Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros

Posts de agosto 2011

Um jogo mal apitado

31 de agosto de 2011 1

O Grêmio lutou o que pôde, esteve perto de garantir o empate ou até virar o jogo a seu favor algumas vezes na partida, mas também errou muito na defesa obrigando Víctor a se reabilitar a fórceps. Na frente, o time gaúcho desperdiçou demais e seu único atacante, André Lima, ainda foi muito menor do que aquilo que a equipe precisa.

O Corínthians não teve trabalho coletivo melhor do que o Grêmio, mostrou-se inseguro muitas vezes e teve algumas boas atuações individuais. Neste ritmo, não sustentará a liderança por muito tempo. Tite respirou, ninguém lhe tirará a ponta na rodada. Foi um grande jogo e uma atuação horrorosa da arbitragem. O pênalti que desigualou o jogo até então equilibrado no primeiro tempo foi um acinte. Não há como ver falta onde ela não acontece porque o contato é duplo, igual, despretensioso. Depois de sofrer o primeiro gol, o Grêmio esteve próximo de tomar outros dois, tal seu desequilíbrio. Recuperou-se no gol de falta de Douglas - jogou muito -, abriu o segundo tempo atuando melhor e então levou dois gols em quatro minutos. Mesmo descontando e vendo o adversário ficando com jogadores a menos, o desperdício ofensivo foi maior. Júlio César fez grande jogo no Corínthians, mas o empate viria se houve mais qualidade no ataque.

O Grêmio perdeu uma partida em que qualquer resultado era normal. Não entrará em Z-4, mas torna a ser obrigado a vencer em casa no confronto com o Atlético PR que está logo atrás. Roth precisará dar um jeito no seu setor ofensivo. Mesmo com o gol que marcou, André Lima vem sendo insuficiente. Brandão, uma incógnita. É o que tem, e é assim que precisará melhorar sobre si mesmo.

Neymar x Damião

31 de agosto de 2011 0

A seleção brasileira na próxima segunda-feira contra Gana pode ter ataque formado por Neymar e Leandro Damião. Por justiça, esta seria a dobradinha no setor com auxílio luxuoso de Ronaldinho Gaúcho vindo do meio. Todos eles atuam no futebol brasileiro e estarão em campo à noite pelo Brasileirão. Dois deles estarão se defrontando, talvez se cruzem muito raramente no campo. O avante do Santos e o nove do Inter são as opções mais fortes de gol para seus times.

Neymar e Damião são atacantes complementares. Basta imaginar a cena de Neymar fazendo suas criações e servindo Damião de frente para o gol, é só pensar em Damião de pivô prendendo atenção de dois zagueiros e assistindo Neymar de frente para o gol. Na verdade, atacante diferenciado como Neymar joga com outro de qualquer característica, tamanha sua qualidade. Já Damião precisa de alguém inventivo como o onze do Santos. Outro avante da característica de Damião ocuparia seu espaço e talvez diminuísse sua letalidade.

Quando cito Neymar e Leandro Damião, estou discordando da suposta entressafra professada por alguns colegas meus de todo país. Faça um exercício para escalar a seleção brasileira que poderá jogar as Olimpíadas do ano que vem em Londres. O goleiro poderia ser Rafael, do Santos. Danilo, hoje ainda no Santos, na lateral-direita. Que lhe parece uma dupla de zaga Mário Fernandes do Grêmio e Juan do Inter ? Na lateral-esquerda, Alex Sandro ex-Santos hoje no Porto.  Pense num meiocampo de Casemiro do São Paulo, Adriano do Santos, Lucas do São Paulo e Ganso do Santos.  Por fim, um ataque de Damião e Neymar. Claro, boa parte destes jogadores não pode ser considerada pronta para titularidade na seleção principal para já. Então, é preciso levar em conta o tempo que ainda resta para a Copa de 2014 e chegaremos à conclusão de que poderemos formar uma forte seleção para quando for mesmo decisivo. Acrescente-se a perspectiva do crescimento de emergentes como Elkesson do Botafogo - ainda em idade olímpica - e da recuperação de veteranos como Kaká e Ronaldinho e a projeção melhora ainda mais.

É como diz Xande de Pilares, vocalista do Revelação. Muita calma nessa hora...

Segundo turno

31 de agosto de 2011 0

Contra paulistas fortes, assim é o recomeço para Inter e Grêmio no Brasileirão. Ideal seria fórmula Fraga, zera tudo de um turno para o outro depois de apurar um campeão finalista. Vencedor do returno  seria outro campeão finalista e dois jogos decidiram o campeonato. Emocionante, muito melhor. Mas enfim...

