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Na expectativa para rever o melhor Beatle

27 de outubro de 2010 14

Por Renata Peppl

Vou confessar: eu nunca me considerei uma menina de muita sorte nessa vida. Nunca ganhei nada, nunca fui sorteada nem pra ganhar copo de caipirinha em rifa de ONG, quanto mais para algo que realmente fizesse diferença na minha vida. Mas esse ano eu vou ter que concordar que tem alguém dando uma forcinha no meu mapa astral. Afinal, para uma fã ensandecida, ter a honra de ver não apenas um, mas dois shows do Paul McCartney em menos de quatro meses, é algo que eu achava que só aconteceria quando eu estivesse dormindo. Mas cá estou eu, bem acordada, e com ingresso da pista premium na mão para ver o Macca dia 7 de novembro em Porto Alegre.

“Ah, tá! Porto Alegre!”, foi a frase que eu disse, em tom de desdém, quando começou o bafafá em torno da vinda do Paul para o Brasil e – pasmem ainda mais! – para a capital gaúcha. Eu, que em junho tinha dividido aqui no Volume a minha emoção por ter a chance de ver, em Londres, o show do Paul (situação que eu jurei que seria a primeira e única vez na vida que iria acontecer!), franzi a testa para quem me jurava de pé junto que ele ia tocar pertinho aqui de casa, no Beira-Rio! Afinal, há muito rolava o boato de que o Paul viria para estas bandas, e eu nunca acreditei que algo deste porte (um beatle. O beatle. O parça do Lennon, oh my god!) pudesse acontecer aqui do lado do meu quarto. Mas e não é que pode?

É bom que eu diga que foi preciso estar com o ingresso em punho – com direito a espera de NOVE horas na fila, virando a madrugada – para eu dizer em voz alta “Ok, o Paul vem mesmo. E eu sou uma moça de muita sorte”. E assimilar a situação. E depois que eu aceitei o fato é que me dei conta: tem gente que ainda não deixou a ficha cair. Ou quer se fazer de forte e não se emocionar numa situação dessas! Paul McCartney em Porto Alegre!

Há muito que eu defendo que o Paul era o melhor Beatle.  E digo isso sem desmerecer a genialidade de nenhum dos quatro, pois todos eram, gênios à sua maneira. John era o artista nato, o criador dos clássicos psicodélicos, a alma torturada e criativa. George era a força intimista e a guitarra impiedosa, e Ringo – me batam, se quiserem! – mas é um dos melhores bateristas que esse mundo já viu, além de pateta (no bom sentido!) do grupo. E tem o Paul.

O Paul foi o cara que começou de fato os Beatles (foi por ele que George entrou para a banda), também foi o cara que disse para o mundo que os Beatles terminaram, e o último a abandonar o navio de fato. O Paul é o mestre metódico por trás de cada acorde, o chato que insistia para que todos se esforçassem, para que permanecessem juntos (vale ver as filmagens das gravações de Let it be). O Paul é o mais careta dos Beatles (nunca foi o que mais “transcendeu”, se é que me fiz clara) e ainda assim, o mais capaz de confiar apenas no perfeito equilíbrio – entre talento nato e método – para compor dezenas das mais lindas e mais regravadas músicas (Yesterday é a canção com mais covers da história!) que existiram. A lista é infinita… Elenor Rigby (que ele compôs e tocou para a gravação quase sozinho), Penny Lane, Fool on the Hill, The long and Winding Road, dá para passar horas contando…

Ele nunca foi rockstar, no sentido poser da palavra, e mesmo sem afetação nenhuma não é possível fechar uma mão de músicos vivos (e grande parte dos mortos, vale dizer!) capazes de superar a sua maestria. E apesar disso, sempre senti que para muita gente ele era o segundo Beatle, logo abaixo do John. Para mim, talvez ele seja o primeiro porque soube levar, ao longo da carreira, o melhor de cada um dos quatro rapazes de Liverpool em sua essência de artista. Artista com A maiúsculo, diga-se de passagem. O que a gente vai ver em Porto Alegre é um Show com letra maiúscula também, sem grandes efeitos de pirotecnia, baseado apenas em algumas das melhores músicas de todos os tempos.

E aí, caiu a ficha? Nos vemos lá!

