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Transplante da microbiota fecal

17 de março de 2015 0

A microbiota intestinal humana exerce um papel importante tanto na saúde quanto na doença e em alguns aspectos, a manutenção de uma microbiota saudável se assemelha a cuidar de um jardim. Algumas enfermidades  ou mesmo o uso de antibióticos podem levar à degradação total deste ecossistema.

Embora seja possível a recuperação espontânea da microbiota intestinal, não é garantido que ela ocorra em todos os casos. Devido a isto, algumas estratégias podem ser utilizadas: o tratamento mais comum consiste em administrar probióticos e prebióticos.

A suplementação da dieta com carboidratos não digeríveis, conhecidos como prebióticos é benéfica, porque eles estimulam seletivamente o crescimento e a atividade de uma ou mais espécies bacterianas no cólon.

www.newsatjama.jama.com

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Outra forma de recuperação ou fortalecimento deste ecossistema intestinal se dá  por meio da  ingestão de micro-organismos vivos, administrados em quantidades adequadas e que conferem benefícios à saúde do hospedeiro (probióticos).

Entretanto em alguns casos graves de diarreia crônica é necessário lançar mão de uma medida capaz de restaurar a complexa microbiota intestinal por completo e neste caso o transplante fecal é uma opção terapêutica.

Apesar de poucas pessoas conhecerem esta técnica, o transplante fecal não é uma prática nova. O primeiro caso foi descrito em 1958, mas o segundo caso ocorreu somente em 1981. Hoje este tipo de terapia é utilizado por vários especialistas com sucesso.

Existem muitos relatos de transplante de fezes através de colonoscopia ou sonda nasogástrica, e a maioria destes procedimentos estavam relacionados à utilização desta técnica no tratamento da infecção por Clostridium difficile, para o restabelecimento da microbiota após a infecção.

Em um estudo realizado com  19 pacientes infectados por C. difficile  que foram submetidos a um transplante de fezes,verificou-se que os mesmos permaneceram livres da doença por até quatro anos. Este resultado sugere que a terapia do transplante fecal pode ser benéfica para o tratamento desta doença, e segundo outros trabalhos é eficaz no tratamento de outros tipos de gastroenterites. Existem estudos  que relatam que o uso progressivo de antibióticos contra C. difficile e outros micro-organismos também é capaz de afetar negativamente a microbiota e sugerem que a recolonização do trato intestinal por uma nova microbiota pode ser empregada através do transplante.

Em outra pesquisa sobre o tema, foram utilizadas técnicas moleculares a fim de reconhecer os grupos microbianos bioindicadores de uma microbiota “saudável” ou “doente”. Este estudo descreve o efeito de uma bacterioterapia através de um transplante fecal em pacientes com diarreia a fim de restabelecer a microbiota do cólon. Firmicutes e Bacteriodetes não foram encontrados nos indivíduos doentes e dias após o transplante já foi possível ver reestabelecimento da microbiota e a recuperação do quadro clínico.

O Transplante fecal, embora pareça ser uma abordagem estranha para os leigos, pode ser uma boa opção de tratamento e tem a capacidade de restabelecer a microbiota intestinal saudável.

Referência:
Disponível em: <http://www.microbiologia.ufrj.br/informativo/novidades-sobre-microbiologia/448-transplante-fecal-restaurando-nosso-ecossistema-interno>.

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