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Paul, o extraterrestre

08 de novembro de 2010 13

Por Renata Peppl

Então, eis que começo a acreditar naquela lenda urbana de que Paul McCartney está morto mesmo. Pois o ser que se viu neste domingo, em um Beira-Rio lotado com mais de 50 mil pessoas embasbacadas, não é deste mundo. É uma máquina. Ou um extraterrestre. Algo programado para fazer o impensável com uma facilidade desconcertante, capaz de deixar qualquer mortal boquiaberto.

O show de Paul em Porto Alegre (está aí uma frase que eu nunca achei que iria mencionar na minha vida!) provavelmente deve ter surpreendido até quem se julga fã número um do cara e dos outros rapazes de Liverpool. Ver Macca assim, ao vivo, é o atestado final para aquelas pessoas às quais poderia restar alguma dúvida: ele é o maior músico que a arte contemporânea já viu. Mestre até o último fio de cabelo.

A começar por detalhes que fogem à fantástica qualidade musical em si. Alguém viu o senhor de 68 anos, avô de quase uma mão cheia de netos, parar para descansar e tomar água? Alguém viu o artista parecer cansado ou desalinhado da impecável camisa branca que vestia com suspensórios mesmo após TRÊS HORAS de rock puro? E ainda, alguém consegue entender como um homem responsável por mudar a história da música ainda se apresenta para o público com aquela vontade e emoção de estar no palco como se fosse a primeira vez? Coisas que só o sobrenatural conseguiria explicar de fato.

Eu, que tinha assistido à apresentação da Up and Coming Tour em junho deste ano em Londres, achei que não poderia me emocionar tanto em uma segunda vez, mas obviamente eu subestimei a capacidade do Paul e da fantástica banda que o acompanha. Desde os primeiros acordes de Venus and Mars e Rock Show, passando por uma lista de sucessos que fizeram muito marmanjo chorar como criança – Let it be, Here Today, Blackbird e Something estavam entre as boas pedidas para derramar lágrimas – e finalizando com momentos apoteóticos como em Live and Let Die, Hey Jude e Band on the Run, dizer que o show foi impecável é pouco. É o show da vida dos gaúchos.

O setlist foi um pouquinho diferente do show que assisti em Londres e, se é possível que eu possa dar pitaco em um show tão irretocável quanto este, teria dito pro Paul de cantinho: “Toca Two of Us, como você fez na capital inglesa, e não And I Love Her”. Para mim foi o único momento que achei que a energia caiu um pouquinho. Mas que diferença faz após três horas de pura emoção?

Talvez a grande – e adorável- diferença entre os dois shows que assisti foi ver o esforço do ex-Beatle em arranhar um português e até um gauchês, arrancando risos do próprio Macca e da galera embevecida. Há de se dar crédito também aos músicos que acompanham a Up and Coming Tour por manter a energia lá no alto. Em perfeita sinergia com o ídolo maior, o simpaticíssimo baterista Abe Laborial Jr., os guitarristas Brian Ray e Rusty Anderson e o tecladista Paul “Wix” Wickens estão em comunhão com a simpatia e o carisma de Paul, e a harmonia só deixa tudo mais incrível.

Aliás, tive a oportunidade de entrevistar Brian quando ele desembarcou em Porto Alegre e ele me confirmou a suspeita que já carregava comigo, e da qual ele compartilha: “Paul não é deste planeta mesmo. Acredite”. Se até o cara que está na estrada com ele há quase dez anos diz isso, quem sou eu pra duvidar?

Se faltou alguma coisa para mim neste show, foi uma assinatura do Paul no braço, como ganharam aquelas duas gurias sortudas – uma gaúcha e outra catarinense – ao final do espetáculo. Morri de ciúmes. Teria feito a tatuagem com certeza. Mas cá entre nós, fica a pergunta: quem, depois de assistir a um show de uma vida como este, não faria?

>>>>> Paul McCartney reproduz parte da história da música pop em POA

>>>>> Texto, fotos, vídeos: McCartney em Londres em junho de 2010

>>>>> Texto, fotos, vídeos: McCartney em Atlanta em 2009

>>>>> Paul in POA: tudo sobre o show

Comentários (13)

  • Andressa Michels diz: 8 de novembro de 2010

    Quero dar parabéns à você, Renata Peppl, pelo ótimo texto que acabei de ler. Dentre tantas matérias falando exatamente a mesma coisa, além de uma que não consegui me conter e deixei um recado corrigindo o autor (falou que o nome do filho do John é Julie! Fala sério!), encontrei seu tempo que fala algo novo: realmente descreve a emoção de estar em um show como este! Realmente como fã! Não contando o que todo mundo já sabe!