O certame é de pontos corridos desde 2003, já tivemos grandes campeões como Cruzeiro, Santos e São Paulo. O time mineiro no primeiro ano passou por cima como se não houvesse adversários. O Santos no ano seguinte com o mesmo Luxemburgo seria campeão superando o competente Atlético PR na tabela nas últimas rodadas. O São Paulo de Muricy estabeleceria um tri indiscutível com sua regularidade. Antes, 2005, o injusto título corintiano num campeonato que a CBF e o STJD se encarregaram de bagunçar. Em 2009, o espetáculo ficou por conta da ressurreição esportiva de Petkovic que conduziu o Flamengo de Adriano ao título. O ano passado teve um Brasileirão onde havia muitos candidatos que não souberam aproveitar a igualdade entre os times. Quem o fez foi Muricy com seu FLuminense campeão.

Os únicos anos em que o simbólico campeão do primeiro turno não confirmou o título em dezembro foram aqueles em que Grêmio e Inter estiveram nesta situação. Em 2008,  o Grêmio de Celso Roth sobrou no primeiro turno e não suportou o assédio do São Paulo no returno. Acabou em segundo. No ano seguinte, o do centenário colorado, o INter virou o turno em primeiro e viu o sonho desabar quando a última rodada marcou Flamengo x Grêmio no Maracanã. Os cariocas não deixariam passar a chance, o Grêmio foi emocionalmente combalido para o jogo diante da vontade de tantos gremistas de que seu time perdesse para evitar o título do rival.

Boa-sorte ao Inter contra o Santos, boa-sorte ao Grêmio contra o Corínthians.

Pílulas

30 de agosto de 2011 0

* A publicidade no campo de jogo ganhou espaço demais e virou o fio.  No campeonato espanhol, há placa que cobre a visão de parte da goleira. a lateral da rede tem um retângulo vazado em preto com o nome de uma empresa que não deixa ver o gol ! Pode haver algo mais estúpido ? Como torcedor, a empresa que atrapalha a visão do gol do meu time é a única da qual nunca comprarei nenhum produto.

* Revi outro dia o filme O Jogador, de Robert Altman. Não querendo ser saudosista e melancólico, fiquei com a nítida impressão de que já se fez melhor cinema no mundo antes de tanto efeito especial, carros explodindo nos ares e outros quetais. Maravilhoso, o filme entremeia histórias várias, trabalham muitos atores fazendo papel deles mesmos, tudo com fina e divina ironia do diretor de um dos melhores filmes que vi na vida, Short Cuts - Cenas da Vida.

* MMA é esporte ? Se não é ilegal, tem regras, patrocinador e é transmitido pela tv, está dentro da mesma normalidade de qualquer outro esporte. Porém, inegável sua carga de violência. A ideia que me vem à mente é da raça humana vivendo seus ciclos repetitivos e nada evolutivos. Qual a diferença do MMA e sua extrema violência para as lutas no Coliseu em Roma ? Os leões ? Ou o imperador romano que apontava com o polegar se o derrotado seria poupado ou morto pelo vencedor ?

* O exercício da tolerância e do diálogo é cada vez mais indispensável na vida humana, mas cobra um preço que somatiza no corpo e vira doença. Se explodíssemos a cada contrariedade,  a vida não mais seria do que selvageria, um retorno continuado às cavernas - se é que delas teríamos saído um dia -, o caos a cada amanhecer. Porém, céus, como é caro o preço a pagar...

* Consigo já há algum tempo manter uma rotina de exercícios físicos que me garante saúde e algum cuidado estético.  Sempre que termino uma sessão, sinto o alívio do dever cumprido. Algumas vezes, tenho mesmo prazer na prática. Mas se penso que pelos meus próximos todos anos de vida terei que seguir indelevelmente nesta rotina, dá um susto...Recobro-me dele e sigo adiante, é preciso.

* Pílulas, nada mais do que pílulas com zero de sabedoria e alguma experiência em viver...

Coquetel de erros

30 de agosto de 2011 0

Enquanto avançava mais uma etapa da Arena do Humaitá na reunião do Conselho do Grêmio,  a reforma do Beira-Rio virava uma das mais decepcionantes manchetes já produzidas por Zero Hora. Não por falta de qualidade de quem fez a manchete, longe disso, mas pelo conteúdo. A ZH de hoje noticia que agora a direção do Inter sequer fala em data de assinatura do contrato e início das obras por parte da Andrade Gutierrez. É o impasse em estado bruto, o amadorismo na máxima potência. As obras estão paradas há mais de dois meses, encarece a cada dia, o cronograma fica mais e mais sujeito às intempéries, tudo anda para trás, fruto da imprevidência, da lerdeza e da incompetência na gestão de um processo tão importante na vida do clube.

