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Novidade!

26 de outubro de 2015 0

Olá! O blog da Viviane Bevilacqua agora tem um espaço exclusivo no site do Diário Catarinense. Acesse: http://dc.clicrbs.com.br/sc/colunistas/viviane-bevilacqua.

Reconstruindo vidas

24 de outubro de 2015 0

 

Mas de duas semanas de chuva provocaram muitos estragos em SC

Mas de duas semanas de chuva provocaram muitos estragos em SC

 

 

Muitas pessoas atingidas pelas chuvas e enchentes em Santa Catarina precisarão de ajuda para recuperarem suas casas e recomeçarem suas vidas depois que as águas baixarem. E solidariedade com certeza não faltará, como nunca faltou, porque sempre tem gente de bom coração disposta a ajudar. Um grupo de amigos de Florianópolis, por exemplo, já se mobiliza para comprar material de construção _ cimento, telhas, madeira, calhas e o que mais precisar _ para ajudar aqueles que moram próximos aos rios e que hoje têm suas moradias quase submersas pela água.

Eles não querem que seus nomes apareçam, gostam de ajudar de forma anônima, e assim como muitos outros que conheço, não têm o hábito de contribuir com dinheiro nem de mandar donativos pedidos através de campanhas públicas, porque dizem estar cansados de ver as mercadorias doadas se perderem, serem extraviadas ou, então, apodrecerem antes de chegar a quem realmente necessita. “Todas as vezes que acontece uma tragédia como essa é a mesma coisa: passadas algumas semanas, os veículos de comunicação começam a exibir cenas de montanhas de roupas e outras doações que ficaram estocadas em algum galpão, até mesmo porque muitas prefeituras do interior não têm sequer estrutura para fazer a entrega. E por mais cruel e incrível que pareça, até mesmo com os alimentos já aconteceu coisa semelhante. Não foi uma nem duas vezes que soubemos que os produtos apodreceram ou perderam a validade, enquanto as pessoas tinham comida racionada nos abrigos”, explica o voluntário, que, além de material de construção,já está estocando produtos de limpeza na garagem de casa, tudo fruto da doação de amigos.

A “caravana do bem”, como ele nomeia a sua turma, não tem itinerário fixo. Segue em carros, vans, jipes e até mesmo em caminhões, como já aconteceu em outras enchentes, para ajudar a quem precisa. “Estamos passando na rua e vemos que um morador está reconstruindo o telhado e precisa de ajuda, então estendemos a mão. Depois, seguimos viagem, sempre procurando aqueles que estão com mais dificuldade de se reerguerem sozinhos, ou que ficam muito tempo à espera da ajuda oficial, que nem sempre aparece”, conta A conversa foi curta, porque o trabalho de angariar donativos e formar uma “grande e secreta” rede de solidariedade não pode parar. Eles com certeza terão muito trabalho nos próximos dias.

Um outro olhar para a cidade

23 de outubro de 2015 0
Estudantes na ágora da Praça XV, em Florianópolis, para iniciar a visita ao Centro da cidade

Estudantes na ágora da Praça XV, em Florianópolis, para iniciar a visita ao Centro da cidade

 

Era noite alta, fazia frio e as ruas da cidade estavam desertas. Gê chega à Praça XV, no Centro, e confirma o que tinham lhe contado: o seu melhor amigo delirava deitado num banco. Daquela vez, pelo menos, não era cachaça nem droga. O rapaz, sempre tão franzino, de saúde frágil, ardia em febre. Era por isso que dizia coisas desconexas, num estado de semi-consciência. Chamar ambulância não mudaria a situação – talvez se esperasse pelo socorro o amigo morreria antes mesmo da viatura chegar.

_ Morador de rua não é público preferencial _ dona.

Ele sabe disso porque também vive na rua há quase quatro anos. Sem alternativa mais fácil e rápida, Gê colocou o amigo nas costas e saiu caminhando, da Praça até o Hospital Celso Ramos. Era um passo e um suspiro. Um passo e um gemido, de febre, de dor, de cansaço, tudo misturado.  Nas ruas escuras, a figura dos dois, assim, grudados um no outro, parecia uma miragem. Ou cena de um filme surreal. Já perto do hospital um taxista passou devagar pelos dois. Parou, voltou, ofereceu ajuda. Um alívio para Gê, que, mesmo  arqueado e quase sem forças, dizia o tempo todo para o amigo que tudo iria acabar bem.  A carona foi mais do que providencial.  Um alívio. Enquanto o amigo esteve internado, Gê não arredou pé de lá. Voltaram para Praça XV alguns dias depois. E assim eles seguem, um cuidando do outro.