    Eu verei o show do dia 22 aqui em SP, ao vivo, mas é claro que verei pela tv o do dia 21! E só de ler os tweets referentes ao show de POA, já estava chorando em casa!

    Obrigada pelo seu texto!

    Andressa

  • Matheus diz: 8 de novembro de 2010

    Não gosto de admitir, mas também faria essa tatuagem. Foi o show da vida, alias, esse empata em primeiro lugar com outro: o do Macca em Londres. Sensacional a emoção. O cara é GÊNIO ou um extraterreste, ou ambos.

  • Tony (BH) diz: 8 de novembro de 2010

    Olá !

    Sou de Belo Horizonte e fui assistir ao show ontem no Beira Rio. Sua resenha, Renata, é impecável. Foi o show da minha vida.

    O que comentei com minha esposa, que acompanhou-me, foi exatamente iso: como um cara que escreveu um dos mais importantes capítulos da história da música, um ícone, uma lenda, que não precisa mostrar mais nada para ninguém, pode se esforçar tanto para que o show seja tão magistral quanto foi? Talvez a resposta esteja na própria pergunta: por ser tudo isso, é que ele jamais vai abaixar o nível que atingiu.

    Até no português que ele falou, as expressões sulistas, o cuidado com a pronúncia, o bom ouvido ao repetir o “ah, eu sou gaúcho!”… incrível. Ele realmente não é deste planeta. Este show estará sempre em minha memória.

    P.S.: E obrigado pela recepção que tivemos. Todos em minha volta no show muito gente boas. Primeira vez que vou ao Rio Grande, mas certamente não será a última. Povão nota 10 ! Galera alto-astral !

    Saudações beatlemaníacas a todos,

    Tony

  • Fernanda Moncks diz: 8 de novembro de 2010

    Tu conseguiu expressar bem tudo que sentimos ontem à noite…
    Ele parece não ser desse mundo mesmo, mas que bom que pudemos estar lá pra ver aquele espetáculo quase irreal.
    Não é à toa que ele é o Paul. Não é à toa que ele é ídolo!
    Parabéns, Rê!

  • Luísa Helena diz: 8 de novembro de 2010

    Lembrava de ti a todo momento no show! Em tudo o que tu já tinha comentado e recomendado (como ir de rímel a prova d’água, hehe) antes.
    No final a adrenalina foi tanta que não cheguei a chorar. Acho que vou chorar ao rever os vídeos em casa. Mas certamente, ver aquela multidão vibrando, cantando junto, não deixando nunca de estimular o ídolo no palco, foi demais :~

    Vontade de ir no show de São Paulo de novo. sabe?

  • Ciro diz: 8 de novembro de 2010

    Traduziste em palavras o sentimento de mais de 50.000 terraqueos embasbacados com aquela nave de 30 metros de altura pilotada pelo Capitão Paul.
    I love you.

  • Cristiano Schmitz diz: 9 de novembro de 2010

    Lindo texto, lindo mesmo. Quase escorreu uma lágrima agora, pensando no show. Parabéns, Renata.
    Cada segundo desse show foi muito afudê.

    Eu, que não dei a devida importância ao evento antes de ouvir os primeiros acordes, me sinto um privilegiado por ter ido a esse show. Realmente todas as minhas expectativas foram dilaceradas.
    Tudo foi muito melhor do que eu imaginava. Paul é gênio.

  • Roselena diz: 9 de novembro de 2010

    O cara é muito bom, é um gênio, sem palavras para descrever, esse ícone! Parabéns pelo teu texto Renata, em poucas palavras disseste TUDO ! Foi o SHOW DAS NOSSAS VIDAS!!!Abração!

