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LCD Soundsystem faz prévia do fim em POA

21 de fevereiro de 2011 1

O show do LCD Soundsystem realizado ontem à noite, em Porto Alegre, foi uma prévia do espetáculo de encerramento da banda, marcado para 02 de abril no Madison Square Garden em NY – e já definido por James Murphy como o funeral do grupo que marcou os anos 2000 com um rock eletrônico convulcionado por percussão hipnótica e ironia celebratória.

Coeso e consistente, o combo nova-iorquino apresentou algumas das melhores faixas dos três discos do grupo com energia e entrega, mas havia um certo torpor no ar. Apesar da intensidade sonora do LCD, que ultrapassa gêneros musicais com uma naturalidade única, algo não soou inteiramente vital. Se os músicos da banda pareciam sofrer de algum tipo de ‘pré-ressaca’ histórica, tendo em vista o fim próximo, James Murphy apresentava um aspecto resignado.

No entanto, essa sensação de fin de fête antecipada não comprometeu o crossover estilístico do LCD  Soundsystem, muito menos a histeria verborrágica de Murphy. O preview do fim foi, no fim das contas, um review da década passada a partir de rocks compostos por letras quilométricas e aditivados com batidas eletrônicas pouco óbvias, percussão robusta e alma indie -, que preenchem e expandem o som da banda para além dos limites impostos por rótulos.

Da eletrônica e deliciosamente torta Dance yrself clean, passando por Daft Punk is playing at my house, revigorada e bem mais roqueira ao vivo, e All my friends, absurdamente intensa, várias faixas se transformam em uma massa sonora robusta e enérgica sobre o palco. Ficam muito mais potentes do que em disco.

Tribulations foi forte e irônica, com guitarra em destaque contrastando com I can change, linda, romântica e esperançosa em grau máximo. Movement teve uma das execuções mais incríveis da noite. Começou lenta, quase fraca demais, para em seguida explodir em bateria, beats e guitarras. Foi o momento mais punk do show.

Se Yeah veio gostosa, totalmente funk, com Murphy espancando os instrumentos de percussão, a rebuscada e referencial Losing My Edge apareceu como um testamento pop nervoso – uma espécie de relato cerebral, estético e estoico do nosso tempo, principalmente no que diz respeito à música.

Por outro lado, a singela Home acalmou as coisas, remetendo a algum momento mais acalentador apesar da letra desafiadora. “Just do it right; Make it perfect and real; Because it’s everything; No everything was never the deal; So grab your things and stumble into the night; So we can shut the door; Oh, shut the door on terrible times”.

Dramática e melancólica, New York, I love you but you’re bringing me down encerrou a apresentação em POA no maior clima pós-rock, com direito a guitarreira, microfonia, dissonâncias, freak jam, volume máximo e luz branca na cara do público, como se a banda estivesse desconfortavelmente dizendo: “É isso mesmo! Acabou! Podem ir embora agora”.


E assim deixamos o local do show, resignados.

>>>>> Mais fotos do show no flickr do Codevilla

>>>>> Mais LCD Soundsystem

Vídeos

Drunk Girls

Daft Punk is playing at my house

Comentários (1)

  • Mateus Brites diz: 21 de fevereiro de 2011

    E foi assim mesmo!
    Acho que essa resenha tá ótima e diz como foi o show e o que parecia que a banda queria passar.
    Parabéns!

    Mateus.

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