_ Temos vários parceiros aqui, a gente se ajuda. Mas eu e ele somos família. Coisa de irmão mesmo, parceria pra vida _  contou Gê, para uma pequena plateia que o fitava de olhos arregalados e curiosos.

Esta foi uma das histórias incríveis que os alunos do segundo ciclo do curso de jornalismo da Unisul/Pedra Branca/Palhoça tiveram a oportunidade de ouvir, nesta semana, durante uma vivência no centro de Florianópolis. Eles foram às ruas, à noite  _ e especialmente para a Praça XV e seus arredores _  a fim de enxergar a cidade e as pessoas que ocupam estes espaços , e que muitas vezes parecem ser invisíveis aos olhos da sociedade.

Para muitos estudantes, foi o primeiro encontro com pessoas que vivem realidades tão diferentes, mas que, ao mesmo tempo,  têm muito em comum. Os jovens se surpreenderam, por exemplo, ao descobrirem que entre as pessoas em situação de rua, na praça, há um ex-estudante de medicina e outro de sociologia, além de um escritor que todos os dias escreve um trecho de um livro em pedaços de papel e que sonha em um dia poder publicar sua obra. Também puderam conversar com pessoas que trabalham à noite no Centro _ como a dona de uma banca de jornais que está ali perto da praça há mais de 40 anos, um pipiqueiro, um poeta que ganha a vida vendendo seus poemas. Eles estão apenas começando a descobrir que a rua é o palco onde a vida acontece, e que todo mundo tem uma boa história  para contar, basta, para isso, que estejamos dispostos a ouvi-la.

Um futuro assassinado

22 de outubro de 2015 7

 

Imigrante haitiano trabalhava em um estaleiro de Navegantes

Imigrante haitiano trabalhava em um estaleiro de Navegantes

Comecei a escrever este texto várias vezes e apaguei, porque é muito difícil conseguir transmitir em poucas linhas o sentimento de tristeza, revolta e indignação que atos covardes como o brutal assassinato do imigrante haitiano Fetiere Sterlin me causam. Seus agressores sequer o conheciam, antes do derradeiro encontro. É bem provável que nem soubessem seu nome, muito menos a sua história, a tristeza que ele deve ter sentido quando teve que deixar sua família e sua pátria para tentar uma vida melhor em um país tão distante do Haiti.

Os assassinos _ sim, porque é isso o que eles são, independente da idade que tenham _ pouco se importavam se Fetiere, depois de muitos anos penando com a miséria extrema de seu país, finalmente agora podia comemorar, junto à mulher por quem se apaixonou no Brasil, o fato de ter um emprego fixo, em um estaleiro, que lhe proporcionava uma vida boa. Sem luxos nem riqueza, mas com a garantia de um teto para abrigá-los e comida suficiente à mesa. Para quem chegou ao país com uma ou duas mudas de roupa na mochila e muita esperança no coração, a vida nova em Navegantes, cidade litorânea catarinense, provava ao imigrante que todo o esforço e sofrimento vivido nos últimos anos havia valido a pena.

Um bando de covardes acabou com todos os planos para o futuro de Fetiere e Vanessa, sua mulher, justo agora em que ele começava a acreditar que o seu amanhã seria muito mais bonito e justo do que fora o seu passado. Filhos? Provavelmente também era um desejo deles. Quem sabe até já haviam escolhido o nome das crianças, como costumam fazer os casais apaixonados. Só que na noite do último sábado Fetiere foi brutalmente assassinado a golpes de facas. Muitos golpes, até cair no chão, numa poça de sangue.

O que ele fez de errado para despertar tanto ódio? Na visão deturpada e preconceituosa daqueles que se acharam no direito de tirar-lhe a vida, devem ter sido vários os pecados do haitiano: vir para o Brasil, ser negro, ter conseguido emprego na indústria naval, falar outras línguas, apaixonar-se por uma mulher brasileira (e ser correspondido por ela) e, principalmente ter respondido à altura, mesmo sem levantar a voz, quando seus agressores o chamaram de ‘macici’ (homossexual, na língua crioula). Ele disse: “Homossexuais são vocês”, e continuou caminhando, sem olhar para trás. Normalmente Fetiere aguentava calado as provocações e xingamentos _ as humilhações sofridas pelos imigrantes infelizmente são bem comuns.Naquela noite, porém, ele revidou, e isso deve ter despertado a ira dos agressores.