Aod Cunha defendeu a parceria e lá se vão quase seis meses. Naquele momento, ela tinha uma forma boa o suficiente ao clube para que um executivo de primeira linha fizesse sua defesa. O presidente Giovani Luigi demorou-se, deixou o tempo passar, vacilou. Aod desistiu de modernizar e profissionalizar o Inter, agravou-se a cena. Do acordo original que se desenhava, o Inte regrediu para abrir uma concorrência inútil, voltar a Andrade Gutierrez e, então, sujeitar-se a condições já não tão favoráveis e ser pressionado pelo tempo. A situação hoje é alarmante, embora os dirigentes colorados não confessem. Aliás, sequer falam a respeito. Parece que esperam a ação da inação. A inércia agindo por si mesma.

Não percebem o quanto o Inter corre o risco de pagar enorme vale mundial no caso de não concluir as obras. Então, atribuíram responsabilidades a quem não as tem. À empreiteira, a São Pedro, aos orixás. A FIFA ainda confia no cumprimento dos prazos sempre mais exíguos. A obra encarece pela urgência, pela necessidade maior de funcionários trabalhando em todos os turnos, tudo caminha torto por obra e graça da falta de previdência e profissionalismo no trato do tema. Trabalhei no Beira-RIo ainda quarta-feira passada. À esquerda das cabines, parece ter havido uma batalha em que só restaram estruturas em esqueleto. Triste.

Não é cogitado ainda, mas será em breve:  se o Inter seguir neste passo de cágado a sua obra enquanto a Arena se materializa à beira da free-way, a FIFa logo voltará suas atenções ao que se mostrar mais pronto e enquadrado às suas exigências de Copa. Os colorados podem não dar importância hoje, ainda ressentidos com a derrota no grenal, mas uma derrota de proporções muito maiores começa a se desenhar no horizonte.

Barça, um gênero musical

29 de agosto de 2011 0

Pude acompanhar à tarde mais um espetáculo do Barcelona. Abrindo sua participação no campeonato espanhol, goleou o Villareal de Nilmar por cinco a zero. Poderia ter sido de sete ou oito, ficou em cinco. Mais do que vencer - Real Madri guardou seis fora de casa ontem -, o que impacta no time de Guardiola é a infinidade de recursos que a equipe apresenta a cada desfalque. Neste jogo a que me refiro, o treinador catalão se obrigou a usar três zagueiros por causa das ausências que tinha na defesa. O time nem por isso foi mais defensivo, tampouco deixou de ter a estúpida posse de bola de 70 por cento contra os visitantes.

Entre as novidades da temporada, Guardiola tem dois reforços contratados e outro vindo do próprio elenco. Cesc Fábregas entrou no time como se nunca tivesse saído do Barça para jogar na Inglaterra. Atua na intermediária, mais à frente, mais para o lado, onde for preciso. Alexis Sanchez é um ponta chileno da antiga, opção extraordinária para enfrentar defesas muito fechadas. Jogou, fez gol, outro que parece ter sido feito nas Canteras do Barça. O mais espetacular reforço do time campeão europeu tem sangue brasileiro. O filho do tetra Mazinho está cavando a golpes de talento impressionante seu espaço entre os onze titulares. Thiago Alcântara, destaque da conquista da Copa Audi e já convocado para a seleção espanhola principal, fez gol, deu passe para gol, não errou passe, esmirilhou.

O que mais me encanta neste gênero musical chamado Barça é o esmero com o acabamento do que realiza em noventa minutos. O ritmo varia do frenético ao brando, há nuances no desempenho do time que fazem com que os jogadores tenham fôlego durante todo jogo. A marcação começa onde o jogador catalão perde a bola. Ali mesmo inicia uma caçada que só se encerra quando o objeto de devoção, a bola, é retomado. Quer mais ? Contra o Villareal, o Barcelona não fez uma única ligação direta de  zagueiro para  atacante. Expediente tão utilizado no futebol brasileiro, é terminantemente proibido por Pepe Guardiola a saída de bola em que ela se sinta despejada como um inquilino mau pagador.

Fantástico. Bonito, Competitivo. Barcelônico.

