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Sem confiança, não há independência

07 de setembro de 2015 0

Neste 7 de setembro, fui beber na genialidade de Machado de Assis para desenhar um mal traçado retrato do atual momento. A personagem Capitu, do clássico Dom Casmurro, tem 116 anos e até hoje se discute se ela foi ou não adúltera. O autor construiu uma das maiores obras da literatura brasileira, senão mundial, a partir da dúvida do marido Bento, um teimoso convicto, cego pelo ciúmes. Mas provas da traição da bela jovem morena de olhos grandes nunca se obteve.

O grande problema no relacionamento do casal foi a quebra de confiança. E com a licença dos letrados, a mesma situação se aplica ao Brasil de hoje. Não há mais um elo que una a sociedade ao projeto do governo Dilma. A chama apagou. Ninguém suporta tamanho bombardeio de escândalos e desmandos do jogo sujo travado em Brasília. Uma luta encarniçada do poder pelo poder travada por personagens que há muito deveriam ocupar celas, não mais tribunas.

A presidente, a bem da verdade, está longe de ser uma Capitu, mas o povo brasileiro já encarnou Dom Casmurro, o velho amargurado pela perda do seu grande amor. Falta esperança de melhora na economia ou fim da corrupção – uma praga que corrói as entranhas desta nação desde quando Dom João VI aqui aportou com a corte. Aliás, pobre daquele que acredita que práticas ilícitas são apenas a marca de integrantes de um único partido ou governo. Uma visão deturpada da realidade, no melhor estilo Bento Santiago.

O fato é que a sociedade não crê mais nos sinais que vêm de Brasília. A credibilidade, alicerce da tal confiança, está no negativo, abaixo do volume morto. E sem ela não há como manter um casamento, um namoro, um emprego. Muito menos governar um país.
Quem sabe daqui a um século, historiadores dividam-se entre os que identificam evidências claras de culpa direta de Dilma e os que a inocentam, porque não há provas diretas contra ela (até o momento). Assim como Capitu. Muitos defendem a personagem porque tudo não passou de indícios, sem nunca existir confirmações explícitas. Resta saber se o mesmo ocorrerá com Dilma?

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