O Brasil não vai enfrentar nesta Copa outra seleção tão desleal. Costa do Marfim bateu como se o esporte fosse outro sob os olhos complacentes do árbitro que, não bastasse ser fraco na disciplina, validou um gol duplamente ilegal de Luís Fabiano. Ele levou com o braço duas vezes para fazer o segundo do Brasil. A expulsão de Kaká foi uma injustiça, Keita fez teatro amador e cavou o cartão vermelho do camisa 10 brasileiro. Dunga irritou-se porque viu Elano quase ter a perna quebrada.
Afora estas ocorrências anormais do jogo, é preciso dar a Dunga o que é de Dunga. Os méritos da vitória começam na formatação do time e na repetição do seu jeito de jogar. Temos que nos acostumar aos novos tempos; o Brasil que brilha está na história. Este de 2010 vence com método, organização, postura e profunda entrega nas tarefas menos nobres. A Seleção que veste amarelo tem hoje a melhor defesa do mundo. Do goleiro ao antigo quarto-zagueiro, não há nada como Julio César, Maicon, Lúcio e Juan. À frente deles, pode-se não gostar de Gilberto Silva e Felipe Melo, mas a dupla de volantes cumpre sua função com lealdade canina, como de resto todo time se comporta em relação às ordens do seu treinador.
Espetáculo? Só se for o da eficiência. Enquanto Alemanha, Espanha, Inglaterra e Itália nem sabem se estarão na outra fase e a França já sabe que não deverá estar, o Brasil se classifica na segunda rodada. Novos tempos, aprendamos todos a desfrutar das novas qualidades e dar valor, elas podem levar o Brasil ao sexto título mundial.

