Às vésperas de completar três anos da liberação de R$ 10 milhões em caráter emergencial para as obras de contenção na Praia da Armação, no Sul da Ilha, a União descobriu que nem tudo o que foi contratado com o município acabou realizado. A ressaca varreu a faixa de areia no final de maio de 2010. Em julho, o governo federal já liberava a primeira parcela. Após inspeção do Ministério da Integração Nacional, em abril de 2012, foi constatado que pelo menos 100 metros não receberam o enroncamento, espécie de muro de pedras.
O projeto previa uma extensão de 1.750 metros de rochas. Após as medições, foi constatada a intervenção em 1.650 metros. O engenheiro civil Luiz Carlos Chagas Felipe, da Secretaria Nacional de Defesa Civil, é taxativo em seu parecer: após avaliação técnica, não há como aceitar a obra. Em seu parecer, ele sugere a devolução dos R$ 10 milhões, devidamente corrigidos, aos cofres do governo federal. O caso já está nas mãos do Ministério Público Federal para investigar se houve suposto desvio de recursos.
Na esfera política, o caso também repercutiu. Luiz Américo, ex-secretário de Obras de Dário Berger à época, pediu exoneração nesta sexta-feira do cargo de secretário adjunto da Secretaria municipal do Continente, função que ocupava desde o início do ano. Na época da ressaca, foi a sua pasta que coordenou os trabalhos de recuperação da praia da Armação. É consenso também que apontar o ex-secretário como único responsável por eventuais problemas seria uma visão muito simplista. O caso promete desdobramentos!



