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Os riscos da auto-medicação

15 de janeiro de 2011 0

Nos dias de hoje é normal fazermos tudo sozinhos. Um exemplo clássico: ir ao banco significa caixa eletrônico. Isso se não for possível usar o home banking online. O auto-atendimento pode ser prático. O perigo é extender esse estilo de vida à saúde.

Mesmo o mais inocente dos remédios populares, e até produtos naturais, podem não funcionar para você. Quem se auto-medica corre riscos como mascarar o problema, adqurir resistência ao medicamento (o que faz que ele não funcione quando for necessário), sofrer reações alérgicas ou efeitos colaterais severos, e até risco de vida. Outro problema é que o paciente não tem o conhecimento que o médico tem para saber seu diagnóstico. Assim, acaba por usar o remédio errado e/ou de maneira errada e/ou a dosagem e frequência erradas.

Médicos relatam que um erro comum é tomar antibiótico para dor. Antibióticos devem ser administrados por um determinado tempo, que é prescrito pelo  médico de acordo com o tipo de medicamento e do quadro do paciente. “Fazer uso de antibióticos sem seguir orientação médica, ou interrompendo-a quando se sentir melhor, faz com que as bactérias criem resistência ao medicamento”, explica Dra. Lia Mariza Cerutti Scortegagna. É assim que surgem superbactérias, como a noticiada KPC.

Segundo artigo sobre auto-medicação publicado na Revista Brasileira de Otorrinolaringologia (vol.72 no.1 São Paulo Jan./Feb. 2006) entre as medicações mais utilizadas por pacientes otorrinolaringológicos estão: em primeiro lugar os analgésicos e antitérmicos (90%), seguidos pelos antigripais (78%) e antiinflamatórios (69%). Os antibióticos apareceram em penúltimo lugar (11%).

Reprodução

O médico oftalmologista, Roberto Freda, ressalta que o uso de colírios sem orientação médica, além de mascarar um quadro ocular de inflamação ou infecção, podem causar sérios problemas devido a alguns de seus componentes. É  o caso dos corticosteróides. “Aumento de pressão intra-ocular (glaucoma) e catarata são duas potenciais complicações do uso indiscriminado e abusivo destes medicamentos”, alerta.

Mesmo os produtos que se dizem “naturais”, homeopáticos ou fitoterápicos podem levá-lo para o hospital. Foi o que aconteceu com Gabi Rebello. A designer de interfaces digitais que mantém um blog de beleza passou pela sua má experiência com auto-medicação por conta de uma tendinite. Preocupada com a situação escreveu sobre o episódio para alertar seus leitores. “Até hoje eu não havia parado para pensar como o simples ato de usar um medicamento de uso tópico ou oral poderia ser perigoso”, relata.

Gabi diz que há anos, quando sente as dores da LER (Lesão por Esforço Repetido), usa uma pomada anti-inflamatória e toma algum analgésico. No post de seu blog, Lipstick Corner, ela conta que, quando teve a reação alérgica, usou também o inocente óleo de copaíba. O óleo teria propriedades analgésicas e anti-inflamatórias.

“Fiz uso dos três itens, até que no dia seguinte, comecei a sentir muita coceira no antebraço direito e quando dei por mim, ele estava cheio de lesões, ‘bolinhas’ avermelhadas. Imediatamente suspendi o uso dos três medicamentos, na esperança de que a reação passase, mas no dia seguinte o meu rosto do lado esquerdo, apresentava as mesmas características. Atribuí a alergia ao óleo de copaíba, único agente estranho que tive contato, mas sei que também pode ter sido da pomada que uso há anos”, escreveu Gabi Rebello.

Gabi deixou de se auto-medicar depois disso. “Desde este incidente com o óleo de copaíba a farmácia tem sido um local apenas para comprar medicamentos receitados, meu anticoncepcional e produtos de beleza e higiene pessoal. Tenho evitado ao máximo o consumo de analgésicos, anti-térmicos e até medicamentos de uso tópico. Prefiro recorrer a um profissional da saúde antes de sair comprando o que der na telha. Já tive uma experiência ruim e não pretendo repetir a dose”, disse ao blog Viva Melhor.

Confira abaixo o post de Gabi Rebello de 21 de junho de 2010:

Saúde, Beleza & Auto-Medicação

Bem, hoje vim compartilhar com vocês uma situação que enfrentei este fim de semana e que poderia ter sido evitada. Como eu havia dito no post de sexta-feira, estou enfrentando uma crise de tendinite, porém eu não tenho uma rotina de medicamentos que podem ser administrados nestas ocasiões, pelo simples fato de não ter um ortopedista acompanhando a doença. Pois muito bem, quantas de nós não nos auto-medicamos? Ou quantas de nós simplesmente não entramos na farmácia e compramos todos os dermocosméticos que vemos pela frente?

Até hoje eu não havia parado para pensar como o simples ato de usar um medicamento de uso tópico ou oral poderia ser perigoso. Eis que há anos, quando sinto as dores da LER (Lesão por Esforço Repetido), uso uma pomada anti-inflamatória e tomo algum analgésico (geralmente, dipirona sódica). Desta vez fui apresentada à um inocente frasco de um composto natural: óleo de copaíba que dizem ter propriedades analgésicas e anti-inflamatórias.

Fiz uso dos três itens, até que no dia seguinte, comecei a sentir muita coceira no antebraço direito e quando dei por mim, ele estava cheio de lesões, “bolinhas” avermelhadas. Imediatamente suspendi o uso dos três medicamentos, na esperança de que a reação passase, mas no dia seguinte o meu rosto do lado esquerdo, apresentava as mesmas características. Atribuí a alergia ao óleo de copaíba, único agente estranho que tive contato, mas sei que também pode ter sido da pomada que uso há anos.

O fato é que no hospital, além de ser medicada para a tendinite, tive que tomar um anti-alérgico e as lesões ainda não sumiram por completo. O que eu estou querendo dizer com tudo isso? Se cuidar é sempre muito bom, mas devemos sempre ter atenção com tudo que colocamos em contato com o nosso corpo, mesmo que o item em questão seja de origem natural.

Cada organismo é único e reage de uma maneira a certas substâncias, portanto evite ao máximo a auto-medicação. Eu tive sorte de ter apenas uma alergia leve, mas existem casos mais graves que requerem até internação. Cuide-se sim! Mas sempre com a orientação de um profissional e use sempre produtos e medicamentos dos quais você tem conhecimento da procedência, assim você preserva sua saúde e claro, sua beleza.

Fonte: http://lipstickcorner.blogspot.com/2010/06/saude-beleza-auto-medicacao.html

Médicos consultados:

Lia Mariza Cerutti Scortegagna – Ginecologista (CREMERS 15682)

Roberto Freda – Oftalmologista   (CREMERS 20410)

Leia mais:

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-42302001000400001

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