>>>>> Tire dúvidas sobre o show
>>>>> Texto, fotos, vídeos: McCartney em Londres em junho de 2010
>>>>> Texto, fotos, vídeos: McCartney em Atlanta em 2009
>>>>> Paul in POA: tudo sobre o show

Comentários (14)

  • Luixa diz: 27 de outubro de 2010

    haha, só podia ser tu renata!!!

  • Natalia diz: 27 de outubro de 2010

    Adorei o texto, simples e direto. Argumentos concretos a respeito da maestria de Paul; ele sim é o Melhor Beatle (com M maiúsculo).
    E o melhor de tudo: em Porto Alegre – Rio Grande do Paul.

  • José Alessandro diz: 27 de outubro de 2010

    Renata, tu és o Paul da Solteiríssima!

  • Gilberto Saugen diz: 27 de outubro de 2010

    Foi uma baita sacanagem do organizador do show (Grupo RBS?) não ter programado uma 2ª noite em P.Alegre, após terem sabido antecipadamente que TODOS os ingressos seriam logo esgotados ! Como é que em São Paulo isso foi possível? DEIXO AQUI MEU PROTESTO.

  • Annita diz: 27 de outubro de 2010

    Tenho a dizer que também estive no show de junho no Hyde Park em Londres, e que que nunca acreditei que tivesse a chance de ver Paul McCartney aqui em casa. Imperdível, imperdível! Todo mundo lá dia 07/11 para ver o show de uma vida.

  • Alzira diz: 27 de outubro de 2010

    Renata, querida, mais uma vez te superando, tanto como fã de Paul McCartney como jornalista brilhante que és! É sempre prazeiroso ler teus comentários. Informação com sensibilidade, é isso. Parabéns! Beijos Alzira

  • Jefferson Coronel diz: 27 de outubro de 2010

    Grande texto. Sou fã incondicional deste cara também. Saou gaúcho e moro em Manaus. Pois sai daqui, fui a Porto Alegre comprar ingresso e vou para o show, de qualquer jeito. Alías, vou fazer o quase impossível, sair de carro de Manaus e ir até Porto Alegre. Mando carro de balsa até Porto Velho e de lá sigo, ida e volta.
    Até lá…. abraços.

  • Ciro Peppl diz: 27 de outubro de 2010

    Mas bah tche! tu até parece como minha filha que herdou a adoração pelos Beatles dos Pais.
    Tambem vou estar lá no show…

  • Marcelo S. Coelho diz: 27 de outubro de 2010

    “mesmo sem afetação nenhuma não é possível fechar uma mão de músicos vivos (e grande parte dos mortos, vale dizer!) capazes de superar a sua maestria. ”

    acho que não existe NENHUM músico vivo que chegue perto do Paul hoje em importância e talento. pois é gente, o maior de todos vai tocar em Porto Alegre.

  • Adelson Peppl diz: 27 de outubro de 2010

    Esta é minha sobrinha! Muito bem escrito, parabens.

  • andre ravara diz: 27 de outubro de 2010

    Não aguento mais todo mundo querer contar sua experiência Pauliana!! Acho q tb vou contar sobre os shows do Macca que vi no Brasil, USA e UK.

  • Arthur diz: 27 de outubro de 2010

    Pois é. Pena que ele morreu e quem vem aí é William Campbell, um sósia do original. hahaha

  • Marcus Schneider diz: 28 de outubro de 2010

    Concordo com tudo que vc falou e acrescento: o velho Macca gosta da função de subir em um palco,tocar,ver a nostalgia na face das pessoas,ele ama toda essa loucura em volta de um show,basta ver qualquer vídeo dele.Ele é tão bom no que faz, que meu filho de 3 anos já está contaminado com toda essa loucura,68 anos agradando a todos,pais,filhos,netos,avós,bisnetos!!
    Estaremos no premiun tb Renata,tirando com pazinha para ver o velho macca tocar em Poa!!
    Falta pouco!!

  • Renato diz: 28 de outubro de 2010

    Sei q é difícil o cara aparecer no fim do sul da América do Sul, mas considerar o Paul o melhor Beatle, acho q é no mínimo um exagero, o melhor trabalho na carreira pós-Beatles foi com o The Wings e como Beatle os falecidos da banda pra mim eram muito melhores. Ele tem o mérito e tal como ótimo músico, mas aguentar a fase pop dele é muito ruim…. Entendo o entusiasmo e tal mas limito-me a apenas isto.

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