  • Carlos Eduardo Rostirolla diz: 9 de novembro de 2010

    Colo, aqui, o mesmo “post” que lancei no blog “Fans on the run”, compartilhando a minha alegria com vocês:
    Perfeição! Não há palavra melhor para descrever o que vimos no Beira-Rio. Um gênio humilde, carismático, gentil, alegre, elétrico… Em sua plenitude, sem dúvida alguma. É praticamente impossível de explicar a sensação durante as 2 horas e 50 minutos de show. Quem foi, sabe bem o que eu digo. Enquanto Paul McCartney comandava o maior espetáculo de toda a minha vida, com direito a “ah, eu sou gaúcho”, o clima era de absolutas paz e harmonia. Uma verdadeira comunhão de energia positiva, de felicidade em sua forma mais pura e simples. Valeu cada longo segundo de uma espera marcada por uma ansiedade absurda, deflagrada já com os rumores da vinda do mestre! Mais. Valeu cada um dos inúmeros momentos em que me pegava pensando como seria assistir ao grande Macca, ao vivo, e ter a oportunidade de cantar, em uníssono com ele e outras 49.999 pessoas, aproximadamente, as músicas que embalam a minha vida e os meus sonhos. Foi mais do que eu imaginava. E acreditem, não era pouca coisa o que eu tinha em mente, não. Não mesmo! Fico todo arrepiado só de escrever este depoimento. Uma experiência fora de série, única, daquelas que nos fazem lembrar o quanto a vida pode e deve ser maravilhosa. Da minha parte, a euforia ainda não cedeu lugar ao vazio. Continuo com cara de bobo, recontando todos os detalhes do show para quem estiver disposto a ouvir. E para quem não está, também! Não sei quando vou sair do transe, do estado de êxtase. Quando e se isso acontecer mesmo, certamente vai bater uma pontinha de vazio, regada a litros de nostalgia pura; contudo, a sensação de missão cumprida, sem sombra de dúvida, vai imperar, intangível, soberana. A todos que compartilharam daquele espetáculo que não foi nada menos que pura mágica, um carinhoso abraço! Paul está vivo, sim! E mais do que nunca! Assim como todos nós réles mortais que tivemos a honra de estar diante dele, O Cara!
    P. S.: Renata, a questão não é se ele é ou não deste planeta? A questão é se ele é real mesmo! hehehehe

  • Marcito diz: 9 de novembro de 2010

    o show começa com Venus and Mars não meramente por acaso, isso tem sim um significado nas entrelinhas,, mesmo que seja apenas na imaginação fértil daqueles que buscam um sentido para algo que não podemos apalpar, mas podemos sentir..
    também ñ é por acaso que este nobre Ser falou sempre do Amor através de uma linguagem que, hoje percebemos mais do que nunca, é sempre atual e universal, sendo renovavel a todo instante e quem sabe nos lugares mais remotos deste planeta..
    por fim, toda generosidade e cavalheirismo não se explica unicamente pelo fato dele ter o “dever” de manter sua imagem, ou mesmo como forma fiel de gratidão pelo carinho e “espera” de todos que um dia nem sequer sonharam em poder, de fato, estar na sua presença…
    Parabéns aos organizadores!!
    Muito Obrigado!!

  • Gustavo diz: 9 de novembro de 2010

    Paul McCartney é a lenda viva do Rock ‘n’ Roll. É um gênio. Fez com John Lennon a parceria mais genial, bem sucedida e imortal da história da música e arte. E isso vale também para o genial George Harrison.
    Os Beatles são e sempre serão a maior e melhor banda de todos so tempos. É uma banda atemporal, imortal.
    Eu gostaria de ter ido ver na minha Porto Alegre. Mas como moro em Curitiba não deu. Vou para São Paulo no dia 22. Não aguento de tanta ansiedade para ver o mestre Paul.
    Mas enfim, o show de um mito como ele não poderia ser diferente, ou seja, espetácular, incrível…
    Eu já vi shows de Ramones, AC/DC, Motorhead, Iron Maiden, Nofx, Sepultura e muitas outras grandes bandas.
    Mas esse show vai ser diferente, esse vai ser a realização de um dos meus sonhos.

  • Dan diz: 9 de novembro de 2010

    Belo texto. E gata.
    Renata, VOCÊ é desse mundo???

  • Alzira diz: 13 de novembro de 2010

    Mesmo após quase uma semana, ainda em tempo de compartilhar contigo, Renata, e com todos que leem esta resenha. Não é necessário dizer mais nada, além de: VALAEU A PENA A ESPERA DE MAIS DE 40 ANOS PARA ASSISTIR AO SHOW DE SIR PAUL MCCARTNEY!!! O sonho se realizou! Bjs

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