Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
 

Desembargadores de SC ganham 30 vezes mais que o trabalhador médio brasileiro

15 de junho de 2015 6

Carta aberta a Dom Wilson:

Reverendíssimo Arcebispo da Arquidiocese da Grande Florianópolis, Dom Wilson Tadeu Jönck: entendo que o senhor tenha assuntos mais importantes a tratar, mas peço um minuto da sua atenção a esta ovelha desgarrada, que não vê mais a quem expressar a indignação. Só resta reclamar ao bispo. Reportagem da Revista Época deste fim de semana traz uma radiografia sobre os rendimentos do judiciário e Ministério Público nas 27 unidades da federação. Hoje, o teto constitucional é de R$ 33.763, a partir da remuneração dos ministros do STF.

Mas por conta de toda a sorte de penduricalhos – auxílio-alimentação, moradia, gratificações, indenizações e ajudas de custo – a média dos salários dos magistrados nos Estados é de R$ 41.802 mensais; a de promotores e procuradores de justiça, R$ 40.853. Os desembargadores de Santa Catarina, de acordo com a revista, é quem tem a maior média do país, com R$ 57 mil por mês. O valor foi calculado com base no portal transparência em fevereiro de 2015. Mais de 30 vezes do que recebe o trabalhador brasileiro médio. É bom que se diga, nada disso é ilegal.

Dom Wilson, só para deixar claro: entendo a magistratura como uma carreira diferenciada, que exige dedicação exclusiva, uma vida dedicada ao conhecimento e merece, para manter plena independência, uma remuneração condizente. Mas também desconheço lei que proíba questionar o modo como os homens e mulheres de toga lidam com o seu, com o meu, com o nosso rico dinheirinho público.

Reverendíssimo, este desabafo é porque tenho fé no Judiciário. Afinal, ele nunca protagonizou escândalos como a Assembleia Legislativa e sua farra das diárias. Também é diferente do Executivo, engessado pela disputa política das capitanias hereditárias, digo, partidárias, encravadas no coração do Centro Administrativo. Dom Wilson, peço desculpas por ter me alongado. É que mesmo diante de tantos problemas em nosso Estado por falta de dinheiro, alguns vivem como se fôssemos divididos por castas, não homens livres numa república democrática. Oremos!

Leia as últimas notícias

 

 

 

Nota de Esclarecimento

Os magistrados que integram o Poder Judiciário de Santa Catarina não ostentam a maior média remuneratória do país. O valor apurado em recente levantamento promovido por órgão de comunicação nacional – Revista Época – tomou por base apenas o mês de fevereiro, oportunidade em que a administração acrescentou à folha de pagamento valores atrasados oriundos da parcela autônoma de equivalência – instituída pelo STF para dar cumprimento à Lei n. 8.448/1992, que estabelecia isonomia entre a remuneração dos membros do Congresso Nacional, Ministros do Supremo Tribunal Federal e Ministros de Estado. No Tribunal de Justiça de Santa Catarina, na esteira de decisão proferida no STJ, autorizou-se o pagamento dos atrasados a todos os magistrados que se encontravam em atividade ou aposentados com paridade de proventos, no período de setembro de 1994 a fevereiro de 2000, de acordo com a disponibilidade orçamentária e financeira, e de forma parcelada. Este esclarecimento, aliás, foi prestado e divulgado pela revista, em sua versão eletrônica, nos termos abaixo:

O TJ-SC afirmou que a coleta de dados foi feita em fevereiro, um mês atípico, em que houve pagamento a alguns magistrados antigos da Parcela Autônoma de Equivalência, benefício de 1992 obtido na Justiça por membros do MP e da magistratura, pago em parcelas. De acordo com o tribunal, isso gerou distorção na média do órgão, a mais alta do país R$ 57.342, de acordo com o levantamento de ÉPOCA.

O TJ-SC enviou a ÉPOCA planilhas de Excel com as folhas de pagamento de março e maio, que demonstrariam “a realidade salarial de desembargadores e juízes de Santa Catarina”. De fato, em março e maio, as médias totais do TJ-SC foram de R$ 35.006 e R$ 35.589, respectivamente”.http://epoca.globo.com/tempo/noticia/2015/06/o-que-dizem-os-tribunais-e-mps-sobre-os-salarios-dos-juizes-e-promotores-acima-do-teto.html

Outrossim, importante salientar a distinção entre verbas remuneratórias e indenizatórias. Enquanto a primeira compõe os vencimentos; a segunda é eventual, de forma que não integra o cálculo em busca de média salarial. Desta forma, ao observar tão somente os vencimentos da magistratura catarinense, ter-se-ia a média de R$ 28 mil, em valor bruto, sem os descontos.

Atenciosamente;

Desembargador Ricardo Roesler

Coordenador do Núcleo de Comunicação Institucional (NCI) do TJ

 

comentários

Comentários (6)

  • Sergio diz: 15 de junho de 2015

    E vem mais por aí! Os que tem cachorro vão ter direito a auxílio ração e, por conta da PEC da bengala, vão receber, também, o auxílio fralda!

  • Hélio diz: 15 de junho de 2015

    Bom trabalho Martini, vamos ver quantos irão repercutir essa aberração. Diferentemente do Colunista, não acredito mais na Justiça brasileira, além de só prenderem P.P.P. (pobre, preto e p…), ganham salários e vantagens que não se vê em nenhum outro país, além de ser o mais caro e menos produtivo. Em SC, o piso do professor em início de carreira é de R$-2.200,00. Um desses magistrados, ganha 25 vezes mais, grande aberração, quando em muitos países não chega a três vezes.

  • Leon diz: 15 de junho de 2015

    Ainda com a nota de esclarecimento, considero um valor alto para padrões de Brasil. Temos que considerar o País que vivemos, a situação das escolas públicas, dos postos de saúde e, principalmente, da demora e lentidão do Judiciário. Pagamos salários altos aos magistrados e os processos demoram anos e mais anos. Ganhando tanto, não poderiam trabalhar ainda mais? Será que, em vez de salários tão altos aos magistrados, não deveríamos ter salários mais altos àqueles servidores que apoiam os magistrados? Aproximar os salários dos magistrados (para baixo) do salário de todos os servidores que trabalham na Justiça (para cima). Há uma distância muito grande entre o salário do magistrado com o salário do trabalhador do Judiciário. Talvez se os servidores ganhassem mais, os processos não andariam mais rápido?

  • Zé Germano diz: 15 de junho de 2015

    1) Quem mesmo assina a missiva ? Desculpem mas não identifiquei.
    2) Executivo engessado pela disputa política das capitanias hereditárias ? Engessado ? Não é mais ele o fabricante, o fazedor, o criador, o idealizador e o executor das capitanias ? Conceitos são passados assim na maior sem maiores consequências nesta produção social da loucura ?
    3) Merecemos esclarecimentos.

  • josé diz: 15 de junho de 2015

    Acho vergonhoso e imoral. Basta verificar no site da transparência que viviem recebendo atrasados, vendendo licença-prêmio, 2 meses de férias/mês devidamente remuneradas com 33%. VEGONHA

  • elcio silva diz: 22 de junho de 2015

    se a moda pega, todas as profissões terão que receber penduricalhos(aux.moradia,aux.creche,auxilio alimentação,aux.educação para filhos menores de 24 anos, aux.funeral, aux transporte. e etc…), segundo dizem, é uma forma de garantir a honestidade na profissão.Meu Deus, onde iremos parar com uma “injustiça” assim.Tá explicado porque não temos segurança;saúde e educação???quem dessas profissões vão querer dar a cara a tapa.

Envie seu Comentário