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Através do 3D de Alice e o que encontrei por lá

12 de abril de 2010 6

Divulgação

Acabo de sair da cabine de imprensa da versão de Tim Burton para Alice no País das Maravilhas. O roteiro assinado por Linda Woolverton funde os clássicos de Lewis Carroll, As Aventuras de Alice no País das Maravilhas e Através do Espelho e o que Alice Encontrou Por Lá, para criar uma conexão simbólica e inédita para a realização do filme, no qual Alice, já com 19 anos de idade, esquiva-se de um pedido de casamento e volta ao estranho Mundo Subterrâneo que visitou quando era criança. 

De início, assim como no livro As Aventuras de Alice…, aquele bizarro local e suas criaturas malucas colocam em xeque a identidade e a sanidade mental da menina. Escura e sombria em grande parte, toda a dimensão onírica na qual Alice parece se encontrar está subjugada à ira insana da Rainha Vermelha. Assim, uma rebelião é arquitetada para acabar com a tirania, mas nada será possível sem que Alice intervenha. Para isso, será obrigada a tomar uma difícil decisão, deixando a infância para trás de vez (detalhe: na Inglaterra vitoriana muitas meninas de 19 anos já estavam “cansadas” de estarem casadas).

Sob direção de Burton, Alice torna-se uma espécie de Joana D’Arc sutil, não muito segura de si, para salvar um mundo calcado na dualidade entre bem e mal, sonho e realidade, possibilidade e inviabilidade das coisas. O ápice da revolução será o rito de passagem que a transformará em adulta para além do Mundo Subterrâneo. Moral da história, saca? E, talvez, uma moral muito óbvia para o gosto de Carroll. 

Burton é certamente um dos maiores criadores de fábulas da nossa época, mas neste Alice, apesar do interessante uso metalingüístico dos símbolos criados por Carroll – algo que instala uma ponte icônica entre os mundos real e Subterrâneo do filme -, o cineasta parece preso aos “limites Disney” de criação. Dessa forma, o resultado pende mais para um conto da carochinha high-tech do que para uma nova peça autoral do criador de totens pop como Edward Mãos de Tesoura, O Estranho Mundo de Jack e Noiva Cadáver

É estranho como Burton consegue criar bravamente atmosferas fantásticas e elementos cênicos impressionantes no filme, mas enfraquece o mesmo ao não imprimir vigor à obra como um todo. Dois momentos que tristemente ilustram essa deficiência ocorrem no comando de cenas importantes, como a do sacrifício imposto ao Chapeleiro Maluco e a da batalha final entre os exércitos das rainhas. Desenrolar fraco em momentos críticos.

Como em Avatar, o 3D é utilizado de forma discreta e elegante. A concepção de mundo é lindíssima, mas a história é, de uma forma geral, quadrada, fraca e comum. Pontos altos? Helena Bonham Carter como a Rainha Vermelha e Johnny Depp como o Chapeleiro Maluco, como era de se esperar.

O filme estreia no dia 23 de abril. Serão 400 cópias no Brasil, sendo 126 em Digital 3D. Nas cópias “normais”, 80% serão dubladas e o resto legendadas. Nas salas digitais isso depende, pois o cinema escolhe se quer dublado ou não.

Postado por Danilo Fantinel

Comentários (6)

  • RAFAEL diz: 12 de abril de 2010

    eu ja baixei mas ainda não vi , minha namorada viu ontem e não gostou , disse que era filme pra criança ahahahahah

  • Klaus diz: 12 de abril de 2010

    Ué, achei que a história se passava em Brasília! Putz, brochei!

  • raffa diz: 12 de abril de 2010

    Não concordo, a ideia de Burton é um filme para os olhos ,aliás sempre os filmes de Burton são feitos de imagens q chocam e brincam com o nosso inconsciente ,o filme salta aos nossos olhos desde a primeira cena,acho o roteiro bem desenvolvido ,enquanto a imagem pesa e chega a quase cançar ,o roteiro é leve e não ofusca a ideia original do filme, agora imagine vc um roteiro intelectual com toda aquela cenografia, seria um tanto cansativo,não sou fã fervoroso de Tim Burton mas admito q foi genial

  • gil diz: 12 de abril de 2010

    Valeu! nem vou gastar meu tempo e dinheiro para assistir ao filme, depois dessa explicação filosófica e sem graça…

  • Gustavo diz: 12 de abril de 2010

    A critica aqui descrita não condiz com a realidade. Falemos dos personagens, das interpretações, dos efeitos, mas criticar um roteiro que já é sabido, fora adaptado de um grande livro de literatura conhecido mundialmente é um pouco utópico, não achas? O que era esperado? Uma história totalmente inovadora que desvirtuasse completamente da original? Se assim fosse não deveria sequer fazer referência à Alice in Wonderland.

    >>>>> eu acho que vc não entendeu. não existe isso de “roteiro já sabido” pq o mesmo foi escrito a partir dos livros de Carroll. é um roteiro adaptado, com texto inédito, que não segue rigidamente as publicações do britânico. o roteiro filmado por Burton é uma nova história, não encontrada nas páginas de Carroll – essas, talvez, você tenha lido. ou seja, o filme descola-se dos dois livros do autor. relembrando: em Carroll, Alice é criança; em Burton, ela tem 19 anos. e sim, o filme deve ser visto!

  • Daiana diz: 18 de maio de 2010

    Veja como funciona a tecnologia 3D utilizada no filme Alice nos país das maravilhas: http://blog.3dmarket.com.br/videos-3d/alice-no-pais-das-maravilhas-3d/

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