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McCartney fecha turnê com espetáculo em Londres

28 de junho de 2010 14

Paul durante o show em Londres/Divulgação, Rock Calling

Sabe quando você vai a um show e diz “nossa, o show estava muito bom”? Pois então, eu fui a uma quantidade considerável de shows nesses últimos anos e, em grande parte deles, saí achando que tinha assistido performances da mais alta qualidade. Isto até ontem, domingo, quando tive a honra e o prazer de ser uma entre as 40 mil pessoas amontoadas no clássico Hyde Park, um dos maiores e mais belos parques de Londres, para ver Sir Paul McCartney tocar. A partir de ontem, qualquer outra apresentação a que fui pareceu um show de banda de garagem.

Afinal, o que pode superar, três horas (três horas!), de puro rock n´roll, nostalgia e talento puro, presenteados pelo cara que junto com John, George e Ringo foi responsável pela maior e melhor banda do mundo? Foi assim desde o início, quando cinco minutos após as 19h30, Macca surgiu no palco, abrindo os trabalhos com as canções Venus & Mars e Rock Show, ovacionado como se não estivéssemos num concerto, e sim num culto.

– Gente, vou pedir um minuto antes de continuar tocando, quero olhar para vocês, porque essa visão é muito legal – disse, repousando os braços sobre o baixo para canhoto, olhando fixamente para toda a platéia, olhando humildemente como se fosse a primeira vez que estivesse tocando para uma multidão tão grande.

Em seguida, emendou as canções Jet, da sua banda Wings, seguida de All My Loving, para delírio da galera. Na sequência, vieram Letting Go, Got To Get You Into My Life e Let Me Roll it, esta uma homenagem a Jimmy Hendrix. Sentando-se no piano, Paul conta ao público que Hendrix aprendeu a tocar Sargent Pepper apenas dois dias após o álbum ser lançado, só para poder incluí-la no set list de um show que fez em Londres.

Ao virar-se de volta para o piano, os primeiros acordes de The Long and Winding Road fizeram muita gente chorar, inclusive esta que vos escreve, em um momento de puro êxtase.

A partir daí, tudo que se seguiu foi surpreendente até para quem conhece bem o tamanho do talento de Paul McCartney, dono de um bom humor, carisma e fôlego inigualáveis. Conversando muito com a multidão, fazendo brincadeiras e tocando sem parar, tudo parecia tão natural, que a sensação era a de que estávamos no quintal da casa dele, vendo-o tocar para um grupo de amigos. Artista com A maiúsculo que é, McCartney sabe muito bem da força da bagagem que carrega sobre os ombros, mas a apresenta com uma humildade e espontaneidade desconcertantes, emocionado como se fosse um menino que mal começou a carreira.

São inúmeros os momentos com altas doses de emoção, como quando Macca homenageou John Lennon cantando Here Today, canção que escreveu para o companheiro após sua morte.

– Esta música é para ser a conversa final que não tivemos – disse.

Ou então quando, munido de um Ukulele, lembrou George Harrison.

– Vocês sabem que o George adorava tocar Ukulele, e um dia, quando estávamos na casa dele, pedi para que me ensinasse uma de suas canções. Eu toquei para ele essa música, e agora gostaria de tocar para vocês – iniciando uma adorável versão de Something.

O tempo voou como se três horas fossem três minutos, onde o enfileirado de alguns dos maiores clássicos da música não teve fim: Hey Jude, A Day in the Life, I´m Looking Through You, Two of Us, Blackbird, Back in the USSR, Eleanor Rigby, Ob-La-Di, Ob-La-Da, Let it be, Paper Back Writer, Live and Let Die…. e isso tudo antes de primeiro bis!

Após terminar a primeira parte do show, o primeiro bis trouxe Lady Madonna, Day Tripper e Get Back. Ao voltar para o bis final, empunhando uma bandeira da Inglaterra, Macca brincou:

– Gente, eu vou ter parar em algum momento, viu? .

O público gritava “não!”.

– Vocês vão ter de ir embora em algum momento também! – disse, rindo.

E o público continuou gritando não para que ele, então, emendasse:

– Já sei, vamos todos dormir aqui no parque então!, ovacionado pela multidão completamente entregue ao seu magnetismo.

Helter Skelter e Sargent Pepper`s Lonely hearts Club Band e The End arrebataram a noite, em que a frase “…and in the end, the love you take…is equal to the love you make” explicava exatamente a troca incrível entre o músico e a platéia.

