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Little Joy é o sol na noite de Porto Alegre

28 de janeiro de 2009 11

Tadeu Vilani

Atualizado às 12h25min

Cheguei em casa agora, 0h30min. Banho frio direto! E demorado, que é para aliviar o corpo do calor que tomou conta de mim e do Opinião na noite desta terça-feira, dia da estreia nacional do Little Joy na turnê de lançamento do primeiro disco de Fabrizio Moretti, Rodrigo Amarante e Binki Shapiro juntos. O bar estava quente – muito quente na verdade -, alvo direto do espetáculo solar e intenso do trio na capital gaúcha.

A banda subiu ao palco com a platéia ganha. No primeiro show de Rodrigo no Brasil depois do hiato anunciado pelo Los Hermanos em 2007, a plateia demonstrou saudades e admiração pelo brasileiro. Mais: não conteve o entusiasmo com o som do trio e a curiosidade sobre como Little Joy funciona ao vivo. 

De cima do palco, Rodrigo confirmou algo que havia dito durante entrevista à tarde, na passagem de som da banda (veja o vídeo aqui): quando lhe perguntaram por onde gostaria de começar o giro brazuca, escolheu Porto Alegre na hora, cidade que acolheu os Hermanos com carinho desde sempre! A admiração, pelo jeito, parece mútua.

O show em si foi maravilhoso. Sério mesmo. Candidato a melhor do ano desde já! As melodias pop, com ecos de suf music sessentista, bossa nova dos anos 2000 e atmosfera riponga-roqueira, batiam fundo entre o público. A abertura foi com a melancolia absoluta de Play the Part, que eles tocaram em meio a gritos sem trégua da galera (veja os vídeos abaixo). 

The Next Time Around veio depois, com Binki e Fabrizio cantando em português, inspiração havaiana e – especialmente no CD – coro masculino que me faz lembrar Caymmi (isso não sei explicar). Depois de How to Hang a Warhol, surgiu a leveza efusiva de No One’s Better Sake, de batidas quebradas, riffs singelos e aura praiana. Assim como The Next Time Around e Brand New Start, a música é como oferenda pop a Beach Boys e à geração surf music dos anos 50 pros 60. No caso de Brand…, melodia cadente e doce, mas não enjoativa, com harmonia incrível, abordagem lo-fi e andamento mais rápido que na versão original. Muito pop e irresistível.

Enquanto Unattainable, com Binki no vocal, e Shoulder to Shoulder são meigas e cativantes, Keep Me In Mind é a perfeita mistura de Los Hermanos com Strokes. Na verdade, a música poderia ser tanto de uma banda quanto de outra, dando dicas de que Fabrizio e Amarante são partes essenciais de seus grupos originais. Antes dela, o batera dos Strokes disse que, pela primeira vez neste giro mundial, se sentiu em casa. Delírio geral entre os fãs, como você pode imaginar. 

Don`t Watch Me Dancing foi tocada com entrega total, num espírito de banda de salão dos anos 50, final apoteótico e Binki cada vez mais me fazendo lembrar o tom aveludado e descompromissado de Georgia em alguns momentos de And then nothing turned itself inside-out, do Yo La Tengo. Posso estar viajando. É o calor, você sabe!

No bis, Amarante entrou sozinho para exibir a beleza predominante de Evaporar. É a música que mais se aproxima de Los Hermanos e, especialmente, de Marcelo Camelo solo. Nela, Rodrigo se mostra em sintonia com o parceiro carioca e se entrega à bossa sem ranço, como quem sabe o que agrada a gringos e troianos.

Play the Part

The Next Time Around

No One is Better Sake

>>>>> Entrevista em vídeo: Fabrizio diz que LA definiu o som do Little Joy

Postado por Danilo Fantinel

Comentários (11)

  • Helena diz: 28 de janeiro de 2009

    Show maravilhoso mesmo! Unir Los Hermanos e Strokes, pra mim, as duas melhores bandas (nacional e internacional) não poderia dar em nada diferente disso nao. Emocionante! De arrepiar!

  • jaque diz: 29 de janeiro de 2009

    fora o próprio show, que foi incrível, achei legal a receptividade da banda. pareciam todos bem legais. e o rodrigo e o fabrizio deram show de simpatia!

  • Daniel diz: 28 de janeiro de 2009

    O show foi muito bom! Em cima do CD, muito bem tocado. Mas o calor e a lotação estavam demais. Tudo bem que no Opinião cabem (não sei se é bem isso) 3 mil pessoas. Mas não precisa lotar a ponto de a gente não conseguir se mexer direito e , muito menos, ver o show. Eu que não tenho mais idade (acho que só tive até os 15 anos) pra me meter em pista lotada. Tive que e contentar em escutar (pelo menos o som estava bom). Vou pensar 2 vezes antes de ir a um show no Opinião de novo.

  • Marlon diz: 28 de janeiro de 2009

    o show estava muito bom. A sonoridade da banda é demais. o problema foi o local, muito ruim, quente ao extremo, não tinha como ver o show direito, devido a superlotação, problemas que não são de hoje. não sei o que acontece, se o opinião não está preparado para receber um grande show ou se a crise bateu e eles não ligaram o ar condicionado… era um calor insuportável mesmo. não vou mais em shows naquele local.

  • rodrigo martins diz: 29 de janeiro de 2009

    belíssima estréia nacional! um show muito bom mesmo. gamei na Binki! quando ela volta? risos!

  • ALE diz: 28 de janeiro de 2009

    O SHOW FOI MUITO LEGAL MESMO, MAS O CALOR LÁ DENTRO TAVA INSUPORTÁVEL. PÔ, O OPINIÃO NÃO CONHECE AR-CONDICIONADO??? JÁ TEM NAS LOJAS PRA COMPRAR!!!

  • Diego diz: 28 de janeiro de 2009

    Show fantástico!! muito bom mesmo…a parte ruim ficou por conta da sauna que estava lá dentro!!!

  • pri diz: 28 de janeiro de 2009

    adoreeeeeeeeeeeei o show! muito bom. os caras tocam muito e o rodrigo é um querido! amei.

  • Misael Lopes diz: 28 de janeiro de 2009

    Bom.

  • Vinicius Lopes de Almeida diz: 28 de janeiro de 2009

    O show tava sensacional, nem se fala, ótimo…

    Agora o calor que estava lá dentro estragou um pouco da festa, afinal todos estavam lá para curtir uma noite agradável e de bom som, mas o ambiente não fica nada agradável quando a temperatura é de uns 45°c. Esse show só confirmou que o melhor lugar para ver shows como o de ontem em Porto Alegre é no teatro do Bourbon Country.

  • Jo diz: 28 de janeiro de 2009

    O show estava maravilhoso!!! A banda é muito boa mesmo!!!

    Já o Opinião decepcionou mais um vez! Não é a primeira vez que vou a um show no Opinião e está um calor insuportável. Lamentavel a atitude deles desligarem o ar-condicionado para venderem mais bebida. Isso é não só um desrespeito ao público, como também ao artista. Percebi a Binki reclamando várias vezes do calor.

    É triste, mas infelizmente só volto a assistir um show no Opinião se for um artista muuuuuuiiiito especial!

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