até o nariz de sacolas presas uma em cada dedo. Compra-se de tudo aqui, de tênis barato a perfume francês, de roupa de griffe a calça sem marca. Um pandemônio comercial sem similar.

O Mundial vai voltar para o Japão. Não devo ter outra oportunidade de retornar a este lugar. Está registrado na retina, está compreendido na alma que é preciso respeitar e tolerar as diferenças.

Para a frente

16 de dezembro de 2010 4

Para a nova direção do Inter, pensar 2011 já é inadiável. Qual será o ponto de equilíbrio entre o revisar conceitos prometido por Roberto Siegmann e a lavoura perdida que colocaria abaixo inclusive os acertos da política de futebol, eis a pergunta da hora.

Se o novo vice do departamento quer mesmo um time com mais liderança dentro do campo e capacidade de indignação diante do mau resultado, terá que enfrentar a tarefa de desencaixar um grupo de jogadores muito fechado e que resistiria a mudanças significativas. Vale o mesmo para mudar ou não o treinador; Celso Roth voltou ao centro da rejeição dos colorados ao errar formatação e substituições contra o Mazembe. Não creio haver qualquer possibilidade de reconciliação entre torcedor e técnico. Mas se a convicção dos novos dirigentes estiver inabalada, é preciso bancar Roth e confiar que a resposta virá.

Há também uma relação a recuperar entre time e  torcida. A indiferença dos jogadores diante da presença de tantos colorados pode não estar nos microfones, mas foi vista em ação quando a equipe sequer se aproximou da arquibancada pintada de vermelho. Só bons resultados reconstroem este laço afetivo entre os jogadores – não estou falando nunca do clube -  e a torcida.


A mágoa de quem veio

16 de dezembro de 2010 14

Fui fazer hoje um programa que gostaria de não ter tido tempo de realizar. Conheci o parque temático de Abu Dhabi da Ferrari.  Um lugar fantástico movido a tecnologia e criado para esmiuçar o processo ferrarista de ser sucesso. Uma das viagens dentro daquele imenso espaço é vestir uma capa de chuva, entrar num carrinho tipo trem-fantasma e percorrer o que seria o interior das engrenagens de uma Ferrari. Os colorados tomavam conta das bilheterias e vestiam vermelho, sim. Mantinham o orgulho do time pelo qual torcem, mas estavam ainda magoadíssimos. Pelo resultado de campo contra o Mazembe, pela falta de reação do time e, por último ou por primeiro, pelo que consideraram desconsideração – sem trocadilho -  dos jogadores que, segundo eles, sequer olharam para a arquibancada tomada de vermelho. 

De fato, faltou aos jogadores a orientação ou a iniciativa de se dirigeram até o outro lado e abanar para tantos gaúchos que se deslocaram pelo mundo para que estivessem junto deles em Abu Dhabi.  Não deu liga,  eis a verdade. Os profissionais colorados não fizeram a leitura da dimensão da cena de quase 10 mil colorados em terra estrangeira para apoiar o time. Um triste desencontro afetivo que virou uma das marcas do maior fiasco da história do clube.

A questão Roth

16 de dezembro de 2010 5

Roberto Siegmann quer ser um vice de futebol com força de decisão. Conversei com ele e ouvi dele a intenção de dar chance aos destaques do time campeão sub-23. Entende que há espaço para que alguns deles se firmem. Reticente quanto à contratação de jogadores vindos do Exterior, o dirigente não se mostra entusiasmado. No seu projeto de time não há lugar para jogadores passivos, incapazes de reagir diante da dificuldade.

Embora se declare admirador do trabalho de Celso Roth, em momento algum me revelou a disposição de mantê-lo. Também é verdade que não me disseque vá dispensá-lo. Eu fiquei com a inmpressão de que não existe em Siegmann a convicção de que valha a pena seguir com o treinador ao abrir uma nova administração no clube. Porém, Giovani Luigi deu declarações depois da derrota na semifinal sinalizando a negociação da permanência do comandante de vestiário.

Vazio e imponente

15 de dezembro de 2010 8

O Zayed é opulento e grandioso como Abu Dhabi e todos os demais emirados também se apresentam. Não há duas mil pessoas neste momento no estádio onde o Inter disputaria a final do Mundial e agora decidirá o terceiro lugar contra o erdedor de Internaziole x Seongnam. Por fora, uma construção sóbria e imensa, grandes espaços a percorrer até seu ingresso. Por dentro, o gramado é inferior ao que o Inter castigou ontem contra o Mazembe. As arquibancadas, porém, tem uma disposição excelente e lembram o formato do Maracanã.