Fetiere era um homem de paz _ os próprios colegas de trabalho dele atestam isso _ , mas bastou revidar o xingamento para, minutos depois, o bando voltar com pedaços de pau, pás e facas. Não houve tempo para salvá-lo. Morreu antes de chegar ao hospital. Milhares de pessoas são vítimas de preconceito todos os dias, muitas vezes pagando com a vida por crimes que nunca cometeram. Enquanto isto, quem agride quase sempre continua livre, destilando ódio e maldade, sem punição. A polícia prendeu ontem algumas pessoas que teriam participado do ataque. Um deles, de 17 anos, confessou o assassinato, mas contou uma história bem diferente. Disse que Fetiere havia se insinuado para sua namorada. E se for verdade, merecia morrer por isso? Espera-se que a história não termine assim, até para que não aconteça de novo. À Vanessa só resta, agora, dar um sepultamento digno ao seu companheiro. E avisar a família dele, no Haiti, que o sonho acabou.

 

Profissionais de hoje querem mais do que salário

21 de outubro de 2015 4

 

Ter uma carreira profissional hoje adquire um novo significado

Ter uma carreira profissional hoje adquire um novo significado

 

 

Trabalhar a vida inteira na mesma empresa, até se aposentar, era motivo de orgulho para os profissionais de todas as áreas, até poucas décadas atrás. “Fazer carreira” na firma era tudo o que desejávamos. Sinal de que tínhamos competência e de que éramos indispensáveis à organização. “Comecei e encerrei minha vida lá dentro”, dizia meu avô, com o peito estufado, por nunca ter trocado de emprego na vida. Era o máximo que se podia almejar. Hoje as coisas são bem diferentes. Ter só uma assinatura de empregador na Carteira de Trabalho não quer dizer muita coisa. Ou, talvez até queira: que você é um acomodado ou não sabe aproveitar as chances de crescer e ter experiências novas quando elas aparecem. Ou, melhor: que você é um dos felizardos que realmente deu sorte na vida e foi muito feliz durante dezenas de anos trabalhando no mesmo lugar e nunca sentiu vontade de mudar de ares. Mas isso é para poucos.

Os jovens chegam ao mercado de trabalho com outra mentalidade e um jeito novo de enxergar e planejar seu futuro profissional. Estabilidade no emprego a vida inteira já não está nos planos, pelo menos da maioria (a não ser daqueles que se dedicam a estudar para passar em um concurso público, por exemplo). O que os novos profissionais almejam é boas oportunidades de crescer, evoluir, inovar e enfrentar desafios. Bons salários? Claro que todo mundo quer ganhar bem, mas segundo pesquisa recém-publicada pelo Institute Top Employers, receber uma boa remuneração não é tão importante assim. Estes profissionais estão em busca, também, dos ganhos não-financeiros. “Embora o salário ainda seja primordial, itens como horários flexíveis de trabalho, o atendimento às mudanças no estilo de vida (como, por exemplo, a chegada de um bebê), a aprendizagem, o desenvolvimento e o reconhecimento tornaram-se fatores decisivos nas ofertas de emprego e na retenção de talentos. E esta é uma tendência irreversível “, analisa David Plink, CEO do ITE.

A pesquisa foi feita com 600 empresas, de 96 países. E 37% delas já reagiram a essa tendência, criando conjuntos de benefícios, incentivos e subsídios capazes de reter os seus talentos. Esse é o caminho, já que para estes novos profissionais a estabilidade no emprego não está entre suas prioridades.

 

SC: ainda há muito o que melhorar

20 de outubro de 2015 0
SC não é só praia. Serra do Rio do Rastro é um ponto turístico que encanta nossos visitantes

A Serra do Rio do Rastro é um local turístico que encanta nossos visitantes

 

Ainda repercute, mesmo tendo passado quase um mês do anúncio, a informação de que Santa Catarina foi escolhida por votação popular dos leitores da prestigiada Revista Viagem e Turismo como o Melhor Estado para se visitar no Brasil. Escrevi aqui neste espaço, na ocasião, que “eu já sabia” desta preferência, porque SC realmente se difere e se sobressai no cenário turístico nacional, por vários motivos. O principal deles, eu acredito, é a diversidade de seu povo _ temos descendentes de mais de 20 etnias diferentes _ o que resulta em um mosaico cultural exuberante. Em um passeio de final de semana, por exemplo, os visitantes podem conhecer tradições (gastronomia, cultura, arquitetura, linguajar) trazidas pelos imigrantes açorianos, italianos, alemães, japoneses, austríacos e poloneses. Em que outro estado esta riqueza cultural é tão presente?

