Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
 

Déficit prisional tem solução

18 de março de 2011 0

Prezado Rafael:

A propósito do “déficit prisional”, segundo notícia na sua página, apesar de não ser do “sistema” (prisional), convivo com os presos há 37 anos. Isto é, desde 1974, quando aceitei a incumbência, que me foi dada pelo então Arcebispo, Dom Afonso Niehues, de celebrar cada domingo a Missa na Capela da Penitenciária, de manhã, e na Colônia Penal Agrícola, então em Canasvieiras, domingos à tarde; Missa, também, às segundas à tarde, para os internos do HCTP, e às terças à tarde, para os do Presídio Masculino, então chamado Cadeia Pública, na Capela construída junto ao Presídio em 1973, por Irmã Maria Uliano, da Divina Providência. Pouco a pouco essas duas pessoas, a Irmã e eu, fomos formando um grupo que, mais tarde, constituiu-se na Pastoral Carcerária, da qual sou coordenador arquidiocesano desde a década de 80.

Essa relativamente longa introdução foi para comprovar que, em certo sentido, “sou do ramo”. Quanto ao déficit, só gostaria de lembrar a afirmação feita taxativamente, por um ex-Diretor da Penitenciária, em palestra no curso de formação para a Pastoral Carcerária realizado em 2007, em parceria com a EMAR, 40 horas/aula, em 6 sábados. A afirmação é a seguinte: Não são necessárias novas vagas! Por que? Porque, se houvesse a liberação dos presos já com direito à progressão de regime, albergue, condicional etc, as vagas atuais seriam mais que suficientes!

Não são palavras textuais, mas a afirmação foi essa, e com ela plenamente concordo, com a minha experiência de quase 40 anos. Aliás, estou encaminhando este email ao atual Diretor do DEAP, sr. Adércio Welter, meu conhecido dos tempos em que ele era chefe de segurança na Penitenciária. Ao longo desses anos, mais vezes tenho ouvido falar em “mutirão” para liberar os presos com direito: há aquele burburinho, fala-se no “mutirão”, mas não acontece uma liberação significativa, que providencie as vagas “faltantes”.

De quem é a “culpa”? dos advogados dativos? do Judiciário? É claro que não tenho a solução no bolso. Mas penso estar contribuindo para a discussão, melhor, para uma solução.

Grato.

Padre Ney Brasil Pereira

Seminário Teológico da Arquidiocese, rua Dep. Antonio Edu Vieira 1690, Pantanal, Florianópolis,

18 de março de 2011

comentários

Envie seu Comentário