Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
 

A ligação entre dois mundos

15 de julho de 2015 5

Acompanhei atentamente, por dever de ofício no estúdio da TVCOM, os quatro discursos durante a solenidade da ponte Anita Garibaldi, uma cerimônia quase espartana no quesito rapapés e salamaleques. Começou às 11h30min e durou pouco mais de 40 minutos. A turma chegou, se acomodou, fotos, falatório, aplausos (com vaias ao fundo) e pronto. Estava inaugurada. Durante o tempo em que permaneceu no palco, a presidente Dilma Rousseff parecia feliz. No discurso deixou transparecer claramente o momento delicado que o país atravessa. Em apenas dois minutos, pronunciou a palavra dificuldade sete vezes. E disso ela bem entende.

Por mais paradoxal que possa parecer, foi em Santa Catarina, justo o Estado com o maior grau de rejeição, que ela recebeu mais manifestações de carinho e apoio do que críticas e xingamentos.

Leia também a análise de Upiara Boschi

Em especial nos pronunciamentos do prefeito de Laguna, Everaldo dos Santos, e do governador Raimundo Colombo. Claro que a claque de quase mil convidados foi selecionada a dedo para adentrar na área do evento, espécie de tenda dos milagres em que todos celebravam um país melhor e que dá certo. Um marciano que chegasse naquele momento se surpreenderia com a popularidade da presidente da República na parte coberta. A turma não menos ruidosa, a dos protestos, estava posicionada do lado de fora a poucos metros, quase debaixo da ponte. Sem metáforas.

Dilma ganha presente e palavras de apoio de Colombo durante inauguração da ponte de Laguna

“Ponte une e permite que se superem obstáculos”, diz presidente durante inauguração da ponte de Laguna

Durante as falas, uma outra mulher rivalizou com Dilma nas citações: Anita Garibaldi, a Heroína de Dois Mundos. Todos falaram da mulher guerreira e coisa e tal. Houve até uma invocação à República Juliana tamanho o entusiasmo dos oradores com a lagunense ilustre (mais na Itália do que aqui). Do prefeito, ela ganhou um quadro com a imagem clássica da combatente no lombo de um cavalo, com o filho no colo.

Foi como se a presidente encontrasse naquele evento, no meio de uma ponte, um bálsamo para aliviar a dor de feridas profundas, que estão longe de cicatrizar. Dilma está acuada por conta de tantas crises numa só: a política, a econômica e a ética. Mesmo de improviso, deu sinais de que acusou o golpe, mas ainda não entregou os pontos. Mirou direto no coração dos peemedebistas ao lembrar do ex-governador Luiz Henrique e demonstrou todo o seu apreço por Colombo, talvez o governador mais próximo dela atualmente no país. Chegou a provocar calafrios na assessoria quase ao final do pronunciamento, quando se meteu a filosofar. “O que é uma ponte? Uma ponte une, fortalece”, concluiu. Ufa, pensaram os mais próximos, escaldados por conta das recentes escorregadelas com mandiocas e teses evolutivas que fariam Darwin revirar no túmulo.

Estela Benetti; Sul de SC inicia nova era de desenvolvimento com a BR-101 duplicada 

A passagem de Dilma por SC foi rápida. À tarde já tinha agenda em Brasília. Quem conversou com ela ao final do evento garante que estava precisando de um pouco de carinho. E ganhou. Na terra de Anita, Dilma percebeu que só resta uma chance ao governo para chegar vivo a 2018: construir com urgência urgentíssima pontes que unam novamente o Brasil, dividido como nunca. Talvez seja tarde demais e nem exista ambiente para tanto. O cenário é imprevisível. E ninguém arrisca dizer como será o dia seguinte a um eventual fim do governo. Por enquanto, a única certeza que se tem é que haverá menos congestionamentos no sul graças à Ponte Anita Garibaldi.

Foto: Mateus Bruxel / Agência RBS

Foto: Mateus Bruxel / Agência RBS

Veja as promessas feitas por Dilma para SC em seu discurso

Ponte de Laguna e túnel do Morro do Formigão serão liberados até esta quinta-feira

comentários

Comentários (5)

  • Ernesto Oliveira diz: 15 de julho de 2015

    O maluco! Foi desestimulado o povo a ir, pelas favas contadas que só iria se aproximar da anta que era correligionários do governador vira casaca que vende seu voto ao PT…não faço parte desta Santa Catarina que vc quer inventar.

  • walter sailva diz: 15 de julho de 2015

    Quero lembrar que a ponte antiga que serve ate hoje, esteve na eminencia de ser destruída na revolução de 1964, pois assim barraria o avanço das tropas vinda do Rio Grande do Sul, em direção ao norte, por por um triz que isto não aconteceu, pois houve uma movimentação intensa das autoridades do estado para impedir

  • robson diz: 16 de julho de 2015

    Bom dia!

    POR DEVER DE OFÍCIO, também, o nobre jornalista deveria também investigar e nos informar sobre a questão do ZELOTES…ah, não pode, porque o patrão tá no rolo….

  • Eng RICARDO AUGUSTO MIRANDA diz: 16 de julho de 2015

    O que mais importa,é essa grandiosa obra de Engenharia,que está sendo inaugurada,graças ao empenho e muita competencia e determinação do Dnit….o resto é balela.conversinha de esquina.

  • Isabel diz: 16 de julho de 2015

    A imprensa catarinense não entendeu nada da metáfora da mandioca, chama a metáfora de escorregão. Quá, quá, quá. Se Darwin estivesse vivo, explicaria essa falta de entendimento de ¨formadores de opinião¨ que repetem o que aprenderam sem questionar. E também parece que não entenderam porque a presidenta fez questão de ¨perguntar¨: O que é uma ponte? Parabéns, Dilma, por fazer a imprensa catarinense começar a raciocinar e não só repetir o que vem do Rio e SP. Que tal sair do conforto da Redação e conhecer melhor Santa Catarina e o Brasil não só pelos olhos e ¨fontes¨ de quem lhes parece ¨confiável¨?

Envie seu Comentário