 

A leitora Simone Neckel concorda com a coluna. Ela escreve contando que é de Itapiranga, município de colonização alemã situado no Extremo Oeste, cidade-berço da mais antiga Oktoberfest realizada no Brasil. “Embora eu não conheça todo o Estado, acredito que SC é o mais bonito e interessante do Brasil devido à sua diversidade cultural, e acho que o governo deveria incentivar cada vez mais o que temos de melhor”, acrescenta. Outro leitor, que assina como “El Mestre” manda uma sugestão muito importante: “Fale também da cultura Afro, que com seus descendentes contribuem para a riqueza cultural do nosso Estado”. Ele lembra que em Criciúma é realizada a Festa das Origens, onde a cultura africana se faz presente. E parabeniza a nossa mistura étnica, que faz do povo de SC “o melhor do Brasil”. Mesmo quem é de fora concorda com as qualidades da nossa terra. Adriel Batista Correia de Melo, de Maceió, escreveu contando que já esteve três vezes por aqui, “turistando”, e que pode assegurar que “é o melhor e mais bonito Estado do Brasil.”

 

Esta opinião, no entanto, não é unânime. O engenheiro Ricardo Augusto Miranda, por exemplo, enviou e-mail contestando a escolha dos leitores da revista Viagem e Turismo. Ele disse que gostaria de saber quais são os critérios usados nesta eleição dos melhores estados para se visitar no Brasil. Entre suas críticas está o fato de Florianópolis, a capital de Santa Catarina não ter sequer tem um aeroporto decente. “É inclusive o pior entre as capitais brasileiras”, salienta. Além disso, diz o engenheiro, as nossas estradas estão em péssimas condições. “As estradas federais são caóticas. Como entender esta preferência do público?”, questiona. Realmente, ele não deixa de ter razão. SC é linda, sim. Mas isto não significa que está tudo ok. Ainda há muito a melhorar _ e a infraestrutura é o nosso calcanhar de Aquiles.

A educação do futuro

19 de outubro de 2015 2
Novas tecnologias podem ajudar o professor a tornar a aula mais interessante

Novas tecnologias podem ajudar o professor a tornar a aula mais interessante

 

Como será a educação no futuro? Eu me pergunto isso todas as vezes que entro em uma sala de aula. Acho que estamos no meio do caminho: todos já nos demos conta de que a figura tradicional de um professor com um giz na mão, enchendo o quadro negro de textos, já não existe mais _ ou, pelo menos, está fadada a desaparecer em pouco tempo. A tecnologia está transformando a sala de aula de uma forma tão rápida e surpreendente que fica até difícil imaginar o que vai acontecer daqui para frente. Uma coisa, porém, é certa: o mundo mudou e a educação também. As inovações tecnológicas vieram para ficar, e sabendo usá-las, todos só temos a ganhar com esta revolução. É um momento fantástico para aprendermos juntos, pais, professores e alunos.

Mais um passo no sentido de entendermos e nos situarmos neste novo tempo será dado amanhã, quando acontece em Florianópolis a terceira edição do Seminário Internacional de Educação, promovido pela Fiesc. Educação, inovação e desenvolvimento econômico serão temas de debates de especialistas brasileiros e internacionais. Já na abertura, o professor da Fundação Getúlio Vargas, Roberto Castello Branco, tentará responder à pergunta mais instigante do evento: Como será o mundo em 2030 em relação à economia e à educação? Acho tão complicado saber o que vai acontecer no Brasil até o final do ano, imagina então prever como estará o mundo daqui a 15 anos…

A troca de experiências é sempre muito importante, e este também é um dos objetivos do seminário. Ao longo do dia, serão conhecidas histórias bem-sucedidas em educação de países como a China (Xangai), que lidera a avaliação internacional de desempenho dos estudantes: e dos Estados Unidos (Boston), que abordará as inovações recentes no Vale do Silício, região da Califórnia na qual está situado um conjunto de empresas voltadas à geração de inovações científicas e tecnológicas. E também especialistas da Finlândia vão falar sobre o trabalho que realizam de capacitação de professores das entidades da Fiesc. Muito legal conhecer estas experiências positivas que vêm de fora e _ por que não? _ se for o caso, adaptá-las também para a realidade brasileira.

