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Posts do dia 20 fevereiro 2011

As bruxas parecem estar soltas no barracão improvisado da Grande Rio, e o trabalho recomeça com uma força incomum

20 de fevereiro de 2011 0

RAFAEL MARTINI *
rafael.martini@diario.com.br

Você pode até duvidar. Dizer que não passa de lenda. Chame do que quiser. Por mais cético que seja, é impossível ficar alheio à energia do barracão improvisado em que centenas de pessoas trabalham na reconstrução do Carnaval da Acadêmicos do Grande Rio, totalmente destruído por um incêndio no último dia 7.

As bruxas de Franklin Cascaes parecem ter resolvido mexer no caldeirão para botar as vassouras na avenida. Assim como a Fênix, um desfile está renascendo das cinzas. Não para competir, porque não dá mais tempo. Não com a mesma qualidade e beleza que a comunidade de Duque de Caxias, município da região metropolitana do Rio de Janeiro, tinha construído.

Mas eles vão botar o bloco na rua. Ninguém tem um segundo a perder. Faltam pouco mais de 20 dias para a maior festa do planeta, como os cariocas, orgulhosamente, se referem ao Carnaval.

Dona Catarina Vale dos Santos, 60 anos, coordenadora das costureiras, de vez em quando ainda chora quietinha. Sem sair da frente máquina, enxuga as lágrimas e toca em frente. Por mais de 16 horas por dia. Em casa, quando chega já de madrugada, ainda consola o filho e a filha, que já foram segundo porta-bandeira e mestre-sala da Grande Rio. Deixar de pisar na avenida, nem pensar.

— Nosso samba fala de uma coisa muito bonita, a Ilha da Magia. É uma pena tudo o que aconteceu. Mas parece que ganhamos uma força que ninguém sabe explicar, mas que nos uniu como nunca — diz Dona Catarina.

Ainda está duvidando da força das bruxas? Então, mais um exemplo: somente duas peças foram resgatadas depois do incêndio: o carro com a Ponte Hercílio Luz, retirado quase em meio às chamas, e o cofre com o que restou do dinheiro em caixa. Mais de R$ 100 mil estavam lá, intactos, dentro da maçaroca de aço. Salvaram-se, na prática, o maior símbolo de Florianópolis e uns trocados para começar de novo.

— Não pode ser só coincidência — comenta o presidente da Grande Rio, Hélio de Oliveira.

O prejuízo foi em torno de R$ 20 milhões, R$ 8 milhões que já tinham sido gastos o ano inteiro, R$ 5 milhões para a reconstrução e mais R$ 7 milhões do patrimônio (maquinário, prédio) com perda total.

Nem só de forças ocultas é feito o exército que reforçou o trabalho no barracão. O artista plástico Dominoni Júnior, manezinho de Canasvieiras, abriu mão do seu trabalho para ser voluntário na confecção das fantasias e adereços.

— Vou sair na Unidos da Tijuca e Portela, mas quando soube que o samba da Grande Rio era sobre a Ilha, não tive dúvida, quero estar na avenida com ela também.

Aliás, apareceu gente de tudo quanto é canto para dar uma mãozinha para a escola. Até o ex-jogador Cabral, artilheiro do Catarinense pelo Figueirense em 1979, que voltou a morar no Rio recentemente, se ofereceu para ajudar. O único pedido para dedicar-se integralmente à reconstrução é poder vestir a camisa do Alvinegro no desfile, que prevê uma ala para o Avaí e outra para o Furacão do Estreito. No meio deles, uma ala só de juízes — para garantir. Em rivalidade de futebol, nem mesmo as bruxas metem a colher.

Podem até não acreditar, mas que las hay, las hay!

* Jornalista viajou a convite da Grande Rio

No barracão, um cenário de tristeza com o fim do sonho

20 de fevereiro de 2011 0

RAFAEL MARTINI * | RIO DE JANEIRO

rafael.martini@diario.com.br

Foi na marra que o presidente de honra da Acadêmicos do Grande Rio, Jayder Soares, mostrou pela primeira vez o que restou do barracão da escola de samba Grande Rio, destruído por um incêndio no último dia 7. A área atingida na Cidade do Samba foi totalmente interditada pelo Corpo de Bombeiros porque o risco de desabamento é muito alto.

As equipes do Diário Catarinense e da RBS TV foram as primeiras do país a entrar no barracão. Jayder Soares passou pela cerca, desafiou o segurança e levou as duas equipes até o interior do barracão. Restam apenas toneladas de ferro retorcido, cinzas e ainda um forte cheiro de queimado.

Ao colocar os pés no que antes era motivo de orgulho para a comunidade de Duque de Caxias, município na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, saiu de cena o dirigente de voz grave e gestos decididos. Surgiu o homem que não esconde a tristeza de ver o trabalho de um ano inteiro perdido repentinamente.

Sonho do título acabou, mas decisão é desfilar

A perda na área de quase 8 mil metros quadrados da escola foi total. No cenário devastador uma das poucas obras que ainda se pode identificar é a estrutura dos chifres do carro alegórico do boi-de-mamão.

Do carro que vai homenagear o tri de Guga em Roland Garros, por exemplo, nada restou. Mesmo assim, o tenista será destaque da Grande Rio na Marquês de Sapucaí.

A escola corre contra o tempo e a falta de dinheiro. Ninguém esconde que o sonho de ser campeã acabou, mas seu componentes vão entrar na avenida, na noite de segunda-feira, para mostra todo o seu Carnaval.

* Jornalista viajou a convite da Grande Rio

Assista a entrevista com o presidente da Escola