Miike Snow proporcionou uma odisséia espacial durante o show realizado ontem no Beco, em Porto Alegre, dentro da 4ª edição da Popload Gig. Forte candidato a melhor show internacional do ano na cidade, os suecos criaram uma espécie de viagem eletro-acústica de sons, cores e sensações praticamente impossível de ser reproduzida em palavras.
Com atuação polarizada entre discrição e catarse, o trio acompanhado por três músicos de apoio (entre eles um baterista fodaço) forçou a mão no space rock turbinado por aditivos eletrônicos e se manteve concentrado em composições marcantes que variavam entre traços etéreos/psicodélicos e resquícios sonoros mundanos/naturais –, que por vários momentos remeteram a um folclore nórdico ancestral livre de caricaturas. Se o rock eletrônico está na alma de Miike Snow, as raízes escandinavas estão no DNA.
Execuções precisas, versões intensas e robustas para o material de estúdio, músicas estendidas, sonoridades em compressão, expansão e distenção, espasmos acústicos lúdicos, ataques eletrônicos indefensáveis, alternância entre escuridão total, sombras nebulosas e luzes ofuscantes... Miike Snow ao vivo é muito mais do que se pode relatar e muito além do que se poderia esperar.
O show foi como uma aurora boreal eletrônica cintilando na noite chuvosa. Faixas como Burial, The Rabbit, Black & Blue e Plastic Jungle eram como totens míticos, deixando a galera ora em transe, ora em êxtase. Sim, o poder dos caras é quase sobrenatural. Destaque para a explosiva Animal e para a over extended version de Silvia. Linda, linda.
Os suecos se sentiram em casa e, segundo a produção local, fizeram em POA o único bis da turnê nacional.
Vídeos:
Abertura com Cult Logic
Burial e Black & Blue
The Rabbit
Silvia e Plastic Jungle
Animal
Encerramento











