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Contraponto do professor e vereador Lino Peres

31 de maio de 2013 5

Com relação à nota “Memória Curta”, publicada no dia 30 de maio, encaminhamos o seguinte:

 

  A proposta apresentada na terça-feira, dia 28 de maio, na UFSC, não é a proposta oficial da Universidade, e sim do Grupo de Estudos da Mobilidade Urbana (Gemurb), formado por professores e técnico-administrativos da UFSC. É uma contribuição a uma proposta final a ser construída pela UFSC com a Prefeitura.

 A proposta apresentada nesta semana é completamente diferente daquela apresentada pela prefeitura em 2010. 

 A proposta do Gemurb não se restringe a uma solução pontual – como é comum em Florianópolis – para a rua Deputado Antônio Edu Vieira. A solução tem alcance metropolitano, e o citado binário, no entorno da UFSC, tem como foco prioritário – mas não exclusivo – no transporte coletivo. Desde 2010 estamos alertando o poder público sobre a necessidade de que qualquer que seja a solução viária adotada, é necessário executar uma experimentação do sistema binário, que não envolva ainda a execução de obras, com o objetivo de aliviar de imediato o problema de trânsito na região e estudar concretamente o seu impacto urbano, o que vem sendo protelado sistematicamente pela Prefeitura. Essa experiência também seria uma oportunidade para que a população testasse a proposta na prática.

 A proposta de 2010 não contemplava essa necessária prioridade ao transporte coletivo, que é o centro da proposta do Gemurb. A proposta de 2010 era centrada no transporte individual e ainda assim incompleta. A proposta do Gemurb é que a Edu Vieira tenha corredor exclusivo para ônibus com linhas em dois sentidos, e o os veículos automotores circulem em um sentido (Armazém Vieira para UFSC), sendo que o retorno se daria pela Carvoeira e por uma via que já existente que seria reestruturada.

 Além disso, a proposta do Gemurb não se restringe à solução de trânsito na UFSC e entorno. Ela propõe uma solução que atende muitos dos problemas de mobilidade e urbanos em geral hoje existentes na Região Metropolitana.

 A ideia de Bulevar, inexistente na proposta da prefeitura de 2010, pressupõe que uma rua ou avenida, além de comportar prioritariamente transporte coletivo, tenha amplos passeios para o pedestre, arborização para proteção solar e lugares de estar, ciclovias (via exclusiva para bicicletas com demarcação física) e ciclofaixas (via exclusiva para bicicletas com apenas uma demarcação pintada no piso). Isto reforça a importância de transformar as ruas também em espaços públicos para passeios, encontros, atividades culturais, tão carentes em Florianópolis, e não apenas voltadas para fluxo veicular. Trata-se aqui de propor soluções de sustentabilidade urbana, no sentido de tornar a cidade mais humanizada econômica, social e ambientalmente.

 Em 2010, a proposta da prefeitura foi rejeitada porque previa um Corredor Norte-Sul (Edu Vieira, avenida Beira-Mar Norte e uma nova via atrás da UDESC e que provocaria ainda mais impacto em um ecossistema fundamental como é o do manguezal do Itacorubi). A proposta concentraria esse enorme fluxo de trânsito na Bacia do Itacorubi, onde se localizam vários bairros residenciais, a UFSC e a UDESC, além de outros órgãos públicos, piorando o problema de trânsito que se pretende resolver. Na proposta do Gemurb, esse fluxo de trânsito seria desviado, fazendo com que na Bacia circulem prioritariamente os veículos (automotores e transporte coletivo) que têm como destino aquela região. Essa proposta, portanto, ao contrário da de 2010, evita que a região seja usada como área de passagem do trânsito veicular de outras regiões.

 Essa concepção já foi debatida com moradores de vários bairros da Bacia do Itacorubi e na UFSC e apoiou-se nas diretrizes aprovadas na Audiência Pública de junho de 2008 do sub-distrito da Bacia do Itacorubi, dentro dos debates sobre o Plano Diretor Participativo.

 Mas – enfatizamos – trata-se de uma contribuição do Gemurb e não é a proposta oficial da UFSC. É fundamental que a população tenha a possibilidade de conhecer todas as propostas relacionadas a este debate para decidir qual delas é a mais adequada para o necessário uso de área pública (no caso, parte da área da UFSC) e investimento de recurso público, buscando, assim, a solução mais adequada para o sistema de mobilidade da Capital e Região Metropolitana.

 

 

 

Atenciosamente

 

 

 

Grupo de Estudos da Mobilidade Urbana (Gemurb)

 


 

 

















comentários

Comentários (5)

  • Alves diz: 31 de maio de 2013

    Martini o problema da Edú Vieira está longe de ser resolvido. Não tem aqueles dois montinhos de fenos que dois burrinhos tentam comer cada um o seu e não conseguem, pois o assunto em questão são varios burros cada qual puchando para o seu lado e dificilmente chegarão a um acordo de comer primeiro um e depois o outro monte de feno.

  • Luiz Carlos diz: 2 de junho de 2013

    Martini,
    O professor não explica por onde o fluxo de trânsito do Norte ao Sul da Ilha e ao aeroporto seria desviado, nem como os moradores da Lagoa chegariam ao Centro ao fazer com que na Bacia circulem prioritariamente os veículos (automotores e transporte coletivo) que têm como destino aquela região.
    Ele deve estar olhando para o próprio umbigo ao imaginar que tenham o direito de trafegar pela Bacia do Itacorubi apenas os ônibus e automóveis dos privilegiados que se destinarem à UFSC, o maior estacionamento de “veículos automotores” particulares de toda a região metropolitana !
    Essa proposta, portanto, ao contrário da de 2010, evita que a região seja usada como área de passagem do trânsito veicular de outras regiões.

  • paulo stodieck diz: 2 de junho de 2013

    Não somente o problema da Edu Vieira não será resolvido, e quando resolvido não vai resolver nada, o correto é admitir de uma vez por toda que o problema do trânsito em Florianópolis jamais será resolvido. O futuro de Florianópolis, quando o assunto é mobilidade, não tem futuro. Grupo disso, comissão daquilo, técnicos e especialistas, todos estão perdidos no congestionamento da cidade e nas ciladas das soluções.

  • paulo stodieck diz: 3 de junho de 2013

    Onde se lê “uma vez por toda”, leia-se uma vez por todas.

  • Décio diz: 3 de junho de 2013

    Não adianta querer justificar o injustificavel. A bem da verdade meia duzia de metidos a intelectos com guarita na UFSC, se acham os donos da verdade porem comungam do pensamento de quanto pior melhor. A reitora da UFSC, é teleguiada por um bando de xiitas dai a necessidade de partir para o confronto , com a declaração de utilidade publica e desapropriação da área necessária para resolver os gargalos do conturbado transito da Rua Deputado Edu Vieira. Quem são ? O que fizeram até Hoje ? este tal de GEMURB ?

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