Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros

Sensibilidade ao glúten em pessoas não celíacas: Uma doença pouco conhecida

17 de janeiro de 2014 0

Um crescente problema encontrado na prática clínica é o diagnóstico e o manejo de pacientes que reclamam de sintomas relacionados ao consumo de glúten, mas que não apresentam marcadores diagnósticos de doença celíaca, como sorologia celíaca negativa e biópsias duodenais normais.

Divulgação:www.graciebarra.com

Divulgação:www.graciebarra.com

A prevalência da doença de  sensibilidade ao glúten não celíaca foi estimada em 6% com base na experiência da clínica Maryland (onde, entre 2004 e 2010, 5.896 pacientes consultaram, sendo que 347 atenderam aos critérios para sensibilidade ao glúten não celíaca). Contudo, a verdadeira prevalência na população geral é desconhecida. Além disso, não existem biomarcadores específicos para identificar a sensibilidade ao glúten não celíaca.

 Sensibilidade ao glúten não celíaca é uma expressão genérica e pode incorporar uma grande variedade de sintomas.  Dados de 347 indivíduos avaliados pela clínica Maryland e estudos com  78 pacientes italianos com sensibilidade ao glúten não celíaca mostram que os indivíduos podem associar a ingestão de glúten a sintomas intestinais como desconforto abdominal, distensão abdominal, dor e diarreia (sintomas da  síndrome do intestino irritável) ou a uma variedade de sintomas extraintestinais, como dores de cabeça, “mente nebulosa”, depressão, fadiga, dores musculoesqueléticas e erupções cutâneas.

Não se sabe ainda se é a retirada do glúten especificamente que beneficia os pacientes, ou se outro componente do trigo é o culpado. A opinião de especialistas e um ensaio clínico randomizado, duplo-cego, controlado por placebo sugerem que os frutanos fermentáveis (carboidratos presentes no trigo) podem provocar sintomas gastrintestinais em pacientes com síndrome do intestino irritável. Assim, a retirada do glúten pode, inadvertidamente, estar reduzindo a ingestão de frutanos, que interagem com a microbiota intestinal, havendo produção de gases e fermentação.

Segundo o consenso de especialistas, os indivíduos que relatam intolerância ao trigo ou sensibilidade ao glúten, mas que não apresentam exames compatíveis com a doença celíaca ou alergia ao trigo devem ser diagnosticados com sensibilidade ao glúten não celíaca e excluir alimentos que contenham trigo, cevada e centeio de sua alimentação, pois eles se beneficiam sintomaticamente com uma dieta livre de glúten.

 Ressalta-se, no entanto,  que a sensibilidade ao glúten não celíaca é uma entidade clínica reconhecida há pouco tempo, cujo curso natural e cuja fisiopatologia ainda não são totalmente compreendidos.

  Fonte: Imran Aziz, Marios Hadjivassiliou, David S Sanders

Departamento de Gastrenterologia/Neurologia, Royal Hallamshire Hospital, Sheffield S10 2JF, Reino Unido

 

 

Envie seu Comentário