Quando as luzes do palco se apagaram eu não conseguia parar de soluçar, coisa que em outras situações me deixariam envergonhada, mas milhares de pessoas estavam na mesma situação. Mesmo depois de três horas, ninguém queria ir embora. Muita gente ainda ficou parada ali, tentando absorver mais um pouquinho do que com certeza foi o melhor show da vida de muita gente. Da minha, pelo menos, foi.

>>>>> Leia sobre o show de Paul McCartney nos EUA em agosto de 2009
>>>>> Mais Paul McCartney
>>>>> Mais Beatles

Postado por Renata Peppl, direto de Londres

Comentários (14)

  • Diana diz: 30 de junho de 2010

    Mas escreve muito bem essa minha amiga!! Parabéns pelo texto Rê! Emocionante! Beijo!

  • Carlos Eduardo diz: 28 de junho de 2010

    Que ponta gigante de inveja! Nunca tive a oportunidade de assistir a um show do velho Macca. Cresci escutando Beatles, e tenho um carinho especial por Sir James Paul McCartney. Imagino que, se estivesse no show, minha reação seria muito parecida com a de Renata. Na primeira vez em que assisti a um DVD da fera (“Back in the U. S.”), já tive uma reação muito parecida, sozinho no quatro, chorando feito criança, nostalgia pura. O amor pelos Beatles é algo inexplicável. Só quem sente para entender.

  • Vera Peppl diz: 28 de junho de 2010

    Lindo, filha!!! Através de ti, pude realizar o meu maior sonho de adolescente beatlemaníaca! Tá, não foram os 4, mas um já valeu por todos! Como ele tá “enxuto”, não? Tu estás linda na foto, as usual… Te amo!
    Mom (já sei, é “mico” comentário de mãe…)

  • Lisandra diz: 28 de junho de 2010

    Parabens Renata, conseguiste transmitir tudo que sinti no show. Foi um espetaculo barbaro, maravilhoso!!!! Londres, Hyde Park, verao, Paul Mc Cartney… algo que nunca esquecerei

  • miguel diz: 28 de junho de 2010

    procurei simpatico no dicionario e achei uma foto do paul :D

    baita show.

    ponto alto: musica da tequila
    http://www.youtube.com/watch?v=YHbdd9k4v_k

  • Rafa diz: 28 de junho de 2010

    bah só pela descrição desse show, eu ja me emocionei…imagina vendo ao vivo. Parabens.
    Se der, coloquem algum link pra baixar o video desse show, logo rola na net. Abraços

  • Márcio Schneider diz: 28 de junho de 2010

    Bah! Sensacional o teu comentário! Tb tive as mesmas emoções, palpitações e, porque não dizer, uma felicidade extrema em ver um Beatle ao vivo. No meu caso foi em Glasgow (Hampden Park), 20.06, uma semana antes do show de Londres. A descrição feita por ti me fez reviver Glasgow de uma maneira muito viva. Conseguistes ter uma leitura muito lúcida de um fã (se é quelucidez é possivel numa hora dessas)… hehehe
    Grande abraço e vida longa ao Macca!!!

  • Alzira diz: 13 de julho de 2010

    Que magia é essa, Renata?! Consegui captar o que sentiste, da minha maneira, é claro. Muito emocionante! Tu és muito competente. Parabéns! E tu sabes, te “odeio” por tu teres estado onde sempre sonhei estar… Quanto aos Beatles, disseste tudo, penso que o cenário musical internacional se divide em antes e depois deles. Beijos

  • Danuza diz: 13 de agosto de 2010

    Guria, que história bem contada. Isso que é descrição, cheia de emoção de forma encantadora. Do início ao fim, tu nos prende e nos faz sentir o teu texto. Deve ter sido um momento magnífico!

