Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
 

Governo do Estado quer concentrar centrais telefônicas do Samu em Florianópolis

02 de setembro de 2015 3
00b162e0

Marcos Porto

Mesmo para quem defende a mudança, no caso exclusivamente o governo do Estado, fica difícil convencer que a unificação das centrais telefônicas do Samu será melhor para o paciente que necessita de atendimento emergencial. É uma questão matemática: hoje são oito centrais espalhadas pelo Estado e querem concentrar tudo em uma só, localizada em Florianópolis. Atualmente são pelo menos 40 linhas disponíveis e devem baixar para 30. Além disso, o tempo de resposta pode aumentar, segundo os especialistas. E todo mundo sabe que, num caso grave, cada minuto pode fazer a diferença entre a vida e a morte.

Para a Secretaria de Estado da Saúde, a unificação do Samu já é página virada. Afinal, a proposição foi aprovada no dia 20 de agosto em reunião mensal da Comissão Intergestora Bipartite (CIB), fórum integrado por nove representantes do Estado e de nove municípios para implantação e operacionalização do Sistema Único de Saúde (SUS) em Santa Catarina.

Durante a audiência pública para discutir o tema na Assembleia Legislativa, a superintendente de Serviços de Regulação, Lucia Regina Schultz, foi a escolhida para falar em defesa da proposta. Ouviu uma sonora vaia do público que acompanhava o debate. Imagine ter de explicar que o corte de 160 pessoas, no caso profissionais que hoje trabalham no Samu, vai resultar em resultado mais eficiente para o morador de Xavantina, lá no Oeste. Falar em redução de custos é muito bonito em tempos de crise e cai bem para gráfico em palestra para executivos, mas quando estamos falando de salvar vidas, aí a porca torce o rabo.

Por mais que o governo negue, a gênese desta mudança está na nova tentativa de mais uma troca de pneu, mesmo com a ambulância andando. O contrato assinado com a Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (OSPDM), organização social que assumiu a gestão do Samu catarinense por R$ 9.3 milhões, mostrou-se até mais ágil nas operações de contratação de pessoal e compra de material. Mas os encargos ficaram pesados demais para o Tesouro. Resultado: virou bola de neve e o Centro Administrativo acabou acumulando mais uma dúvida, que está sendo quitada aos poucos para que o Samu não pare. A estimativa é que o Estado economize de R$ 1,5 milhão a R$ 2 milhões por mês em repasses ao serviço. O Ministério Público Estadual e o Federal estão acompanhando o caso com lupa. Prometem uma investigação, com o perdão do trocadilho, cirúrgica para analisar as mudanças.

Leia as últimas notícias

comentários

Comentários (3)

  • Carlos Henrique diz: 2 de setembro de 2015

    Se atualmente são gastos mais de 9 milhões por mês nesse modelo de “terceirização”, gostaria de saber qual era o valor consumido no modelo anterior?

    E não vale o governo dizer que não sabe, porque aí é passar recibo de incompetente…

  • Walter Souza diz: 2 de setembro de 2015

    Qual o significado da palavra C O N C E T R A R?

  • Mariana diz: 3 de setembro de 2015

    Saúde é prioridade, para todos, gratuita e assegurada como direito do cidadão. O custo-benefício aqui não pode ser uma conta simples de economia financeira. O benefício pesa e muito nessa balança.

Envie seu Comentário