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Estudantes da UFSC relatam falta de segurança no Campus da Trindade

22 de junho de 2015 6

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Foto: Betina Humeres, Agência RBS

Circula nas redes sociais o relato de uma estudante de Direito da UFSC que foi vítima de assalto dentro do campus quando rumava até a lanchonete para comprar um chá à noite. A riqueza de detalhes impressiona. Por sorte, nada de mais grave aconteceu além de um puxão de cabelo num canto escuro e as perdas materiais. Mas o estrago emocional já está feito. Ela conta que tem dificuldades para dormir e sente medo. O mais grave é que o caso não é exceção. Há muito se discute a questão da segurança por lá, mas pouco avança. Ou vão esperar uma tragédia?

Leia o relato completo:

Ontem, por volta das 20h, decidi usar o intervalo das aulas para comprar um chá, afinal, à noite só falta nevar na UFSC de tão frio. Deixei minha bolsa e computador na sala, peguei minha carteira e celular e fui comprar o tão sonhado chá.
Horário movimentado, saída de pessoal das aulas, estacionamento cheio, fui caminhando ao Assim Assado e ao chegar lá vi que não tinha trocado, não quis fazer o bar trocar uma nota alta por um simples chá e decidi voltar. Ao passar pelo “Labirinto” sou surpreendida por um puxão fortíssimo no meu cabelo e uma mão tampando minha boca, um corpo estranho me força para a parte escura do local, força meu corpo contra a parede e uma voz debochada me diz “não grita”.
Pensei: é isso, meu maior pesadelo está se tornando realidade.
Comecei a tremer.
Comecei a chorar.
Uma ânsia de vômito tão grande me subiu que jurava que iria me afogar.
A mesma voz me disse: relaxa, boneca, não quero nada contigo agora, só passa as coisas.
Eu entreguei minha carteira e celular, parecia uma marionete com as cordas puxadas por alguém que não conheço e que, com um puxão de cabelo, arrancou toda a minha liberdade de mim.
Em nenhum momento eu vi o sujeito, era apenas uma presença pesada e ameaçadora contra minhas costas, alguém que pressionou algo contra minha coluna (arma? Dedo? Não sei) e me mandou contar até 10 em voz alta, caso contrário ele “voltaria e faria eu me arrepender”.
Eu contei.
Eu corri.
Encontrei uma amiga saindo da aula e me joguei em sua direção. Meus amigos me acalmaram. Meus pais chegaram. Minha irmã em prantos. Meu pai nervoso, querendo matar quem quer que tenha sido que machucou sua menina. Minha mãe não me largava, tentando se convencer de que eu ainda estava ali, presente.
Mas eu não estava.
Eu não era eu.
Gosto de pensar em mim como alguém corajosa, confiante, brincalhona, justa, mas ontem fui resumida em ódio, tristeza e medo.
Minha liberdade foi retirada.
Me tornei algo inútil, frágil, indefeso. E odiei. Odiei cada minuto o poder que aquela pessoa teve sobre mim. Odiei me ver rasgada e insegura. Odiei.
Desde que entrei na UFSC eu escuto como faço parte de uma sociedade capitalista e opressora, já escutei que também sou culpada por essas condutas criminosas, já ouvi que sou uma criminosa, já ouvi que a porra de uma horta vai me proteger, porque a PM é opressora demais para quem quer fumar maconha. E agora eu digo: O CAC****!
Ontem, eu fui a vítima. Ontem, não foi um fragilizado pela sociedade que me abordou, foi um animal nojento e desumano que me terrorizou. Ele praticou terrorismo, não eu. Ele foi o opressor, não eu. Eu só queria um chá.
Ontem ele fugiu com o meu dinheiro enquanto eu acordava suando e chorando durante a noite.
Ontem ele ficou impune enquanto eu tive que segurar minha irmã de 9 anos prometendo que eu não iria a nenhum lugar, que eu estava bem.
Ontem ele se divertiu enquanto eu temia pela minha vida.
Ontem eu fui uma boneca para ele. Eu me senti uma.
E sabe o que é tão horrível? Ter que ficar feliz.
Feliz por só ter levado bens materiais.
Feliz por não ter me batido.
Feliz por ter sido “apenas” um puxão de cabelo.
Feliz por ter sido “só” um susto.
Mas eu não estou feliz.
Estou assustada, com sono, cansada, com dor de cabeça e querendo chorar e me esconder.
Eu não quero me sentir assim. Eu quero segurança. Eu quero a PM. Eu quero esse sujeito longe de mim. Eu quero minha liberdade de volta. Eu me quero de volta. Eu quero poder comprar meu chá.
Mas acho que terei que me contentar em ter uma horta.

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comentários

Comentários (6)

  • cleber diz: 22 de junho de 2015

    A turma da maconha não deixa a PM fazer seu serviço, aí fica uma terra sem lei.

  • Amorim diz: 22 de junho de 2015

    Faz tempo que a UFSC está jogada às traças, falta segurança de todas as partes (PM e segurança do campus). E quem provoca isso? Os maconheiros e parasitas desocupados que fazem protesto, levante do bosque, invadem reitoria… estes não se preocupam com nada nem ninguém, contanto que não tenha polícia incomodando no momento do vício. Algum deles venha conversar com esta vítima agora. Quem bom que nada pior aconteceu, solidariedade à colega…

  • Rosália Sgrott diz: 22 de junho de 2015

    Emocionante e muito real o relato dessa jovem. Na UFSC, só promessas. Todos vivem assustados e quem deveria gerir essa entidade se omite. Quando a imprensa aperta eles prometem mundos e fundos e no outro dia tudo vira fumaça. Virou terra de ninguém. Sugiro que os dirigentes dessa entidade adotem esses oprimidos, maconheiros, desocupados, vítimas da sociedade, sociedade essa falida coma contribuição deles que agem e lêem na cartilha do PT.

  • silverio diz: 22 de junho de 2015

    Este bandido é fabricação destes “reitores” peles vermelhas que escondem tudo de todos. Dizendo que a universidade é nossa e não aceitamos PM. São também estes estudantes bandidos que acham que universidade é para gente “papo cabeça”, dizendo que maconha não é crime, crack não é crime, cocaina não é crime. Queira Deus que esta corja não tenha um filho ou filha estuprada dentro de um “campo de bandidos e não um “campus universitário”. Esta estudante e tantos outros deveriam pegar um destes advogados famosos ($$$) e processar reitores e outros bandidos mandantes de uma universidade PÚBLICA.

  • Silvio diz: 22 de junho de 2015

    Mas se colocarem a PM o pessoal de Humanas na podem mais puxar aquele fuminho do capeta… É aí? Como fica? Já sei! Coloquem-nos para cuidar do Campus! Mas eles não querem é? Então que chamem o Batmam…

  • Elin Ceryno diz: 22 de junho de 2015

    Em qual bairro ou ruas que há patrulhas de Pms? Fora do Campus ela deve andar de carro e nao sabe que o perigo e a insegurança é um problema da cidade nao só da UFSC.

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