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Nota da Aprasc sobre a onda de atentados

03 de outubro de 2014 1

 

A Associação de Praças de Santa Catarina – Aprasc, que congrega 14.500 soldados, cabos, sargentos e subtenentes da Polícia Militar e do Bombeiro Militar – vem a público cobrar das autoridades e gestores do Estado compromisso e seriedade com as ações e políticas para a segurança pública. Esta nova onda de ataques violentos resulta de décadas de omissões do Estado e de seus gestores, tornando a sociedade, os policiais e agentes da segurança pública e suas famílias reféns e alvos do crime organizado.

A Aprasc vem denunciando, desde a sua criação, em 2001, o uso político e econômico da segurança pública e de seus trabalhadores, submetidos a escalas de trabalho desumanas, ao exercício de sua missão sem equipamentos, caso dos kits de proteção individual prometidos há anos e ainda distantes de vários praças, e sem uma logística de inteligência integrada do aparato de segurança, fundamentais para a prevenção e o combate ao crime. Enquanto as facções criminosas se aparelham, tecnológica e logisticamente, o Estado, sob a gestão de sucessivos governos, de todos os partidos, age de forma amadora. O mais grave é a constante ocupação de cargos, principalmente na Secretaria de Justiça e Cidadania, por pessoas sem nenhuma qualificação e intimidade com a complexidade da segurança pública, Coisas simples ficam anos a espera de efetivação, como a instalação dos bloqueadores de celulares nos presídios, que reduziria as possibilidades de contato entre presos evitando a disseminação das ordens de ataque coordenado. Desde 2012, quando da primeira onda de ataques violentos perpetradas por facções criminosas a partir dos presídios, a Secretaria Estadual de Justiça e Cidadania, à qual está subordinado o Departamento Estadual de Administração Penitenciária (DEAP), e empresários, têm sido denunciados continuamente por irregularidades relativas ao aluguel e compra dos bloqueadores. Em 2012, o Tribunal de Justiça mandou a titular da Secretaria suspender os contratos de locação mantidos com a empresa Polsec, de Minas Gerais, por indícios de superfaturamento e pelo fato de que os bloqueadores simplesmente não funcionavam. Além disso, o TJ/SC tornou indisponíveis os bens da então titular da pasta e de outros cinco réus. Também mandou a Secretaria e o DEAP adquirirem os equipamentos que, até aqui, ou não foram instalados ou apresentam defeito. No começo desta semana, o Ministério Público do Estado entrou com processo contra a Secretaria por violação do dever administrativo, pedindo o ressarcimento de R$ 5 milhões aos cofres públicos gastos com os bloqueadores que nunca funcionaram. O amadorismo histórico na gestão dos presídios pela Secretaria de Justiça e Cidadania, beira ao crime porque coloca em risco as vidas de policiais, e suas famílias e da sociedade como um todo.

A Aprasc reivindica que se coloque em prática um plano permanente de prevenção aos ataques, para que o Estado não fique refém de ações meramente reativas. Para isso, é fundamental o correto aparelhamento tecnológico das polícias, para antecipar as ações do crime organizado, investimentos massivos, das esferas federal, estadual e municipal na área de inteligência das polícias, como vêm sendo reivindicado continuamente pela Aprasc na medida em que seus associados são os que ficam expostos na linha de frente, junto com suas famílias, e veem sua missão de proteger os cidadãos, literalmente, ferida de morte.

A Aprasc também cobra, de público, uma postura mais ágil e rígida do Poder Judiciário, com rigor no cumprimento das penas. Em plena onda de violência, não se pode admitir a emissão de indultos.

A Aprasc conclama a sociedade a dar um basta na displicência com que os gestores públicos, o Estado, políticos de todas as matizes partidárias e seus partidos, têm tratado, historicamente, a segurança pública, com consequências trágicas para a sociedade e os trabalhadores da área.

À sociedade catarinense, a Aprasc reafirma o compromisso dos praças da Polícia e do Bombeiro Militar, de cumprir  com a sua missão de proteger os cidadãos e combater o crime, o que têm feito diuturnamente, abdicando de férias ou de seus descansos semanais, dobrando turnos, para fazer frente à barbárie.

Aos praças da polícia e do bombeiro militar, a Aprasc parabeniza e destaca sua  dedicação e esforços, com o risco de suas vidas e dos seus familiares no enfrentamento aos ataques.

 

Sargento Pedro Paulo Boff Sobrinho

Presidente da Associação de Praças de Santa Catarina – APRASC

 

comentários

Comentários (1)

  • LOURIVAL AFONSO diz: 4 de outubro de 2014

    A Aprasc esta se preocupando com a constante ocupação de cargos, principalmente na Secretaria de Justiça e Cidadania, por pessoas sem nenhuma qualificação e intimidade com a complexidade da segurança pública. Deveria também se manifestar contra seus pares que são formados com dinheiro público e tem intimidade com a complexidade da segurança publica e portanto estão encastelados em serviços administrativos em repartições públicas ou a serviço de políticos. Com certeza se a Aprasc lançar lançar um manifesto público reivindicando a volta desse pessoal para a caserna, certamente teria o apoio da sociedade e quem sabe resolveria o problemas das escalas de trabalho desumanas. Não custa tentar, ou custa..?

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