Treinador, Profissão de Risco

29 de agosto de 2011 1

Seguimos todos os que adoramos futebol e sabemos conviver com as diferenças neste mundo da bola a rezar com força e fé pela saúde de Ricardo Gomes. O técnico do Vasco sofreu um acidente vascular encefálico, seu quadro estabilizou e a tendência é de melhorar progressiva. O que aconteceu com ele abre um olhar mais atento para uma das profissões mais desgastantes do mundo, a de treinador de futebol.

Os profissionais dos grandes clubes são muitíssimo bem pagos, tratados como professores, reconhecidos como autoridades no esporte do qual tiram seu sustento. Depois de entrar nesta carreira, é raro ver alguém desistir. Fascina a reverência no trato, os holofotes voltados ininterruptamente sobre a figura de quem fica à beira do campo decidindo como onze homens devem atuar para obter sucesso em noventa minutos. Fascinante, encantador, sedutor, inebriante o trabalho de um treinador de alta performance.

Como tudo na vida, porém, há um custo para tanto fascínio. Vicia, não resta dúvida, lidar com tanta intensidade nas emoções da derrota e da vitória, da depressão à euforia, das cifras estratosféricas ao desemprego. Uma roda-viva da qual não se sai, a não ser por motivos muito pessoais de estafa ou se o próprio mercado exclui o profissional.  Ser técnico de futebol é, sim profissão de risco. À saúde, inclusive. O derrame de Ricardo Gomes tem vinculação, disseram os médicos, com o alto nível de estresse a que é submetido em seu trabalho. Quem tem hipertensão sequer deveria lidar com tanta volatilidade emocional. Ricardo Gomes sempre foi um cara educado, polido, contido nas manifestações de dor ou alegria. Parece que embutia tudo no próprio organismo, somatizava cada angústia em si mesmo. Segundo seus jogadores, ele não estava ontem diferente de qualquer outro pré-jogo. Emocionava-se para dentro, evitava a discórdia, nunca o vi desaforado ou grosseiro.

Tenho certeza de que ninguém deixará de treinar times de futebol por causa do que houve com Ricardo Gomes. Talvez os treinadores de ponta providenciem um checl-up mais cedo do que estivesse marcado, um ou outro diminuirá a bebida ou o cigarro, alguns começarão um regime. Mas o episódio do Engenhão aponta um lado pouco tratado nas relações entre todas as partes deste louco mundo da bola. O estresse como resultado final de uma montanha-russa permanente de conflitos, gestões  e soluções na convivência entre líder e liderados.

Força e fé a Ricardo Gomes.

Grêmio superou tudo para vencer

28 de agosto de 2011 17

Celso Roth conseguiu formatar o melhor Grêmio possível para o grenal. Pensou Escudero como o enganche, função que o futebol argentino aprecia muito.  O gringo fez sua melhor partida desde que chegou a Porto Alegre. Cumpriu a função de múltiplo pela esquerda, única forma de um esquema 4.5.1 funcionar. André LIma não jogou bem e ainda assim o Grêmio foi superior ao Inter em todos os quesitos. Defendeu-se melhor, atacou mais e melhor, teve as melhores chances e superou inclusive erros de arbitragem para chegar à vitória que ele, Grêmio, precisava dramaticamente no clássico.

Dorival Júnior fez boa leitura do jogo depois do grenal. Falou no desgaste emocional e físico do time recém campeão da Recopa. Além da perda importante de D'Alessandro, o que reduz muito o poderio técnico do meiocampo, o time não teve capacidade de reação à natural desmobilização que pintou após a conquista. Os jogadores não conseguiram fazer o que Dorival pediu. No primeiro tempo, ficou ainda mais claro o quanto era diferente o grenal para o dono da casa e para o visitante. O Inter perdeu todas as divididas. Andrezinho jogou miúdo, Oscar estava no seu terceiro jogo importante em uma semana, Damião não recebeu bola, Delatorre sucumbiu à pressão do grande jogo. A zaga é problemática desde o Mazembe. Foi campeã quarta-feira, mas não invalida o fato de que não dá mais para Bolívar jogar com Índio, é um ou outro.

O returno começa quarta-feira e os campeonatos da dupla grenal seguem diferentes. O do Grêmio ainda é se afastar de Z-4. Foi importante para o time de Roth virar o turno fora do Inferno. Cheio de confiança, vai a São Paulo enfrentar um Corínthians em crise depois de perder o clássico para o Palmeiras.  O campeonato do Inter é tentar  G-Lib. Só as vitórias de Botafogo e Palmeiras foram ruins para os colorados, há todo um turno para entrar na zona nobre vencendo os confrontos diretos.

