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As pedras vão rolar na Armação

04 de maio de 2013 13

Foto Guto Kuerten

Às vésperas de completar três anos da liberação de R$ 10 milhões em caráter emergencial para as obras de contenção na Praia da Armação, no Sul da Ilha, a União descobriu que nem tudo o que foi contratado com o município acabou realizado. A ressaca varreu a faixa de areia no final de maio de 2010. Em julho, o governo federal já liberava a primeira parcela. Após inspeção do Ministério da Integração Nacional, em abril de 2012, foi constatado que pelo menos 100 metros não receberam o enroncamento, espécie de muro de pedras.

O projeto previa uma extensão de 1.750 metros de rochas. Após as medições, foi constatada a intervenção em 1.650 metros. O engenheiro civil Luiz Carlos Chagas Felipe, da Secretaria Nacional de Defesa Civil, é taxativo em seu parecer: após avaliação técnica, não há como aceitar a obra. Em seu parecer, ele sugere a devolução dos R$ 10 milhões, devidamente corrigidos, aos cofres do governo federal. O caso já está nas mãos do Ministério Público Federal para investigar se houve suposto desvio de recursos.

 Na esfera política, o caso também repercutiu. Luiz Américo, ex-secretário de Obras de Dário Berger à época, pediu exoneração nesta sexta-feira do cargo de secretário adjunto da Secretaria municipal do Continente, função que ocupava desde o início do ano. Na época da ressaca, foi a sua pasta que coordenou os trabalhos de recuperação da praia da Armação. É consenso também que apontar o ex-secretário como único responsável por eventuais problemas seria uma visão muito simplista. O caso promete desdobramentos!

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Turismo da destruição

04 de junho de 2010 18

Praia da Armação. Crédito: Guto Kuerten
Praia da Armação. Crédito: Guto Kuerten

O cenário é desolador. Só mesmo ao vivo para se ter noção do tamanho do estrago.

A manhã acizentada e chuvosa da sexta-feira, com cara e jeito de feriadão, ajuda. Eles vão chegando aos poucos na região da igreja da Armação do Pântano do Sul. Até tímidos.

Descem dos carros e espiam de longe. Aproximam-se lentamente. Apenas pequenas fitas a 30 centímetros do chão isolam a beirada da mureta. O corpo curva à frente na tentativa de ver um pouco mais. Enxergar o estrago de perto. O semblante muda. Silêncio. É difícil expressar. A praia desapareceu.

O mar chicoteia os muros incansavelmente. Não há mais faixa de areia. Somente alguns filetes. Sai de cena o cenário histórico da praia. O paredão de rochas ganha forma. Começa a nascer um novo costão numa extensão de 1,5 mil metros. A tragédia vira atração turística.

Munidos de máquinas digitais e aparelhos celulares, eles não resistem. Querem registrar o desaparecimento daquele local. Leida Maria, proprietária da sorveteria em frente à igrejinha, diz que o movimento aumentou nos últimos dias. Só de gente que aparece para tirar foto, para ver o tamanho da "desgraça".

— É triste — diz.

A expectativa é de que o movimento de turistas aumente ainda mais no final de semana. A previsão da meteorologia é de nova ressaca. Intensa. O medo e a angústia marcam o semblante dos moradores da região.

— As pedras só vão segurar só um pouco, porque contra a força da natureza, não há quem possa — comenta a comerciante.

Quem não resistir à tentação de dar uma espiadinha e for até o local precisa ter cuidado. O tráfego de caminhões carregados com toneladas de pedras é intenso na região. E nada de se aproximar das muretas.

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