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Derlei Catarina de Luca: o olhar de uma ex-exilada política sobre os haitianos em SC

28 de maio de 2015 0
Sobre os imigrantes

 1.      Temos obrigação de receber os haitianos?

O Haiti sofreu uma guerra civil e o Exército Brasileiro ocupou o Haiti como força de paz e nunca mais saiu. Se o Exército Brasileiro continua lá significa que o perigo de guerra civil continua. Caso contrário, o Exercito teria saído. Então, qual é a referência que a população haitiana recebe? Quem está lá na sua frente? Brasil e brasileiros. Se a referência deles é o Brasil, é normal que queiram vir para cá.

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 Poderia ser a França, que os colonizou e escravizou. Mas a França, como todo país europeu, suga todas as forças e riquezas da colônia e depois abandona. 

 2.      Os haitianos vão tirar nossos empregos.

Quem é competente e trabalha direito não perde emprego. Eles fazem os trabalhos que os brasileiros não fazem. (Não fazem aqui e vão fazer na Europa e nos EUA)

 3.      Trabalho escravo.

Na falta de argumento, alguns reclamam que os empresários explorarão o trabalho escravo. Para existir trabalho escravo são necessários:

(1) Empresário desonesto 

(2) Ministério do Trabalho inoperante

(3) Sindicato conivente

Concordo que um ou outro podem acontecer. Mas os três ao mesmo tempo, seria desacreditar totalmente no meu país.

 4.      Somos descendentes de imigrantes:

Os únicos com direito a reclamar são os indígenas. Viemos para cá sem convite, roubamos suas terras, destruímos seu modo de vida, desmoralizamos seus deuses.

Nossos antepassados açorianos, italianos, madeirenses, alemães, poloneses vieram para cá em busca de uma vida melhor. Os imigrantes atuais também.  Buscam um lugar bom de viver. Tomara que encontrem aqui, nesta terra que sempre soube acolher imigrantes.

 5.      Eram outros tempos. Não existem outros tempos. Quando nossos antepassados aqui chegaram há quase 140 anos, a terra era povoada pelos guaranis, carijós e outros. Não era despovoada. E os indígenas não tiveram qualquer chance. Então, em nome dos nossos antepassados, tratemos bem os imigrantes atuais.

 6.      O ACRE que fique com eles:

O problema da ilha de Lampedusa é igual ao do Acre. Na Europa os imigrantes chegam pela ilha mais próxima do território europeu. É lógico. O Acre é a fronteira mais próxima do Peru. Os imigrantes estão chegando ao Brasil; o Acre é apenas o ponto de chegada.

 7.      MOBILIDADE – a humanidade sempre se moveu. Tal mobilidade é histórica, descrita em textos sagrados e clássicos. Judeus se espalharam pelo mundo, o homem pré-histórico atravessou o Estreito de Bering, europeus se moviam em direção ao Oriente Médio.  Portugueses e espanhóis invadiram a América Latina. Até o século XX este movimento era lento, porque o homem se movia a pé. Agora nos movemos de ônibus ou avião.

 8.      PRECONCEITO – Algumas pessoas manifestam preconceito porque os novos imigrantes são negros e pobres. Nada justifica. Vermelho é o sangue de todos. Deus é um só, seja ele louvado em português, árabe, ou yoruba.

 9.      Morar em terra estranha é difícil. Somos como ao sabor do vento. Perdemos os amigos e as referências. Deixamos para trás familiares e amores. O exilado precisa de compreensão e afeto, além de comida. Precisa de seu sorriso.

 10.  Vamos recebê-los bem.

  Derlei Catarina De Luca, que foi exilada durante seis anos

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