Grande grenal que acabou sendo maior do que a atuação ruim do árbitro Marcelo Henrique. O pênalti que não marcou em Mário Fernandes no segundo tempo foi sucedido por um segundo erro fruto da prepotência. Deu amarelo para o defensor e o tirou do jogo de quarta-feira.  É poder demais para um homem só, senhor de todos os fatos durante 90 minutos. Em outras palavras, DEUS...

Verde, vermelho e azul

27 de agosto de 2011 2

Levava a Preta para faculdade hoje pela manhã e via lixo por todos os lados nas ruas da cidade. Estava prestes a comentar com ela a ineficiência do serviço de limpeza combinada com a má educação de todos nós jogando sujeira pelas calçadas, Preta então dá longo suspiro e lamenta o estado de abandono que tamanha desfaçatez  causa ao lugar em que vivemos. A cada temporada de férias passada no Rio de Janeiro, conversávamos sobre o quanto a cidade seria mais linda e mais visitada se os moradores cuidassem dela. Não nos parecia tão grave o problema no lugar em que nós mesmos vivíamos.

Porto Alegre está suja, já faz algum tempo que chama atenção menos pelo pôr-do-sol do Guaíba e mais pelo lixo que sai voando a cada ventania. É certo que o serviço do DMLU está longe do ideal e não consegue ser ágil e eficiente na medida em que deveria. Mas é ainda pior constatar que não adiantaria ter lixeiros e caminhões em dobro, uma vez que nós, população, superamos com sobra em desleixo a capacidade de faxinar a cidade através do serviço público. O procedimento é simples, lixo na lixeira. Porém, há um quê de predatório em cada um de nós que deixa casca de banana pelo chão, atira papel pela janela do carro e não separa o lixo.

Se não mudarmos os hábitos, a Prefeitura pode abrir concurso com dez mil vagas de garis e nada vai melhorar. Está em nossas mentes a decisão de sermos um povo que mantém limpo o lugar em que vive  ou assumirmos nossa vocação de morar num grande e comunitário chiqueiro. Seres humanos ou porcos, escolha rápido...

* O sábado é prévia de um dia de grenal em que um time entra de franco favorito e outro sob a mais intensa desconfiança de seu torcedor. O presidente Paulo Odone chegou a falar em zebra, não concordo com a expressão, não há zebra em grenal. Alguns colorados se orgulham do favoritismo óbvio do seu time, outros preferiam a discrição e não tanta unanimidade. Alguns gremistas se constrangem diante da diferença do momento dos dois times com prejuízo ao seu, outros dizem que é nesta hora que o Grêmio dá o salto e tudo muda para melhor.

Bom mesmo é ver o jogo começar e tudo se decidir pela rainha dos fatos, a bola.

A moeda chamada Tempo

26 de agosto de 2011 1

A tuiteira Dani Bevilaqua fez uma justa cobrança sobre a capa do blog Vida Real, título qu escolhi para ser o "nome fantasia" deste espaço. Dizia ela não entender por que se chama Vida Real e ter foto do Zeca Pagodinho, Lula e George Clooney, uma vez que minhas colunas têm tratado só de futebol. Respondi a ela que tinha razão, estava-me faltando tempo para cumprir o prometido e abordar outros temas que não o do meu trabalho. Mais; prometi a ela que esta coluna não seria sobre esporte.

Tempo. Se fosse convertido em moeda, valeria mais do que dólar, iene, euro e real somados.  Se fôssemos pagos pelo que fazemos na moeda Tempo, poderíamos regatear anos de vida de acordo com as nossas ações. Cidadão do bem, correto, honesto, leal, romântico e engajado teria um ano a mais de vida saudável se agisse sempre com todo seu arsenal de qualidades. Se, ao contrário,  tivesse más atitudes e restasse má pessoa, seus anos de vida saudável seriam abreviados.  Como não há chance de que este exercício de fantasia se torne verdade, o melhor que podemos fazer é valorizar o tempo que temos e evitar o tempo perdido.

Costumo-me definir como um homem de muitos pequenos defeitos e algumas poucas e grandes qualidades. Uma delas é ter noção de valor do que acontece de bom e ruim em minha vida. Assim, fica mais fácil valorizar o tempo que tenho e fazer dele um aliado, embora saiba que trata-se de um inimigo para o qual perderei a batalha final. Se estou feliz, sei que estou. Se não é este o caso, corro a procurar a felicidade sabendo-a fugaz, instantânea e temperamental. Basta que você não a reconheça e ela se afasta, magoada. Por isso, não esqueço nunca de estar atento ao tempo.

Dani, aqui está a coluna que prometi para tratar de vida real. Na verdade, não existe nada mais real e irreversível do que ele.

O Tempo.