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Cardápio olímpico

08 de agosto de 2012 0

Motim de trabalhadores contra a “junk food” faz o comitê dos jogos romper monopólio do McDonald”s na área de competição.

Um lanche composto de hambúrguer, batata frita e refrigerante é parte do cotidiano de muitas pessoas que fazem as refeições fora de casa, no mundo inteiro. Só que esse trio, além de ser pouco recomendável, no caso de quem preza uma dieta saudável, não é o que se espera encontrar em um evento em que a boa forma física é um dos requisitos para quem busca superar limites nos esportes. Mas é exatamente esse menu que estará à disposição de atletas e do público que vai assistir aos Jogos Olímpicos de Londres – cuja abertura oficial acontece na sexta-feira 27. É bem verdade que o chamado “junk food”, satirizado no filme Super Size Me, do americano James Spurlock, está presente na Olimpíada há muito tempo.

No entanto, em Londres, foi a primeira vez que o Comitê Olímpico teve de lidar com um motim, liderado por operários e voluntários que vão atuar nos jogos. Insatisfeitos com a obrigatoriedade de consumir apenas a batata frita servida pelo McDonald’s, um dos principais patrocinadores da competição, eles ameaçaram cruzar os braços. Deu certo. O comitê liberou a entrada, por exemplo, de outros tipos de batata, como assada, com ou sem recheio, e não apenas a utilizada na composição do famoso e pouco saudável fish and chips, tradicional iguaria britânica, que já era permitida. “Em casos como esse é melhor ceder à pressão que ver sua marca arranhada”, diz Augusto Nascimento, CEO da consultoria BBN Brasil.

Trata-se do clímax de um debate que começou bem antes da construção da Vila Olímpica e foi capitaneado por ONGs que pregam hábitos alimentares mais saudáveis. Uma das mais ativas foi o Fórum Internacional da obesidade, que criticou o descompasso entre o espírito olímpico e os produtos oferecidos pelos patrocinadores. O debate também foi parar no Parlamento britânico e culminou com um pedido de Tessa Jowell, ministra para a Olimpíada, para que os patrocinadores fizessem campanhas contra a obesidade infantil. Em comunicado enviado à DINHEIRO, a Coca-Cola Brasil se defendeu das acusações, argumentando que “nenhuma bebida isolada é responsável pela obesidade ou outros males à saúde”.

A direção do McDonald’s, por sua vez, preferiu não se manifestar. “Essa gritaria já atingiu os fabricantes de tabaco, depois os de bebidas alcoólicas e, agora, a bola da vez é a indústria alimentícia”, afirma Cesar Gualdani, sócio-diretor da consultoria Stochos Sports & Entertainment. A parceria de empresas que fabricam alimentos de alto valor calórico com a Olimpíada vem de longa data. A Coca-Cola aderiu aos jogos em 1928 e o McDonald’s, em 1976. “Ao patrocinar o evento, as empresas buscam vincular suas marcas aos conceitos de união dos povos, dedicação, lisura e de celebração”, diz Eduardo Muniz, professor de marcas em esportes da ESPM.

Autor/Fonte: Carlos Eduardo VALIM | ISTO É DINHEIRO

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