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“Ainda se pensa que defesa civil é um órgão público”

25 de outubro de 2015 0
Foto: Divulgação

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Coronel da PM de Minas Gerais e atual coordenador de Defesa Civil de Belo Horizonte, Alves foi gestor do posto de comando em Navegantes na tragédia climática de 2008 e é o único brasileiro a receber o prêmio Sasakawa, maior comenda da ONU em Defesa Civil.
Muito se fala em prevenção para reduzir os danos nas tragédias climáticas, mas estamos no caminho certo?

É uma pergunta difícil, mas estou otimista. Nos últimos 10 anos a política de proteção e a defesa civil têm avançado e temos conquistas a comemorar. Há muitas cidades aderindo à campanha de cidades resilientes da ONU, fazendo com que o Brasil seja o primeiro do mundo em adesão à campanha. Também a academia se aproxima cada vez mais do assunto, produzindo conhecimento valioso para as políticas locais e nacionais. Mas, as mudanças climáticas, o crescimento urbano desordenado e a pouca visão sistêmica de defesa civil nos indicam que há muito trabalho a ser feito, sobretudo na transformação cultural em relação ao assunto.

Países desenvolvidos já têm esquemas montados para pronta resposta com evacuação da população, por exemplo. E aqui?

A proteção civil da população é desenvolvida em cinco fases: prevenção, mitigação, preparação, resposta e recuperação. Estar preparado para a resposta aos desastres é uma das recomendações da ONU para a gestão dos riscos, e nossa legislação também determina isso. O problema é que no Brasil – e na maioria dos países do mundo –, ainda não temos a visão sistêmica da defesa civil. Ainda se acredita que defesa civil é um órgão! Um órgão municipal, estadual e federal! Não pode ser assim… Defesa Civil é um sistema onde todos, absolutamente todos os órgãos públicos, privados e a comunidade, têm papéis fundamentais em todas essas fases. Para a resposta, planos de contingências devem estar elaborados e treinados com todos os agentes envolvidos. Recursos, pessoas, processos devem estar bem estabelecidos para cada tipo de risco. Isso tem avançado mas está muito longe do ideal.

O senhor entende que o modelo de comunicação para alertar a população está correto?

Qualquer forma de alertar precocemente a população sobre a possibilidade de um desastre é correta. Em Belo Horizonte usamos todas as formas possíveis: SMS, redes sociais, imprensa, telefones, tudo. Aqui, nem a população nem os governos estão preocupados com possíveis falhas de previsões. O importante é que, se existe alguma possibilidade de chuvas intensas, ela deve ser comunicada principalmente à população localizada na área de risco. Uma forte mobilização e treinamento com as comunidades inseridas nas áreas vulneráveis auxilia muito na adoção das medidas de autoproteção e proteção comunitária, objetivo maior dos alertas.

Qual o Estado mais bem preparado para enfrentar as catástrofes climáticas no país?

Os desastres acontecem nas cidades. Elas é que devem estar preparadas para gerir seus riscos. Cada lugar tem vulnerabilidades diferentes. Há chuvas em excesso no Sul e seca impiedosa no Nordeste. Há variações de relevo e hidrologia.Tudo isso conta. Há questões de governo envolvidas também. Infelizmente, no nosso país, quando se mudam os governos nas esferas públicas, se não são do mesmo partido, todo um trabalho de avanço nas políticas públicas pode ser perdido – e na defesa civil não é diferente. Para citar um Estado, atualmente gosto muito do trabalho que o Paraná está desenvolvendo! Mas há outros muito bons também!

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