No encerramento do seminário, que será realizado na sede da Fiesc, em Florianópolis, Mozart Ramos lança seu livro Educação Brasileira: Uma Agenda Inadiável. Além de conselheiro do Movimento A Indústria pela Educação, ele dirige a área de Articulação e Inovação do Instituto Ayrton Senna, ONG dedicada especialmente à educação básica no Brasil.

Esquizofrenia atinge cerca de 1% da população mundial

17 de outubro de 2015 1
Esquizofrenia atinge cerca de 1% da população mundial

A Esquizofrenia atinge cerca de 1% da população mundial

 

“Minha mente está perturbada, e as pessoas já não querem mais conviver ou ficar ao meu lado. Só Deus sabe o que se passa em minha cabeça. Tenho medo de revelar o que penso. Às vezes chego a temer a mim mesmo. Eu sou uma bomba, pronta para explodir. Sou algo que ninguém pode ajudar, estou sozinho, talvez só tenha a Deus como meu confessor. Só ele sabe de meus sábios pensamentos. Sou que nem o anjo rebelde. Acho que ele e eu temos muitas semelhanças. O anjo rebelde quer enfrentar Deus, seu criador. Queria ele ser o próprio Deus. Em mim existem dois lados, o bom e o mau. O mal tenta vencer o bem a toda hora. O consciente contra o inconsciente. Deus e o anjo rebelde. Não sei quem vai vencer”.

Quem assina o texto é Israel Vieira Rocha, diagnosticado aos 15 anos com Esquizofrenia, após um surto que resultou na sua primeira tentativa de homicídio. Ele mora em Tubarão, no Sul do Estado, e acaba de lançar seu primeiro livro Notas de uma mente com esquizofrenia, pela Editora da Unisul. Desde pequeno ele gosta de ler e escrever, atividades que funcionam como uma espécie de “terapia” para acalmar sua mente, sempre agitada e, muitas vezes, confusa. No livro, Israel conta passagens de sua vida desde a adolescência, fala sobre o grande amor de sua vida, e agradece a proteção e o carinho incondicional que recebe da mãe, que está sempre ao seu lado, nas horas boas e nas mais difíceis, especialmente nos momentos de crise.

Com os tratamentos, Israel conta que está melhor, e que seu sonho de viver como escritor está começando a se concretizar. A esquizofrenia vem sendo estudada há muito tempo, e seus sintomas mudam muito de indivíduo para indivíduo. Em geral, caracteriza-se pelos delírios e pensamentos irreais, alucinações auditivas e visuais, pensamento e fala desorganizados, alterações do comportamento, ansiedade e até impulsos agressivos. O isolamento social, a apatia e a indiferença emocional são também possíveis manifestações da doença. O importante é que se saiba que embora ainda não exista cura para ela, a esquizofrenia pode ser tratada, permitindo que a pessoa viva de forma saudável e produtiva, desde que siga à risca todas as prescrições médicas.

O livro de Israel Rocha está sendo vendido a R$ 20, e todo o valor arrecadado será revertido para a Clínica de Saúde Mental da Unisul. Para mais informações e aquisição do livro: editora@unisul.br ou 48 3279-1175.

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Fotografias: lembranças que não se apagam

16 de outubro de 2015 0
Sejam fotos antigas ou atuais, o que importa é que elas não desapareçam

Sejam fotos antigas ou atuais, o que importa é que elas não desapareçam

 

Posso ser antiquada, mas a verdade é que gosto muito mais de fotografias reveladas e ampliadas no papel do que de fotos digitais. Adoro ver álbuns antigos, folhear páginas que me trazem boas lembranças, de um passado nem tão distante assim. Sei que hoje tudo é muito mais ágil, fácil, prático e provavelmente com uma qualidade superior, mas não adianta. Gosto de pegar a foto na mão, fazer o quê? Já digitalizei centenas de fotos antigas _ algumas com quase um século de história. Acho importante guardá-las também desta forma, para que não se percam. Tento unir o melhor das duas épocas: uso a máquina fotográfica digital, mas mando ampliar no papel as fotos de que mais gosto.

