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Pelo direito aos cruzeiros em Florianópolis

26 de outubro de 2011 5
Prezado Jornalista Rafael Martini, 
 
 
Nem todos alcançam a importância real de Florianópolis ter um terminal de cruzeiros, não conhecem os números, o grande impacto econômico positivo que terá na cidade e nos negócios de cada um, mesmo que indiretamente.
 
São tantas as possibilidades… Espero que me dê a chance de expor algumas delas em seu prestigiado blog: 

Divulgação espontânea da cidade, suas belezas, seus serviços e produtos turísticos, ao mundo todo, em várias línguas, via sites das companhias de cruzeiros e das operadoras internacionais, só para começar…


Chegando os navios, ainda com um terminal de fundeio - com a operação através de tenderes - marketing direto a turistas de variados estados e países, gastos diretos em nossa economia, inclusive por parte da tripulação e, quando do retorno de todos aos seus locais de origem, a desejada propaganda boca a boca, extensiva também às redes sociais, com comentários e fotos espalhando-se viralmente na web… Por fim a fidelização, o retorno destes turistas em outras ocasiões, por via aérea, rodoviária, vindo visitar-nos com mais tempo, hospedando-se aqui em suas férias ou nos feriados prolongados, fomentando talvez a vinda de eventos para cá em suas corporações e entidades de classe. Este fenômeno provocado pelas escalas, o efeito “retorno para conhecer mais e melhor”, é comprovado através das pesquisas e testemunhado mundialmente pelo trade dos destinos que recebem cruzeiros.
 
 
Com um terminal de atracação – em que o navio encosta e os passageiros desembarcam no cais – ocorre tudo isto acima, com os acréscimos de que os turistas hospedam-se na cidade antes ou depois dos cruzeiros e a possibilidade de ressuprimento dos navios com alimentos e bebidas, produtos de limpeza, enxovais, água, combustível e até energia, tudo enfim que um resort que navega possa demandar… Fora a ligação direta de Florianópolis com o Rio de Janeiro, com Buenos Aires, eventualmente com algum porto de Portugal, da Espanha ou da África do Sul, integrando-nos a rotas internacionais de navegação, emitindo e recebendo turistas…
 
Este desafio, diante da irracionalidade local que ainda influencia certas decisões, é bem grande, desgasta-me bastante há alguns anos e, às vezes, sinto-me solitário empunhando a bandeira no front, em um esforço diário para expor o óbvio e combater sem descanso as falácias de sempre. Justamente por julgar imprescindível o apoio de todos é que ás vezes me exalto nas manifestações. Tenho consciência das minhas limitações e de que não é realização para um homem só.
 
E o tempo está passando… 
 
O que mais me revolta é que a cada temporada que se vai, sem termos os cruzeiros aqui, milhões de reais (e de dólares, e de euros) passam ao largo, a poucas milhas, acenando-nos de longe. Poderiam estar no caixa dos artesãos, dos taxistas, das transportadoras turísticas, dos bares e restaurantes, do comércio em geral. Poderiam estar no caixa da hotelaria! Poderiam estar no caixa da prefeitura, financiando o crescimento da infraestrutura da cidade, dos serviços públicos de educação, saúde, segurança.
 
Vou traduzir em números para mais fácil compreensão: segundo as próprias armadoras, temos potencial para cerca de 400 escalas, com navios que vão de 1.500 a 5.500 passageiros, podendo superar 600 mil passageiros a temporada em nossa capital. Em Barcelona foram 2,3 milhões de passageiros ao longo de 2010… 
 
O potencial de impacto econômico de um terminal de fundeio em Florianópolis é acima de R$50.000.000,00 por ano, ao longo de 8 meses e há executivo do setor afirmando que, em breve, teremos navios de menor porte sediados permanentemente no Brasil. Só com a cobrança de taxa portuária, tendo um píer próprio, a SETUR poderia faturar acima de R$4.000.000,00, já no primeiro ano! Um valor que seria crescente a cada temporada, com mais escalas confirmadas…
 

Se, depois do de fundeio, implantarmos um terminal de atracação, o giro econômico alça para mais de R$100.000.000,00 por ano, pois aumenta a permanência dos turistas na cidade, com gastos na hotelaria e em tudo o mais, além do mencionado possível ressuprimento dos navios. Com serviços e produtos qualificados na “prateleira”, de alto valor agregado, o céu é o limite… 

São muitos e muitos empregos e oportunidades de geração de renda dos quais estamos sendo ano a ano privados. Até onde vai a minha, a nossa parcela de responsabilidade perante a comunidade nesta demora? Estamos mesmo fazendo tudo o que seria justo exigir de nós, por mais que achemos ser “o que dá para fazer” enquanto não-governo?

