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Papo rápido com Sandra Meyer, doutora e professora de dança na Udesc

31 de maio de 2015 0

Joinville é referência no clássico (Bolshoi) e Florianópolis vem se destacando na dança contemporânea. Como consolidar esse novo caminho?
Temos em Santa Catarina dezenas de festivais de dança, em sua maioria competitivos. Mas poucos estudantes dão continuidade à sua trajetória, pois não há um ambiente e apoio no meio de transição entre o festival e a profissionalização como artistas. Temos milhares de jovens dançando, mas poucos grupos profissionais, com raras exceções, tendo talvez o Grupo Cena 11 como único que de fato propicia, com dificuldades, aos bailarinos “viverem” de dança. As escolas de dança geralmente não contam com um momento em que os alunos podem estudar e exercitar improvisação, composição coreográfica e história da dança. E a falta de cursos superiores de dança no Estado compromete o ensino e a criação. Os prejuízos são imensos. Há sete anos a área espera do governo estadual a implantação da licenciatura em dança da Udesc. O projeto está parado, à espera de verba para ser implantado em Florianópolis e em Joinville. O que tentamos na Capital é suprir a carência em formação, aliando aos eventos uma dimensão pedagógica que dê mais suporte aos artistas.

E como se dá a construção do conhecimento por meio da dança contemporânea?
Se entendermos a arte, e a dança como extensão e não somente como entretenimento, outros caminhos se abrem no âmbito da formação, criação, produção e fruição na área. Alguns profissionais da Capital trabalham nesta perspectiva, em que o pensar e o fazer dança estão imbricados. Como exemplo cito dois dos eventos que buscam traçar outro perfil: Múltipla Dança e o Tubo de Ensaio. Ambos apresentam companhias profissionais e com pesquisa consistente, articulado a oficinas e debates que possam fomentar a dança local. Eles contemplam a diferença de linguagens sem que nenhuma seja apontada como melhor ou ideal, como ocorre muitas vezes em um evento competitivo. Acompanho a cena em Joinville e vejo que há projetos que tentam outra lógica de atuação para além dos festivais, e que devem ser apoiados. Um grupo de danças urbanas _ como o hip-hop _ pode, a partir de sua linguagem própria, elaborar uma proposta em arte conectada com o ambiente, que seja um motor de mudança de percepção, inclusive do que seja dança.

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