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O mapa das desigualdades no Brasil

20 de junho de 2015 1
Apesar de ter diminuído, ainda somos um país de muita desigualdade social

Apesar de ter diminuído, ainda somos um país de muita desigualdade social

O Brasil dos anos 1960 era um país rural, com três quartos de sua população funcionalmente analfabeta e esmagadoramente católica. O mercado de trabalho tinha amplo predomínio masculino. Poucas mulheres trabalhavam fora de casa, e tinham em média seis filhos. A desigualdade entre brancos e negros começava já no acesso ao ensino fundamental.

Cinquenta anos depois o Brasil já era um país altamente urbanizado, com 85% de seus habitantes vivendo em cidades. Entre os jovens, a conclusão do ensino básico tornou-se praticamente universal. O analfabetismo funcional chegou a 20% da população e concentra-se entre os mais velhos. A sociedade tornou-se cada vez mais plural em termos religiosos, ter filhos passou a ser uma escolha, as mulheres tornaram-se maioria na universidade e deixou de haver diferenças entre profissões tipicamente masculinas ou femininas.

Estes dados estão na apresentação do recém-lançado livro “Trajetórias das desigualdades: como o Brasil mudou nos últimos 50 anos”, organizado pela professora Marta Arretche, titular de Ciência Política da USP. Muita coisa melhorou nestas cinco décadas, mas o estudo deixa claro, também, que as desigualdades ainda existem e que temos um longo caminho a percorrer no sentido de oferecer as mesmas oportunidades a toda a população deste imenso país.

As boas notícias: a taxa de mortalidade infantil caiu de 69 para 16 por mil nascidos vivos; a esperança de vida subiu de 62 para 73 anos; e o acesso muito maior ao ensino médio e superior exerce grande impacto no funcionamento do mercado. A desigualdade de renda entre os mais ricos e os mais pobres também vem caindo bastante, mostra a pesquisa. O piso da renda dos 5% mais ricos já correspondeu a 79 vezes o teto da renda dos 5% mais pobres. Hoje, está em 36 vezes, número ainda considerado muito alto pela pesquisadora.

“ O Brasil ainda está entre os países mais desiguais da América Latina”, diz Arretche, e para que esta situação mude de vez, diz ela, é necessário que políticas públicas eficientes sejam implementadas, e por um longo período de tempo. O trabalho foi feito por uma equipe de 23 pesquisadores, a partir da sistematização de dados dos censos do IBGE.

Comentários (1)

  • Eduardo Schmitz diz: 20 de junho de 2015

    Lendo nos jornais e assistindo na TV os noticiários sobre a grande maioria dos adolescentes preferirem não ler e adorarem baladas, tendo a impunidade dos pais e apoio das leis aos agressores de professores, com o desrespeito dos governantes aos professores e depredação crônica das escolas, só poderia ser este o retrato do Brasil.

    Queriam o quê com povo que não lê? A Suíça

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