A manhã seguinte dos colorados foi sofrida, dolorida, lacrimejante. Já não havia o choro convulsivo, apenas a tristeza típica dos lutos. Alguns torcedores que conversaram comigo vieram da Austrália, não haviam ainda dormido depois do jogo. Aliás, disseram ter voltado a pé do local em que o Inter protagonizou o maior vexame de sua história.

Não deixe de ler a coluna de Zero Hora amanhã. Conversei longamente com o futuro vice de futebol do Inter. Roberto Siegmann vai mexer, pretende revisar conceitos que pareciam estabelecidos para 2011. Desta conversa, autorizo-me projetar um pouco do que está por vir no novo comando do futebol colorado.

O maior vexame da história do Inter

15 de dezembro de 2010 35

Nada que se disser poderá consolar o torcedor colorado diante do tamanho de sua dor. O Internacional se preparou o semestre inteiro para jogar o Mundial, enfrentava um africano do Congo na semifinal e teria na suposta final uma Inter em crise. Não havia melhor script para um final feliz.

Porém, o Inter registra nesta quarta-feira o dia seguinte do maior vexame de sua vitoriosa história. Não há o que possa desculpar o time colorado na imensidão do seu nervosismo, na pasmaceira de sua atitude, no nada que foi sua imposição técnica diante de um adversário modestíssimo. Celso Roth, tão cheio de méritos na conquista da Libertadores, não conseguiu dar serenidade à sua equipe. Jogadores consagrados e experientes revelaram-se precários quando se viram diante da responsabilidade de exercer favoritismo que deles se esperava. Foi constrangedor.

O resultado de Abu Dhabi provoca uma reversão de expectativa no final de 2010 como jamais se suspeitaria. O campeão da Libertadores será lembrado mais pelo seu vexame do que pela glória. Ao mesmo tempo, o Grêmio quase rebaixado do meio do ano termina em êxtase. Os gremistas nunca sequer pediriam de Natal um fim de ano tão extraordinário.

E Kidiaba estará em campo sábado decidindo junto a seus companheiros valentes o título mundial de clubes. Com direito a todas as coreografias que conseguir inventar até lá. A África que sediou uma Copa estará representada legitimamente no concerto geral do futebol do planeta.

Minúcias vermelhas

13 de dezembro de 2010 11

Quem joga em casa costuma tomar a iniciativa do jogo, certo? É exatamente o que o Inter pretende fazer amanhã. Os treinos foram sempre minuciosos (alguns meio secretos como o da foto acima), enérgicos no sentido da marcação avançada, do encurtamento do espaço e na máxima velocidade possível a partir da retomada da bola.Se não há um jogador com esta especial vocação, é preciso compensar com trocas de passes curtos e aproximação entre os setores. A estratégia colorada não poderia mesmo ser outra que não a de forçar o erro do adversário mais fraco e definir logo uma vantagem que não seja desmanchada logo depois.

Este é um jogo para Alecsandro. A zaga africana é baixa, a defesa vaza e confessa o crime quando pressionada. O já famoso goleiro Kidiaba sai do gol em todas, o que não significa que saiba fazê-lo. Ora, se goleiro e defensores parecem tão vacilantes, o centroavante sempre tão discutido no Inter pode ter sua grande noite. Será abastecido
por Kléber pelo lado, por D’Alessandro por dentro e por Rafael Sobis na parceria ofensiva.

Falei com Élio Carravetta, o profissional encarregado de recondicionar todo jogador colorado que passe por dificuldades físicas. Comentei com ele o cansaço precoce do Mazembe. O atacante Kabangu não corria mais aos 15 minutos do segundo tempo. Prudente para evitar declarações que soassem provocativas ao adversário, Carravetta limitou-se a elogiar a força de marcação do Mazembe.

É este o tom da comissão técnica do Inter. Para não ser traído pelas palavras nesta hora tão importante, menos é mais.

Segunda-feira gaúcha

13 de dezembro de 2010 1

A segunda-feira foi marcante para a cobertura do grupo RBS em Abu Dhabi. Era estranho  e delicioso ver a gauchada lendo Zero Hora a 20 horas de distância. Amanhã será fantástico ver ouvir a narração da rádio Gaúcha dentro do estádio em que o Inter enfrentará o Mazembe.

Hoje não vai dar jeito de nadar ou mesmo correr pela pista do hotel. Vou entrar no Redação Sportv dez da manhã, hora brasileira, depois ao vivo com Paulo Brito no Globo Esporte e no RBSNotícias. No Jornal do Almoço, minha entrada será gravada com a entrevista que fiz com o presidente que está deixando o cargo no clube. Vitorio Piffero confessa a única superstição que tem na hora do jogo. É estranha, vale a pena acompanhar no JA de hoje.