 
Não paro de pensar nisto, todos dias e noites. E fico angustiado, às vezes até depressivo. 
 
Um dia teremos todos que prestar contas.
 
 
Forte abraço,
 
Ernesto São Thiago
Diretor de Turismo

comentários

Comentários (5)

  • renato madeira caminha diz: 26 de outubro de 2011

    emfim uma voz na multidão. um dom quixote gritando para ser ouvido. governantes acordem antes que seja tarde, a bandeira ja esta levantada, aproveitem a oportunidade para depois dizerem que são os pais da criança.

  • Fernando diz: 26 de outubro de 2011

    A primeira frase aqui abaixo copiada resume perfeitamente o principal desafio, inclusive é causa das outras duas que destaco:

    “Este desafio, diante da irracionalidade local que ainda influencia certas decisões, é bem grande [...]”
    “E o tempo está passando… ”
    “O que mais me revolta é que a cada temporada que se vai, sem termos os cruzeiros aqui, milhões de reais (e de dólares, e de euros) passam ao largo, a poucas milhas, acenando-nos de longe. Poderiam estar no caixa dos artesãos, dos taxistas, das transportadoras turísticas, dos bares e restaurantes, do comércio em geral. Poderiam estar no caixa da hotelaria! Poderiam estar no caixa da prefeitura, financiando o crescimento da infraestrutura da cidade, dos serviços públicos de educação, saúde, segurança.”

    É pura irracionalidade. Nenhum argumento contra baseado em fatos ou realidade, puramente xenofobia, visão curta, egoísmo e outras coisas que neste espaço público prefiro não nomear. É o caminho para um turismo sustentável e de qualidade, com mais dinheiro para quem realmente pode usar bem, que é o pequeno empresário! Pra ser contra isso, tem que ser contra Florianópolis, simples assim.

    E mudo minha opinião, assim como o Ernesto acredito que mudaria, se alguém apresentasse UM, que seja UM, estudo comprovando que um terminal de cruzeiros traz resultados negativos. Inclusive para os xenófobos de plantão, o turista de cruzeiros faz o que eles mais gostam, vem e vai embora! :-)

    Enfim, somente com muita informação para conseguir lugar contra esse grupelho que é contra o desenvolvimento sustentável da nossa querida ilha. Boa sorte ao Ernesto e a todos nós, por consequência.

  • Hamilton diz: 26 de outubro de 2011

    Ernesto é dos poucos lúcidos que empreende esta bandeira dos navios de cruzeiros e a necessidade de um terminal de atracação, o que numa Ilha nos pareceria obrigatório, mas para alguns formadores de opinião, seria insano! Esta é a única Ilha do Planeta em que você não pode ter um barco pela ausência de um simples Pier, quanto mais para atracação das grandes embarcações. O assunto deve ser tratado com discernimento, criatividade, efetividade e sem os paternalismos políticos. Percebe-se que o foco “descamba” para a “titularidade”, de quem será “pai da criança”. Os que defendem querem ser os donos da idéia. Os “do contra” apontam as tradicionais dificuldades para venderem depois as facilidades. Números e exemplos, Ernesto nos traz diariamente em seu Grupo de FaceBook com quase 25 mil seguidores. É inacreditável nossa incapacidade de gestão desta etapa, de argumentos frágeis e amadores virando “lei”, virando inverídicas expressões de uma “verdade” que se estabelece de forma bairrista e de um lesa pátria sem precedentes em Florianópolis. Florianópolis precisa de gente que faça, precisa ouvir melhor seus técnicos, precisa de humildade e de capacitação. Os que querem fazer, que doam suas expertises invariavelmente estão sujeitos e expostos a pre-julgamentos, a insinuações, ao desdém de quem NÃO SABE e NÃO QUER FAZER o que pode ser feito.
    Boa sorte Ernesto. Sua luta não é solitária não. Nossa Ilha precisa ajustar contas com quem manda elegendo pessoas capacitadas desde já, e que queiram um desenvolvimento sustentável, com um turismo de resultados e de ticket médio relevante, trazendo com isso mais recursos para ampliação deste mesmo desenvolvimento. Diferente disso é reinventar a roda.
    Abs
    Hamilton

  • Melzi Cavazzola Junior diz: 26 de outubro de 2011

    Enquanto os pessimistas, continuarem a formar opinião equivocada, simplesmente por serem contra, nossa cidade continuará a ver navios…bem longe…

  • Daniel diz: 27 de outubro de 2011

    Inepto é o jornalista que escreve inépcia com S em sua coluna no Diário Catarinense!

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