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Papo rápido

07 de abril de 2014 0

Ana Maria Pereira Lopes, psicóloga, conselheira vice-presidente do Conselho Regional de Psicologia de Santa Catarina (CRP 12)

Independente do resultado da pesquisa que acabou desmentida pelo Ipea, o crime de estupro é uma realidade país afora. Em Santa Catarina foram 2.181 casos registrados contra mulheres, crianças, adolescentes e até homens somente em 2013.

O brasileiro é muito machista ou existe um problema social?

Temos que ter uma visão mais ampla e menos imediatista sobre resultados de pesquisas. Pois dados como esses, quantitativos, podem não alcançar a visão mais integral do entrevistado. Contudo, esses mesmos dados podem ser explorados, a depender do apelo que conseguem, sem retratar o progresso moral de relações sociais. Já o machismo, este nem sempre é bem problematizado sobre seus efeitos, mas é alimentado e reproduzido de diferentes modos ao longo do processo educacional, de consumo etc. E muitos segmentos “ganham” com o machismo, quem não ganha é a possibilidade de as pessoas terem relações mais igualitárias e equilibradas. Mas podemos afirmar que estupro é estupro e machismo é machismo mesmo que em 1% das opiniões.

Quais as consequências emocionais para uma vítima de estupro?

O estupro, pelas suas características de invasão a aspectos da intimidade das pessoas que são vítimas, pode alcançar níveis emocionais muito profundos. Assim, não é incomum que vítimas de estupro sejam tomadas de assalto por memórias desconfortáveis, ameaças sem confirmações na realidade, medos aparentemente irracionais – resultado de uma segurança antes adquirida que foi desorganizada. Todo um processo de cuidado psíquico, por meio de ressignificação do ocorrido, um modo de enfrentamento e evidentemente o cuidado físico, deve ser buscado no atendimento dessas vítimas.

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