  • Mariano Lorenzon diz: 28 de setembro de 2010

    Really cool, Ms. Peppl. That’s what I call a properly told gigstory. I saw Macca by myself in Earl’s Court once – it was amazing. You’re outrageously beautiful as well. Ever heard of a band called London Black Market? They usually play in Camden. Try and check it out. See you someday. beijos

  • Lauro d’Avila diz: 5 de outubro de 2010

    Renata,
    Em 1990 senti algo parecido e procurei registrar no texto que segue que titulei Overdose de Emoção: no Estádio do Maracanã, sábado 21 de abril de 1990, na última apresentação
    do ex-beatle Paul McCartney daquela turnê, a Lei de Gerson não se fez presente. As 184
    mil pessoas que lá estiveram, segundo os organizadores, divertiram-se entre a racionalidade e o delírio. Todos comungaram de um mesmo desejo: materializar um sonho há muito acalentado. Todas pareciam estar de volta no tempo, revivendo a época aonde o coletivo vinha sempre à frente do individual. Onde as pessoas se preocupavam com o todo e não apenas com as suas individualidades. Não se registraram acidentes, agressões, empurraempurra ou situações de: “primeiro eu”, “se eu estou bem o resto que se
    dane”, “fica na tua que eu ‘tou na minha” e coisas do gênero. Rapidamente
    as pessoas se conheciam e em poucos minutos trocavam impressões mais
    particulares sobre as circunstâncias em que cada um viveu esta ou aquela
    situação. Juarez e Cristina, de São Paulo, contaram que se conheceram,
    namoraram e se casaram sempre com o mesmo fundo musical. Paulo, de
    Belo Horizonte, lamentava não compartilhar com a mulher Lúcia e os filhos
    José e Ricardo que, mesmo não vivenciando a época se criaram ouvindo
    John, George, Paul e Ringo – Os Beatles.
    Todos foram reverenciar quatro em um e cantar um passado que está constantemente presente em suas vidas.
    O espetáculo foi maravilhosamente surpreendente. Não tinha como não ser. Nele encontramos a reconhecida competência de Paul somada a músicos de primeira linha entre os quais se destacou o brilhantismo do ex-Pretender Robbie McIntosh – um artesão high tech da guitarra e mais toda a parafernália que a tecnologia de som, luz e efeitos pode nos oferecer. Foram duas horas e meia em que se materializaram lindas canções de ontem e de hoje. Canções que só chegaram até nós pelo rádio ou no máximo em clipes e discos, jamais ao vivo e com tantos brilhos e cores.
    Alguns podem pensar que a situação econômica no Brasil daqueles dias não deveria permitir
    extravagâncias como àquela, mas muitos, como eu, tinham e tem a certeza que mais do
    que nunca numa época de tanta pobreza de espírito, uma overdose de emoção, qualidade,
    musicalidade, inteligência de toques sutis, lirismo e bom gosto colocaram a todos os presentes muito, mas muito acima da mediocridade. Foi a materialização de um mito em carne e osso e fez muito bem a todos que lá estiveram, física e espiritualmente.
    Lauro d’Avila
    Um dos 184mil presentes

  • Marcus Schneider diz: 5 de outubro de 2010

    Incrível mesmo sua descrição Renata.Meu irmão Márcio me passou isso quando foi a Glasgow ver o show neste ano,e eu quase tive um troço tb!!Ele diz que foi buscar o velho Macca para Poa e não duvido mesmo por que estávamos prontos para ir para algum lugar em busca de algum show dele e felizmente caiu pelas bandas de Poa!!Estamos os dois alucinados esperando pelos ingressos do Show dia 7-11,até mesmos passsagens de FLoripa onde moro p Poa!!Vamos ficar em baixo dele quase nos pés ,e adeus economias!!!
    Indescritível a sensação de que veremos um dos maiores shows do planeta!!!

  • Diego diz: 22 de outubro de 2010

    Olá Estou vendendo o meu ingresso. Gramado livre por R$ 900,00 se alguém quiser…. Contato pelo e-mail dmfseven@pop.com.br
    Motivo: Vou ver o show em SP
    Abraços!

  • Eduardo Schlindwein diz: 27 de outubro de 2010

    Também estivemos no show em Londres ( minha esposa Ana Cristina, minha enteada Camila e seu namorado Cadu ). Show maravilhoso em todos os aspectos: organização, segurança e pontualidade, Paul entrou no palco exatamente no horário previsto e pudemos assistir três horas de um show emocionante, com Paul tocando sucessos dos Beatles,dos tempos de Wings e outras obrasprimas. Ainda não consegui ingressos para o show daqui, mas se conseguir estarei de novo realizando um sonho antigo e que parecia que não se realizaria. A todos que puderem recomendo muito e principalmente vamos todos fazer deste evento um exemplo de civilidade, educação e exaltação ao maior cantor e compositor de todos os tempos.

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