Os avanços tecnológicos nos permitem armazenar documentos, músicas, fotos e vídeos de forma digital. “Os computadores, celulares, tablets e pen drives ocupam, hoje, a função das gavetas de anos passados”, diz uma frase que li há pouco. E é verdade. A grande vantagem é que os arquivos digitais não ocupam espaço. Mas será que são realmente seguros?

Fiquei pensando nisso quando li uma declaração do vice-presidente do Google e co-criador da web, Vint Cerf, que diz estar preocupado com as imagens e documentos que hoje estão salvos apenas em formato digital. Ele acredita que esses arquivos possam ser perdidos em algum momento da história, à medida que hardware e software se tornem obsoletos. Cerf teme que as gerações futuras possam não ter nenhum registro do século XXI, o que levaria a humanidade a uma “Idade das Trevas Digital”.

Já pensou em perder todas as fotos do seu casamento, do nascimento do filho, daquela viagem especial e única? Óbvio que sair imprimindo toda e qualquer foto é desperdício de dinheiro e, também, uma atitude antiecológica. Mas não custa nada separar aquelas lembranças mais queridas e que estão guardadas apenas em meios digitais e mandar fazer algumas cópias _ ou imprimi-las em casa, se for o caso, e garantir que elas não irão desaparecer. Eu já fiz isso.

 

Escola de Princesas, um retrocesso

15 de outubro de 2015 11

 

Etiqueta na hora do chá, uma das "disciplinas" da escola que prepara princesas

Etiqueta na hora do chá, uma das “disciplinas” da escola que prepara futuras “rainhas”

 

As meninas, principalmente as bem pequenas, são apaixonadas por princesas. Adoram fantasias com saias longas e volumosas, coroas brilhantes e varinhas mágicas. É muito bonitinho, como brincadeira. Só que tem gente levando essa ideia a sério demais: foi inaugurada este mês em Belo Horizonte a quarta Escola de Princesas, nas quais meninas de 4 a 15 anos podem se matricular para aprender a “se portar, cuidar dos afazeres domésticos e da estética e se preparar para o matrimônio”. Parece brincadeira, mas não é. O difícil é acreditar que muitas famílias pagam _ e muito _ para transformar suas filhas em “princesas”. Em que mundo será que elas vão viver?

A Escola de Princesas, claro, já virou polêmica nas redes sociais. A maioria das pessoas, entre as quais eu me incluo, acha a proposta estapafúrdia, por acreditar que as meninas devem ser educadas para a vida, seguras e confiantes o bastante para escolherem o futuro que desejarem. Casar deve ser uma opção e nunca uma imposição, assim como ter filhos, construir uma carreira profissional, morar sozinha, viajar pelo mundo… Enfim, cada uma deve buscar a sua própria realização, e aos pais cabe aconselhar, estar por perto para apoiar e transmitir segurança, mas nunca escolher pela filha. O futuro é dela.

Uma das propostas da Escola de Princesas é preparar as meninas para encontrar seu príncipe encantado e serem felizes para sempre, igual às histórias de princesas. “O passo mais importante na vida de uma mulher, sem dúvida nenhuma, é o matrimônio. Nem mesmo a realização profissional supera as expectativas do sonho de um bom casamento”, prega a tal Escola. Parece que eu estou lendo uma daquelas revistas femininas dos anos 40-50 do século passado. No curso, que tem duração média de quatro meses e é dividido em módulos, as futuras princesas aprendem como se tornarem boas esposas e boas donas de casa, além de cuidarem da aparência, “nosso principal cartão de visitas”, segundo o curso.

Uma outra propaganda diz que “toda princesa mora em um castelo e quando vir a se tornar rainha, terá também o seu próprio castelo. Mas para isso, deve saber como mantê-lo em ordem e em bom funcionamento, ainda que seja somente para dar ordens a seus funcionários no futuro”. A escola também oferece cursos menores, encontros de princesas, passeios de limusine… Como brincadeira de um dia, ainda passa. Mas colocar na cabeça de uma menina, hoje em dia, que para ser feliz no futuro ela terá que focar todos os seus esforços em um “casamento perfeito” é no mínimo um retrocesso. Parece brincadeira, mas sem graça nenhuma.