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Emoções negativas e o consumo alimentar

23 de março de 2015 0

Problemas comuns do cotidiano como questões financeiras, discussões com o cônjuge, preocupações com os filhos e violência doméstica, levam a emoções negativas como angustia, tristeza, ansiedade e, mais que isso, pode levar mulheres a aumentarem significativamente a ingestão de alimentos energéticos.

Esse é o principal resultado de uma pesquisa do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP. Nessas situações, os pesquisadores verificaram que as pessoas não escolhem alimentos doces saudáveis, como frutas, por exemplo, mas preferem os que não são saudáveis, que na pesquisa foram representados pelo brigadeiro.

O objetivo do estudo foi verificar a influência das emoções negativas, geradas por tensões do cotidiano, no consumo energético e de doces considerados saudáveis e não saudáveis por mulheres com sobrepeso e com peso normal, chamadas eutróficas.

www.nutrasaude.com.br

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Para chegar a esse resultado, 43 voluntárias, 20 com sobrepeso e 23 com peso normal, passaram por duas intervenções, com sessões de vídeos, em dias diferentes, com intervalo de no mínimo dois e no máximo de sete dias.

Cada mulher assistiu a dois vídeos em pequenos grupos. O vídeo que buscava gerar emoções negativas foi montado com trechos de histórias que abordavam problemas como: discussão entre cônjuges, problemas no trânsito, dificuldades financeiras, falta de reconhecimento no trabalho, assédio sexual, traição, toxicodependência (álcool e drogas), e violência doméstica. O outro vídeo que tinha o objetivo de não gerar emoção, abordava situações corriqueiras como: acordar, escovar os dentes, caminhar, conversar com colegas, entre outras.

Após as sessões, foram oferecidos lanches às voluntárias. Elas poderiam consumir à vontade. O lanche era composto por salgados, pão de queijo e bolinha frita de queijo, e bebidas, suco de laranja sem açúcar e refrigerante e, entre estes alimentos, havia os alimentos doces: uvas representando o doce saudável, e o brigadeiro, considerado não saudável.

Ao ser comparado o consumo energético quando elas foram expostas ao vídeo com cenas como acordar e dormir, que visava não gerar emoção, o consumo energético das mulheres com sobrepeso foi 39% maior em relação àquelas com peso normal, mostrando que este grupo come mais que o grupo de mulheres com peso normal.

Quando as mulheres de ambos os grupos foram expostas às emoções geradas por problemas como questões financeiras e violência doméstica, entre outros, os dois grupos aumentaram significativamente o consumo energético, principalmente comendo doces não saudáveis. Curiosamente, as mulheres com peso normal apresentaram aumento significativamente maior do que as participantes com sobrepeso, em relação ao vídeo que visava não gerar emoção.

Tanto o consumo energético foi maior, como o de doce não saudável. Elas aumentaram em 82% a ingestão de doce não saudável e 51%, o consumo energético, enquanto o grupo com sobrepeso aumentou 48% e 39%, respectivamente.

Para pesquisadores, uma possível explicação para esse resultado é que as pessoas com excesso de peso são mais vigilantes e podem estar mais alertas para situações em que podem se exceder.

Referência:
Disponível em: <http://www.asbran.org.br/noticias.php?dsid=1268>.

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