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Contraponto de Leandro Limas, diretor do Deap

29 de março de 2013 0

Caro Rafael Martini,

Ao acessar seu blog hoje pude ler o e-mail do colega agente penitenciário que fazia algumas considerações acerca de minhas declarações e de minha postura enquanto administrador do Departamento de Administração Prisional.

Primeiramente me cabe explicar que, enquanto agente penitenciário de carreira, jamais mascarei quaisquer números para fazer publicidade à atual administração. Ciente que sou de que meu atual cargo é transitório e de que, em breve, retornarei ao ofício da função que me cabe, sempre empreendi esforços na busca de melhores condições de trabalho para a classe a qual me orgulho pertencer.

Embora desconheça o cálculo que resultou como minha a declaração que alega a proporção de 10 presos para cada agente penitenciário, necessito fazer algumas correções quanto aos números apresentados. Dos 17.513 presos sob responsabilidade do Departamento de Administração Prisional, aproximadamente 2.500 cumprem pena em regime aberto, sem estarem alocados em unidades prisionais. Hoje, temos um universo aproximado de 1.800 agentes penitenciários, dos quais alguns estão, sim, em funções administrativas.  Aliás, foi com muito esforço que conseguimos fazer com que os administradores de nossos estabelecimentos penais fossem agentes penitenciários, exclusivamente. Lutamos muito para que alguns cargos administrativos do DEAP fossem também desempenhados por agentes penitenciários, assim como ocorre em outras instituições. Isso porque acredito a administração prisional deve ser conduzida por agentes penitenciários, como forma de fortalecimento e consolidação de nossa categoria.

Peço desculpas aos colegas que, chamados de “encabidados”, tiveram desconsiderados os talentos que os levaram a assumir as atuais funções administrativas. Confio em seus potenciais como servidores honestos e competentes, na função fim ou na atuação administrativa. Continuarei, ainda, lutando para manter a administração do sistema prisional nas mãos dos agentes penitenciários.

Nunca escondi o grave problema da superlotação e do déficit de agentes penitenciários que ora nos assola, expressando, inclusive, através de documentos e declarações públicas, que a maior tortura de nosso sistema era essa. Todavia, me vejo obrigado a declarar, em defesa da Secretária de Estado da Justiça e Cidadania, Sra. Ada Faraco de Luca, e do Governador do Estado, Sr. João Raimundo Colombo, que sempre recebi o total apoio em minhas reivindicações em prol do sistema prisional. Tenho plena tranquilidade e transparência ao declarar que minha indicação ao cargo que ora represento obedeceu exclusivamente a critérios técnicos. Não desempenho um trabalho voltado para interesses políticos ou pessoais, trabalho unicamente pela profissão que escolhi: a do agente penitenciário.

Ao colega que lhe escreveu e me reconhece erroneamente como um administrador político, coloco-me a disposição para apresentar a real situação do sistema prisional catarinense e todas as dificuldades em ser o responsável por sua administração. Aos demais colegas agentes penitenciários, quero deixar apenas a certeza da luta que empreendo pelo crescimento de nossa profissão.

Agradeço antecipadamente, caro Rafael Martini, a oportunidade de oferecer resposta pública à sociedade catarinense através do seu blog.

Leandro Antonio Soares Lima
Agente Penitenciário – Diretor

Departamento de Administração Prisional – DEAP

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